sexta-feira, 19 de outubro de 2012

VILÕES, PLANTÕES, CARMINHAS etc e tal ...

           Os vilões levam aos plantões ou os plantões fazem os vilões?
Essa é a pergunta que não quer calar.
Os jornalistas, as televisões, os rádios e tudo que se refere à comunicação “tá” mais feliz que pinto no lixo. Fazia tempo que não havia tanto prato para ser servido ao povo. Com um cardápio recheado, os cidadãos estão quase tendo indigestão de tantos vilões.
Em Brasília o mensalão revira o baú da política e coloca a cara de conhecidos vilões novamente na mídia. Jornalistas de plantão tentam explicar os votos contra ou a favor daqueles que formaram uma das mais qualificadas quadrilhas.
Juízes condenam outros absolvem  políticos e empresários, que brincaram de esconde e esconde com o dinheiro do povo.  Valores, datas, agendas, secretárias e negociatas aparecem nos plantões de notícias.
Simpáticos, bem vestidos, diplomados e ostentando sorrisos, esses senhores e senhoras, sentem-se confortáveis como vilões. Eles  acreditam que apesar de todo o movimentado plantão de notícias, a última manchete, ainda poderá ser uma grande pizza tamanho país.
Enquanto isso, em São Paulo, policiais  são assassinados diariamente. Vilões do tráfico possuem um cadastro atualizado com referências particulares e familiares dos agentes da lei. Usando desse trunfo, escolhem suas vítimas sem dificuldades. Diariamente os plantões jornalísticos noticiam nomes de policiais civis, militares e até bombeiros, caçados pela máfia.
No Rio de Janeiro, a ocupação de mais uma comunidade, coloca aos olhos do povo um dos mais perigosos vilões – o crack.
Distribuído sem controle por toda a cidade, tornou-se famoso por destruir vidas. Vendido a qualquer cidadão, incluindo crianças, esse monstro possui tentáculos perigosos e difíceis de serem controlados. Plantões de notícias tornaram esse vilão bastante conhecido. A grande questão é saber como detê-lo antes que  chegue aos nossos lares.
 E para completar esse grande conjunto de vilões, as nossas novelas também contribuem para que a população fique de plantão para ver o final das Odetes, Leôncios, Nazarés, Jacksons e Carminhas.
Vilões de verdade ou criados pelos escritores, são seres maléficos que encantam pela maldade.
Talvez psiquiatras e psicólogos de plantão possam explicar essa magia. Essa atração que os vilões possuem sobre a sociedade.
Muitos admiradores secretos, ainda aplaudem o vilão, um mau caráter que aprontou durante toda a trama e fugiu, dando uma banana para o público, para a ética, para a moral e para o Brasil.
 Edison Borba

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

MEU CHEFE É MULHER!

