quarta-feira, 31 de outubro de 2012

VIOLÊNCIA – ATÉ QUANDO?

           Nesta madrugada (31 de outubro de 2012) seis policiais foram assassinados em  São Paulo. Em todo o Brasil já se contabiliza duzentos e vinte e nove mortes de policiais. Esse incrível número deve ser bem maior em virtude de alguns estados não fecharem os dados relativos a esse tipo de situação.
Violência diariamente. Violência em todos os lugares. As mortes acontecem em comunidades pobres ou em avenidas de  bairros de classe média e alta.
De onde estão partindo as ordens para essa  epidemia de assassinatos?
Qual o objetivo de tanta violência contra policiais?
A situação se complica cada vez mais, com a ameaça chegando até aos familiares dos defensores da lei.
Até quando isso vai continuar a acontecer?
Se somarmos a esses números de policiais mortos, o dos civis, obteremos dados inacreditáveis. Provavelmente morrem no Brasil mais pessoas que nas lutas terroristas que acontecem em diversos países do mundo.
Policiais militares, civis, bombeiros, agentes penitenciários e demais profissionais estão correndo risco.
Como resolver essa questão, é um grande desafio para as nossas autoridades. Após um período de eleições caberá aos novos prefeitos e vereadores buscarem junto aos governadores e o governo federal encontrar uma saída para tal catástrofe.
Não podemos fingir que nada acontece. Estamos preparando o país para grandes acontecimentos – Copa de Futebol – Olimpíadas e tantos acontecimentos esportivos e culturais, mas estamos enfiando a cabeça na areia para fugirmos da triste realidade.
Até quando? Essa é a pergunta que todos os cidadãos estão fazendo!
 Edison Borba
 

 

domingo, 28 de outubro de 2012

MULHER PANCADA


Lágrimas

Olhos vazios

Alma  perdida

Mulher espancada

Machucada

Dolorida

Lavar, passar, cozinhar e apanhar.

Todos os dias

Dias e dias

Mulher conformada

Dominada e confusa

Calada vazia sozinha

Mulher pancada

Usada

Não se revolta

Aceita

Tem medo da vida

Medo do amor

Acostumada com a dor

Alma estraçalhada

Cabeça conturbada

Condenada  a sofrer

Mulher pancada

Revide

Lute

Sonhe

Exija

Grite

Você tem  direitos

Você merece respeito

Você merece ser amada

Não se deixe intimidar

Não se deixe abater

Acredite nas leis

Acredite na vida

Acredite no amor

Acredite em VOCÊ!

Edison Borba

 

 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

VOAR ...VOAR ... VOAR ...

Quero ser um avião

Ou talvez um gavião

Vou querer furar as nuvens e voar e voar e voar

Voar livre e ligeiro

Como pássaro ou borboleta

Festejar a primavera

Visitar muitos lugares

Beber água da chuva e comer flores vermelhas

Voar até o Japão

Contornar a Torre Eiffel

Dar cambalhotas no ar

Voar de cabeça para baixo

Sem medo e sem amarras

Igual a um super- herói

Voando pelo infinito

Como uma ventania

Vitorioso e angelical

Errante como um vagabundo

Voando irregular

Quebrando rotinas

Enganando retinas

Como bailarino virtual

Sendo o que não é verdadeiro

Usando a imaginação

Voar bem alto e sem rumo

Sem limites e sem destino

Desengonçado bailar

Aproveitar a viagem

Antes de despertar.

Edison Borba

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A MOCHILA COR DE ROSA

            A mochila cor de rosa, na vitrine de uma loja, sonhava um dia ser levada por uma menina. Uma dessas garotas sonhadoras que gostam da cor das rosas.

O tempo passava e nada. Nenhuma garota olhava para ela. Nenhuma menina se interessava por aquela mochila. As pinks, amarelas e vermelhas eram as preferidas.

O tempo passando e ela sonhando com os livros que poderia carregar. Talvez cadernos escolares, lápis coloridos, canetas e outros objetos usados para estudar.

            Era uma sonhadora!  Pensava em poder levar um diário, daqueles cheios de lembranças e paixões. Repleto de revelações como o primeiro amor, o beijo escondido e a espera de um convite mais ousado.

            Como seria bom ter uma amiga, que a levasse em seu ombro, pelos parques, jardins, escola e até para as lanchonetes.

O tempo foi passando e ela esperando.

Um dia, ou melhor,  uma tarde, a linda garota de sorriso feliz chegou até a vitrine e a olhou com interesse. Foi amor à primeira vista. As duas se apaixonaram.

