domingo, 14 de outubro de 2012

UM MENINO EM QUEDA

Os jornais noticiaram a queda de um menino, da janela de um dos mais importantes colégios do Rio de janeiro.

Caiu  no espaço um menino, um garoto, um futuro homem. Seu corpo lançado  no espaço até chocar-se com a dureza do chão e da vida.

O que fez esse garoto voar  como se estivesse sendo levado pelo vento?

Estudante como tantos outros de sua idade, cabeça e coração cheio de sonhos.

Pulou? Por que pulou?

O que pode aterrorizar um menino?

Notas ruins? Medo de viver?

Vergonha de ser diferente?

Talvez, ninguém fosse capaz de fazê-lo entender que somos todos diferentes. E é nessa diferença que está à beleza da vida.

Somos coloridos como um arco-iris. Alguns vermelhos, outros verdes. Tem os que são azuis e os lindos amarelos. A beleza dos que possuem a cor  das violetas. Os alaranjados brilhando a luz do sol.

Assim somos rodos coloridos e cada um com a sua cor torna a vida mais bela.

Meus pensamentos não param de me atormentar, tentando encontrar um motivo. Apenas um motivo que explique tal tragédia.

Meninos sonham, brincam, jogam bola e acessam a internet buscando diversão e amizades.

Meninos correm como vento, sem destino, apenas pelo prazer de correr.

Meninos choram, ralam o joelho, inventam histórias.

Ricos ou pobres, garotos são garotos. São guris, meninos e moleques.

Meninos, são  imagem da esperança de um mundo melhor.

Voe menino, voe para o céu.

Por favor, desculpe-nos por não termos tido a sensibilidade de conhecê-lo melhor.

Perdoe-nos por não o colocarmos no colo.

E lá do infinito reze para que outros meninos não precisem voar por altas janelas para que possamos perceber o quanto vocês são importantes para o mundo.

Edison Borba

 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

CRIANÇA>PRESENTE

Doze de outubro, dia da criança. Uma data criada, como tantas outras que constam em nosso calendário. Algumas festivas, outras nem tanto, pois lembram situações trágicas. Dias religiosos e dias políticos ou históricos. Nossas agendas estão repletas desse tipo de lembrança. Mas hoje, outubro, sexta-feira, dia doze do ano de dois mil e doze são as crianças que estão em pauta.
Desde o início da semana, o assunto criança tem sido abordado, mas o que realmente observamos, são questões relativas aos presentes.
Jornalistas perguntando aos adultos o que irão comprar. Outros entrevistando meninos e meninas sobre o que gostariam de ganhar nesse dia especial. Afirmações do tipo: “atualmente as crianças estão mais vaidosas”. Observação feita para incentivar a comprar de roupas e produtos de beleza.
Mães, ligando para salões de beleza, garantindo o atendimento de suas filhas. Manicura, pedicura, escovas progressivas e maquiagem são usadas indiscriminadamente, tratando as pequenas como adultas.
O dia 12 de outubro, dia da criança, tornou-se comercialmente muito bom. Pais, professores, avós, tios, padrinhos e outros adultos são empurrados para o comércio temendo se transformarem em vilões.
Lojas cheias e bolsos vazios. Comprar objetos para demonstrar afeto. Os abraços são menos importantes que as bonecas, jogos, carrinhos entre outros produtos.
Fica o alerta para esse dia. Lindo dia para refletirmos sobre nossos descendentes e a forma como são tratados.
Dar presente ou estar presente?
Criança precisa de amor, carinho, atenção e boa alimentação.
Criança precisa de aconchego, ouvir histórias,  brincar e cantar.
Brincar com seus amiguinhos, com animais, sozinhas e com seus responsáveis.
Crianças precisam participar da vida doméstica e escolar. Ouvir e serem ouvidas.
Criança precisa de pais presentes. Professores presentes. Sociedade presente.
Crianças precisam de respeito.
Não basta “presentear” com objetos, é preciso “presentear” com amor.
Feliz doze de outubro para todas as crianças do mundo!
Edison Borba