            O último censo brasileiro, informa que os lares  chefiados por mulheres aumentaram em progressão geométrica desde a última pesquisa.
Em outros tempos, os ganhos conseguidos pelo elemento feminino que compunha um lar, era apenas uma complementação financeira. Com o passar dos anos, a situação se inverteu e as mulheres passaram de colaboradoras a mantenedoras.
Que motivos provocaram essa inversão de valores?
Qual deve ser o papel masculino, diante dessa realidade?
Em que bases estão  acontecendo a educação das nossas meninas?
Essas e outras questões já estão sendo  analisadas por Sociólogos, Psicólogos e outros interessados no estudo comportamental humano.
Mas, o que surge diante dos nossos olhos é a força feminina cada vez mais evidente em nossa sociedade.
As frágeis donzelas que esperavam pelos príncipes encantados, as Julietas que morriam de amor pelos Romeus e as tranças da Rapunzel agora só aparecem nos romances e histórias  encantadas.
Diariamente milhares de mulheres saem de seus lares para buscarem seu espaço na sociedade. Esse poder paralelo ao masculino reúne uma força estranha e difícil de entender. Importante lembrar que as tarefas domésticas, a educação familiar, a organização dos lares ainda continuam a ser exercidas por esse exército de batom.
Física e fisiologicamente privilegiadas, elas menstruam, o que significa alterações orgânicas durante todos os meses do ano. Engravidam e passam meses convivendo com um corpo, que, se modifica para a sobrevivência da espécie.
Após o ato de parir, amamentam por meses e meses numa rotina que garante a existência de vida humana no planeta terra. Mas, nada disso impede que esses seres continuem a manter suas rotinas profissionais e familiares.
Assustadoramente fortes ELAS ainda conseguem cuidar da pele, do cabelo, das unhas  e do corpo, para manter a sua feminilidade e a atração sobre os seus oponentes, que teimam em acreditar que são eles os caçadores.
No cérebro de alguns homens, ainda existe aquela cena do troglodita empunhando uma arma e arrastando a fêmea pelos cabelos para a sua caverna.
Que tolos!
Mais do que em outras épocas, os machos modernos precisam urgentemente atualizar suas táticas de conquista. Afeto, carinho, delicadeza e sensibilidade são atitudes que não podem ser desprezadas. Tudo isso, aliado a postura masculina, cuja pegada, permita a sua parceira sentir-se conquistada dando a falsa impressão da força pré-histórica do homem.
Apesar das novas regras de comportamento social, as mulheres ainda buscam companheiros capazes de  entender sua “estranha” forma fisiológica de vida.
Homens de bom senso são capazes de perceber que elas continuam a ser o sexo frágil. Não aquelas antigas mulheres de fragilidade dependente e pouco racional. Essas ficaram perdidas na história e as que teimam em existir, recorrem a Lei Maria da Penha para ajudá-las.
As mulheres modernas conhecem seus corpos e  sentimentos. Buscam informações e se atualizam sobre  direitos e deveres. Partilham e trocam com seus parceiros sem obediência e nem prevalência. Conversam em busca de soluções.
Dessa forma, o mundo caminha para melhorar as relações humanas.
Homens e mulheres parceiros e responsáveis garantindo a paz universal!
Edison Borba

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

ADEUS AMIGA!

Grande mulher

Mulher grande

Volumosa e carinhosa

Sorriso farto e voz alta

Abraço macio

Rainha das festas

Chegava e marcava

Com seu peso

Sua graça

Seu fascínio

Modelo de mãe

Profissional competente

Amiga de fé

Lembro você – espaçosa

Provocando  alvoroço

Distribuindo carinho

Impossível não ser notada

Pelo tamanho do seu amor pela vida

Grandiosa e gulosa

Suas histórias

Engraçadas histórias

Eram sempre esperadas

Casos antigos e repetidos

Novos ou inventados

Eram sempre encantados

Grande mulher

Mulher grande

Você deixa saudade

Você fez amizades

Você alegrou as festas

Amiga,

Ao chegar  lá em cima

Faça rir os anjos

Alegre nosso céu

Abrace os companheiros

Diga a eles que aqui no primeiro piso

A festa continua

Os encontros nos bares

Os chopinhos

Conversas esticadas

Passando pelas madrugadas

Continuarão a acontecer

Boa viagem!
 
Homenagem a querida amiga Anay Borges!
 
Edison Borba

terça-feira, 16 de outubro de 2012

COTAS – UM NINHO DE VESPAS.

