sábado, 6 de novembro de 2010

POEMINHA

                                    Minha casa meu lar!

Toda casa tem parede.
Tem telhado.
Tem janela.
Toda casa tem panela.
Tem fogão.
Tem geladeira.
Também tem que ter cadeira.
Prá sentar e descansar.

Mesa, com jarro no centro.
Prato, colher, garfo e faca
Tudo isso também tem.
Abridor e secador.
Pregador tem no varal.
Pano de prato, e jornal.

Tem que ter a frigideira.
E também a saladeira.
No quarto fica a cama.
Na sala fica o sofá.
No banheiro tem chuveiro.
Na cozinha  galeteiro
Também não pode faltar
Toalha, concha e vassoura.
Para o pó, espanador.

Isso tudo e muito mais.
Uma casa tem que ter.
Mas uma casa, realmente;
Para ser feliz de verdade.
É preciso com certeza.
Além de muita beleza.
Ter amor e muita paz!

                                                             Edison Borba



   

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

HISTÓRIA DE PESCADOR

WEIMAR
Nasceu numa pequena cabana de pescador. Seu pai vivia do mar e no mar. Pela manhã, com o vento soprando ruma ao desconhecido, o pescador Tonho se deixava levar pelas ondas, feliz como passarinho que sai da gaiola deixando na beira da praia sua mulher e a filharada. Weimar, o caçula, aprendeu com o pai e os irmãos a jogar a rede, a puxar arrastão, a identificar vento de chuva ou brisa que acalenta.  
Amava o mar e tudo que nele habitava. Conhecia os segredos das ondas e das marés.
Quando não estava pescando, junto com seus companheiros, ficava  sentado na beira da praia, com os olhos perdidos na imensidão oceânica.
Homem bonito. Pele bronzeada e lindos olhos azuis.  Sabia como ninguém manusear uma rede, que nunca voltava vazia. Na vila, os pescadores afirmavam que ele tinha o poder de atrair os peixes. Iemanjá provavelmente havia se enamorado de tão belo homem, satisfazendo todos os seus desejos. Mas esse enamoramento tinha um preço: Weimar era um  solitário.
Seus irmãos casaram, formaram família e, continuando a tradição dos pescadores, saiam para pescar deixando suas mulheres acenando e rezando para que  voltassem, trazendo as redes repletas de peixes.
Apenas Weimar partia só.
Quanto mais o tempo passava, mais Weimar ficava diferente. Suas pescarias se tornavam mais longas, havendo ocasiões que ele ficava dias sozinho naquele infinito oceano. Sua mãe já não tinha mais lágrimas. Já havia chorado mares de prantos. Seu menino estava cada vez mais longe.
Na vila, homens e mulheres percebiam as mudanças no companheiro. Algo estranho estava acontecendo. Quando mergulhava, Weimar era capaz de ficar muito tempo sob as águas.
E, ao emergir, o fazia com uma força inigualável.  
Suas pescarias se tornaram mais longas. Quando adentrava ao mar, ninguém sabia quando voltaria. Suas redes já não traziam tanto pescado, às vezes voltavam vazias.
É história, passada de boca em boca, que numa noite de lua cheia, uma bela mulher saiu do mar e levou consigo o belo pescador.
Caminhou com ele pela areia da praia por um longo tempo. A lua cheia prateava o imenso oceano formando uma linda estrada pela qual os dois seguiram de mãos dadas. Há quem afirme que era Iemanjá que veio buscar o seu amor. Weimar nunca mais foi visto, sua cabana ficou abandonada e seu barco ancorado no porto. Em noites de lua cheia, quando a brisa sopra do mar para a praia, é possível ouvir os dois sussurando juras de amor.                                                          Edison Borba
DO LIVRO - DOIS EM CRISE - página 99

ANALFABETOS

“- Quando eu vejo um livro, só vejo letras. Sinto vontade de saber o que está ali. Mas quem é que vai ditar para mim? O que eu posso fazer?” Declaração da senhora R. C. R. – mulher analfabeta.
R é uma brasileira  entre tantos  que só reconhecem as letras, mas não conseguem saber o significado quando elas se juntam. As palavras, as frases, os textos, as notícias – nada pode ser reconhecido. Apenas as letras, sozinhas, isoladas e sem significado.
O que não consegue ler. Não consegue entender. Não consegue ser. Pessoas assim não existem. Não são mensuradas. Não são politicamente corretas. São ignoradas! São analfabetos!
Fico imaginando alguém olhando um jornal ou um livro, e não conseguindo desvendar o código ali contido. Por mais que eu tente, não posso perceber, como deve ser o  mundo do analfabeto. Aprendi a ler aos seis anos de idade. Meu universo é recheado de termos, textos, frases, poemas e milhares de imagens formadas a cada nova palavra decifrada. Creio que os “iletrados” fazem parte de outro planeta. Eles habitam outro mundo – o dos esquecidos!
Viver no mundo dos livros, revistas, computadores, anúncios, letreiros o mundo das palavras e não saber o seu significado. Viver no mundo das letras e não conseguir decifrá-las. Depender de alguém para reconhecer os códigos contidos em documentos é absolutamente impensável para nós que dominamos esse universo.
Ler é desvendar, interpretar e analisar de forma pessoal os mistérios codificados nas vinte e seis letrinhas que formam o nosso abecedário.
Analfabeto é refém! É dependente!
Suas ações serão tomadas conforme o que ouviu de alguém, que ao ler, coloca sua entonação pessoal, que  transforma o conteúdo da mensagem.
Após todas essas considerações, fico pensando: a quem interessa a existência de tantos analfabetos?  A que propósitos eles são úteis?
Esse grupo não é citado em nenhuma campanha. Não é lembrado em seminários. Não é analisado por pesquisadores. Eles vivem no limbo. No esquecimento. Vivem mergulhados no escuro universo da cegueira das letras! Eles vivem ao nosso lado e não os reconhecemos!
                                     Edison Borba