Nasceu  naquele momento uma grande amizade.

Tornaram-se companheiras, amigas e confidentes. Era maravilhoso sair todos os dias pendurada no ombro da menina de sorriso bonito, rumo ao colégio.

Ficar no cantinho da classe e assistir a todas as aulas. Mas o melhor era o recreio. Nesse momento ela ouvia histórias de outras meninas e outras mochilas. E eram tantos os sonhos e alegrias, que ela nem reclamava quando ficava pesada com tantos objetos que era obrigada a carregar.

Tinham os materiais escolares, os produtos de beleza, merenda e mais um montão de traquitanas que para nada serviam, mas que faziam parte da vida de sua amiga. Ah! Sua amiga! Gostava de ouvir a sua voz e as ruas risadas. Quando percebia alguma tristeza, agarrava-se em sua dona, tentando passar para ela todo o seu carinho.

O tempo passando e as duas cada vez mais envolvidas por uma linda amizade.

Mas, um dia, um homem cruel viu a menina e sua linda mochila. Na realidade nem era um homem adulto. Era um desses rapazes, que até podia ser mais um dos amigos da menina da mochila. Menino mau. Rapaz sem coração. Homem perverso.

Uma tragédia se anunciou.

Um tiro. Uma menina sangrando. Sua mochila sendo levada.

Morreu a menina de sorriso alegre.

A dona da mochila cor de rosa.

Calçada manchada de sangue.

Vermelho contrastando com o rosa da mochila.

Menina morta.

Sonhos apagados.

A mochila cor de rosa está jogada num canto da uma delegacia de polícia.

 - Em memória de Caroline Silva Lee, 15 anos, assassinada em São Paulo.

  Edison Borba

POBRE CARMINHA, acabou no lixão!

           Mais uma vez  um final decepcionante. Após tanto sensacionalismo cercando mais uma novela da  nossa televisão  um final “mixuruca”. Total desperdício de atores, atrizes, talentos e cenários.
            Uma mistura de situações, uma série de falas sem sentido, tudo feitos às pressas para dar início a uma nova produção.
Que pena!
            Fica no ar uma sensação de descaso para com a população que pensa e gosta de dramaturgia de bom gosto. Após uma sequência de capítulos e de grande exploração na mídia na hora de acabar tudo se transforma em trabalho amador.
Preocupados em agradar aos patrocinadores a direção do texto esquece, dos telespectadores.  O povo que se contente com qualquer  final, o que importa é manipular suas atenções para a próxima história.
Que horror!
Os noveleiros mais atentos perceberam uma série de erros na produção. Cenas feitas  às pressas, e de gosto duvidoso. Tudo agrupado como em uma colcha de retalhos. Nenhuma emoção. Nenhum suspense. Tudo previsível. Um grande copo de água com açúcar. O que aconteceu com o último capítulo que seria rico em suspense.
Que lamentável!
É obvio que um capítulo não invalida o total da obra. Sem dúvida foi uma das mais movimentadas novelas dos últimos anos. Usando a vingança como fio condutor, a história teve momentos de boa dramaturgia. Apesar de apelar em alguns capítulos para um excessivo dramalhão, beirando às novelas mexicanas, a história e os atores, sob uma segura direção, conquistaram o público.
Importante lembrar a ação da emissora no sentido de prender o público através de uma mídia bem feita e calculista, tentando dar ao final do folhetim um clima de Copa do Mundo de Futebol.
Imagens da cidade e uma tentativa de convencimento que tudo e todos estavam parados para ver o final da Avenida. Será que houve quem acreditasse?
Uma lástima!
Saudade do Dr. Albertinho Limonta, que realmente causou grande arrebatamento numa cidade, que na época não possuía outros atrativos. O segredo guardado por mamãe Dolores foi mais comovente do que o da mãe do lixão.
Passada a decepção do último capítulo, atores e atrizes em férias, mas ainda  usufruindo das benesses que esse tipo de novela propicia  mergulhemos, em mais um dramalhão.
É bom aproveitar o início. Ficar atento no miolo do texto e desligar a televisão no último capítulo. Agindo assim não corremos o risco de acabarmos no lixão como a pobre da Carminha.
            Até a próxima!
Edison Borba

