terça-feira, 6 de maio de 2014

CRIANÇAS / BALAS PERDIDAS

         Mais uma noite de protestos. Mais uma família em lágrimas. Mais desordem. Mais gritos. Mais angústia. Mais confrontos. Mais medo. Mais ônibus incendiado. Mais uma criança atingida por bala perdida. Mais um menino, um brasileirinho está lutando pela vida num leito de hospital.
      Um menino de 8 anos, foi atingido por uma bala perdida quando caminhava da escola para  casa, no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Mais uma vez  a tragédia aconteceu devido a um confronto entre policiais e bandidos.
      Mais uma vez, a bala não tem dono.
            Será que ela saiu da arma dos policiais?
      Será que ela saiu da arma dos bandidos?

      Enquanto a briga para saber a quem pertence o projétil, acontece entre a população e a polícia. Enquanto traficantes aproveitando-se da situação estimulam a população à desordem, um menino sofre no leito do hospital do Andaraí.
     As ruas da cidade estão começando a ser decoradas, para os festejos da Copa do Mundo de Futebol. Uma novidade está  acrescentada, à decoração, além do verde e amarelo, cores da bandeira nacional, o vermelho está sendo incluído, para lembrar a cor do sangue das vítimas atingidas pelas mortais balas perdidas que já fazem parte da rotina dos moradores do Rio de Janeiro.
Edison Borba

"TÁ DE DEBOCHE?"

       Às vésperas do início da Copa do Mundo de Futebol e das eleições democráticas brasileiras, emissoras de televisão, está apresentando matérias  sobre “AS ESCOLAS BRASILEIRAS”. Um assunto que já está perdendo o interesse da população, que no momento, vem sendo direcionada,  para álbuns de figurinhas, os dias de feriado, a compra de ingressos, a chegada dos jogadores de futebol, o número de gols que acontecerão durante os jogos e outros assuntos de máxima importância para um país como o Brasil, que acredita ser uma das maiores potências do mundo.
 Com a chegada das festas futebolísticas, ninguém está a fim de saber que no Brasil:

 >existem escolas sem carteiras, os alunos sentam no chão ou ficam em pé;
            >há esgoto a céu aberto nas imediações de muitas unidades escolares;
            >por falta de salas, vários alunos de várias séries assistem aulas  no mesmo espaço;
            >em alguns municípios a merenda é feita na casa da funcionária (merendeira);
            > a louça escolar é lavada em águas sujas de rios;
            > o transporte escolar em alguns estados, não existe ou é precário colocando a vida dos estudantes em risco;
            > ainda existem escolas que não iniciaram o ano letivo de 2014;
            >material escolar com erros de informação, é distribuído entre os estudantes:
            >faltam professores com formação adequada em grande parte do Brasil.

 Será que tem alguém interessado nestas questões? São informações inoportunas, que atrapalham  a alegria, e tiram a felicidade da nação brasileira.

O Brasil é um país que não precisa de educação, aqui tudo é resolvido sem que haja necessidade de escolas e nem de professores.

Aqui a  democracia é uma das mais sólidas do mundo. O Brasil é um país de oportunidades onde os direitos são iguais. Não há desigualdade social e nem miséria. Os jornalistas que teimam em produzir matérias como esta sobre “as escolas brasileiras” são derrotistas e não querem a melhoria do país.

Juro, que nunca mais falo sobre este tipo de assunto!

Chega de reclamar!
           Somos felizes!
           Somos pentacampeões!
           Temos as praias mais bonitas do mundo!
           Quem não estiver satisfeito que faça as malas e vá .......

                     “Tô de deboche!!!”

