segunda-feira, 14 de julho de 2014

REFLEXÕES EDUCACIONAIS (Futebol / Aprendizagem)

O dia 8 de julho marcou um grande encontro, entre duas escolas esportivas: Escola Alemã x Escola Brasileira. Ambas disputando o troféu de melhor seleção do mundo. Deste jogo, podemos destacar algumas observações, que podem servir para o processo de ensino aprendizagem ou de treinamento de pessoal em empresas.

Os métodos adotados pelas duas escolas foram bem diferentes e podem ajudar-nos a algumas reflexões – Escola Alemã:
>adotou o estilo sério de trabalho, isto é, cada jogo é um jogo a meta final é a taça, portanto nada de colocar o emocional acima do profissional, criando auras de sucesso antecipado. Jogo é trabalho e  as atividades devem ser encaradas com bastante seriedade. Concentração não é festa e sim espaço para trabalhar.
>estudar, analisar, planejar faz parte do trabalho dos jogadores.
>seleção não é família, e sim grupo operativo, que se reúne temporariamente  para atingir uma determinada meta.
>cada partida é um desafio a ser vencido, portanto cada equipe rival é diferente e precisa ser analisada, estudada e trabalhada para evitar o elemento surpresa.
>trabalho de grupo tem que ter tarefas definidas e um líder não pode ser um ídolo.
Quanto a Escola Brasileira, as atitudes foram inversa a da Escola Alemã e o grupo “família” saiu de campo desestruturado e vencido. Optando pelo emocional acima do profissional. De ídolo no lugar de líder. De sucesso antecipado substituindo o trabalho sério a escola brasileira se curvou ao exemplar trabalho dos alemães.
Todas estas observações podem ser aplicadas fora dos campos de futebol, como:  não se pode confundir escola e empresa com casa e lar. Patrão não é pai, professora não é tia. Colegas não são irmãos. O ambiente escolar e profissional, por mais acessível que sejam eles não podem ser confundidos com espaço recreativo.
Aprender é tarefa constante. Cada dia é um desafio a ser vencido. Cada proposta tem que ser analisada, tarefas divididas e lideranças capazes de agregar.
A Escola Alemã chegou ao final do torneio conquistando a Taça de Campeão Mundial, uma conquista que começou muito antes do jogo final. Assim deve ser no processo educativo escolar e empresarial: estudar, planejar, trabalhar, ter metas, buscar estratégias, trabalhar em conjunto – todos (juntos) atuando em torno da busca de solução para o desafio. A escola Alemã demonstrou que improvisar sem planejar é um grave risco para a obtenção do produto final.
Edison Borba
 
 

FIM DE FESTA

          Terminou a Copa do Mundo de Futebol, é hora de voltar para casa, assumir as responsabilidades e enfrentar os desafios de cada dia. Vencedores e vencidos, alegrias e tristezas, serão guardados num baú de lembranças que um dia se transformarão em saudade.
É hora de fazer um balanço do que foi positivo e tentar não repetir aquilo que consideramos negativo. Os sentimentos ficarão em cada um de nós, como os gols marcados pelos astros da bola.
A vida segue, nesta segunda – feira de ressaca, nossa cabeça ainda está “mareada” e as imagens ainda não estão completamente nítidas. Por alguns dias sofreremos da síndrome de abstinência, sentiremos falta dos turistas, da algazarra nos bares, dos diversos idiomas que transformaram nossa cidade em uma confusa Babel, dos jornalistas e comentaristas que mantinham nossas vidas repletas de informações futebolísticas.
Aos poucos, estas imagens irão se diluindo. A sobrevivência empurra-nos para frente, não podemos nos dar o luxo de grandes devaneios.
Sobrevivência! Viver “sobre” as sérias situações que envolvem nosso país!
Ganhar a vida! Trabalhar! Lutar!
As fotos ficarão como documentos de um período que temporariamente e ilusoriamente afastou de nossos lares, o medo e as preocupações.
O país que fez a festa, volta à sua rotina. O povo apertado nas ruas e nas conduções segue rumo ao trabalho. Há muito a  fazer!
Temos que preparar a casa para uma nova festa em 2016. Até lá, seguimos com a esperança de que algum dia todos os nossos dias, possam ser felizes e comemorados como um gol de placa, marcado a favor de nossa seleção.  
Edison Borba

sábado, 12 de julho de 2014

REFLEXÕES EDUCACIONAIS (Vivendo e Aprendendo)

