segunda-feira, 10 de março de 2014

ISTO É BRASIL!

Natal, réveillon e carnaval. Somente após o apito final, anunciando o fim das festas carnavalescas, o Brasil inicia a rotina, acompanhando o ritmo comercial e social, que mantém as sociedades universais funcionando.
Esse pedacinho da América do sul tem seus próprios caminhos, suas próprias revoluções, que ocorrem sem disparos de armas, sua própria e diversificada cultura e a sua própria, única e vergonhosa política. Está mais do que provado pesquisado e relatado: não existe nenhum país como este!
Em 2014, a organização desta terra que tinha palmeiras, onde cantava o sabiá (muitos pássaros já foram traficados e mortos) terá o prazer de sediar a Copa do Mundo de Futebol, portanto o calendário brasileiro sofrerá mudanças radicais. Durante o período dos jogos, em virtude dos feriados, o calendário escolar e as agendas comerciais já estão sendo alterados.
Os dias em que a seleção canarinho entrar em campo, haverá feriado nacional. Nas outras competições tudo ficará por conta das cidades prefeitos e governadores.
Portanto, o ano de 2014, terá um grande período festivo, além das naturais festas que tanto gostamos de comemorar. Quando os jogos terminarem, o país terá um período de produção e logo a seguir inicia-se o “frisson” para as compras de Natal, réveillon e mais um carnaval. Então já estaremos em 2015, pensando e organizando os grandes festejos que marcarão as Olimpíadas de 2016.
E assim, “em passo de formiga” caminhamos para ser a maior potência mundial, provando para o mundo que, como as cigarras, cantamos o ano inteiro, enquanto as formigas trabalham e com o nosso canto e encanto vamos levando à vida feliz. Estamos acostumados a assistir de camarote os desvios de verbas e as falcatruas que os nossos políticos utilizam para manter o equilíbrio nacional.
E por falar em políticos, estava esquecendo, este ano também teremos uma grande festa democrática, iremos às urnas para confirmar a presença e a manutenção de tudo e de todos que estão no poder. Será um carnaval fora de época, mas os concorrentes usarão máscaras, o povo cantará marchinhas, haverá cores diferenciadas para anunciar os blocos, conhecidos como partidos.  Palanques e coretos serão construídos e unidos cantaremos:

                           “O povo unido jamais será vencido”!
Edison Borba

domingo, 9 de março de 2014

OS OSSOS DO REI

         Certo dia, um pai levou seu filho, um garoto de oito anos, para visitar um cemitério. O homem queria mostrar para o menino, o local, conhecido por muitos como “campo santo”, para que ele, através deste contato pudesse começar a entender o valor da vida.
Caminhando pelas alamedas, ele chamava a atenção do filho, para as obras de arte, traduzidas sob a forma de estátuas em mármore, os grandiosos mausoléus e as tumbas de diversas categorias. Havia, sem dúvida, naquela visita uma aula sobre diferentes classes sociais. Ele também mostrava para o garotinho, as inscrições que enalteciam a pessoa sepultada, dizeres como “ao meu querido amor”, “aqui está a minha mãezinha”, “um grande e inesquecível homem” e muitas outras frases mais ou menos eloquentes sobre o falecido.
O menino manteve-se em silêncio, porém atento às explicações do seu pai. Ouvia, pensava e nada perguntava como se estivesse apreendendo tudo que escutava.
A visita continuou com o pai sempre atento e buscando dar ao seu filho todas as explicações possíveis inclusive sobre símbolos religiosos. Muitas cruzes, imagens de santos, representações de anjos, Bíblias em bronze, frases de cunho religioso, velas e tantos outros elementos que deixavam um grande indício, que aquele lugar estava impregnado de religiosidade, crenças e misticismo.
Os dois caminharam até o local chamado de ossuário. Parados, diante de uma grande quantidade de ossos, o menino, falou pela primeira vez: “-Pai, o que é isto?”
Com tranquilidade o homem, explicou que era os ossos de muitas pessoas, que ao morrerem, tiveram seus corpos enterrados naquele cemitério. Após algum tempo, as covas são abertas e o que restou, é retirado, para que haja espaço para outros enterros. Naquele momento, o homem, chamou a atenção do filho para sobre  a  finitude da vida e também para o tempo que os corpos levam para se decompor.
O menino, mais uma vez, rompeu o silêncio e perguntou: “Papai, aprendi nas aulas do colégio, que neste cemitério, foi enterrado um famoso rei, que governou nosso país por muitos anos. Quais são os ossos desse rei?”
Desta vez, o bom homem titubeou, pigarreou e simplesmente disse: “Não sei!”
Edison Borba
 

