terça-feira, 9 de setembro de 2014

HORÁRIO ELEITORAL

Quando o horário eleitoral foi aprovado e passou a vigorar, houve rejeição por alguns eleitores, entre os quais eu me estou me incluindo. Porém, com o passar dos anos e de algumas eleições realizadas após este espaço no rádio e televisão, vejo o quanto é importante à  existência deste espaço político.
Algumas situações que  podemos destacar ao assistirmos este programa:
*rever rostos que se mantiveram desaparecidos por quatro anos;
*o show de hipocrisia, alguns candidatos poderiam concorrer a prêmios de interpretação;
*humildade programada, lágrimas produzidas e promessas impossíveis;
*o uso do santo nome de Deus em vão;
*senhores de paletó e gravata e mulheres em trajes elegantes, tentando ser sérios;
*velhinhos sendo abraçados;
*criancinhas sendo colocados no colo;
*distribuição de apertos de mão;
*cafezinhos tomados em botecos dos lugares mais inusitados;
*pedidos de confiança: eu vou fazer tudo por você!
*confiem em mim, peço mais uma oportunidade;
*dedos apontados na direção do adversário e recendo de volta as mesmas acusações.
Esta lista poderia crescer ao infinito, porém com todos esses quesitos nota zero também é possível perceber aqueles que estão tentando a ética e a seriedade.
Assistir ao horário eleitoral é como procurar agulha no palheiro e tentar separar o joio do trigo.
Existem os bons, aqueles que querem um país melhor. Os que se preocupam com as crianças e idosos. Os que sabem que é preciso melhorar nosso processo educacional e fazer uma limpeza nos hospitais e garantir a segurança do trabalhador.
Existem aqueles que sabem que o salário mínimo brasileiro é mínimo mesmo para pagar contas e aguentar um sistema inflacionário que teima em existir. Acredito naqueles que se comovem e irão tentar fazer algo pelos sem teto e os sem terra. Os que acreditam numa Amazônia preservada e que o futuro do mundo em grande parte depende dos recursos naturais brasileiros. Creio que existam os que jamais farão obras superfaturadas e respeitarão os direitos do povo.
Existem os bons! Eles existem, precisamos que “eles” se façam ouvir e que se vencerem não  deixem de acreditar que moral e ética  nunca perdem o valor.
Edison Borba
 

SERÁ QUE A GENTE SE ACOSTUMOU?

Em 1972, Marina Colassanti, nos brindou com uma comovente crônica: “EU SEI, MAS NÃO DEVIA”. As palavras de Marina perpetuaram-se e até hoje; o que ela escreveu continua exatamente como há mais de quarenta anos. Num dos trechos, podemos ler:
“A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração”.
Há anos que vivemos num Rio de Janeiro, cercado por traficantes guerrilheiros que não descansam nunca. Podemos observar que temos um fato histórico constatado como antes das UPPPS e depois das UPPS. Houve uma trégua durante a implantação das unidades de polícia pacificadora. O grande aparato policial mais a ação da mídia, jornais, emissoras de rádio e televisão, fizeram com que muitos bandidos deixassem de circular. Porém, suas raízes estavam bem fincadas e tal qual uma floresta, que após um incêndio as árvores começam a brotar novamente, os traficantes estão voltando a agir. Diariamente temos notícias de troca de tiros, balas perdidas, policiais e civis feridos, porém quase nada aparece nos noticiários. Poucos telejornais apresentam material  mostrando o que tem acontecido nas comunidades. Nada é apresentado, nada é comentado: ou estamos fingindo que tudo vai bem ou então, lamentavelmente, estamos nos acostumando com bandidos, traficantes, milicianos, tiros, balas perdidas, feridos e feridas que nunca cicatrizam.
Estamos fechando nossas janelas, blindando nossos carros e cada vez mais reduzindo a nossa exposição. Gradativamente estamos aceitando, passivamente às condições implantadas pelos bandidos. Assinamos um tratado de rendição e fingimos que tudo vai bem.
Como disse Marina, aos poucos estamos nos acostumando a não olhar para fora, estamos esquecendo a luz do sol e a beleza que a natureza nos oferece a cada dia.
Estamos perdendo o direito à felicidade para evitar mais sofrimentos, estamos nos recolhendo da vida gradativamente.
 
