sábado, 7 de janeiro de 2012

COLÉGIO BRASIL (reunião de pais)

A Diretoria do Colégio Brasil, está convocando todos os pais e responsáveis para uma reunião de emergência. Em virtude da grande quantidade de filhos, primos, sobrinhos, irmãos  além de outros níveis de parentesco com sua Equipe, matriculados no C.B., está ocorrendo uma onde de boatos. A rádio corredor, já classifica a situação como “protecionismo”.
Esse tipo de comportamento coloca em risco a “integração” da Equipe de atua no Campus do C.B., cujas dimensões são de âmbito “nacional”.
O C.B. cresceu muito nos últimos anos e para sustentar esse incrível desenvolvimento, foi necessário o aumento de pessoal. Para facilitar essa contratação, muitos Docentes, deram preferência ao uso de familiares. Essa atitude é bastante comum nos colégios brasileiros. O grande problema está na facilitação que se criou quanto à distribuição de merenda, cadernos, lápis entre outros materiais escolares.
Outra questão grave, que a nova Diretoria está enfrentando se relaciona às provas de avaliação. Muitas “emendas” estão sendo autorizadas; fazendo as “notas” aumentarem muito em alguns boletins.
Dizem que está havendo uma insatisfação entre os auxiliares  da Diretoria. Rola o papo: “se ele tem, eu também quero” ou “farinha pouca meu pirão primeiro”. Os mais antigos, que já possuem várias gerações de auxiliares (filhos e netos), estão pleiteando mais direitos para seus pupilos. Estão apelando para o amparo familiar e até bolsas de auxílio alimentício.
Fala-se na compra de bezerrinhos e coelhinhos para alegrar as crianças além da construção de sítios temáticos com poços para a prática de salto de trampolim. Esse último item tem como justificativa a realização das Olimpíadas no Brasil.
A Diretoria já está avisando que irá obrigar a todos a abrirem suas “pastas” para que seja feita uma varredura completa em tudo que está sendo distribuído dentro e fora do C.B.
Enquanto essa situação não é resolvida, uma grande quantidade de pais, cujos filhos não estão matriculados no C.B.  aguardam ansiosamente que algumas providências sejam tomadas, no sentido de haver melhores condições para seus filhos sobreviverem.

Boa sorte para a nova Diretoria do Colégio Brasil!

