segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

A MALVADA BRASILEIRA

        A grande dama do cinema internacional, Betti Davis, protagonizou um grande filme, que a imortalizou como a maior malvada do cinema. Ao lado de Anne Baxter, provocaram a indignação da plateia. Anne se “regenerou” e brilhou como “mocinha” em outros espetáculos, porém a Senhora Davis, continuou a sua carreira como a rainha das maldades cinematográficas. Suas ações malévolas eram apenas na ficção e ao acender as luzes da sala a malvada desaparecia.
Infelizmente, no Brasil, temos um modelo de “malvada”, que há séculos vive de política. Herdeira de um grande império no nordeste do país, essa mulher tem crescido ano após ano como uma vilã impiedosa e cruel. Membro de um clã poderoso ela não teme em desafiar o país mostrando claramente, que seu poder está acima da lei, da ordem e da ética.
Habituada a aparecer na mídia através de suas falcatruas e de suas compras de caviar e uísque escocês, ela se protege na sombra do pai, outro vilão, e consegue perpetuar-se nos palácios da política brasileira. É impressionante, como uma mulher, pode ser tão cruel com o seu povo. Dizem que até os mais terríveis marginais, apresentam sensibilidade diante de crianças e são capazes de atitudes boas para defendê-las. Mas, neste caso, não existe flexibilidade  nem amor para com a população do estado do qual ela é a governadora e que tem um dos piores IDHS (Índice de Desenvolvimento Humano) do país.
A malvada brasileira, não está nas telas e nem protagoniza uma história de ficção, ela existe mesmo. Não sei se é possível dizer  que se trata de alguém de “carne e osso”, talvez seja mais um robô criado pelas diversas famílias que ocupam a política do Brasil.
Desde que Pedro Álvares Cabral aqui chegou, o sistema de divisão de territórios entre famílias de mafiosos  implantou-se,  mantendo-se até hoje, a custas da vida de  muitos brasileiros.
Poderosos chefões governam com mão de ferro, seus territórios, delegando aos seus descendentes a continuação do coronelismo. Com o poder se concentrando sempre nas mãos das mesmas pessoas, o estado democrático de direito, deixa de existir. As oligarquias monopolizam os meios de comunicação, o comércio, a economia e atrelam os cidadãos ao medo. Quem não é da família, tem que ser simpatizante, ou então sair do estado.
Em pleno século XXI, o Brasil ainda se alimenta da miséria de seu povo. Políticos carcarás, arrancam as entranhas dos cidadãos para  manter o lixo do luxo.
Apesar da maioria dos vilões serem do sexo masculino, deixando claro que o Brasil é um país machista, neste caso em especial, o destaque e o prêmio de vilania, vai para as mãos de uma mulher, nordestina, casada, mãe e perigosamente malvada, Roseana Sarney.
 Edison Borba

 

 

 

 

domingo, 12 de janeiro de 2014

"POEMETO"

Ela chegou devagar silenciosa

Sem provocar angústia nem temor

Aproveitando momento de descuido

E de total solidão de amor

Não causou lágrimas nem sofrimento

Nem preciso foi, falar palavra alguma

Mesmo sem nada ter para dizer

Como foice afiada a cortar a relva

Retalhou-me inteiro

Sem sangrar meu peito

Solitário como flor nascida em pântano

Levou-me a vida por ciúmes vãos

De um amor perdido sem ter razão

Estava só, em solidão vivendo,

Que nem senti as suas mãos tão frias

A sufocar sem razão alguma

O que restara de uma vida inútil

Morri sem saber que a morte

Estava ali bem perto me espreitando

Para levar o que já não vivia

Matando o que era morto e ali jazia

Esperando apenas este encontro

Pra não sofrer outro desencanto.

