quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

CARTA A UM AMIGO

Rio de Janeiro, 18 de janeiro de 2012.
Caro amigo

A insônia é um fenômeno que pode nos permitir algumas reflexões. Por este motivo, é que devemos saber aproveitá-la.
Existem informações históricas, que assinalam para as poucas horas de sono de alguns célebres homens como Napoleão e Einstein. Será que podemos dizer que: quanto mais um homem pensa, menos ele dorme? Portanto, quando a insônia chegar, aproveite-a!
Em relação aos seus questionamentos, acredito que eles são perfeitamente normais, sendo você uma pessoa sensível e inteligente.
Esses “pensamentos” que o estão atormentando  não devem ser interpretados como “coisas” ruins.  Eles são produto de mudanças pelas quais todos nós passamos. Cada ser humano é bem diferente do outro. Somos únicos! Somos específicos! Geneticamente diferentes!
Portanto a complexidade das nossas indagações, reflexões e pensamentos são absolutamente individuais. Porém, algumas pessoas vão além de seus próprios pensamentos, também buscam interpretações para o que pensam.  Buscam novos caminhos, tentam encontrar mais e diferentes  respostas para cada questão.
Esse grupo é restrito. Sendo assim, quanto mais complexos são os questionamentos de alguém, mais intensos serão os seus conflitos.
Parabéns, meu amigo, você pertence a esse seleto grupo. Você terá que aprender a conviver com o turbilhão de idéias e pensamentos que irão acompanhá-lo por toda a vida.
Duvidar é procurar entender, é buscar a verdade, é a busca do pleno conhecimento. A certeza é o paraíso dos ignorantes e acomodados.
Existem dúvidas que são patrimônio da humanidade, como: “qual é a nossa origem?” ou “qual será o nosso futuro?” São mistérios que jamais serão desvendados. Não ter certeza do passado e não poder controlar o futuro são conflitos que a humanidade não consegue desvendar.
Outra polêmica, ou questionamento, está relacionado ao que é certo ou errado. Existem leis, que determinam e nos indicam parâmetros para conduzirmos nossas vidas. Porém, o certo e o errado muitas vezes é apenas uma questão de ponto de vista.
Prezado amigo, não sei se consegui ajudá-lo ou deixá-lo mais confuso. Acredite que é sempre bom pensar, questionar, analisar, ponderar buscar novas respostas para antigas questões. Seja bem vindo ao mundo dos “pensantes”, daqueles que após uma noite de insônia sabem reviver e apreciar o novo dia. Que renascem com o sol e mergulham nas belezas do mundo, que foi criado para sermos felizes.
Abraços cordiais do

Edison Borba

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

ABRAÇO (versinho)


      Quisera eu ter muitos braços

      Para te envolver num grande abraço

      Daqueles em que nossos braços

      Se  misturam  se entrelaçam

      Formando um grande laço
Edison Borba

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

BEBIDA. BARBÁRIE. BESTIALIDADE.

Famílias reunidas diante da televisão assistiram passivamente cenas de sexo (quase explícito) sob um edredom. Num país em que há uma corrida contra o uso de drogas, a aplicação da Lei Maria da Penha, lei seca no trânsito além de outras tentativas de melhorar às condições éticas na sociedade, um famoso canal de televisão exibe o que há de pior nas relações humanas.
Na busca pela fama e por dinheiro vale tudo: bolinação, bebedeira, sexo, festas enlouquecidas, erotismo, exibicionismo, alcoolismo, mentiras, traições e até um possível “estupro”. Tudo ao vivo e a cores.
Um programa para todas as faixas etárias. Exibido diariamente, sob o comando de “gente” séria e formadora de opiniões. Que opiniões?!!?
A cidade amanheceu discutindo as cenas apresentadas no tal reality show. Canais de outras televisões analisaram os movimentos do casal no quarto do amor, sob o edredom. Cada volteio dos quadris,  posição das mãos, se houve ou não houve beijos. Se ambos estavam tendo prazer ou se apenas um  se deliciava com a inércia do outro. Tudo analisado em detalhes.
Por que apenas um se movia? Será que houve aplicação de “boa noite cinderela”? Que tipo de bebida, “rola” na festinha, do reality? Houve ou não estupro? Essas e outras questões, foram analisadas por diversos jornalistas, psicólogos e juristas.
Absurdo! Inconcebível! Inacreditável! Será mesmo que tudo isso é verdade? Será que não passa de ficção?
As imagens estão nos jornais e revistas.  Jogaram no lixo tudo o que se faz em nome da melhoria da qualidade das nossas relações sociais. Cenas de sexo onde nem higiene e  uso de preservativo são observados.
Nessa casa tudo vale! 
Parabéns aos Diretores da tal casa! Vocês venceram! Vale tudo pela audiência!
Sabemos que continuaremos a conviver com esse tipo de programação, por muitos e muitos anos. Mudarão os participantes, mas sempre haverá “alguém” disposto a tudo por dinheiro.
Ficam algumas questões:
Como educar nossas crianças e jovens que continuam submetidos à vulgarização das relações humanas?
Como pais e mães poderão falar sobre amor e ética com seus filhos?
Como os professores sensibilizarão seus alunos  ao sexo seguro, à honestidade, ao não uso de bebidas alcoólicas, e a exibirem uma conduta moral digna, certa e séria?
Como o Ministério Público analisará esse tipo de ocorrência?
Será que bebidas, barbárie e bestialidade irão vencer o amor, a amizade e a afetividade?
Quem viver poderá responder!
Edison Borba