Edison Borba

domingo, 4 de maio de 2014

AS ÁRVORES DO MEU BAIRRO

         Moro no Humaitá, um aprazível bairro da zona sul do Rio de Janeiro. Muitas vezes, confundido com Botafogo, nosso vizinho próximo. Uma das características do Humaitá é a grande concentração de hospitais, casas de saúde, farmácias, academias de ginástica, consultórios médico e também de terapias alternativas como acupuntura, ioga, shiatsu e outras, que fazem parte da geração saúde.
Aqui também estão localizados restaurantes naturais, casas de chá e “boutiques” de doces e salgados, lugares agradáveis para um café sem pressa.
Estas características são indicativas de que meu bairro é saudável, habitado por gente que cultiva a saúde e a boa forma, e para isso procura o lado “natureba” de viver.
O horto mercado, conhecido como COBAL, é uma alegria constante. Cheio de restaurantes dos mais variados estilos, misturados às frutas, verduras, legumes, sorvetes, lojas de móveis e outras atrações, que enchem o espaço de harmonia, é um convite constante à felicidade.
As orquídeas são uma atração a mais, com sua variedade de estilos e cores, elas brilham junto com as rosas, margaridas, antúrios e outras rainhas dos jardins, todas reunidas nas floriculturas da COBAL.
Colégios! Vários estão construídos pelas ruas do Humaitá, o que o transforma num lugar jovem. Meninos e meninas com seus coloridos uniformes  fazem grande alarido trazendo para os moradores uma sensação de esperança.
Algumas pequenas e sofisticadas galerias escondem encantadoras lojas com uma grande variedade de produtos que nos aguçam a vontade de comprar.
Sentar no “quintal” da    COBAL, beber  chopinho bem gelado admirando a imagem do Cristo Redentor é um  excelente programa. De segunda a segunda, os bares são ocupados por gente de todo o mundo.
Lugar de gente alegre e sorridente o Humaitá, também se caracteriza por edifícios com jardins onde pássaros cantam pelas manhãs e famílias de micos fazem a festa pulando pelos galhos das antigas árvores.
Outro aspecto do meu querido bairro é a grande concentração de crianças. Nas manhãs de sol, congestionamento de carrinhos de bebê concentra-se no espaço do hortomercado, na outra ponta da vida estão os idosos. Humaitá também possui uma grande população de senhores e senhoras, que se juntam aos nenês na hora do sol matinal.
Apesar de todas essas maravilhas, algo me preocupa quanto ao Humaitá, é a constante retirada de árvores. Desde que estou morando aqui, já vi diversas árvores serem arrancadas e não serem substituídas. A ação dos cupins, as fortes chuvas, são alguns dos elementos responsáveis pela necessidade da poda e da retirada desses incríveis seres, que garantem a vida no planeta terra.
Não está havendo o sistema de troca. Necessitou cortar e tirar a árvore, o local deveria ser ocupado imediatamente por outra árvore. Porém, o espaço do vegetal é rapidamente coberto por cimento. Aos poucos algumas ruas estão se tornando desertas, no verão  não há sombras, o que está gradativamente transformando o atraente Humaitá em mais um deserto de asfalto e cimento.
A Rua General Dionísio e a Voluntários da Pátria já perderam  várias árvores e com elas, a sombra, os pássaros, a garantia de melhores condições de sobrevivência dos moradores.
Ainda é tempo de revermos esta situação. Não sei se os Órgãos Municipais competentes ainda podem replantar esses seres vivos (as árvores) nos antigos locais e, se a partir de agora, quando houver necessidade de remoção de uma das nossas amigas verdes, que no mesmo momento, outra árvore seja colocada no local.
Nossos filhos e netos. Nossas crianças. Nossa saúde. Nossa natureza e principalmente nossa vida agradece.
 Atenção! Moradores do Rio de Janeiro, precisamos defender o mais importante patrimônio da vida na TERRA, as árvores.
 Edison Borba
 