 

BRASIL - UM PAÍS FEMININO

          Irmã Dulce, Maria Lenk, Bidu Sayão, Cecília Meirelles, Djanira, Janete Clair, Fernanda Montenegro, Ana Botafogo, Clementina de Jesus, Maria Ester Bueno, Guiomar Novaes, Zélia Gattai, Cora Coralina, Ivani Ribeiro, Clarice Lispector, Maria Bethânia, Ana Nery, Mercedes Baptista, Zuzu Angel, Darcy Vargas, Ada Rogato e Zilda Arns são exemplos de mulheres brasileiras, que se destacaram por suas ações. Na música, teatro, literatura, aviação, esporte, bale, moda, política, televisão ou em qualquer outra atividade, encontraremos sempre o envolvimento feminino. O Brasil é um país que precisa se orgulhar de suas mulheres. Famosas ou não, elas contribuem para que essa nação se torne mais rica e poderosa.
Zilda Arns, Irmã Dulce e Ana Nery são exemplos de inteligência e bondade. Deixaram um patrimônio de boas ações e exemplo de que se pode fazer muito, sem estardalhaços financeiros. A obra dessas Senhoras é tão sólida quanto o seu amor pelo próximo, também demonstrado, por Darcy Vargas, discreta Primeira Dama com suas obras sociais.
A voz, a elegância e a dedicação de Bidu Sayão, Mercedes Baptista e Ana Botafogo fazem o Brasil ser um país respeitado nos clássicos palcos do mundo. Cantando ou dançando essas brasileiras nos orgulham na nobre arte do canto lírico e do balé.
Ada Rogato e Maria Quitéria são exemplos de mulheres que desafiaram a vida no ar e na terra deixando claro para os homens que elas também não fogem à luta.
Ainda podemos ouvir a voz de Bethânia, desafiando o mundo com seu “Carcará”. E a ela juntaram-se as vozes de Elis, Clara, Clementina, Alcione e tantas outras guerreiras mulheres cantoras que através de suas vozes nos fazem orgulhosos.
Maria Lenk, Maria Ester Bueno e Guiomar Novaes cada uma com seu estilo. Nadando, empunhando uma raquete de tênis ou dedilhando as teclas de um piano elas trouxeram medalhas para o Brasil. As notas musicais de Guiomar guiaram as braçadas de Maria Lenk e fizeram Maria Ester bailar nas quadras de Wimbledon.
Clarice, Ivani, Cecília e Cora misteriosas mulheres escritoras. Cora a doceira goiana explode aos oitenta e deixa claro que idade não impede a criação. Ivani e Janete fizeram das novelas obra de arte, com textos apaixonantes como os de Cecília e Clarice. Essas e outras grandes escritoras brasileiras apaixonam o mundo com seus textos e poesias.
As Damas do teatro brasileiro representadas por Fernanda a sua grande musa. Natália, Tônia, Raquel, Ravache, Dina, Yoná, Bibi e tantas outras brilham nos palcos sem precisar de luzes. Suas presenças e talento são inigualáveis. Vê-las em cena é um privilégio para todos que amam o teatro.
Revolucionárias, Djanira e Zuzu, através da arte mudaram conceitos e quebraram paradigmas. Através do “Abaporu”, Djanira explode no mundo trazendo um novo conceito, principalmente por ser obra feminina. Zuzu, estilista, mãe e mulher politicamente correta. Não se curvou perante a mão armada da ditadura. Desfilava “anjos” na busca incessante do direito a liberdade. Nos museus e nas passarelas, usando criatividade e cores, elas fizeram a diferença.
Mulheres brasileiras, vocês escreveram e escrevem uma linda história para o nosso País! Que seus feitos possam fazer o Brasil mais feminino, na arte da ética de tratar seu povo através de uma verdadeira democracia.
Edison Borba