quarta-feira, 3 de novembro de 2010

EDUCAÇÃO E EMPREENDEDORISMO

ENTREVISTA – JORNAL FOLHA DIRIGIDAPUBLICAÇÃO: 02 A 08 DE NOVEMBRO/ 2010.
 ENTREVISTADO - EDISON BORBA – PROFESSOR
JORNALISTA -  RENATO DECCACHE
PARTICIPAÇÃO: LUIZ MAYNART – PEDAGOGO
OBSERVAÇÕES:
Essa entrevista foi realizada tendo como objetivo, divulgar a 4ª Exposição de Inovação e Tecnologia, do Programa Inovar Para Crescer nas Escolas – PINCE
DESTAQUES:
Destacamos abaixo algumas observações citadas pelo entrevistado:
>“Cada vez mais a família e o mercado precisam de pessoas com senso de observação, criatividade, curiosidade, pró-atividade e com disposição para mudanças”.
 > “Não se constrói espírito empreendedor na idade adulta. Essa ação é inata nos indivíduos.
Porém cabe ao processo educativo fazê-la aflorar ou não. Cada sala de aula deve oferecer desafios  capazes de fazer com que essa atitude inata possa se desenvolver”.
>”Nossos alunos precisam entender que todos os conteúdos escolares estão interrelacionados, e que eles são importantes para a abertura de oportunidades no mundo moderno”
>”O que acontece dentro das escolas não pode ser alienado ao nosso cotidiano. Necessitamos transformar nossos jovens em cidadão capazes de serem empreendedores das suas próprias vidas”.
>”Pobre da nação que demora para iniciar o processo educacional em seu povo”.
>”Não podemos continuar com um ensino alienado das questões socioambientais”.
>”Atualmente temos grandes dificuldades para fazermos com que as sociedades reduzam a quantidade de lixo produzido diariamente. Temos dificuldades também no que se refere as leis”.
>”As escolas refletem a sociedade nas quais elas estão inseridas. Portanto, trabalhar este tema ou qualquer outro nas escolas brasileiras, ainda tão desprovidas dos mais simples materiais pedagógicos é muito difícil”.
>”As questões educacionais não são resolvidas apenas com a criação de leis e regras. Não basta criar disciplinas com conteúdos relacionados ao empreendedorismo.É necessário que mudemos a essência comportamental humana. Isso leva muito tempo!”
>”O Projeto Inovar Para Crescer nas Escolas – PINCE, do qual sou Coordenador Pedagógico, trabalha há quatro anos por uma educação inovadora!”
Em nome da Equipe do PINCE convido a todos a visitarem o nosso SITE:
                       WWW.PINCE.COM.BR
                            Edison Borba

terça-feira, 2 de novembro de 2010

NASCE UM ANJO

                                                            
                        Um anjo caiu do céu.
Uma menina caiu da janela.
Uma criança ... um anjo ...
Não soube voar!
Dançava e cantava trazendo alegria!
Voava em seus sonhos de menina sadia.
Um anjo foi jogado do céu!
Mas anjos sabem voar!
Anjos sabem pairar sob as nuvens.
Fazer cambalhotas, fazer piruetas, dançar e cantar!
Por que esse anjo caiu sem voar?
Quem fez a menina parar de sorrir?
Quem fez esse anjo deixar de existir?
Deus faz os anjos para nos alegrarem.
Alguns ELE deixa no céu a brincar.
Outros ELE manda para nos presentear.
Escolhe as pessoas com quem vai ficar.
Estou cá pensando se ELE errou.
Enviando esse anjo para mãos desumanas.
Ou será que fez certo?
Quando o anjo caiu no jardim sobre a grama.
Uma luz, uma estrela a todos guiou.
Um anjo nascia!
No jardim manjedoura!
Somos todos Reis Magos em busca da luz!
Luz salvadora para o mundo moderno.
Nasceu mais um anjo, ali no jardim.
Pertinho do povo mil anos depois.
Nasceu diferente. Invertendo a questão.
Morreu prá nascer e fazer florescer
A paz e o amor nessa nova estação!
                                       Para Isabela Nardoni
                De Edison Borba      



segunda-feira, 1 de novembro de 2010

DOIS EM CRISE (livro)

Este livro contém histórias de homens e mulheres.
Os personagens femininos são de Maria Teresa Moreira, e os masculinos surgiram do meu imaginário. São 26 homens, cujos  nomes percorrem todo o nosso alfabeto. Do Álvaro ao Zé, não esquecendo o Kanyomar, o Weimar e o Yago.
Cada um com uma história. Um drama. Uma crise.
Visitem este mundo misterioso, e conheçam incríveis personagens e suas histórias.
Boa leitura!
                                                                                info@allprinteditora.com.br
                                                                                (11) 2478.3413

UM DIA MUITO ESPECIAL


                                   Essa é uma história para quem gosta de cinema.
                         Quantos dos filmes citados no texto você é capaz de lembrar?

