sexta-feira, 19 de agosto de 2011

JAPÃO - UM GRANDE EXEMPLO

País arquipélago, formado por diversas ilhas. Geograficamente montanhoso, possui diversos vulcões , como o famoso monte Fuji.  Também conhecido como o País dos Sol Nascente, tem uma das maiores populações do mundo. Pesquisas arqueológicas, indicam vestígios de habitantes no período Paleolítico. Seu regime político, mantém um Imperador e um parlamento eleito. É uma das maiores economias, possuindo um respeitável padrão de vida. Em 1941, durante a 2ª guerra mundial, atacou a base americana de Pearl Harbor, levando a uma revanche em 1945, com bombas atômicas destruindo as cidades de Hiroshima e Nagasaki. Uma nação que renasce como a beleza efêmera das cerejeiras possui uma expectativa de vida das mais elevadas do mundo.É um dos líderes no campo da pesquisa científica e construção de robôs industriais. Preocupado com a saúde e a educação de seu povo, se mantém entre um dos mais procurados por turistas interessados em sua culinária, arte e religião. Apesar de estar situado tão distante do Brasil, desde os períodos das imigrações, japoneses e brasileiros se tornaram mais do que amigos. Grandes parceiros na construção do nosso progresso, nos acolhem em seu território, demonstrando grande admiração pela nossa música e futebol. Porém, existe entre nós, japoneses e brasileiros, alguns pontos extremantente opostos. Terremotos, abalos e tsunamis, são acontecimentos que fazem parte da estrutura geológica oriental. Aqui nesse país sulamericano, nossos abalos são cardíacos quando nos deparamos com a devastação da nossa ecologia. Não fomos bombardeados na guerra, mas somos metralhados por boatos produzidos no planalto central. Enquanto nossos irmãos orientais, são capazes de levantar, sacodir a poeira e reconstruir suas cidades após os terríveis abalos sísmicos, nós continuamos atolados (em diversos sentidos). Os queridos habitantes do Japão, já sofreram diversas catástrofes desde a segunda guerra mundial. Em março de 2011, foi  um tsunami. Ondas invadiram cidades, provocando mortes e destruição. Incêndios e vazamento radioativo causaram terriveis danos à sociedade japonesa. Apesar de todo o sofrimento, a população se levantou, não só reconstruindo prédios, ruas, avenida e restabelecendo suas redes de transporte e comunicação. Algo de maravilhoso surpreendeu o mundo. Nos escombros, no meio de toda destruição, foram encontrados milhões em dinheiro, dentro de carteiras, bolsos e bolsas. Cofres com barras de ouro, entre outros valores, também foram achados. Calcula-se em mais de125 milhões em dinheiro vivo. De tudo o que foi encontrado cerca de 96% já foi devolvido aos seus legítimos donos. Usando documentos e informações, foi possível restituir os pertences a quem de direito. Uma atitude inusitada para nós! Um país que ainda vive sob os efeitos da radiação, morando em abrigos e assustados com possíveis novos problemas sísmicos, que os ameaçam a cada dia, ter esse tipo de comportamento é digno de aplauso. Políticos brasileiros que guardam dinheiro nas cuecas e meias, que desviam para seus cofres o que pertence ao povo imaginamos vocês na região do tsunami, o quanto lucrariam enchendo suas roupas com a desgraça alheia. Parabéns irmãos japoneses! Obrigado pelo exemplo! Vamos tentar aprender a  lição!
Edison Borba 