           É bastante polêmico e até mesmo perigoso, fazer comentários sobre o sistema de cotas para o ingresso nas universidades brasileiras. Num país em que a desigualdade social ainda é uma verdade, fica complicado estabelecer parâmetros sobre quem deve ou não ter direito a uma vaga no ensino superior.
As provas de vestibular, de alguma forma, trouxeram a possibilidade de se nivelar o conhecimento dos candidatos. Porém, esse sistema de avaliação esbarra nas nossas diferenças sociais. Enquanto crianças e jovens da considerada classe A, podem frequentar escolas com melhores condições de ensino, as demais camadas sociais precisam aceitar aquilo que o governo oferece, e que nem sempre,  é de boa qualidade.
É claro e evidente que a distribuição de renda no Brasil ainda é muito injusta e quando analisamos os grupos de menores condições financeiras, encontramos em maioria os índios, os afrodescendentes, quilombolas e deficientes. É justamente esse grupo que ocupa as escolas da rede pública de ensino (municipal / estadual / federal) que lamentavelmente, sofrem em grande maioria com o descaso das autoridades governamentais.
Um candidato que recebeu educação pública desde a sua alfabetização até o último ano do ensino médio, possivelmente, enfrentou períodos de greve, frequentou escolas pouco aparelhadas e desconfortáveis. Estudou uma grade curricular pouco atraente, além de uma carga horária menor do que o exigido para uma aprendizagem adequada.
Quanto ao trabalho pedagógico, um professor de excelência na rede pública acaba rendendo menos, do que poderia, em virtude das condições desfavoráveis em que é obrigado a trabalhar.
Somando todas essas questões às condições   familiares,  cujo  poder aquisitivo fica comprometido com a sobrevivência básica, sobrando  pouco para a aquisição de conhecimentos exigidos nos exames vestibulares, aplicar a mesma prova para todos não é justo. Caímos, portanto, no sistema de cotas, que tenta minorar (ou esconder) nossas feridas sociais. Mantemos o provão,  desculpamos os erros e ignoramos a desigualdade social.
Mas as dúvidas continuam, temos outras questões subjetivas, que envolvem situações raciais e sociais, como:
Aluno afrodescendente, de família classe A, deve entrar no sistema de cotas?
Como classificar racialmente um candidato?
Descendentes distantes de nossos índios, como deverão ser tratados?
Mesmo com todas essas dúvidas, podemos considerar a implantação do sistema de cotas, uma atitude justa para com grande parte da população.
Porém, não é certo, manter a sociedade trabalhadora submetida a condições desfavoráveis, para depois compensar com a facilitação nas vagas universitárias. Isso é indigno!
Sistema de cotas é um ninho de vespas. Uma questão que precisa e deve ser debatida. Uma situação que merece reflexão. Uma preocupação nacional.
Precisamos ter consciência, que lutar pelo sistema de cotas não invalida a luta por uma educação pública de qualidade. Não podemos ser iludidos. Não queremos receber esmolas. Não merecemos continuar a manter um sistema cruel nas bases, para depois tentar curar a ferida colocando algodão sobre a chaga.
Queremos que todos os brasileiros sejam tratados com igualdade social.
O sistema de cotas pode ser mantido como uma ponte construída em caráter provisório e emergencial, e não como algo que servirá apenas para esconder os desmandos e desigualdades que  existem no Brasil.
             Edison Borba
 
 

 

 

 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

COM A MALDADE NA ALMA

            Houve tempo que  nas salas escuras dos cinemas  enfrentávamos o medo. Gritos de terror diante do sangue que se espalhava pela telona levavam ao delírio uma plateia aterrorizada. Um mundo fascinante de maldades que inebriavam o público.
Machados, serras, facas, cabeças cortadas, sangue e muito sucesso de bilheteria. Ao escolher um programa, antecipadamente já sentíamos calafrios, pois imaginávamos o que seria visto.
             Bette Davis e Joan Crawford foram apaixonadamente terríveis. No mundo feminino essas duas foram imbatíveis.  Atuando juntas ou separadamente  se encarregaram de grandes momentos de pavor. “O que teria acontecido com babe Jane?” Essa pergunta foi respondida com muitos gritos da plateia e sangue respingando na cara de centenas de cinéfilos.
No time masculino Vincent Price é destaque pela capacidade de criar sucessos aterrorizando seus fãs. Durante décadas seu nome foi sinônimo de suspense e terror. Seu rosto na tela  já era motivo de corações acelerando e muito suor escorrendo pelo corpo.
Porém,  Anthony Perkins encarnando Norman Bates,  marcou nossas vidas ao matar a facadas a linda Janet Leigh. A cena do chuveiro, ainda está presente na cabeça de quem assistiu e gritou muito em Psicose. Uma cortina de plástico, água, sangue, um crime e muito terror misturado com mistério que só seria revelado na última cena, após um longo suspense criado pelo incrível Hitchcok.
Histórias de suspense e terror ainda fazem sucesso, quando bem contadas. Não basta o susto pelo susto é preciso preparar o espectador para o que irá acontecer.  
No mundo animal, o tubarão de Steven Spielberg, é o grande vilão. Até hoje, fico a imaginar  os afiados dentes desse terrível animal, devorando a bela garota que nadava nua sob a luz do luar.
            Não podemos esquecer as trilhas sonoras, os sons que antecedem ao susto, deixando o espectador aterrorizado e sem fôlego, antes de presenciar a cena.
            Norman Bates e o tubarão estão imortalizados pelos sons que compuseram dois grandes momentos de terror,  suspense e medo do mundo cinematográfico.
O cinema anda carente de bons sustos. A alta tecnologia do mundo moderno, não consegue substituir expressões faciais diante da morte. Há que se alternar momentos de silêncio seguido da trilha sonora e o trabalho dos atores e atrizes e então o susto, o grito e o prazer do medo cinematográfico.
Tudo isso fez tremer os mais valentes dos espectadores, que sentiram a maldade  cravada na alma dos personagens.
Atores, atrizes e diretores  souberam magistralmente transformar o cinema numa agradável sala de tortura.
Edison Borba