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

SOPA NA VEIA

Inacreditável! Incrível! Senhora morre num hospital da cidade de Barra mansa, no estado do Rio de Janeiro, após receber sopa na veia.
Isso mesmo! Não se trata de um trote ou piada de péssimo gosto. É verdade! Uma profissional da saúde, inadvertidamente, injetou sopa (alimento) na circulação sanguínea de uma paciente.
Uma situação que provavelmente poderia ser usada em teatro de absurdos ou nos filmes de terror. Mas este é mais um caso de erro ou distração em hospitais do Brasil.
Este ano, foram contabilizados casos impossíveis de serem aceitos sem no mínimo uma reflexão sobre o que está causando tantos enganos fatais para a vida de pacientes.
Foram registrados casos em que duas crianças receberam ácido no lugar de um produto tranquilizante, que deveria ser aplicado para que os bebês pudessem ser examinados com tranquilidade.   
Nas veias já foram injetados, além da sopa, leite e glicerina. O dedo de um bebezinho foi amputado por uma enfermeira. Usando uma tesoura a profissional errou e ao cortar o curativo, decepou o dedo da criança.
Outro caso de amputação aconteceu por queimaduras na perna de um menino que era submetido a uma cirurgia. Por distração um aparelho foi esquecido ligado causando graves queimaduras na perna da criança, levando a amputação do membro.
Gaze esquecida no interior do útero de uma jovem mulher, que após ser submetida a uma cesariana, teve parte de seu aparelho intestinal retirado devido à infecção causada pelo esquecimento de outro profissional da saúde.
Sabemos que são casos isolados, como os casos de deformações e mortes após cirurgias de estética.
Sabemos que a grande maioria dos profissionais da saúde, são competentes,  salvando vidas diariamente. Porém, quando vários casos acontecem num curto espaço de tempo, temos que parar para pensar – o que está acontecendo?
Seria falta de preparo de alguns profissionais?
Excesso de horas de trabalho, provocando estresse e consequentemente erros banais?
É preciso encontrar uma saída para essa sucessão de casos.
Não podemos admitir que erros tão simples, continuem  acontecer.
Atenção  Faculdades que possuem cursos na área da saúde.
Atenção professores.
Atenção estudantes.
Atenção  profissionais.
Nada substitui a vida humana.
Edison Borba

domingo, 7 de outubro de 2012

ENCANTAMENTO

Crianças nas calçadas

Casas com varandas

Jardins

Caminho pela cidade

Busco um lugar, o meu lugar.

Eu queria ter apenas um lar.

Quintal e árvores.

Sombras e cheiro de fruta no pé.

Caminho,  subo e desço por ruas cobertas pelo asfalto.

Onde estão as arvores?

Busco uma sombra para descansar

Eu quero isso, porque é bom.

Como é bom ouvir vozes infantis.

Canto de pássaros e cheiro de café.

Estou perdido entre prédios, grades e muros.

Janelas fechadas e gente de rosto sofrido.

Quero sorrisos.

Quero cumprimentar sem medo

É tão bom tudo isso.

Meu coração está sentindo falta de conversas nas calçadas.

Não quero ter medo. Preciso de liberdade.

Não quero correr perigos.

Tudo mudou. Não sei se está certo ou errado.

Poder ser loucura eu querer um lar.

De portas e janelas abertas.

Amigos chegando sem avisar.

Quero um amor.

Talvez eu tenha que aprender a viver nesse novo mundo.

O meu coração quer se apaixonar.

Pode ser até bobagem eu querer essas coisas  simples.

Quero um amor singelo que diga coisas banais.

Que goste de sentir a  brisa no rosto e se molhar nas chuvas de verão.

Não quero ter razão. Eu quero calma. Simplesmente quero a simplicidade.

Quero enfeitar minha casa com flores de papel e sentir a alegria de amar.

Quero ternura. Aconchego. Carinho.

Sentar na varanda e sentir que tenho um lar.

Quero consumar meus desejos.

Preciso vencer o tempo que escorre devagar levando a vida.

Quero alguém sem medo de querer

Gente que saiba se desvencilhar da vaidade

E saiba viver com delicadeza

Para seguirmos juntos encantados, lado a lado.

Edison Borba

 

 

sábado, 6 de outubro de 2012

ODORICOS

 
Passada a orgia propagandista, os eleitores juramentados irão às urnas para “sufragear” novos Odoricos e seus assistentes, o vereadistas.
Mais quatro anos, terão os vencedores dessa corrida ao poder, para “arrecadar” dinheiro que servirá para pagar as dívidas contraídas no período eleitoral e guardar alguns nos cofres familiares.
Enquanto isso o povo se contentará com a inauguração de alguns monumentos e cemitérios  e baterá palmas ouvindo os “discursistas palanqueados”, arrotando bravatas.
E assim a vida seguirá com mais Cajazeiras suspirando pelos corredores palacianos enquanto alguns jornalistas tentarão denunciar o dinheiro que sairá dos cofres públicos através de algumas  cuecas politicamente incorretas.
Mais chuva causará enchentes, mais desabamentos e outros desastres ecológicos continuarão a ajudar os Odoricos se prepararem para mais quatro anos.
E assim de quatro em quatro, com povão na mesma posição, isto é, pagando o pato continuará nas filas dos hospitais, tendo febre pela dengue, mas mantendo firme o propósito de sobreviver.
Saindo dos entretantos e partindo para os finalmentes, desde que a república chegou a essa Terra, não existem muitas novidades palacianas. Pais passam seus poderes aos filhos e até aos netos. O blá blá blá se repete e como já estamos acostumados, queimamos pneus e pedimos justiça.
Após o final do campeonato brasileiro de futebol, mais reality shows ocuparão os espaços televisivos. Chegarão às festas de final do ano e nas praias jogaremos flores ao mar. Com fantasias e máscaras faremos o maior carnaval do mundo acontecer, com suas musas maravilhosas desfilando silicones na avenida. E assim caminha a humanidade brasileira com “passos de formiga e sem vontade”.
O povo é legal e cumpre as regras. Sem coletes à prova de balas já aprendeu e se desviar das balas perdidas e agradecer a Deus pela saúde do patrão e  esquecer o nome dos candidatos, que desta forma se sentem livres para trabalhar, negociar e continuar a vender a alma ao diabo, pois somente eles (os nossos eleitos) sabem como transformar a nossa vida num inferno.
Companheiros, vamos ás urnas!
Votar é um direito e saber escolher é um dever!
Ainda temos esperança e sabemos que existem lírios nascendo no lodo.
Edison Borba