sexta-feira, 7 de março de 2014

INFÂNCIA E CRIME

          É cada vez maior o número de crianças e jovens no mundo do crime.  Meninos de nove  anos envolvido em furtos e assaltos. Situação grave que tem passado “em branco” diante dos olhos da sociedade. Cada vez mais a faixa etária diminui e crianças que deviam estar na escola ou brincando e aprendendo a amar a vida, estão sendo treinadas para a destruição.
           Durante o carnaval a Escola de Samba União da Ilha, trouxe como enredo o mundo infantil, e no samba cantado pelos foliões há um trecho que diz: “ser criança, não é brinquedo não” ou “com criança não se brinca, mas se brinca com criança”.
Há anos a infância brasileira vem sendo negligenciada, antes até do seu nascimento. Gravidez desamparada, sem acompanhamento médico adequado. Mulheres, mães trabalhadoras que lutam por uma vaga em creche de qualidade. Falta de vagas e escolas sem condições de atuar adequadamente. E atualmente uma nova geração: “os filhos do crack!”
Uma sequência de erros, uma montanha de projetos e nenhuma ação adequada. As casas de recolhimento são incapazes de recuperar seus internos. Em contrapartida uma equipe de traficantes, armados com palavras e metodologias inovadoras, atraem cada vez mais crianças e jovens para o mundo do crime. Temos hoje no Brasil, milhares de “kamikases”, treinados para morrer ou matar. Brasileiros que não chegarão à idade adulta, íntegros quanto à sua capacitação psicológica ou morrerão antes dos 30 anos.
O número de ações do governo e de algumas ONGS, sérias, são insuficientes para atender a grande maioria de brasileirinhos. O Brasil necessita urgentemente de uma revolução educacional, uma reforma, uma reviravolta rapidamente. Verbas aplicadas honestamente, valorização de educadores, prisão para os que desviam verbas da educação e saúde. Estamos gradativamente caminhando para um caos social. A mídia enaltece algumas ações isoladas, esquecendo que elas são  pequenos grãos do universo do areal.
Ainda existe tempo de impedir que a epidemia da deliquência chegue a níveis de insustentabilidade.
Edison Borba
 

 

quinta-feira, 6 de março de 2014

DE QUEM É O LIXO? (pergunta que não quer calar)

          A sociedade carioca descobriu que os garis são muito importantes. Homens e mulheres que diariamente cuidam da cidade como se fosse  a casa deles.  Recolhe a sujeira de “gente fina”, estudantes, diplomados e fardados. Cada um de nós, de alguma forma produz e descarta  detritos. Um papelzinho de bala, uma “bituca” de cigarro, um pedacinho de papel até sofás, armários, garrafinhas de água, computadores e restos de comida jogamos pelas janelas dos nossos carros, casas e apartamentos, ou então simplesmente deixamos nas ruas e calçadas, certos que os garis estarão de prontidão para limpar.
E agora José? O que fazer com o “nosso” lixo? Guardar em nossas pastas, mochilas e bolsas? Também podemos deixar o nosso “lixinho” na sala de estar ou de jantar!
O protesto dos garis trouxe à tona lixos que não estão apenas nas ruas, que há muitos anos, está sendo escondido sob os tapetes dos palácios de governo.
Apesar de todos os incômodos que a movimentação destes trabalhadores está causando na cidade, antes de jogarmos o lixo sobre os ombros deles, precisamos refletir sobre a vida dessa classe e da forma com que são tratados pela sociedade. Salários pequenos e condições de trabalho, abaixo do desejado. Falta material adequado para sua proteção: luvas, botas, chapéus e orientações adequadas para que eles saibam como se proteger. Se hoje estamos com medo do que poderá acontecer com a nossa saúde, há anos a saúde dos garis está sendo colocada à prova.
Esperamos que as autoridades competentes saiba como agir. Gritar, blasfemar e ofender. Chamar a polícia e ameaçar sem dialogar de forma sincera e honesta, não vai levar a uma solução adequada. Uma cidade que se prepara para receber a Copa do Mundo de Futebol e  Olimpíadas, gastando bilhões de reais, que não cuida adequadamente daqueles que terão como “obrigação” cuidar da limpeza da casa, é no mínimo um ato de irresponsabilidade.
 Edison Borba

QUE BLOCO É ESSE?