CAFÉ COM LEITE NA VEIA.

De novo.

Mais uma vez.

Outra tragédia.

O cenário  é semelhante: hospital.

Os protagonistas também: pacientes e profissionais da saúde.

Apenas o produto é que mudou. Antes foi sopa, agora foi café com leite.

Caso um - paciente do sexo feminino, octogenária, morreu ao receber sopa injetada em sua veia.

Caso dois – paciente do sexo feminino, octogenária, morreu ao receber café com leite injetado em sua veia.

Caso um – cidade de Barra Mansa / RJ.

Caso dois – cidade de São João de Meriti / RJ.

Ano: dois mil e doze.

Século: XXI de um novo e tecnológico mundo.

Como explicar  esses casos  de “distração” hospitalar?

O que realmente está acontecendo?

Fica a pergunta  a indignação e uma dúvida, dramática dúvida: que outro produto será injetado em um paciente?

Suco de laranja? Limonada?

Precisamos rever, urgentemente, a formação dos nossos profissionais.

Educação séria  e de qualidade desde as primeiras séries do ensino. Filosofia e ética como base de uma geração que terá que aprender a manusear grandes aparatos tecnológicos.

O processo tem que se iniciar durante as primeiras séries do ensino infantil.

Vamos retomar as cartilhas e ao processo de soletração construindo palavras e sentimentos com muita sensibilidade.

Vamos resgatar a qualidade do ensino.

Vamos formar profissionais verdadeiramente qualificados e humanizados.

Enfermeiros, pedreiros, advogados, farmacêuticos, padeiros, marceneiros, médicos ou cozinheiros.

Não importa a profissão, mas o profissional.

Informação e formação acontecendo ao mesmo tempo.

Precisamos agir rapidamente ou estaremos correndo riscos de intoxicações alimentares, desabamentos de prédios além de outras calamidades profissionais.

Café com leite somente em xícaras e não em chícaras!

Edison Borba

 

 

OCUPAÇÃO x EDUCAÇÃO

Dia quinze de outubro e mais uma comunidade composta por diversas favelas, está sendo ocupada pelas forças policais pacificadoras. Local habitado por milhares de pessoas trabalhadoras, famílias, adolescentes e crianças. Gente séria, convivendo com consumidores de drogas, bandidos, traficantes e abandono. Local sem condições primárias de habitação. Uma comunidade que se formou ao longo de muitos anos, sem que nada fosse feito para deter uma desordenada ocupação.
Quis o destino, que fosse escolhido o dia do professor, para que essa área recebesse as tropas policiais que irão trazer a paz e melhores condições de vida para a população que mora no local.
Aproveitando a ocasião, e não perdendo o tom da ação, esperamos que além da ocupação também seja oferecido àquela população, educação.
Escolas, professores, aprendizagem, organização, cultura e saúde. Além dos guerreiros policiais há que se pensar nos guerreiros professores. Juntando essas duas forças sem dúvida em pouco tempo renascerá uma nova comunidade.
Investir em pessoas. Apostar nos cidadãos. Apoiar os trabalhadores. Incentivar os adolescentes. Reaparelhar as escolas. Estimular atividades culturais. Ouvir os moradores. Descobrir valores. Valorizar a educação.
Ocupar o espaço físico incentivando a ocupação social.
Revitalizar, reavivar, restabelecer, renovar, reinventar, recuperar deverá ser os verbos conjugados por toda a população.
Hoje, segunda-feira, quinze de outubro, é dia de festa!
Uma nova comunidade renasce e com ela a esperança de todos nós brasileiros.
Ocupação com educação é o caminho.
Edison Borba