CARLA, A TEMPERAMENTAL

Jovem, bonita e elegante em seus dois metros e meio de altura e pesando quase três toneladas, Carla é também muito temperamental. Garota vaidosa e de difícil convivência.
Acalentando o sonho de cursar uma universidade, saiu da casa dos pais e fora dividir espaço com mais duas amigas, na aprazível cidade de Salete, em Santa Catarina.

Três jovens, inexperientes e sonhadoras em busca da realização de sonhos. Nos primeiros meses tudo acontecia educada e agradavelmente. As meninas, apesar de espaçosas, dividiam bem o apartamento. Trocavam confidências e até produtos de beleza.

Suas conversas eram como as de jovens de qualquer lugar do mundo. Namoradinhos, a cor do batom, shampoos, dietas e outras preocupações.
Carla, Regiane e Selma se chamavam de amigas. Amiga me empresta o creme hidratante. Amiga vamos assistir ao DVD do Michael. Amiga me lembra de ligar para o Kito.
Era um  tal de amiga pra lá, amiga pra cá, até um dia em que Selma, sem imaginar que problemas estaria criando, fez um comentário maldoso sobre a silhueta de Carla. Coisa do tipo: “amiga creio que você está um pouquinho mais fofa”. Bastou que essa observação fosse feita, para que acontecesse um grande tumulto.
Carla, como sempre temperamental, deu uma trombada em Selma, que revidou com a  rapidez de um raio. Regiane, que até então estava apenas assistindo, tomou as dores de Selma, confirmando o aumento de peso da Carla.
Foi uma confusão “toneládica”. Insultos, choros e muitas unhas quebradas. Carla, inconformada, fugiu, deixando todos muito preocupados.
Após muitas buscas, ela foi encontrada às margens do rio Itajaí, onde havia tomado um delicioso e refrescante banho.
Os responsáveis pelo local, percebendo que não havia mais clima para a permanência de Carla, solicitaram a sua transferência para o Rio de Janeiro.
A vaidosa guria, nem pensou duas vezes arrumou as malas e cantarolando “Garota de Ipanema” desembarcou na cidade maravilhosa.
Quem quiser fazer contato com essa temperamental elefanta, é só visitar o zoológico do Rio de Janeiro, onde ela brilha, posando para fotos e exibindo seu lindo “corpicho”.
 Edison Borba

domingo, 15 de janeiro de 2012

PARECE QUE FOI ONTEM

Parece que foi ontem que fomos arrastados por uma onda musical provocada por uma mulher que de tão agitada, recebeu o carinhoso apelido de “pimentinha”.
Seu cantar era passional. Quando estava no palco se entregava corpo inteiro em cada interpretação. Era uma cantora atriz. Vivia cada letra como Clarice nos poemas e  Cacilda  no teatro.
Emocionante talvez seja a palavra que mais se aproxima das suas aparições. Não se poupava, era emoção completa, levando a platéia ao delírio e a dor. Sua voz era como vinho ou champanhe. Podendo ser vodca ou até um simples refrigerante. Era para ser absorvida, saboreada, gole a gole.
Em “Atrás da porta” se joga aos pés de seu amado e diz tudo o que alguém diria ao um grande amor que vai embora.
Em “Rebento” se rebenta de tanta emoção, levando às lágrimas quem a ouve, tirando de dento do corpo sons inimagináveis.
Irreverente cantando o “Bêbado e a Equilibrista”. Sonhadora em o “Cantador”. Irônica  em “Alô Alô Marciano”. E impagável em “Tiro ao Álvaro”.
Em “Como Nossos Pais” tira nosso fôlego.
Faz de “Romaria”,  uma das mais lindas orações.
É puro jazz em “Black is beautiful”.
Às vezes menina, brincando de cantar. Mulher sofrida em cada verso revela as dores de amores. Mãe! Grávida, no palco é melodia uterina.
Em “Travessia” e “Morro Velho” é única ao cantar as  Gerais de Milton.
Como a maravilhosa Ângela Maria, faz de “Vida de Bailarina” uma tristeza linda de ouvir.
Seu encontro com Adoniran é uma festa. As mariposas de São Paulo, voam sob a luz da Light, dando a maior prova de carinho para o bairro do  Bexiga.
Sambista de primeira, era uma perfeita carioca, quando soltava “o verbo” e deixava rolar sambas de roda, de exaltação ou de enredo.
Essa foi e ainda continua sendo uma das maiores cantoras intérpretes brasileiras ELIS REGINA.
Gaúcha, brasileira, corajosa, tímida, passional, cantora, anjo, mulher!
Um dia pegou um saveiro e foi falar com Deus, deixando uma cadeira vazia e nossos corações partidos!
Parece que foi ontem que vimos à menina “arretada” dominar os palcos e brindar o mundo com sua voz, energia e talento.
Obrigado Elis Regina!