sábado, 3 de maio de 2014

O TRABALHADOR

            O que é um trabalhador? O que é uma trabalhadora?
São homens e mulheres, seres humanos, que colocam seus organismos em ação para produzir riqueza para as Nações.
Máquinas de carne e osso, cujo combustível primário é apenas alimento e água. Mais perfeitos que os melhores e avançados computadores. Complexos em suas engrenagens, porém simples em seu funcionamento. Capazes de exercer as mais variadas funções e nos lugares mais inóspitos. No ar, na terra ou nas profundezas dos oceanos eles produzem lucro para suas Terras. Essas máquinas  tão potentes,  são capazes de trabalhar, mesmo fora do seu planeta, elas espetacularmente funcionam no espaço sideral.
Existem bilhões de trabalhadores em todo o mundo. Como formigas, não param nunca. Há sempre um trabalhador ou trabalhadora funcionando, mantendo o mundo ligado às 24 horas de todos os dias da semana, meses e anos.
Sua exata origem ainda não foi totalmente explicada, mas sabe-se que foram essas máquinas que construíram as pirâmides do Egito e as muralhas da China. Entre outras maravilhas existentes em todo os continentes.
 Em todos os lugares do mundo, existem obras realizadas pelas máquinas humanas, que incrivelmente não se repetem. Cada ser humano é único, especial, novo e capaz de criar novidades. A natureza tem a capacidade criativa de não repetir suas máquinas, que apesar de únicas,  funcionam em grupos em perfeita sincronia.
Infelizmente, apesar de toda essa espetacular grandeza que é a máquina humana, ela não tem sido respeitada pelas nações. Muitas vezes,  trabalhadores, são explorados e aviltados até a morte.
Nega-se a eles o combustível mais simples, os alimentos.
Nega-se a eles: moradia, lugar onde os motores orgânicos devem ser desligados e recarregados para mais jornadas produtivas de trabalho.
Nega-se a eles, saúde para que possam trabalhar mais e produzir mais.
Apesar de tudo, no dia 01 de maio, o mundo faz uma trégua para refletir sobre a figura dos trabalhadores.
As máquinas humanas, sobre as quais as riquezas  são construídas, estarão sempre disponíveis para o trabalho.
Sem ELAS os poderosos enfraquecem e as nações empobrecem numa situação contraditória ao que ocorre com ELAS, que se enfraquecem e empobrecem enquanto enriquecem  os “senhores”.
Edison Borba

quinta-feira, 1 de maio de 2014

AYRTON SENNA – UM TRABALHADOR

Acelera Ayrton! Acelera corações! Acelera Brasil! Acelera mundo! Os domingos com Ayrton eram acelerados. Pela manhã, todos se preparavam como se cada um de nós fosse pilotar um carrão e competir. Nos lares, nas ruas e bares um frenesi envolvia cada pessoa. Paixões explodiam. Ayrton era nosso irmão, nosso filho, nosso amigo. Um brasileiro de nacionalidade múltipla. Ayrton era italiano, japonês, alemão, argentino, australiano ele era o mundo. Em todos os lugares crianças, jovens e adultos explodiam em emoção a cada curva, nas retas, na saída e na chegada quando a bandeira assinalava a sua passagem pela linha da vitória. Ayrton era um Deus  que voava pelas pistas levando multidões ao delírio. Mesmo quando não vencia a emoção era a mesma. Ayrton era homem, gente, pessoa, cidadão, trabalhador. Ayrton era e ainda é paixão. Seus olhos tristes e rosto sério,  nos levava a reflexão. Mesmo nos momentos de felicidade, quando explodia o champanhe, havia algo sublime naquele CARA.
Ayrton Senna with toy car cropped no wm.jpg
Os domingos nunca mais foram os mesmos depois daquele dia primeiro de maio. Seu carro parou, seu coração parou e o mundo parou. Na Terra fez-se um pesado silêncio. Durante alguns minutos a respiração mundial parou. Um longo e sofrido momento de espera, até a triste revelação. Ayrton havia voado para o céu. Pegou a reta em direção ao paraíso e como um anjo foi morar nas nuvens deixando órfãos milhões de cidadãos.

Quis o destino que Ayrton nos deixasse num primeiro de maio. Não podia ser diferente. O trabalhador das pistas. O construtor de sonhos. O carpinteiro de ilusões. O pintor de desejos. O maestro da ternura. O professor de ética. O doutor especialista em alegria e felicidade foi exercer a sua maior função a de unir  os mais diferentes povos numa só emoção: PAZ!