Às vésperas de mais uma eleição, não consegui, como cidadão e eleitor, vislumbrar na voz de nenhum dos candidatos algo que realmente possa soar como concreto sobre a  virmos  gozar de uma paz duradoura. Nada é dito, nada é planejado quanto ao direito do cidadão trabalhador poder ir e vir, circular pela sua comunidade e pela cidade sem nenhum constrangimento. Será que os próprios candidatos também já se acostumaram com a terrível situação, que não é apenas um retrato do Rio de Janeiro, mas de todos os estados brasileiros.
 
Se esta observação for verdadeira, isto é, os próprios candidatos ao poder não têm perspectivas de paz, isto significa que estamos todos acostumados.
Nós sabemos, mas ...
Edison Borba
 
 

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

INVASÃO DE PRIVACIDADE?

          Acredito que segredos devem ser bem guardados, se possível dentro de cofres. Também acredito que as nossas intimidades, devem ser preservadas e colocadas sob a proteção de sete chaves.
Quem utiliza o banheiro e deixa a porta aberta, fatalmente haverá alguém para espiar, por este motivo os “toaletes” são locais reservados e ao usá-los deve-se manter a porta fechada.
Amantes que fazem questão de demonstrar suas paixões em público, não podem reclamar se algum curioso fizerem fotos.
As alcovas são lugares íntimos onde apenas os apaixonados, em total solidão, exercem seus malabarismos afetivos.
E assim, aprendemos que existe lugar  para cada coisa.
Há tempos, algumas “celebridades” fazem escândalos alegando que suas fotos íntimas, foram publicadas na internet. Apenas para esclarecimento: onde estavam estas fotos?
Quem gosta de demonstrar partes delicadas de seu próprio corpo, tem o direito de fazê-lo, e mostrar apenas para pessoas de sua maior intimidade, mas manter estas fotografias em  “face book”, “blogs” e outros locais “computadorizados”, que todos nós sabemos não oferece segurança, na realidade está buscando um bom escândalo para sua autopromoção.
Já vimos alguns cidadãos ganharem fama, e às vezes até alguns dólares, após terem suas “intimidades” divulgadas em redes sociais.           Invasão de privacidade acontece quando alguém “invade”,  sem a devida permissão algo íntimo que estava muito bem guardado.
Quem vai à praia e tira o maiô, está querendo se promover.
Quem coloca fotos comprometedoras em blogs, quer mesmo é ser descoberto e se possível fazer fama.
Quem frequenta lugares públicos e se comporta de maneira fora dos padrões está buscando notoriedade.
Ultimamente parece que virou moda alguns famosos (??!!) alegarem que foram vítimas de criminosos. Quem curte filmar suas intimidades sexuais, está navegando em mar perigoso e sabe que a canoa poderá afundar. É constrangedor acompanhar “gente grande” tentando usar auréola de anjo, quando realmente seus objetivos eram cair na rede e buscar promoção.
Chega de hipocrisia!
Edison Borba

INDE - PENDÊNCIA

Dia sete de setembro, os brasileiros comemoram o dia da sua independência. Conta a História, que há muitos anos, um português, que era príncipe de descendência europeia, mas que estava a governar as terras de além mar, aborrecido com seus ancestrais, gritou pela independência brasileira. A partir desta atitude, a república das bananas, ganhou identidade e maioridade para se autogerir. Desde então, o território descoberto por Cabral, português navegador, conquistou autonomia para se tornar uma nação livre.
Cortado o cordão umbilical, o Brasil ganhou poderes de nação, e foi aí que a onça bebeu água, a porca torceu o rabo e o bicho pegou. Aos poucos, os brasileiros iniciaram uma jornada que os levaria até a república. Imitando outros países, que trilharam o mesmo caminho, a antiga Terra de Santa Cruz, conquistou o título republicano, após muitos anos de espera através da ação de militares.
Foi num dia quinze de novembro,  que o povo cantou e dançou, pois sendo república, poderia indicar seus presidentes, estava nascendo à democracia. Um marechal do exército, no Rio de Janeiro,  imitando o tal príncipe português primeiro, expulsou do Brasil outro príncipe, o Pedro segundo, pai de uma bondosa princesa, a Redentora.
Sete de setembro e quinze de novembro são datas  comemoradas no Brasil, e significam mudanças políticas, mas as mudanças sociais que deveriam advir delas  ainda não conseguiram se consolidar totalmente. A democracia, a possibilidade de escolher  governantes gerou no país uma situação de “farinha pouca meu pirão primeiro”, isto é, “quero me dar bem em tudo”. Este processo político tirou muitos cidadãos do desemprego, que hoje são vereadores, deputados e senadores. Eles e suas famílias são um espelho de como o processo é bom (para alguns).
Hoje o povo feliz e alegre, vive num país onde se dança o samba e o maracatu, tem carnaval e futebol, muito circo e praias.
Nesta república democrática existe eleição, mas os candidatos “eles, são” quase os mesmos de há muitos anos. As promessas, “elas são”, as mesmas de muitos outros carnavais. E os resultados, “estes são” catastróficos. Mas nada abala o povo “que cá” habita!
Nesta terra brasileira existe a felicidade do pentacampeonato de futebol, lindas mulheres siliconadas e corpo dourado pelo sol. Tem novelas e favelas, que agora são comunidades. Tem sol o ano inteiro e na Bahia o tabuleiro pra comer acarajé!
Edison Borba