A população da grande São Paulo, tem diminuído o consumo de água potável.  A grande seca que afeta as represas que abastecem a cidade, fez com que grande parte dos habitantes buscasse alternativas para diminuir o consumo de água. Condomínios estão captando água da chuva através da adoção de canais colocados nos telhados. Donas de casa estão lavando as louças e roupas utilizando menos água. Em muitos lares, as famílias se reuniram para, em conjunto, encontrarem novos caminhos, que os levassem a maior economia de água. Os resultados vieram nas contas, com custos bem menores e na reserva do potencial aquífero. Enquanto o problema de abastecimento foi tratado apenas como hipótese, as campanhas para o uso consciente da água, não trouxe o efeito necessário, porém, quando a situação tornou-se realidade e o desafio concreto, a inércia deu lugar à criatividade e ações para a preservação do manancial de água começaram a surgir. Este é um bom exemplo, de que educação se faz através de exemplos de situações reais, que possam levar à reflexão e ação. Seja nos lares, nas escolas ou nas empresas, se faz necessário, que constantemente, os participantes dos grupos, sejam colocados frente a frente com situações reais, que os desafiem a buscar novos caminhos, que possam ajudar a resolver antigos problemas. A Equipe do Programa Inovar Para Crescer nas Escolas (PINCE), desafia empresas e escolas a buscarem novas alternativas para tornar o nosso Planeta cada vez mais sustentável.
Edison Borba

PLANTAR E COLHER

           A  sabedoria popular, é algo que não pode ser desprezado. Existem ditados que possuem grandes verdades, como:
          “plantamos o que colhemos” e “não solte fogos antes da festa”.
O dia 8 de julho de 2014 ficará na história esportiva mundial, como o dia em que um país chorou, por plantar como treinador de uma seleção de futebol, um homem voluntarioso,  incapaz de  ouvir opiniões e acatar sugestões. Suas observações otimistas em excesso, levou  toda nação a soltar foguetes antes da festa terminar.
         O Brasil já se considerava dono da copa  ostentando o título de hexacampeão mundial de futebol. Os jogadores, contaminados pelo seu mentor / treinador, já se achavam os donos do mundo. A maioria esqueceu que a função deles, jogar futebol, deveria ser levada a sério. O excesso de estrelismo, as poses para fotos, as namoradas, os penteados foram levados mais a sério do que o compromisso em jogar futebol. Grandes salários, altos patrocinadores, transformaram a seleção brasileira de futebol numa vitrine.
Diante de tanto deslumbramento,  a tarefa, jogar bola, foi esquecida. Treinamentos negligenciados. A cada dia os jogadores ganhavam espaço na mídia, não como atletas, mas como garotos propaganda de um sem número de produtos.
A situação era tal, que muitos imaginavam que a Copa seria Brasileira. Uma dúvida pairava sobre a seriedade do evento. O Brasil teria realmente “comprado” o Caneco?
A displicência  dos jogadores e a postura do técnico, reforçavam esta terrível hipótese.
A seleção do Brasil, chorava, fazia “caras e bocas” e orava após as partidas transformando cada jogo num grande teatro.
A imprensa em quase totalidade embarcou na festa: a copa é nossa! Esta é a maior Copa do Mundo! Nunca um evento foi realizado com tanta alegria e festa!
A situação emocional festiva, dominou toda a nação  que acabou esquecendo os desmandos financeiros que aconteceram na construção das arenas e mergulhou na festança.
Felizmente surgiu um grupo alemão que desde que aqui chegou, encarou com profissionalismo sério o fato de competir.
Silenciosos, sérios, profissionais competentes e trabalhando pesado, deram uma  lição para todos nós brasileiros: humildade, seriedade, profissionalismo são excelentes posturas. Obrigado à seleção Alemã de futebol, que de maneira ética calou a loucura verde amarelo que se apossou de todo o país.
Edison Borba
 