quinta-feira, 18 de agosto de 2011

CARTOMANTE

Cai o do transportes, cai agricultura e cai o da defesa. Em menos de oito meses, caíram quatro. Eliminados, deixam o povo pensativo. Ministros e mais ministros deixam seus cargos e ao saírem, ficam as machas, as dúvidas e a insegurança. Pessoas escolhidas para serem conselheiras, amigas e  responsáveis por setores que sustentam a integridade de um país não correspondem ao que se espera de um bom cidadão. Estão pondo o dedo na ferida. Estão pensando em nossos filhos. Estão tentando reverter uma situação. Estão sendo corajosos. Estão rompendo laços. Estão rejeitando abraços. Haja o que houver tem que valer o que está escrito. Chega de paciência para os deslizes, dinheiro desviado, corrupção e irresponsabilidade. Nos dias de hoje, temos que dar um basta na safadeza, na moleza e na incerteza que envolve esse País. Motivos não faltam. Tudo está em dossiês amplamente divulgados. Revistas e jornais revelam em suas manchetes os bastidores políticos em todo território nacional. Conversas nos bares entre amigos, nos trens, nas barcas e nos aviões. Murmurando ou gritando, explodem as denúncias. Municípios e estados interligados numa rede de corrupção estão transformando esse País na terra da fantasia. Deboches, pizzas, mentiras e falsidade tudo às claras. Tudo revelado, dito e questionado em frente às câmeras de televisão. Comentaristas e analistas de economia tentam maquiar o jogo de interesses que a cada dia se torna mais difícil de explicar. Copa do mundo, olimpíadas e grandes eventos conduzem a população para um pensamento otimista. A falsa idéia de que a população só precisa do circo. Ledo engano. O povo já não é o mesmo de antigas épocas. Está no baralho das cartomantes, no jogo de búzios e nas profecias, Deus já está conosco até o pescoço. ELE nos deu terra fértil, muita água, fauna e flora. Nos cobriu com céu azul. Nos afastou dos perigos. Desviou os ventos fortes e liberou magnífico litoral.  Corremos perigo. Temos medo da vida. Estão queimando nossos campos, poluindo nossos rios, loteando nossas matas. Já está previsto, por todas as videntes e nas profecias das cartomantes. Cai mais um ministro. Um cara de pau. Tá tudo nas cartas. Vai cair mais um. Bolso cheio de ouros. É bom que se protejam. Oferecendo a face e a propina pra quem quer que seja. Desta vez, Deus está conosco!
Salve Ivan Lins e Vitor Martins!  Salve a Cartomante! Salve Elis Regina na Transversal do Tempo! Amém!
Edison Borba


PARQUE DOS HORRORES

Carrossel, pipoca, famílias, algodão doce, crianças e roda gigante. Refrigerantes, gargalhadas, balanços e  bichinhos de pelúcia. Barraquinhas, música e muita fantasia são ingredientes para o mundo mágico de um parque de diversões. Domingos, feriados e férias são  ideais para  rir e brincar nesses espaços. Os parques de diversão, ainda são lugares procurados para adultos recordarem a infância, namorados  heróis que no túnel escuro se transformam em super homens, crianças correrem livres na busca de emoções, casais apaixonados passearem de mãos dadas comendo maçã do amor. Tudo é sinônimo de felicidade.  Os anos passam, o mundo se moderniza, mas o seu encantamento não desaparece. Enquanto houver crianças, casais enamorados e vontade de ser  feliz, eles existirão em todos os lugares do mundo. Usados pelo cinema em lindos musicais, como No Tempo da Brilhantina, ou como parte do mundo do circo no Maior Espetáculo da Terra; os parques, grandes, como a Disneyworld ou pequenos e pobres que ainda encontramos nas pequenas cidades, são produtores de magia. Ambientes ideais para os apaixonados iniciarem romances. Esses lugares também já foram usados para cenas de mistério e horror. Quem não se lembra de uma roda gigante balançando, com os ocupantes em perigo de vida? Montanhas russas desgovernadas prestes a saltar dos trilhos? Assassinatos? Bandidos mascarados seqüestrando crianças? Terroristas explodindo  bombas enquanto a multidão apavorada corre sem rumo? O cinema soube usar a tragédia para fazer contraponto com a felicidade, maculando o mundo encantado, do reino da fantasia. Mas cinema é cinema. Ficção é ficção. Realidade é realidade. Neste mês de agosto, a vida imitou a arte. No estado do Rio de janeiro, no Brasil, dois jovens perderam suas vidas num parque de diversões. Um  casal de adolescentes buscando diversão foram as vítimas. Tornaram-se personagens fatais de um filme de terror. Os bandidos: o engenheiro - assinou  laudo permitindo que brinquedos velhos e enferrujados fossem usados, em troca de alguns míseros reais. Os donos do parque – ambiciosos,  na fome financeira devoraram vidas. Além de toda a máfia que controla o setor de divertimentos. Bares que vendem bebidas alcoólicas para menores. Traficantes que usam crianças para o seu comércio sujo. E todos os que giram os carrosséis da corrupção nos parques dos horrores que tiram a vida dos nossos jovens.