              Caminhando pelo JARDIM DE ALÁ, em busca de uma DOLCE VITA, acabei me
perdendo NO CAMINHO DOS ELEFANTES. Estava tendo um DIA DE CHACAL, horas e horas caminhando, sem encontrar um GRANDE HOTEL onde pudesse me hospedar e fazer, como dizem as freiras: UMA MUDANÇA DE HÁBITO. Continuei caminhando A ESPERA DE UM MILAGRE. Já estava me sentindo um KING KONG, suado e empoeirado. Realmente aquele dia estava  SOB O DOMÍNIO DO MAL. Nem ULISSES e os GLADIADORES, teriam resistência que eu estava tendo naquele momento. Tudo o que eu mais queria era encontrar um AEROPORTO. Estava me sentindo um GHOST vivendo sob aquele IMPACTO FULMINANTE. Caminhava às cegas, eu que já fui UM PODEROSO CHEFÃO, chamado de O ILUMINADO estava ali à mercê DOS RATOS DO DESERTO. Nem PRÍNCIPE DAS SOMBRAS, eu me sentia sob àquele sol ardente. Com minha FACE OCULTA, sob um cachecol, sentia na pele que tinha sido vitima de uma TRAPAÇA. Tal como ZUZU ANGEL, tentava desvendar aquele mistério. Qual foi o motivo que me levou a embarcar NUM TREM PARA DURANGO, que em alta velocidade, atravessou o RIO GRANDE, não parou na estação de CASABLANCA, deixando UM CORRESPONDENTE ESTRANGEIRO, conhecido como THOMAS CROWN, na estação. Apesar da velocidade, eu pude vê-lo da janela do TREM, parado na estação, tal como um CAVALEIRO SOLITÁRIO se decepcionando como se tivesse perdido O ÚLTIMO METRÔ. Após horas de viagem, desembarquei. Eu que procurava o meu SHANGRI-LÁ, o meu ELDORADO estava sozinho e perdido, ali na ÚLTIMA FRONTEIRA. Eu precisava ser um SUPER-HOMEM para pensar e encontrar uma saída. Estava num local perigoso conhecido como VOLCANO. Sabia que foi exatamente neste local que começou o DECLÍNIO DO ÍMPERIO AMERICANO. Portanto a qualquer momento poderia acontecer um IMPACTO PROFUNDO que causaria um FURACÃO e então só restaria SANGUE E AREIA. Pensei nos tempos em que pertenci a uma QUADRILHA que sempre colocava as CARTAS NA MESA, quando o objetivo era a nossa GLÓRIA. Procurei me acalmar e agir como Moisés ao receber os DEZ MANDAMENTOS e também o BEN-HUR durante a corrida de bigas. Usando a malicia dos VIKINGS e agindo tranqüilamente encontrei perdido na areia um lindo TOPÁZIO.
OS PÁSSAROS começaram a sobrevoar a minha cabeça. Eu precisava encontrar uma saída imediatamente. Lembrei de ter lido na LISTA DE SHINDLER, alguma coisa sobre uma ROSA DA ESPERANÇA, que se fosse encontrada me tiraria daquela situação. Agora era achar a rosa e   juntá-la ao topázio.    Assim       poderia     encontrar    O CANHOEIRO DE
YANG-TSÉ, que me ensinaria à senha, que abriria para mim O PORTAL DA GLÓRIA, permitindo que eu chegasse à PONTE DE REMAGEM. Ao atravessá-la faria contato com o MÁGICO DE OZ, conhecido como o homem que liderou  A MARCHA DE HERÓIS através da qual aconteceu o RESGATE DO SOLDADO RYAN. Tratava-se, portanto de um grande herói uma verdadeira RAPOSA DO DESERTO. Mesmo quando o VENTO LEVOU, a KIKA, uma NOVIÇA REBELDE que foi a sua grande PAIXÃO, ele se manteve firme no seu lema ESPERANÇA E GLÓRIA. Era este herói que eu precisava encontrar. Sabia que ele possuía dois MANTOs SAGRADOs: O ESCARLATE E O VERMELHO. Ele me reconheceria desde que eu pronunciasse a senha que o canhoeiro me ensinou: TORA TORA TORA. Continuei a minha CAMINHADA SOB O SOL, sob a proteção da COMPADECIDA e com a certeza que essa minha aventura teria um final feliz.

                                                            Edison Borba