domingo, 6 de julho de 2014

FRATERNIDADE CONJUGAL

          Ao receber um convite para a festa de Bodas de Ouro de um casal de amigos, fiquei refletindo sobre a fórmula “conseguida”  para se manterem juntos por tanto tempo e ainda haver harmonia e felicidade para comemorar a data do casamento.
Durante a cerimônia, ficou claro que entre os dois havia amor não só fraternal, mas um amor de homem e mulher, onde os olhos deixam perceber que ainda existe desejo.
Fiquei observando-os durante toda a festa, e pude perceber o quanto os dois se completavam. Saltava aos olhos uma grande aura afetiva envolvendo não só o casal, mas toda a família que eles geraram.
Vivendo numa sociedade erotizada, onde os casais permanecem juntos enquanto o sexo é  a fonte que os une, é surpreendente encontrarmos pessoas que conseguiram manter a sociedade conjugal além da relação corporal.
Como conseguiram manter a relação nos dias mais complicados, onde as questões financeiras, familiares e sociais entram pela porta da frente das nossas casas?
Como foi lidar com as mudanças físicas e fisiológicas que fazem parte da trajetória da vida humana?
Como foi manter o desejo de ficar junto nos finais de semana e nos prolongados dias de feriado?
Estas e outras questões se acumularam em minha cabeça, mas não tive coragem de perguntar, preferindo manter envolvido em mistério aquela linda relação.
Acostumado a acompanhar pelas revistas e jornais o eterno troca troca de casais, a corrida às clínicas de beleza em busca de botox e outros artifícios, preferi continuar a minha reflexão.
Ao cumprimentar os “noivos” na saída do salão de festas, fui direto para uma banca de jornal em busca de notícias sobre as novas separações conjugais. Minha mórbida curiosidade foi satisfeita, ao ler na manchete principal, que um lindo casal, desses que fazem propaganda de margarina, estava se separando. Ela já havia encontrado um novo amor e ele partiria para uma viagem a Europa em busca de uma nova parceira.
Respirei profundamente e pensei na dificuldade que ainda temos de fraternizar as relações conjugais!
Quando receberei outro convite para mais uma festa de Bodas de Ouro?
Edison Borba

sábado, 5 de julho de 2014

A COLUNA DO NEYMAR

          A palavra coluna possui diversos significados, porém um dos mais comuns é correlacionar coluna com pilar, isto é, algo que existe para sustentar, segurar dar firmeza.  

Os monumentais templos da antiga Roma e Grécia foram construídos tendo fortes colunas como sustentadores dos edifícios. Os terremotos que destruíram várias cidades não conseguiram derrubar as colunas, que se mantiveram firmes em pé sobre os destroços.
Em outras situações, que não envolvem engenharia e arquitetura, as colunas também são vistas como centros de segurança ou de atenção para determinada situação.
Em se tratando do ser humano, a coluna vertebral é a grande responsável pelo equilíbrio, postura e sustentação de toda a estrutura do corpo. Uma superposição de ossículos empilhados uns sobre  outros, as vértebras, constituem a coluna vertebral humana. Ela mantém a postura, protege todo o conjunto de nervos que nos permite realizar todas as funções vitais.
Durante a realização dos Jogos da Copa do Mundo de Futebol, o atleta Neymar, funcionou como uma coluna de sustentação de toda a equipe brasileira. De forma sutil e constante, a coluna deste jogador foi sobrecarregada. A imprensa encarregou-se de reforçar a responsabilidade que o jovem rapaz exercia em campo. As demais colunas dos outros jogadores, não foram adequadamente usadas para distribuir e suportar o peso de vencer o torneio. A cada dia, a cada jogo mais e mais peso foi colocado sobre os ombros do garoto Neymar. A torcida, os admiradores e namoradas também se encarregaram de aumentar a pressão sobre o atleta.
Engenheiros e arquitetos, desde os tempos antigos, sabem que por mais resistente que seja uma coluna de sustentação, ela não irá suportar um peso além de suas condições. Caso se coloque mais sobre menos, haverá desabamento.
O papel do jogador  Zuñiga, foi apenas de fazer desabar uma construção que já estava sobrecarregada.
Infelizmente, coube ao colombiano promover o terremoto que fez desabar toda a seleção de futebol brasileiro. A terceira vértebra lombar da coluna do atleta, não resistiu ao joelho de uma forte construção da Colômbia. Ao atingir o jogador canarinho, e fazê-lo desabar sobre o gramado, ele também promoveu um terremoto na nação brasileira.
Que o acidente com nosso atleta, possa servir de exemplo: um templo não é construído apenas com uma coluna. São necessárias várias, para que o edifício seja mantido em pé.
Não foi apenas o joelho do Zuñiga que derrubou Neymar, mas a grande responsabilidade que colocaram sobre os ombros do menino. Houve excesso de cobrança velada, através da FIFA,  patrocinadores, imprensa, técnicos, torcedores e todos que de forma indireta cobraram dele um desempenho difícil de ser suportado por uma única coluna vertebral.
Saúde para o menino Neymar, que sua coluna seja restabelecida e ele possa sair deste problema, mais adulto capaz de saber discernir, quem realmente torce por sua carreira.
Edison Borba
 