           Não podemos confundir uma baiana de branco, com uma baiana branca. Mas podemos identificar uma mulher baiana branca vestida de branco. Qualidades que misturadas nos revelam uma pedra preciosa que brilha mais que um diamante.
Todos estes requisitos,  juntaram-se e deram origem a Daniela Mercury, uma das primeiras cantoras brancas baianas a se consagrar com a música de sua terra natal. Mulher de brilho próprio quebrou tabu, destruiu barreiras e construiu uma carreira, estendendo um tapete de fama para que outras mulheres brancas e baianas pudessem caminhar.
Quando Dorival Caymmi compôs “O que é que a Baiana tem?”  ele inconscientemente já previa que Daniela estava a caminho, e a descreveu, com torso de seda, brinco e rosário de ouro, bata rendada e uma sandália enfeitada. Ela com muita graça e coragem foi ao Bonfim e de lá pedindo as bênçãos de seu padroeiro quebrou preconceitos.
Baiana branca proclama seu amor por outra baiana branca e, juntas as duas de branco, Daniela e Malu, quebram correntes, soltam amarras e voam pelo céu da Bahia.
Uma história de amor, nascida entre versos e sons, braços e abraços, escandalizando o mundo, criando dúvidas e declarando definitivamente que toda forma de amor vale a pena. As  amigas, amantes e apaixonadas seguem um só caminho, porque são românticas, e como escreveu em uma de suas composições Daniela declara que:
                       


É só pensar em você
Que muda o dia
Minha alegria dá pra ver
Não dá pra esconder
Nem quero pensar se é certo querer
O que vou lhe dizer
Um beijo seu
E eu vou só pensar em você

Se a chuva cai e o sol não sai
Penso em você
Vontade de viver mais
Em paz com o mundo e comigo

Se a chuva cai e o sol não sai
Penso em você
Vontade de viver mais
Em paz com o mundo e consigo

De Edison Para Daniela e Malu.

quarta-feira, 5 de março de 2014

SHOW NA AVENIDA!

     Chora cavaco! A hora é essa! Atenção comunidade da Tijuca! Atenção torcida do Flamengo! Atenção arquibancada! Está entrando na avenida dos desfiles a nossa Escola que este ano vai homenagear um jovem, um talento, uma revelação da nossa música, GABRIEL CAVALCANTE.
Nosso enredo vai contar a história de um menino sonhador, um tijucano e flamenguista. Um garoto que iluminado por Deus, um dia pegou um cavaquinho e começou a dedilhar. Os anjos ouviram a melodia e abençoaram suas mãos e o garoto, o tijucano se colocou a tocar. E foram tantas músicas que a cidade parou para ouvi-lo. Menino simples, criado entre trabalhadores, mostrou para o mundo a “RENASCENÇA” de uma arte que até então só estava nas mãos da “velha guarda”. Havia chegado o tempo da esperança! GABRIEL trouxe a renovação, a juventude e o talento para as rodas de samba.
E foram tantos os aplausos que o menino, além de dedilhar seu cavaco, também se pôs a compor. E foram versos, lindo versos, e rimas e mais rimas, seus sonhos sendo passados para o papel e depois ganhando alma musical.
Sucesso!
Mas o menino cresceu, tornou-se homem, porém sua alma continua criança, seus olhos brilham quando abraça seu instrumento e faz o cavaco chorar. E nós, seus amigos que agora somos fãs, choramos de alegria. Nossas lágrimas são de agradecimento a Deus pelo presente que ele nos deu.
GABRIEL é uma dádiva, é uma benção!
Hoje, dia 4 de março, dia do seu aniversário, nossa Escola, homenageia esse menino homem, gentil, de sorriso tímido, compositor, cantor e cavaquinista.
Abram alas na avenida nossa Escola vai passar para cantar e dançar a trajetória desse artista, que está apenas começando a sua vida. Muito ainda teremos para mostrar, para esta avenida e para o mundo que o garoto tijucano, flamenguista, filho de Dona Sheila, nasceu pra brilhar!

 Hoje é o dia de uma pessoa muito especial. Desejamos muita felicidade, muita sorte e prosperidade na sua caminhada. Que venham muitos anos de vida e que neles você esteja ao nosso lado como sempre esteve. Obrigado por nos trazer tantas alegrias, por ajudar a divulgar o Bar da Gema como se ele fosse seu. Obrigado por trazer amigos e clientes que admiram nosso trabalho. Obrigado pela voz que te rendeu a maior porção de pernil do Rio de Janeiro (risos). Obrigado por fazer parte da nossa história, por ter nos ajudado a ser quem somos. E com licença, Dona Sheila, mas esse menino é nosso também!
Viva o nosso amigo Gabriel Cavalcante!

Para Gabriel Cavalcante, meu abraço carinhoso!

Edison Borba