Edison Borba


KANYOMAR

Eis aqui uma história interessante. Nela encontramos a formação de um malandro, desde a infância e as possibilidades dele,  fazer carreira, na sofisticada malandragem da política. Mas, antes de chegarmos ao último parágrafo, a história sofre uma mudança radical. Esse giro de 360 graus fica por conta de uma mulher, a mãe do personagem principal. Outro ponto a destacar refere-se ao povo, que, quando quer, não faz papel de bobo.
Agora chegou a hora de conhecermos essa história.
Menino mirrado e marrento, Kanyomar era filho de Klaison e Marylísia. Aprendeu a ter orgulho do seu nome nas aulas de geografia, principalmente quando soube da existência de certa formação geográfica existente nos Estados Unidos. O menino sentiu-se grande, muito grande e também poderoso, e neste caso a presença do mar também ajudou na complementação psicocomportamental.
Na escola vivia constantemente na sala da direção. Em sua comunidade era um pestinha. Quebrava  vidraças, batia nos menores, chutava cachorro, entre tantas outras situações. Seus pais o apoiavam em tudo Kaninho (era dessa forma  que seus familiares o tratavam) seria um grande homem. Seu pai era seu grande incentivador e afirmava para os amigos que o filho ia ser um político.
Levando-se em conta a grande capacidade de criar complicações, sempre se dando bem, seu futuro sem dúvida seria a política. Sua mãe, muito protetora, sempre encontrava uma explicação para justificar as artimanhas do filho.
Na escola conseguiu chegar até a quarta série. Depois foi convidado a se retirar, o que fez com grande satisfação. Seus pais afirmavam  que não havia escola boa para seu guri. Ele era autodidata e o mundo seria o seu campo de aprendizado. Com certeza, Kaninho chegaria a ocupar uma bancada na política em seu país.  Até os 29 anos, nunca soube o que significava trabalho.
Vivia de arranjos. Arranjava uma mulher e lhe tomava a grana. Arranjava um trouxa e lhe tirava o salário. Arranjava confusão e carregava uma carteira.
Seu pai sempre acreditando que um dia ele ia arranjar um lugar na Câmara e nessa hora seu menino mostraria seu talento. Afinal já eram quase trinta anos de rigoroso aprendizado. Chegara o momento de lançar seu filho como candidato a qualquer coisa. Foi nesse estágio da vida de Kaninho, que os moradores de sua comunidade resolveram eleger um representante. Era hora de  apontar um líder que pudesse representá-los junto às autoridades. Essa idéia já estava sendo usada por outros grupos. Eles estavam sempre ouvindo nos noticiários a palavra dos líderes de comunidades.
Klayson e Marylisia viram chegar a grande chance para o filho galgar o primeiro degrau que poderia levá-lo (até quem sabe?) a um patamar qualquer.
Preparado, o garoto estava!
Era trabalhar na campanha. Fazer boca a boca com os vizinhos. Enaltecer os talentos do Kany (aqui seu codinome surgiu por aconselhamento de um amigo da família). Kany, nosso líder. Kany, o justiceiro. Kany, o fiel representante dos oprimidos. Kany, o nosso Robin Wood (este último foi sugerido por uma namoradinha que já tinha feito um cursinho de inglês e que estava “ficando” com o futuro líder).
Chegou o grande dia. Era o momento de coroar todo o sacrifício feito pela candidatura do Kaninho. Noites e noites organizando propaganda, panfletagem nos becos e ruelas da comunidade. Horas de caminhadas. E todo o dinheiro que a família e alguns amigos tinham conseguido juntar em poupança foi usado para o sucesso do Kanyomar.
Domingo de sol, todos às urnas. Depois um chopinho na laje. Um churrasco com pagode, mas antes era preciso votar. Não faltou ninguém. A comunidade consciente de seu dever democrático compareceu em peso. Até Lindinalva, grávida de nove meses, votou minutos antes de dar à luz a lindo menino.Na casa de Kaninho havia muita expectativa. Todos fizeram  bem o seu dever. Até foto do candidato abraçando velhinhos e rodeado de crianças foi colado nos muros. Aquela comunidade tinha que dar uma resposta favorável ao seu ilustre morador.
Encontraram Kanyomar, caído  na lama. Tinha enchido a cara num bar.  Nas urnas encontraram apenas dois votos, o dele e o de seu pai.
                Do Livro DOIS EM CRISE - de Edison Borba - Editora AllPrint / 2010.                

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

IDADE PARA AMAR.

Na literatura, poesia, música e diversas outras áreas da arte, o amor sempre aparece enquadrado num período da vida humana. Quando abordado na adolescência, surge como paixão. Dúvidas pairam sobre as relações que acontecem nessa faixa etária. Será que Romeu amava mesmo a Julieta, ou foi apenas uma paixão louca aumentada pela divergência familiar. Jovens que saem de casa fogem e se arriscam pelo mundo buscando a realização de um possível amor. A infantilidade é característica desse grupo, que sofre por relações cuja durabilidade é a mesma das flores. No cinema o filme “Amor Sublime Amor”, conta a linda história de Maria e Tony e a diferença cultural que os separa. A tragédia relembra Shakespeare e o maior dos amores literários.
Na maturidade o amor surge como uma relação mais planejada. Ele cumpre alguns estágios. Planos são feitos e experiências realizadas antes de se tomar uma atitude mais radical, a união ou casamento. Mesmo, com a durabilidade em baixa, esses amores são mais estáveis. Há o período de paixão, desejos ardentes e juras de eternidade.
A literatura, teatro, novelas e cinemas contam essas histórias. Quantas lágrimas derramamos no escurinho dos cinemas, ao acompanharmos a luta dos casais para ficarem juntos.
“Amar é jamais ter que pedir perdão” é uma célebre frase do filme “Uma história de Amor”. Quantos olhos marejados diante de tanto sofrimento dos  personagens desse lindo romance.
Porém, o amor após os sessenta anos é pouco abordado de forma séria, bonita e emocionante. Na novela “Vida da Gente” os autores estão nos presenteando com a relação de Iná e Laudelino. Duas pessoas lindas, apaixonadas deixando claro que mesmo após uma longa vida, amar com todos os “ingredientes” das demais idades, é possível e pode ser vivido plenamente. Há tempos que não se escrevia e se descrevia uma relação assim. Os atores Nicete Bruno e Stênio Garcia, formam um par daqueles que não há como negar: foram feitos um para o outro. Duas pessoas lúcidas, dignas, que trabalham e vivem sem abandonar nenhum aspecto de uma vida saudável. São responsáveis, alegres e companheiros. Como todo casal de apaixonados, possuem  segredos, códigos e rituais. Nicete e Stênio, extraordinários atores, vivem seus personagens com tanta delicadeza, que não há como esconder as lágrimas
Linda novela, que entrelaça diferentes momentos de amor. Vários casais. Vários pares. Vários sentimentos. Várias idades. Porém, Iná e Laudelino, são especiais!
Obrigado a Lícia Manzo e Marcos Bernstein por nos encantar com história tão linda!
Edison Borba