Edison Borba    

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

AVAREZA

A falta de generosidade, a mesquinhez e o excessivo e sórdido apego ao dinheiro, transforma seres humanos em avarentos. Esse tipo de comportamento chega ao extremo na história de Álvaro. Um homem comum  que tem a sua vida interrompida, graças ao seu excessivo apego ao dinheiro. Leia e tire as suas próprias conclusões. Álvaro, vítima ou vilão?

Libriano, do mês de setembro, Álvaro fazia jus a seu signo. Extremamente organizado e  cauteloso com suas finanças,  mantinha toda a  família amarrada aos seus caprichos. “Quanto custou? Por que não procurou mais barato? Esse mês não será possível! Vamos economizar!” Eram observações que ele fazia diariamente. Sua esposa estava sempre atenta para não sair dos “trilhos”, mantendo  a casa e os filhos dentro dos padrões exigidos pelo marido. Todos os dias  buscava nas feiras e mercados os artigos mais baratos. Em casa, colocava água no detergente e nos vidros de xampu para aumentar a durabilidade. Sua geladeira estava sempre repleta de  restos do almoço ou do jantar, que acabariam novamente na panela.Sempre que o pai não estava em casa, as crianças reclamavam com a mãe. Porém, ela sempre buscava uma forma para explicar o comportamento do  marido. Quando seus argumentos não eram aceitáveis,  apelava para o signo: “meninos, seu pai é um autêntico libriano. Vocês sabem como é esse negócio de signo, não há como mudar!” Certo mês, ao receber a conta da água, Álvaro notou um aumento considerável. Reuniu a família e, ignorando que estavam no verão e o aumento do consumo de água se devia provavelmente ao excesso de calor, decretou que todas as torneiras da casa receberiam um cadeado. Todas as chaves ficariam com ele. A partir daquele dia, a água seria liberada apenas  numa determinada hora. Nada de garrafas na geladeira, nada de torneiras abertas, nada de banhos demorados  nada de desperdícios. Tudo seria controlado. Cada litro, cada gota de água só sairia da torneira sob o seu comando. Apesar de contrariados, todos aceitaram pacificamente aquela  ordem absurda. Os filhos passaram a usar o banheiro do colégio e às vezes até o terreno baldio. Tudo isso para não gastar água  e também para evitar o terrível odor que se espalhava pela casa, já que as descargas só eram acionadas à noite, quando Álvaro voltava do trabalho. Ao chegar a casa Álvaro percebeu que esquecera todas as  chaves na gaveta do escritório em que trabalhava. Fazia um forte calor. Sua família o estava esperando para que pudessem abrir as torneiras. Quando Álvaro informou que esquecera suas chaves no escritório e que todos teriam que esperar, houve um descontentamento geral. Pela primeira vez, aquela família se rebelava contra as suas ordens. Todos falavam e gritavam, fazendo com que o tempo ficasse cada vez mais quente. O calor no interior da casa tornou-se insuportável. Todos suavam e gesticulavam num protesto uníssono. Diante daquele caos, Álvaro descontrolou-se, começou a tremer, sua voz falhou, empalideceu e colocou a mão no peito sentindo uma dor lancinante.  Sua mulher rapidamente pegou os comprimidos que ele tomava para controlar um possível infarto. Correu até a cozinha, pegou um copo e, olhando para a torneira trancada com um cadeado, voltou-se para o marido que morreu com as mãos estendidas para o copo vazio.
Do livro DOIS EM CRISE – Editora AllPrint – 2010 – Edison Borba

                                                                                           