terça-feira, 2 de outubro de 2012

AGRADECER – UM ATO DE AMOR!

 
          Caros amigos e leitores, fico feliz  quando recebo comentários sobre o que escrevo e publico neste  espaço.
         A vida sempre cheia de compromissos, muitas vezes são motivos para deixar de agradecer aos que me prestigiam com a leitura e também com suas opiniões.
Ao longo da existência do blog, muitos amigos deixaram observações carinhosas e de estímulo. Alguns se preocupam em me telefonar, outros enviam emails. Gente do Brasil e de países tão distantes, lugares em que nunca imaginei, pudesse ter as minhas ideias sendo acompanhadas.
Obrigado a todos que se dispuseram ler e a pensar sobre os meus “escritos”.
Obrigado, obrigado, obrigado aos amigos do Japão, Indonésia, Cingapura, Itália, EUA, Rússia, Suécia, Holanda, Reino Unido, Vietnã, França, Alemanha, Costa Rica, Canadá, Argentina e tantos outros países onde existe alguém a quem eu devo agradecer.
Obrigado aos amigos do Brasil, meu país, que apesar de sofrer com tantos problemas é a minha Terra, meu lugar e minha paixão.
Obrigado a você Daniel, Junior, Alessandro, Marília, Luiz Henrique, Rodrigo, Diego, Adriana, Fênix, Valéria, Marcelo, Ana, Marli, Teresa, Dalila, Luiz Maynart e muitos outros, incluindo os “anônimos” que não assinam seus nomes, mas deixam seu carinho através de mensagens.
Agradecer é um ato de amor!
Obrigado meus amigos!
Continuem a me abraçar e com certeza eu também abraço vocês com muito carinho.
Edison Borba

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

BIZARRICE

           Ouvi essa palavra numa entrevista em um telejornal, cujo assunto abordado lamentavelmente era morte.
A entrevistadora conversava com um cidadão sobre o assassinato de um DJ, que ousou executar músicas que não agradaram aos dominadores de uma determinada comunidade. Ao ser perguntado   sobre o assassinato, motivado pela letra de um funk, o entrevistado afirmou: “acho tudo isso uma bizarrice”.
Acredito que a resposta se referia aos assassinos, que matam apenas por fanfarrice. A vida humana banalizada. Realmente isso é uma bizarrice! Matar por prazer. Matar por não gostar de uma letra de música. Matar por matar. Matar para se divertir. A morte como prazer e satisfação pessoal e a imposição da força através do medo.
Isso é realmente bizarro!
Com essa palavra martelando em minha cabeça, comecei a imaginar o que mais poderíamos considerar bizarro: o desvio do dinheiro público, a falta de cuidados com a natureza, as intermináveis filas nas portas dos hospitais, o salário dos professores, a manipulação de resultados de pesquisas sociais, as cracolândias, o grande número de brasileiros analfabetos, o discurso dos candidatos à próxima eleição, a poluição dos rios, o aproveitamento político da seca no nordeste, a falta de caráter de alguns representantes da lei, a pouca aplicação financeira para a educação, a infância abandonada e muitos outros fatos que poderiam ser evitados ou amenizados podemos considerar uma bizarrice.
O mês de setembro de dois mil e doze se encaixa nesse termo. Foram trinta dias de vários assassinatos, chacinas, assaltos, greves e sequestros. Uma mistura de fatos desagradáveis acontecendo de forma tão íntima com a sociedade, que não sentimos dor nem pesar, ao tomarmos conhecimento sobre essas questões. Estamos ficando letárgicos.
A morte do jovem DJ foi simplesmente, inacreditável!  Morto e esquartejado apenas e  (somente) por ter executado uma obra musical.
Isso é sem dúvida, muito bizarro!
Até quando continuaremos a conviver com esse tipo de atrocidade?
 Edison Borba