domingo, 21 de outubro de 2012

HORÁRIO DE VERÃO

            Começou hoje em alguns estados brasileiros mais um horário de verão. Isto significa que até o final da estação do calor, alguns cidadãos acordarão uma hora mais cedo. As autoridades alegam que tal medida gera uma grande economia de energia.
Num momento em que salvar o planeta deve ser a meta de todos os seres humanos, encaremos essa mudança como a nossa parcela de contribuição.
Deixando de lado os transtornos biopsicológicos que algumas pessoas poderão apresentar, para que suas necessidades pessoais (dormir / acordar / digerir / defecar) se adaptem ao novo sistema, o importante é  a economia. Em pouco tempo todos estarão integrados ao novo sistema, que logo terminará, exigindo outras adaptações, mas isso faz parte da rotina.
Muito interessante, nesse tempo de calor, biquínis e sorvete é acompanharmos as entrevistas que são realizadas, sempre que essa regra é adotada.
Jornalistas animados fazem a mesma pergunta (em todos os canais de televisão e emissoras de rádio): - O que você vai fazer para aproveitar essa hora a mais?
            Antes de seguir, é importante lembrar que não ganhamos hora nenhuma. Adiantamos nossos relógios acordamos mais cedo, entramos mais cedo no trabalho e saímos após cumprirmos a mesma carga horária no escritório, fábrica, loja, escola e demais postos de operações.
Atenção senhores entrevistadores para esse pequeno detalhe.
Voltando ao tema, outra questão interessante fica por conta dos entrevistados. A maioria responde que irá a praia. Até aqueles que residem bem longe do mar, afirmam que irão jogar seus corpos ao mar.
Por que, essa resposta é a preferida? Provavelmente seja em função das entrevistas serem realizadas nos calçadões praianos.
Apresentamos como sugestão, movimentar os microfones para os portões das fábricas,  estações de trens, pontos de ônibus de preferência fora da zonal sul da cidade.
Provavelmente, teríamos uma maior variedade de respostas.
Faz tempo que ouvimos as mesmas perguntas e as mesmas respostas. Sendo assim, fugimos de uma reflexão mais detalhada sobre a adoção de tal medida. Se todos os cidadãos e cidadãs mostram-se felizes com o “ganho” de  mais uma hora em suas vidas para beber chope e mergulhar nas águas de Iemanjá, questões  mais sérias deixam de ser abordadas.
Respeitemos o horário de verão. Vamos colaborar com a economia de energia. Porém, faz-se necessário, informar a população sobre o que poderá ocorrer com os organismos e passar orientações de como sobreviver a essa mudança, com  menos problemas de saúde.
Agora todos ao mar ou aos bares para aproveitarmos essa hora extra! (risos)
 Edison Borba

CARTAS DE AMOR

            Em pleno século vinte e um soa um pouco estranho escrever  cartas de amor. Talvez melhor  emails formatados em letra Constantia ou Times New Roman reforçadas em negrito. No final fazer alinhamento, aplicar o revisor de textos, incluir algumas animações, clicar  e enviar.
Tudo rápido e padronizado. Basta tocar uma tecla e lá se vai a mensagem para todo o mundo, com cópia oculta para mais e mais leitores.
Cartas de amor possuem características que não podem ser imitadas, e jamais serão igualados. São únicas! A letra, a tinta, a caneta, o papel e o texto se completam. São peças raras que traduzem emoções.
Letra forte e calcada para dizer adeus.
Letra tremida e fragilizada pedindo perdão.
Letra redonda, harmonicamente desenhada para traduzir um amor puro.
Letra manchada pelas lágrimas da saudade.
Cartas cujos perfumes traduzem o texto.
Cartas esperadas com paixão.
Cartas fechadas, lacradas com texto guardado em segredo pelo medo da revelação.
Cartas lançadas ao mar, levadas pela correnteza.
Amassadas e rasgadas antes mesmo de serem lidas.
Cartas extraviadas cujo remetente sofre a espera da resposta que nunca virá.
Cartas beijadas, manchadas de batom, trazendo os lábios da amada.
Cartas mentirosas, com promessas dúbias que jamais serão cumpridas.
Cartas de amor são mensageiras de emoção. Elas carregam sentimentos. São portadoras de paixões. Documentos de relações felizes ou torturadas. Guardadas em baús ou gavetas, guardam marcas de relações longas ou efêmeras. Amareladas com tempo envelhecem juntamente com seus atores.
Capazes de reacender emoções adormecidas esses maravilhosos e pequenos pedacinhos de papel são inesquecíveis.
Felizes aqueles que puderam algum dia escrever ou receber uma carta de amor.
Edison Borba