OFICINAS DO SABER

Mesmo com toda a parafernália existente no mundo moderno, computadores e celulares entre tantos outros objetos que fazem parte da nossa vida no século XXI, nas salas de aula, a figura do professor é indispensável. Essas oficinas do saber precisam da orientação do mestre, que irá reger a orquestra, interligando os sons, as palavras, os textos e os conteúdos numa melodia infinitamente harmoniosa que se chama aprendizagem. Cada aula exige uma preparação específica. O tema pode ser até o mesmo, porém para cada platéia ou turma, o ritmo terá que ser adaptado. Para alguns, será necessário um movimento mais para o frenético enquanto para outros, o ritmo terá que ser suave. Cabe ao maestro, perceber qual a melhor cadência para conduzir os seus grupos rumo ao saber. As atividades pedagógicas  exigem do regente, equilíbrio, sofisticação, metodologia, criatividade, paciência e conhecimento para ninguém perder a sintonia e desafinar. Todos os integrantes da orquestra devem caminhar harmoniosamente. Para conseguir essa façanha, o professor, busca metodologias diferenciadas mantendo  seu grupo, ligado na sua palavra. Nada substitui a ação, o fascínio e o carisma de um mestre. Durante muitos anos, assumi a regência de diversas classes tendo a Biologia e as Ciências Naturais como pauta musical. Corpo humano, plantas, células, animais, genes, meioses e mitoses eram alguns temas que eu regia para cérebros atentos e curiosos. Diariamente buscava novos caminhos, para manter aquela meninada atenta ao meu comando, na tentativa de transformar a sala de aula numa oficina de saber. Gravuras, livros, jornais, filmes, projeções e tudo mais que pudesse manter o interesse era levado para ajudar na construção daquelas jovens mentes, altamente lubrificadas por hormônios. E foi nesta busca pelo envolvimento dos meus alunos, que organizei algumas frases, cujos conteúdos absurdos, a princípio não tinham nada com a minha formação científica. Contrariando os programas e as exigências pedagógicas, levei para minha sala algumas frases quebra-língua. O objetivo era forçá-los a pronunciar palavras esquisitas, em frases com estranhos significados, forçando-os a pensar em “coisas”  absolutamente diferentes até do que eles encontravam nas suas pesquisas via internet. Para minha surpresa, a brincadeira agradou às turmas, possivelmente abrindo espaço para que eles viessem a entender melhor os mistérios dos conteúdos que eu lhes oferecia em nossos encontros biológicos. O aprendizado melhorou, incluindo o meu para com meus aprendizes. Na dificuldade de pronunciar algumas palavras grupos se formaram numa ação conjunta onde alunos e professor, maestro e orquestra executaram uma linda melodia. Algumas dessas malucas frases estão relacionadas a seguir. Será que atualmente elas ainda fariam sucesso? Experimentem brincar com seus alunos lendo em voz alta: “Zuleica zuniu no zelador zeloso o zodíaco de zinco do zarolho” – “O parlamentar parlapatão parou perto da parreira do parque onde havia um parquímetro” – “Ele descambou no descaminho e ficou descamisado sem descansar ficando descaracterizado” – “Astrogildo é astronauta e astrônomo, ele gosta de astros  e estuda astrocopia na astrosfera” – “Havia uma barraca na barra perto do barracão barracento onde um burro estava amarrado” – “O rei com remorso roeu a roupa da rainha reforçando a regra ruim de Roma” – “Os zigofiúros zangados zanzavam perto das zamiáceas dos zangões”. Aprender e ensinar devem ser atos prazerosos. O professor como um maestro, envolvido pela melodia produzida por seus alunos envolvidos na mesma atmosfera de encantamento transformam uma simples sala de aula numa grande e incrível oficina do saber.    
Professores artesãos - maestros atuando e colaborando com a natureza na formação de organismos cidadãos. Parabéns!