VALEU?

Melancolia
Poesia
Vida vadia
que um dia
perdia
e nem via
por onde ia.
nem lia
o bilhete dizia
que não voltaria.
Nem havia
mais amor
para manter
a anarquia e a
rebeldia.
Que tanto doía.
Dia após dia.
Pois sua vida
ia ... ia ... ia
Lhe fugia a alegria e
nada mais valia!
Será que valeu?

Edison Borba

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

COLÉGIO BRASIL (problemas matemáticos)

A Diretoria do Colégio Brasil está preocupada com o desempenho matemático de alguns de seus auxiliares. Podemos afirmar que se trata de matemática – geoecológica, uma nova área do conhecimento que envolve números, finanças, geografia e necessidades.
O Conselho Pedagógico do C.B. constatou que seus setores ministeriais, estão com grande defasagem  de conhecimentos relacionados ao próprio território em que eles nasceram, o Brasil. A Diretora Geral encomendou mapas para que todos se localizem no tempo e no espaço. Mapas do território brasileiro,  lógico!
Em reunião de Equipe, foi necessário explicar a diferença entre as cinco regiões brasileiras. Houve um enorme espanto, quando tomaram conhecimento que Minas Gerais, não fica no litoral e que as águas que estão cobrindo grande parte desse estado são provenientes das enchentes dos rios, que aumentam seu volume de águas devido a fortes chuvas. E que cidades históricas existem MESMO. Havia uma confusão quanto a cidades na história, ou seja, lugares que não existem além das histórias da “carochinha”, portanto não necessitam de auxílio.
Devido a esses ligeiros e simples desconhecimentos, a distribuição de verbas e de auxílio ficou complicada.
Maior tumulto aconteceu quando a Diretoria, nervosamente exigiu mais informações sobre as possíveis catástrofes em Pernambuco. A explicação ficou por conta dos tremores causados pela excessiva prática de uma dança conhecida como “frevo”. O encarregado dos atendimentos apresentou um relatório mostrando as grandes rachaduras nas paredes dos prédios, provocadas pelo excesso de “frevadas”. Esse fenômeno exigiu um maior percentual de verbas para reconstrução da cidade. Há grandes riscos de desabamentos com a chegada do carnaval. Nesse período a população “freva” sem parar, o que pode causar problemas sérios.
Na confusão que se formou, ninguém sabia onde ficava Nova Friburgo, houve até que afirmasse se tratar de cidade européia e por esse motivo não era um problema brasileiro. No conflito, o Acre foi devolvido para a Bolívia e os gaúchos ficarão mesmo na seca. Santa Catarina, por viver no céu não estava relacionada para o recebimento de benefícios.
Segundo os auxiliares da Diretoria do C.B. o estado do Rio de Janeiro, não aparece na lista por estar encoberto por nuvens escuras. Esse problema não cabe aos ministérios e sim a São Pedro.
Após muitas discussões, discursos e choradeiras ficou acertado que todos continuarão a exercer suas funções. Terão que fazer hora extra (é claro que ganharão um extra) e tentar resolver o mais rapidamente possível esse problema de aprendizagem de percentual matemático.
Para reforçar a turma, a Diretoria mandou comprar um grande piza. Acredita-se que através de uma aula prática, dividindo o delicioso prato, todos aprenderão um pouco mais sobre percentual.
Edison Borba

