quinta-feira, 23 de agosto de 2012

VIOLETA

Uma violeta nasceu na minha janela.

Pequenina flor. Apareceu sob as folhas.

De cor roxa e pétalas de veludo.

Uma violeta nasceu na minha janela.

Linda, sob o sol, brilhando como um diamante.

A natureza me brindou com esse presente.

Hoje ao acordar lá estava a violeta.

Pequenina e frágil  é a minha violeta.

Em segundos percebi como em minha vida eu preciso de violetas.

Pequeninas e frágeis que não ouso tocar com minhas mãos.

Permito-me  apenas olhar e  admirar

Viajo em pensamentos fascinantes pela natureza.

Sinto-me  envolvido por ela, a pequena violeta.

Hoje, nasceu uma florzinha na minha janela.

Um perfeito momento de beleza que fez meu coração bater.

Uma violeta levou-me por um caminho encantado.

E me fez feliz como há muito tempo não havia  experimentado.

Vontade de beijar-lhe as pétalas.

Sentir o leve perfume que se espalha em minha janela.

Falta-me coragem.

Uma violeta nasceu em minha casa, em meu coração, em minha vida.

Edison Borba

terça-feira, 21 de agosto de 2012

B.B. – Saudade da Brigitte.


Durante muitos anos as iniciais B.B.  nos levavam a imaginar a beleza francesa da incrível Brigitte Bardot. Mulher de  corpo escultural que mexia com a nossa imaginação. B.B. Nas praias de Cabo Frio, emoldurando uma das mais belas localidades do  Rio de Janeiro. B.B. nas telas despetalando a margarida despertando a curiosidade dos rapazes.
Por muitos anos, o símbolo sexual era traduzido pelas letras B.B. chegando a inspirar compositores que através de uma marchinha carnavalesca, animou a folia nos bailes.
B.B. também  pode significar beleza e bondade, duas palavras de extrema importância para a vida. Viver é  poder usufruir das lindas paisagens que a natureza nos oferece. É poder contemplar a arte produzida por homens e mulheres como Michelangelo, Leonardo da Vince, Tarsila do Amaral entre outros.
Bondade é traduzida pelo trabalho de Irmã Dulce, Madre Teresa de Calcutá e de outros líderes mundiais que através de suas atitudes servem de modelo para nossos dias.
Infelizmente, essa mesma sigla, está perdendo o seu significado. Não é mais motivo para alegria e felicidade. Não emoldura as nossas praias, não estão nas salas de cinema e nem nas galerias de arte, essas mesmas letras servem para designar Bandidos  e  Balas.
Agosto de dois mil e doze balas e bandidos matam indiscriminadamente cidadãos na cidade do Rio de Janeiro. Em algumas semanas dois jovens e uma criança foram brutalmente assassinadas. Os adultos, vão direto para a contabilidade  e  percentuais de mortos. É, tão rotineiro os assaltos e confrontos entre bandidos e policiais, que os noticiários misturam balas, bolas, mortos, bailes e gols.
Os jornais já nem se preocupam em usar como manchetes de primeira página, esses terríveis acontecimentos. As aventuras dos artistas, o silicone das famosas, os bumbuns das colunáveis e os amores dos jogadores vendem mais do que a morte de uma menina ou o assassinato de um jovem trabalhador. Mais um ou mais uma, o velório, o enterro, pessoas com cartazes pedindo justiça é matéria para a segunda página.
A preocupação está no vencedor do reality show ou no capítulo da novela. Quem vai ganhar os milhões da “Fazenda” ou como será o desfecho do folhetim, é o que vende jornal.
Saudade da Bardot e sua sensualidade. Das tardes nos cinemas com pipoca e guaraná, sem a preocupação de ser vítima de um bandido ou morto por uma bala.
B.B., duas simples letrinhas, porém uma grave mudança em seus significados.
Edison Borba