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

A FACE OCULTA.

         Assistindo ao Programa Eleitoral Brasileiro, temos o  desprazer de rever faces que se mantiveram ocultas por quatro anos. Gente que recebeu votos conseguiu o cargo e os excelentes salários e desapareceram. Durante todo o período de seus mandatos, jamais foram vistos apresentando algum projeto ou defendendo alguma proposta a favor do povo. Homens e mulheres que deixaram vazio o plenário e se omitiram nos momentos em que o país necessitou de suas ações. Faces que se ocultaram de suas responsabilidades.
Como ratos que surgem quando o navio está afundando, eles aparecem novamente para pedir o apoio e voto do povo.
Infelizmente, o que se diz do brasileiro, tem sido comprovado ao longo da história: “o povo tem memória curta”. Esta afirmação é lamentavelmente verdadeira e esses cidadãos, sem dúvida, conseguirão mais quatro anos de vida mansa, salários altos, mordomias e vagabundagem no planalto.
Um a um, eles surgem com suas caras lavadas e sorriso “maroto” fazendo novas (antigas) promessas que nunca irão cumprir. Alguns, sem nenhum escrúpulo, continuam mentindo, ao inventar projetos e propostas que nunca existiram.
É constrangedor, olharmos rostos conhecidos de antigas eleições. Anos e anos e eles continuam sugando as tetas do País e o sangue do povo. Para eles não há limites, são capazes das mais incríveis falcatruas e malabarismos para dar continuidade às suas malandragens.
É triste ter que olhar as faces “ocultas” de homens e mulheres que há vários anos  alimentam-se da curta memória brasileira.      Amealharam fortunas, viajaram países, exploraram a boa fé do trabalhador e com vampiros nunca se cansam de sugar.
A fome deles é insaciável!
Como vermes eles continuam a sangrar feridas e corroer o que lhes apetecer.
Até quando teremos que continuar a conviver e a rever esses antigos rostos?
Até quando as urnas fornecerão alimentos para esses famintos?
Até quando esses canibais continuarão a satisfazer seus instintos?
Até quando, nós, povo brasileiro, vamos continuar a sustentá-los?
Dia cinco de outubro não podemos votar nas faces ocultas!
Edison Borba
 
 