Edison Borba

 

 




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“VOCÊ É O QUE SE FIZER SER”

        George Gurdjieff, pensador russo, nos deixou este pensamento: “Você é o que se fizer ser”. Uma pequena frase que nos permite um milhão de reflexões. Eu sou aquilo que eu mesmo me faço ser, um enigma interessante que me transporta a outra observação, feita pela cantora Whitney Houston, ao declarar a um jornalista em uma de suas últimas entrevistas: “Eu sou a minha pior inimiga”. Na ocasião em que deu este depoimento Whitney estava em recuperação pelo uso de drogas. Mais tarde, ela voltaria a se drogar e infelizmente  morrer. Perdeu a luta com ela mesma, se fez drogada e morreu pelas próprias mãos.
Talvez esse exemplo possa ser demasiadamente exagerado, mas o livre arbítrio nos permite buscar caminhos para sermos algo ou alguém na sociedade. Apesar das constantes interferências ambientais e sociais, o ser humano possui discernimento que o permite saber distinguir o certo e o errado. Porém, a natureza humana, possui diversas  conexões internas e externas,  o que torna difícil, algumas vezes, perceber o que está correto ou o que é melhor para  aquele momento.
Em alguns casos, “eu sou o que fizeram de mim”, com a minha conivência, que pode ser passiva ou ativa. Às vezes nos deixamos levar sem nenhuma resistência. Assumimos uma posição confortável e deixamos que as responsabilidades sejam do outro e não a nossa. Outras vezes resistimos, porém nossa fraqueza nos impede de mudar o curso da história. Tornamo-nos vítimas da nossa impossibilidade de alterar o processo ao qual estamos conscientemente submetidos.
Seja de que forma for nós sempre seremos responsáveis pelo que somos. Nossas vidas estão em nossas mãos, porém muitas vezes nos deixamos de lado, e buscamos no outro algo que pensamos irá nos complementar. Situações de inveja ou de possessão surgem constantemente. No campo do amor, é quase uma constante. Um sem números de observações como: “não sei viver sem você”; “você é meu tesouro”; “você me complementa”; “você me pertence” entre tantas outras insanidades, que transformam vidas em turbilhões de conflitos.
Somos seres únicos na natureza, propostas genéticas individualizadas que jamais encontrarão outra igual. Somos unidades, que se aproxima de “outras” para um intercâmbio, para trocas e nada mais. Eu não posso ser eu mesmo, se espero que  outra pessoa me complete para eu ser um todo.
“Eu sou o que eu mesmo me fizer ser” e espero encontrar alguém com quem eu possa estabelecer contatos e formar vínculos duradouros.
Enquanto buscarmos fora do nosso peito elementos para a nossa complementação, estaremos nadando contra a corrente. Precisamos saber conduzir nossas vidas buscando ações que nos façam crescer como seres humanos. Cada dia é um novo dia cheio de novas experiências que devemos saber usufruir, para que cada vez mais sejamos nós, ou melhor, sejamos um “eu” repleto e completo capaz de poder se relacionar com o mundo da melhor forma possível.
Edison Borba

sábado, 11 de janeiro de 2014

O TEMPO VAI...

         Num piscar de olhos,  se passaram mais de dez dias de 2014. Já não podemos chamá-lo   “ano novo”, agora ele é só mais um ano. Seguirá seu caminho como todos os outros, dia após dia. As marcas nos calendários irão informando que o tempo não para, segue  vagarosamente, numa velocidade estratosférica. Já começamos a ouvir o som do carnaval. Os batuques acontecem em cada esquina informando que o Rei Momo  está organizando sua corte. Fantasias  estão sendo providenciadas e os sambas   cantados. As cores das agremiações carnavalescas já enfeitam as cidades.
E quando março chegar anunciando a folia, vamos cantar e dançar ao som dos tamborins, que também anunciam os feriados da Páscoa. Carnaval nada mais é do que uma festa que antecede a Semana Santa.
Haverá retiros e recolhimentos, procissões e incensos, rezas e orações. Choraremos mais uma vez a morte de Jesus, o Cristo que morreu por nós. Haverá momentos para muita reflexão, pois o ano já está quase no meio, e quando os ventos de julho soprarem no hemisfério sul e as flores brotarem acima do equador,  torceremos por nossas seleções de futebol. É o tempo da Copa do Mundo.
Quem será o vencedor? Quem irá marcar o fim de um semestre?
Quando as emoções findarem já será agosto, a segunda metade do antigo ano novo. E quando setembro vier, estaremos preocupados com velhos problemas políticos, sociais, financeiros, ecológicos além da nossa vida pessoal. Olhamos o calendário e percebemos que faltam poucos meses para as festas natalinas e que um novo tempo irá chegar.  
O ano de 2015 já estará batendo à nossa porta,  recomeçaremos os balanços do que foi ou não foi realizado. Faremos mais promessas, vestiremos roupa branca, pularemos sete ondas e mais caroços de romã irão para nossas carteiras e sonharemos com a “bolada” da virada.
Assim é a vida, o tempo vai ...
Edison Borba