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

JUSTIÇA / VINGANÇA / CARMINHA / NINA

           Nos últimos meses, a televisão tem apresentado a luta da Nina contra Carminha. Uma história em que a mocinha e a vilã, num primeiro momento tinha papéis bem definidos. Como já aconteceu em outras novelas, o representante do bem, sofre bastante, amarga  tristezas e chora rios de lágrimas. Por outro lado, o representante do mau, ri, gargalha e tripudia até a última semana quando o bem acaba vencendo.
Porém, nesse folhetim, a garota frágil que representa a mocinha, na busca pela justiça, acaba se transformando numa cruel vingadora.
Implacável em relação à sua antagonista, ela comete tantos crimes que suas ações se igualam as da mulher malvada.
A personagem Nina confundiu justiça com vingança e aplicou a lei do dente por dente e olho por olho. Dessa forma ela acaba deixando muitos personagens cegos e desdentados. Os males que ela está causando se igualam a da sua oponente Carminha.
Vingança feita com as próprias mãos está bem longe de ser justiça. Entre uma ação e outra, existe uma grande diferença. Quando buscamos justiça, caminhamos no mundo das leis. Contamos com a ajuda de advogados e juízes que analisam a situação e aplicam os devidos castigos.
Quando a justiça prevalece, o ódio diminui dando lugar a racionalidade. Os Senhores da Lei têm como obrigação tratar a todos sem discriminação. As Leis são feitas para servir à sociedade  sem privilégios.
O que temos visto nesse romance, é a prevalência do ódio, da raiva e da vingança a qualquer preço. As ações daquela que seria a heroína, são tão cruéis que em determinados momentos, a malvada transforma-se em vítima, gerando nos espectadores a sensação de pena. Os valores se inverteram e  duas mulheres lutam com armas semelhantes. Crimes são cometidos tendo como justificativa a busca pela justiça.
Carminha a malvada. Nina a justiceira. Carminha e Nina tentam explicar  seus atos. Ambas são odiosas, malvadas e sem escrúpulos. Duas mulheres, criminosas ou não, dependendo do ângulo pelo qual analisamos a questão. Ambas são justiceiras ou vingativas, dependendo de como analisamos a vida de cada uma delas.
Nina, foi levada pela emoção. O ódio limitou sua racionalidade igualando-a a vilã. Tornou-se uma mulher amarga, violenta e dissimulada misturando justiça com vingança.
Carminha, racionalmente planejou e manipulou diversas pessoas. No curso da história, ela se revela manipuladora e desprovida de sentimentos éticos.
Temos a impressão que ela caminha no sentido oposto da sua antagonista e no meio desse caminho os demais personagens sofrem com as maldades das duas mulheres.
Nina e Carminha, duas mulheres, duas vilãs ou duas heroínas?

Edison Borba

domingo, 19 de agosto de 2012

A DIFÍCIL ARTE DE MORRER

Hospital, doenças, médicos.

Respiração difícil.

Agulhas, soro, transfusões.

Solidão.

Lágrimas, oxigênio, pressão arterial.

Enfermeiros, tubos, remédios.

Angústia.

Enfermaria, acompanhantes, gazes.

Algodão, injeção, tranquilizante.

Medo.

Paredes  brancas, jalecos, sussurros.

Receitas, lençóis, sangue.

Esperança.

Mãos  trêmulas , espera, relógio.

Telefonemas, informações truncadas.

Vazio.

Orações, recordações, saudades.

Desapego, abandono.

Tristeza.

Médicos, médicos e médicos.

Opiniões e laudos.

Radiografias, tomografias.

Ação  sem respiração.

Viver não é preciso.

A morte é precisa.

Chega na hora certa.

Nos leva pelas águas dos misteriosos mares.

Navegar é preciso.

Morrer é difícil.

É preciso saber representar na difícil arte de morrer.

Edison Borba

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

QUERER ANIMAL

Quero ser um passarinho, voar sem destino, cantar por prazer e viver a liberdade de voar.
Quero ser uma coruja de olhos grandes e atentos para a vida espreitar.
Quero ser um leopardo, um caçador, um vencedor.
Quero ser uma cobra  soberbamente rastejante.
Quero ser uma baleia e bailar nas águas oceânicas.
Quero ser um morcego e voar pela escuridão das noites.
Quero ser um pavão e me exibir em cores.
Quero ser uma tartaruga e sem pressa caminhar.
Quero ser um camelo e andar orgulhoso pelo deserto.
Passarinho, coruja, leopardo, cobra, baleia, morcego, pavão, tartaruga e camelo.
Cantar, espreitar, caçar, rastejar, bailar, voar, exibir, caminhar, andar.
No ar, no chão, nos mares, nas árvores, nos dias e nas noites ser um ser.
Quero, desejo, gostaria, tenho vontade, almejo ser o que não sou.
Um jacaré na lagoa.
Uma girafa na floresta.
Um peixe no mar.
Ter as cores das araras, trinar como um canário, ser forte como um rinoceronte.
Qualidades animais. Vontades humanas.
Não quero ser um homem animal que mata, engana, corrompe e mente.
Sorri disfarçando a maldade, e não como a hiena.
Abraça falsamente, e não é um urso.
Assassina por prazer e não para se alimentar.
Quero as qualidades do mundo animal, a docilidade das feras e a beleza dos que vivem em harmonia com a natureza.
Quero, mas não posso!
Quer apenas admirar e quem sabe numa tentativa animalesca, tentar pelo menos imitar.
Edison Borba