Ayrton era paz! Seu trabalho nas pistas era um exemplo de que é possível competir sem destruir. Suas vitórias eram partilhadas até com seus adversários de pista.

Hoje, primeiro de maio há uma saudade na gente. Nossos corações ainda guardam as emoções daqueles domingos onde acelerar era o verbo.

Acelera Ayrton! Acelera garoto! Acelera ...

Edison Borba

quarta-feira, 30 de abril de 2014

O RAP DA BANANA

Já comi minha banana
Uma fruta sem igual
É gostosa madurinha
Seja ela como for
A prata, amarelinha
A de ouro é pequenina
Tem também outras bananas
Cada qual com seu sabor
Porém o mais importante
É que ela é conhecida
Como a fruta do amor.
Quem come banana meu povo
Tem saúde garantida
Fica feliz e sorrindo
E a ninguém sai agredindo
Banana  enriquece a mente
E nos faz inteligente
Quem a come todo dia
Jamais terá preconceito
Somente terá conceitos
De moral e bem viver
Será ético e honrado
Nunca será babaca
Nem também será macaco
Nem tampouco uma macaca
Animais muito queridos
Que vivem sempre unidos
Mostrando inteligência
Ficam em grupos, se ajudam.
Não fazem como pessoas
Que dizem ser “humanos”
Porém não passam de  bichos
Peçonhentos marginais
Que nunca serão aceitos
Nem junto com os animais
Saia desse beco,  escuro
Fedorento e tortuoso
Oh, criatura das trevas busque a luz
E a claridade, e não tenha preconceito
Queira harmonia e  paz
Seja homem, seja honrado
Ser preconceituoso já está fora de moda
Hoje, o bom é amar, a todos como a si mesmo
São ensinamentos do homem, que morreu
Por nós, na cruz
Saia desta, enquanto é tempo
Caso contrário meu mano,
Um martírio te espera
Serás rejeitado, por todos
Abandonado ao léu
Em um caminho de dor
E nunca  serás perdoado
Por toda a humanidade
E só por caridade
E por sua grande bondade
Por ele, brilhante luz
Mude rápido, mude já
E peça perdão a ELE
Nosso querido JESUS!

Edison Borba

 

 

terça-feira, 29 de abril de 2014

MAIS VIOLÊNCIA NA MADRUGADA.

          Continuamos a conviver com a violência. As informações se repetem numa rotina de violência que se arrasta dias, semanas e meses. O ano de 2014 começou e continua a ser um dos anos mais violentos. A palavra violência continua a se repetir nos jornais, revistas, telejornais e nas conversas da população.
Mais uma madrugada sangrenta no Complexo do Alemão, ônibus incendiados, tiros confrontos, pedradas e feridos  nesta orgia de violência uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) destruída. A cada dia nos surpreendemos com o nível de loucura que estamos vivendo em nossa cidade, quando as agressões acontecem sobre as UPPS, tentamos justificar, usando  bandidos e policiais, mas agressões aos hospitais, clínicas e postos de saúde, é inimaginável. Estamos chegando a uma situação de total descontrole.
Enquanto a violência acontecia no Alemão, nos Bairros da Pavuna e Costa Barros, mais violência, mais incêndios, mais agressões, mais medo, mais terrorismo.
Usando como justificativa – PROTESTAR – a onda violenta aos poucos avança sobre os moradores da cidade maravilhosa.
Estamos acompanhando o enfraquecimento das forças policiais e o fortalecimento das quadrilhas de forma sutil. Quando uma turba violenta começa a gritar “fora UPP!”; “fora ação policial”; “foi policial que matou” e queima veículos, destrói unidades da UPP e agora as UPAS, a população trabalhadora está ficando órfã.
Ao colocarmos as polícias e os policiais como suspeitos,  a justiça como injusta, os técnicos periciais como incapazes de fazer o seu trabalho de  forma ética, não existe mais a quem recorrer.
Estamos realmente ficando órfãos!
 Edison Borba