Edison Borba

sábado, 14 de janeiro de 2012

NOVA CONFUSÃO NA HORTA

Após os problemas envolvendo a distribuição de agrotóxicos, o Delegado Pimentão, foi novamente chamado para aplacar uma  confusão. Dessa vez, a polêmica  envolve dinheiro. Acusaram os tomates de serem responsáveis pelo aumento da cesta básica, onerando o salário dos trabalhadores.
Como sempre, vermelhos de raiva, partiram para briga, colocando como o causador do problema, as chuvas e a seca. Como eles (os tomates) possuem pele muito fina, o excesso de sol ou de chuva, causa sérios problemas em sua epiderme, o que faz com que seu preço no mercado aumente consideravelmente.
Apesar de reconhecer que a vaidade colaborou para agravar o problema, eles não pouparam acusações às couves, alfaces, salsinhas, cebolinhas e acelgas que em função do destempero ecológico, amarelaram e sumiram do mercado.
Essa acusação deixou o Dr. Pimentão, azedo como um jiló, que convocou uma reunião geral de todo o pessoal da horta.
A vaidosa couve-flor ficou encarregada de distribuir os panfletos informando dia e hora do encontro. Pedido que  aceitou feliz, pois adora se mostrar e aparecer na comunidade.
A complicada cebola, não quis receber o comunicado. Sempre chorando, deixou claro que ela não participaria dessa reunião, pois o seu preço sempre foi acessível a todos. Aproveitou para se queixar dos boatos que espalham sobre a sua interferência no hálito dos consumidores, sendo até responsável por brigas entre namorados. O senhor alho endossou as palavras da sua amiga cebola, pois esse rumor também envolve o seu nome.
A abobrinha, que nada entende de finanças, comentou com o maxixe que  ela nunca foi envolvida em escândalos.
O nabo, sempre muito sério, aceitou a convocação alegando que ele só se pronunciaria na presença de seu advogado o Dr. Pepino.
As inseparáveis amigas cenoura e beterraba informaram que compareceriam juntas e que, elas sempre são muito solicitadas pelos jovens atletas e surfistas que as desejam  e ainda as lambuzam com mel, pagando qualquer preço para tê-las em seus copos. Portanto, essa história de salário do trabalhador não diz respeito a elas.
Na hora da reunião, quando o Doutor Pimentão apresentou a pauta, o espinafre e o agrião, que se consideram acima de qualquer suspeita, interferiram alegando que, sempre são os preferido dos vegetarianos, que pagam qualquer preço por eles.
Um grupo de batatas de diversas origens (a doce, a inglesa, a batatinha) reunidas num canto do auditório,  nada sabiam do que estava acontecendo. Estavam ali apenas para aproveitar o acontecimento e colocar as fofocas em dia.
Quando o Dr. Pimentão, finalmente conseguiu colocar ordem no recinto, eis que surge o repolho acompanhado da dona abóbora, como uma notícia bombástica.
O silêncio tomou conta do ambiente. Todos queriam saber o que havia acontecido. O Senhor repolho, após beber um copo de água e se acalmar, disse enfaticamente:
- “calma pessoal, nós, os da horta, não temos culpa se os preços sobem no mercado. Apesar de sabermos que somos nutritivos e que deveríamos estar nos  pratos de todos os cidadãos, quem fica rico às nossas custas é o homem”.
Nesse momento, o aipim (também conhecido como mandioca), chegou todo sujo de terra confirmando as palavras do se amigo repolho. “É o homem que nos coloca no mercado, cobrando preços altos por todos nós. Eles sempre colocam a culpa na natureza, alegando que foi a chuva ou a seca, mas são eles que sem piedade, nos escondem em caixas e em armários, alegando que sumimos do mercado para enganar e onerar os trabalhadores”.
Uma grande tristeza tomou conta de todos, que sem nada poder fazer, retornaram para seus sítios, e a paz voltou a reinar novamente na horta.
Edison Borba


QUEM É VOCÊ

                 Quem é você?

                Que chega de madrugada

                Que impregna meu quarto com seu cheiro

                Que deixa seu cigarro em meu cinzeiro

                Quem é você?

                Que me abraça com carinho

                Que me deixa atônito

                Que invade meu mundo

                Quem é você?

                Que me deixa sozinho

                Que não diz quando volta

                Que me faz seu objeto

                Quem é você?

                Que amassa meus lençóis

                Que dorme em meus braços

                Que me deixa encantado

                Quem é você?

                Que é meu espelho

                Que eu tanto desejo

                Quem é você?

                Que desrespeita as regras

                Que me pega com força

                Que marca meu corpo

                Quem é você?

                Que vejo na noite

                Que se vai de manhã

                Que me satisfaz

                Que me enlouquece

                Que me deixa dormindo

                Sonhando  querendo saber

                Quem é você?

                Edison Borba