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

FIM e INÍCIO

Respiração difícil. Olhos marejados. Pele amarelada. Lá estava ele deitado sob um velho colchão manchado e sujo. Um velho pijama rasgado  vestia o magro e esquálido corpo daquele homem. Tudo a sua volta é miséria.  O quarto, a casa, os móveis estão decadentes como a própria existência daquele cidadão.
Quem não o conhece, pode até imaginar se tratar de algum indigente. Alguém desprovido de condições culturais e sociais e que sempre viveu sob o estigma da pobreza.
O que poucos sabem é que deitado naquele mísero leito encontra-se um doutor. Um homem das letras, um erudito. Em tempos de ouro, era recebido em palácios e reverenciado por uma alta sociedade, que o acolhia e respeitava.
Poeta, escritor, senhor da literatura, versado em leis era capaz de entreter por toda uma noite dezenas de pessoas, com suas histórias e sabedoria.
O que fez aquele homem, mudar tão radicalmente a sua trajetória? Que motivo, fez dele um mendigo, um miserável?
Como nos romances, o amor pode ser considerado o fio condutor para a tragédia. Como nas mais famosas histórias escritas e cantadas, a impossibilidade de realizar o sonho de ter em seus braços a pessoa eleita por seu coração. Querer e não poder. Amar e não ser correspondido. Sonhar e ficar no vazio da solidão. Todas essas questões abrem espaços para que a desilusão gradativamente vá habitando um coração apaixonado.
Morrer de amor ou de amor se deixar morrer é algo mais comum do que possamos imaginar.
Como preencher um coração vazio? Como completar uma alma dividida?    
Deitado naquela cama humilde estava mais uma vítima do amor não correspondido. Um corpo em frangalhos, uma alma destruída, uma vida desperdiçada.
Como um marinheiro que naufraga junto com seu navio, aquele homem, afundou na solidão e se afogou no infinito mar da paixão.
Fim de uma vida que fez do amor uma arma apontada contra o próprio peito.
Morrer é preciso para perpetuar um amor impreciso.
Fim de uma vida. Início de uma história.
Edison Borba

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A GREVE É O MEU PAÍS

Desde o mês de janeiro  diversas classes trabalhadoras, estudantis ou sociais estão usando o mecanismo da greve  para fazer valer dos seus direitos.
Até o presente momento (agosto), brasileiros insatisfeitos com suas situações paralisaram suas atividades, organizaram passeatas, comícios, manifestações públicas, interromperam as ruas entre outras manifestações.
A greve é um tipo de ação democrática, usada sempre que as negociações se esgotam. Num país civilizado e verdadeiramente democrático, os movimentos grevistas deveriam ser raridade. Quando um povo usa esse tipo de luta para fazer valer a sua voz, algo de ruim está acontecendo.
Impossível acreditar que exista equilíbrio social e financeiro numa sociedade em que professores de diversos níveis, estão paralisados há vários meses. Que caminhoneiros interditaram estradas por muitos dias, causando graves problemas no abastecimento das cidades.  Policiais fazem movimento nos aeroportos, ruas e avenidas acenando para a sua situação financeira e social.
Profissionais da saúde deixam de atender pacientes para chamar a atenção da precariedade em que estão trabalhando. Há risco para a vida dos doentes e também dos que trabalham nos hospitais, que funcionam  sem as mínimas condições de higiene. Servidores públicos fazem assembleia e decidem parar suas atividades.
Em todos os estados, existe alguma categoria em greve, ou se organizando para usar esse mecanismo, para chamar a atenção sobre seus direitos.
Meu país está em greve! Esse movimento está acontecendo de maneira seguida, onde as greves se interligam numa cadeia interminável.
O que realmente está existindo nas entrelinhas da nossa política?
Várias CPIS acontecem numa enorme cachoeira de escândalos envolvendo figuras proeminentes da nossa sociedade.
O julgamento dos envolvidos no escândalo do “mensalão” deixa a sociedade estarrecida com o tamanho do desvio financeiro. A cada sessão surgem mais nomes numa teia de corrupção, deixando claro, a existência de  quadrilha atuando nas bancadas partidárias.
A greve é o meu país, que busca de maneira democrática, respostas para tantos desmandos.
Cobertos pela Bandeira Olímpica, que chegou ao Brasil, encontra-se um povo que busca soluções e respostas para muitas situações graves que assolam o país.
Chega de impunidade! Chega de uso inadequado do dinheiro do povo! Chega de discursos vazios e de hospitais lotados e escolas abandonadas! Chega! Basta!
Não queremos um país em greve, queremos um país que saiba respeitar àqueles que trabalham para manter essa pátria respeitada pelas demais Nações.
Edison Borba