quarta-feira, 2 de julho de 2014

A LÁGRIMA.


A LÁGRIMA

Estou deitado no chão, mas não estou dormindo. Mergulhado num estado de torpor físico e mental, flutuo no mundo alucinógeno das drogas. Sonho com minha mãe na janela acenando para mim. Corro por um jardim, escondendo-me atrás de árvores, tentando fugir ao seu atento olhar.

 

“Um dia, estimulado por um amigo, absorvi uma pequena porção mágica que me encantou. Naquele momento descobri um mundo novo, encantado e colorido.

Igual a Alice, conheci o País das Maravilhas. Montei num cavalo alado, com asas de cristal que cintilavam sob o brilho do sol. Colhi morangos, amoras e rolei sobre o verde gramado abraçado em meu cachorro. Viajei até a montanha das neves eternas. Fui esquimó, deslizando em um trenó, puxado pelas renas do Natal. Uma viagem incrível, diferente e bem longe do mundo onde sempre vivi. Pela primeira vez, senti-me liberto, sem ninguém para dizer-me: não pode! Não deve! Não é permitido!

Senti-me livre, completamente livre! Naveguei num barquinho de papel,  descendo pelas águas turbulentas de um rio.

Fui  herói! Invencível! Poderoso!

Os adultos não entendem o quanto os jovens precisam de liberdade. Voar bem alto, além das nuvens, sem nenhum receio”.

 

Estou pairando sobre a minha cidade, voo entre os edifícios, faço cambalhotas, subo pelas paredes, sou o Homem Aranha.

Nada me impede de fazer o que quero. Não sinto vergonha e nem tenho que pedir desculpas, estou livre, completamente livre!

Sou um colibri, voando entre as flores de um lindo jardim. Sou coelho e caçador. Sou o que quero ser. Não tenho amarras e nunca mais serei prisioneiro das regras sociais. Deixei de ser “careta”, estou numa boa, na moda do brilho que me encantou e levou-me para este lindo mundo onde estou agora.

 

Meu corpo treme e o suor escorre pelo meu rosto. Meus pensamentos estão confusos e uma nuvem negra paira sobre a minha cabeça.

Vejo minha mãe acenando para mim. Ela está debruçada na janela de nossa casa. Tento alcançar a sua mão, mas não consigo. Estou sufocando. O “admirável mundo novo” se esvaziou. Estou sozinho. Minha visão é confusa. Já não consigo distinguir as imagens que dançam ao meu redor. Meu corpo está queimando. Não consigo respirar. Estou desesperado e tento gritar. Minha voz está presa em minha garganta. Sufoco!

Quero brincar no jardim de minha casa. Preciso dos meus amigos. Sinto falta da escola.

Vejo minha mãe suplicando para eu voltar. Estou tentando, mas não consigo. A mágica viagem transformou-se em pesadelo. Tento afastar de meus pensamentos, imagens aterrorizantes. Meu corpo está cada vez mais impregnado pelo brilho que ingeri. Estou me perdendo entre sombras que dançam ao meu redor. Aos poucos caminho em direção a uma penumbra. Sinto a droga circulando em meu sangue.  Já não tenho nenhuma dor. Aos poucos minha excitação diminui. Meu corpo parou de tremer. Estou calmo. Estou dormindo. Coberto por um véu negro,  consigo ver no rosto de minha mãe uma furtiva lágrima.

 Edison Borba