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

MUTANTES

Navegando nas ondas da internet, me deparei com "Os Mutantes", em 1969, se apresentando em Paris,
com a música "Caminhante Noturno" (em versão para o inglês).
Naquele momento, diante do vídeo, aproveitando a onda, mergulhei fundo. Atravessei várias décadas
e me senti nos anos sessenta reunido com uma galera incrível.
Chico, Caetano e Gil numa ala masculina. Elis, Nara e Marília no lado feminino.
Pude sentir os acordes de "Domingo no Parque" e me encantar com "Alegria Alegria". À medida que
o vídeo  com   os Mutantes   deslizava diante dos meus olhos, minha cabeça abria espaço para que eu
pudesse ouvir  "O Cantador"   e me encantar e até me sentir "um cantador, cantando a vida e a morte,
cantando o amor".
Muita gente desfilou pelo meu pensamento, se misturando com as imagens do vídeo mutante.
A família Caymmi,  representada    por    Nana,  embevecia a todos com a sua linda voz. Um menino
chamado Edu brincava de cantar e tocar violão.
Outro garoto, mais zangado, o Sérgio, quebrou a viola, deixando uma saudade imensa.
"Quem me dera agora eu tivesse AQUELA viola prá tocar e cantar"e voltar a amar. Andar e marchar
atrás da banda, que Chico tirou dos coretos e levou para as ruas; fazendo a Carolina se juntar a moça
triste e ao homem sério, que parou de contar o dinheiro, só pelo prazer de ouvir uma linda música.
E muitos outros acompanharam a banda, sairam  das praças e liderados pelo Ronnie e Roberto,
apareceram como num "Arrastão" do bem, pulando e cantando alegremente.
A pimentinha segurando a mão da Elza, a Soares, chamou Marília, e a sua turma da medalha.
E foram tantos os que desfilaram. Os meninos MPB4 sempre acompanhados pelas garotas Cy deram
um toque de romantismo juvenil ao desfile.
O Jair disparou. Correu atrás da banda, deixando meu coração acelerado e batendo como um tropel de cavalos.
O vídeo com os Mutantes girando e passando como uma "Roda Viva" me fez lembrar aplausos, vaias, gritos e muita irreverência vividos naqueles anos politicamente difíceis.
Fui tomado por uma vontade de caminhar contra o vento, sem lenço e sem documentos, só por vontade de sentir a brisa em meu rosto. Tentar reencontrar o rei da brincadeira,  o José e o rei da confusão, que ainda deve ser o João e com eles tomar um sorvete no parque.
O vídeo termina. Os Mutantes se calam. O tempo volta ao normal. e uma saudade imensa se achega, como um moinho que gira sem parar ou uma roda gigante que nos leva até o alto para rapidinho nos trazer de volta ao chão.
O tempo rodou rápido, foi só um instante, foi uma linda ilusão que ele levou.
Roda mundo, roda. Roda moinho e pião. Roda meu coração. Roda minha vida.
Roda ... roda ... e ... roda ...
A benção Chico Buarque de Holanda!

Edison Borba

NA LOCADORA 09

Os cinéfilos acompanharam notícias sobre a possível morte da "Chita", a chimpanzé, que atuou
em diversos filmes de Tarzan.
Aproveitando o clima de nostalgia criado por esse triste  acontecimento,  sugiro aos amantes da
sétima arte, a trilogia:

TARZAN, O HOMEM MACACO
TARZAN, E SUA COMPANHEIRA
O FILHO DE TARZAN

Com Johnny Weismuller (Tarzan) / Maureen O'Sullivan (Jane) / Jonny Sheffield (Boy)
Com esses filmes temos a idéia de como se formou a família Tarzan. A vida na casa
da floresta e a participação da Chita, a atrapalhada ajudante da Jane nos trabalhos domésticos.

Vale a pena reunir a família e amigos para uma tarde com pipoca e refrigerante, enquanto
Tarzan faz piruetas nos cipós e orienta os animais através de seu famoso grito.

Bom divertimento!
Edison Borba