Edison Borba

EMOÇÕES NO YOU TUBE - I

Novela: Vale Tudo – Atrizes: Beatriz Segall / Renata Sorrah – Cena: Encontro entre Heleninha e Odete Roitman – Filha alcoólatra e mãe poderosa travam um duelo inesquecível. Duas grandes atrizes num confronto de titãs nos emocionam no último diálogo, antes do Brasil parar diante da grande questão: - quem matou Odete Roitman?
Um dos grandes momentos da televisão brasileira; podem ser relembrados nesta cena. BS e RS explodem em pura emoção. Seus rostos cobertos por lágrimas se contraem revelando o quanto o trabalho de representar pode ser divino. Um mergulho na alma humana. Segredos guardados por longos anos brotam num diálogo doloroso e amargo. RS a filha alcoólatra, lembra da rica infância em que as grandes festas e lindos presentes não foram suficientes para substituir os carinhos e afagos nunca recebidos. Fala do seu orgulho em ter a mãe mais bonita e inteligente e da vontade de ser igual a ela. Chora com a dor de ser um erro, de ser feia e torta. Uma vergonha para a mãe. A dor é tão forte, tão profunda que nos atinge como se fôssemos os algozes. O clima de tensão aumenta, quando Heleninha revela a culpa de um assassinato que não cometera. Não há como ficar indiferente a esse encontro. BS, como Odete Roitman, tem seu rosto ocupando toda a   tela. Não haveria necessidade de texto, que neste caso surge como complemento, bastaria manter aquela face torturada em foco para a emoção se apossar de todos os seus admiradores. Pressionada pela filha, que implora por respostas, sua voz  rascante como vinho, tenta explicar o impossível: -“tudo o que fiz foi por amor”- “para defender a família infeliz que o destino me deu” – “eu sou o pilar dos Roitman”. Esse encontro antológico  se encerra com a observação de Heleninha: -“ eu não me pareço com você mãezinha querida!”

Vale à pena conferir no “you tube” e perder o fôlego nas emoções desse incrível encontro entre Beatriz Segall e Renata Sorrah.

Edison Borba


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

RESSACA

A morte do Joel  foi um choque brutal para a sua companheira. Ela perdia, não só um bom amante, como também um parceiro de grandes noitadas, com muita vodca, conhaque entre outras bebidinhas que ajudavam a alegrar os encontros. Morreu na madrugada de um domingo em pleno mês de janeiro. Por uma dessas ironias da vida, ele estava sóbrio. Nenhuma gota de álcool em suas veias. Foi  encontrado pela manhã, sentado no sofá, com a boca entreaberta como se estivesse querendo se comunicar. Em seu enterro, compareceram dois amigos de copo, um garçom e a sua fiel amiga. Apesar de haver entre eles um caso de amor e sexo, ambos não admitiam nada além de companheirismo e amizade. Sozinha em seu apartamento, após a cerimônia fúnebre, buscou consolo no som de velhas melodias e numa garrafa de gim. Após tantos anos juntos, ainda havia muito  sobre aquele homem a ser descoberto. O que os obituários iriam publicar sobre Joel? Era sempre atencioso, educado e tranquilamente suave em seus gestos. Romântico sem dizer poemas. Alegre, apesar do sorriso tímido. Elegante nas roupas simples, compradas em lojas baratas. Não acreditava em bancos, guardava seu dinheiro em casa, gastando à medida que precisava para as despesas diárias. Era um cara legal como poucos, tinha tudo que pode ser comprado, dinheiro não faltava. Esse era o seu homem. Tudo o que ela possuía, se concentrava nele. De qualquer maneira,  teria que continuar a viver naquele apartamento. O local não era luxuoso, mas estava repleto de recordações. Foi ali que tudo começou, ele paciente e carinhoso, soube como dissipar seus medos. A princípio se encontravam apenas uma vez por semana. Até que um dia ficaram juntos definitivamente. Ela sabia que conseguir uma noite de sono tranqüilo, a partir daquela data seria algo difícil. Não estava triste, apenas cansada. Muitas lembranças, boas lembranças, povoavam seus pensamentos. Certa vez, numa de suas viagens, sem destino, pararam num miserável hotel com paredes esburacadas. Dividiram o quarto com insetos e ruídos estranhos. Mas tudo isso, não lhes tirou a felicidade de compartilharem suas vidas. Aquela situação foi uma nova chance para que se conhecessem melhor. No mundo, não existem pessoas iguais a Joel. Capaz de surpreendê-la com flores ou então cantarolar uma melodia para que conseguisse dormir. Às vezes se comportava como um pai carinhoso, que cuida de sua garotinha. Era impossível esquecer as diversas experiências, vividas ao longo dos anos de camaradagem. Queria que ele estivesse ali, para que pudesse expressar seu sentimento, sua dor e o seu amor. Sabia que em pouco tempo, teria uma nova rotina. Ali, no seu esconderijo secreto, escreveria novos episódios de sua existência. Era como o dia seguinte de uma noite de bebedeiras: acordaria de ressaca, boca seca,   estômago doendo, cabeça vazia e um enorme arrependimento de não ter aproveitado aquela última dose de Martini, que ficara na taça de cristal.

Edison Borba