CONTRASTES

Enquanto jovens e crianças se exibem com armas em páginas da internet, e recebem elogios diversos, deixando assustada a população do Rio de Janeiro com o novo exército das drogas, que cresce assustadoramente.
Enquanto no Paraná uma professora é agredida a facadas por um aluno insatisfeito com as avaliações, num total desrespeito à vida humana.
Enquanto essas duas tragédias nos deixam preocupados com o futuro da infância e juventude brasileira, um alívio aparece numa escola do Rio de Janeiro. Os jovens  ao tomarem conhecimento de que uma de suas professoras está com um grave problema de saúde, que a levará a perda dos cabelos, uniram-se e todos os meninos rasparam a cabeça, enquanto as meninas também entraram na “festa” e  doaram parte de seus longos cabelos para a confecção de perucas, para pacientes que também passam pelo mesmo problema de sua professora.
Contrastes! Diante de tantas situações constrangedoras, surgem movimentos, lindos movimentos, que nos deixam felizes diante da nova sociedade que está se formando. Estas contradições nos fazem refletir, as diferentes formas de comportamento que diariamente são observados na sociedade. O que leva indivíduos da mesma faixa etária demonstrarem atitudes tão diferentes?
Os que se exibem com armas, o que agrediu a professora e os que se solidarizaram com a mestra? A faixa de idade é a mesma, porém as ações divergem.
Talvez um mergulho no ambiente onde vivem esses indivíduos, sua organização familiar suas relações no bairro ou comunidade, poderão nos indicar os motivos de tão fortes contrastes.
Qualquer que seja a resposta encontrada, uma questão é fundamental: educação. Em todas as atitudes descritas, o processo educativo se faz presente ou ausente. Um país que negligencia  a educação de suas crianças e jovens, está fadado não conseguir se transformar numa grande nação.
Diante de uma nova eleição, nós brasileiros precisamos analisar com cuidado as propostas dos candidatos, quase todos falam em educação, porém nenhum apresenta um plano concreto para executar a grande revolução educacional brasileira.
Enquanto isso não acontece, ficamos felizes com pequenas (grandes) manifestações de solidariedade dos alunos que demonstraram um grande amor e respeito, não só pela mulher, mas  pela educadora, cortando seus cabelos!
Parabéns aos alunos do Colégio Carolina Patrício, São Conrado, Rio de Janeiro!
Edison Borba

MINHA VIDA VAI MUDAR!

        Após o dia cinco de outubro de dois mil e quatorze, minha vida de brasileiro vai mudar. Estou com o coração repleto de energia e confiança nas  promessas que os senhores e senhoras candidatos aos  “empregos” políticos que o Brasil está oferecendo.
 Aproveito a oportunidade para pedir desculpas se em algum momento fui incrédulo e duvidei de alguma promessa.
Já cancelei o meu plano de saúde e com esse dinheiro vou poder comprar muito mais alimentos para a minha família. Sei que os hospitais públicos terão leitos, macas, remédios, atendimentos de primeiro mundo (tipo FIFA). Ouvi dizer que haverá médicos de todas as especialidades, eles virão da Finlândia, Alasca, Macedônia e outros lugares que nem sei localizar no mapa.
 Meus filhos estão pulando de felicidade! Minha mulher até me convidou para aumentarmos nossa família. Ela diz que em casa onde comem cinco poderão comer seis, que o governo garantirá que nada nos falte. Estou na fila das bolsas.
Estou ansioso para chegar o ano letivo de 2015, sei que as escolas públicas terão horário integral. Haverá merenda de alta qualidade, todo o material escolar será gratuito, e os professores terão seus salários comparados ao dos vereadores de suas cidades. Minha filha mais velha já decidiu que será professora.
Todos os presídios serão reformados e reformulados, os presos receberão ensino profissional e farão trabalhos sociais. As novas leis serão realmente válidas e a justiça será justa.
Estou desafiando os pessimistas, os que vivem falando mal dos nossos queridos candidatos. Quero ver a cara deles, quando os camponeses tiverem auxílio real e justo para manterem suas terras sem que haja exploração pelos senhores latifundiários.
Depois de outubro nenhuma árvore será derrubada e os nossos animais estarão protegidos pelos seguranças florestais, que dos candidatos afirmou que irá contratar por excelentes salários.
Nem sei como estou segurando meu coração dentro do peito ao saber que haverá uma reforma agrária justa, casas populares serão distribuídas e definitivamente acabará os problemas dos sem terra e sem teto.
Eu e meus garotos estamos programando sair para passear de metro, trem, ônibus e até “andar” de barcas. O preço e a qualidade destes serviços esta garantida pelos nossos amigos e amigas, candidatos.
E para essa terra tornar-se um PARAÍSO, haverá segurança. Poderemos ir e vir sem ameaças de assaltos. A violência será controlada no máximo em seis meses. Eu acredito no candidato que nos garantiu essa dádiva e incluiu tratamento gratuito para as pessoas que estão doentes e viciadas nas mais diversas drogas.
Meus amigos, vamos nos regozijar, dançar e cantar. Dias mais felizes virão. Eu acredito nas promessas, que são tantas que não cabem neste espaço.
Minha vida vai mudar! E a sua?
Edison Borba