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

FUNK DO VOVÔ ESPERTO

Sou coroa aposentado
Estou sempre pendurado
Muitas contas pra pagar
Aposentadoria pouca
Reumatismo muito forte 
Uma tosse de amargar
Vou seguindo minha vida
Apoiado na bengala
Caminhando devagar
Minhas minas
“Tem” setenta e algumas
Uns oitenta todas gostam de ficar
Ficam doentes às vezes
Outras ficam sem andar
Mas quando a gente se encontra
A chapa esquenta bastante
Usamos a cataplasma
Pra juntinhos namorar
Juntamos as dentaduras
Dentro do mesmo copo
E beijamos sem parar
Somente a tosse comprida
Interrompe o nosso “love”
Nós queremos é amar
Amor não tem idade
É bom remédio e faz bem
Como todo cidadão
Nós também queremos ter
Momentos de amores íntimos
Como não sou “vacilão”
Uso a camisinha, para nossa proteção
Sou vovô, ela vovó
Mas bobos não somos não
Se engravidar não podemos
Porém, nós dois sabemos
Que doenças perigosas
Atacam em qualquer idade
Queremos servir de exemplo
Para essa garotada
Chamada de mocidade
Não se protegem, são bobos
Num momento de descuido
Ficam contagiados por sérias doenças,
Que horror!
Por um prazer “rapidinho”
Acabam os coitadinhos
Num leito de hospital
Desperdiçam suas vidas
Por algo tão sem sentido
Por falta de atenção
Ou será de educação
Ou até informação!
Sou um vovô esperto
Curto a vida com amor
Espero que todos os jovens
Aprendam esta lição
Saúde, alegria e amor
Não podem ser ignorados
Fazer sexo seguro
Não fumar e não beber
Drogas nem pensar!
É uma “praga maldita”
Vamos curtir a vida
Muito sol e atenção!
Ser feliz com alegria,
Corpo são,  em mente sã
E  muito amor no coração!

Edison Borba

 

 

 

 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

LOUCURA VERBAL

Partir verbo difícil de ser conjugado
Partir e partir para não repartir
Para o sujeito ativo da ação, aquele que vai
E também para o que fica passivo sofrendo
Mas  pode-se conjugar ao contrário
Sofre quem fica e alegra-se quem vai
Partir quebrar o coração de quem fica
Ou será o de quem vai, ou os dois se quebram
E nunca mais irão de juntar!
No  momento da despedida
Conjugado no presente
É dor no peito da gente
No passado é saudade
Sofrida doída a cada lembrança da presença, na ausência
No gerúndio e dor prolongada
Partindo, saindo indo embora
Quebrando destruindo sangrando
Por quanto tempo?
No futuro, é sofrimento previsto
Tu partirás
Quando? Por  que?
Por que queres partir meu coração com a tua partida?
Em qualquer tempo verbal
Em qualquer modalidade
Partir é difícil de viver
Quando eu partir...
Se eu me partisse
É imperfeito é pretérito
Dando a verdadeira dimensão da dor
Ir, partir e se partir quebrar-se por inteiro
Por que tu partiste
Mas no imperativo negativo,  não partas!
É pedido, é implorar para que não haja a separação
Fiques comigo! Não me quebres! Não me deixe!
Se tu partires eu me partirei e morrerei por nosso amor.
Não me ameaces dizendo: quando eu partir!
Não me causes sofrimento antes da hora.
Tu partirás e parte de mim seguirá com você
 E a outra parte se esvairá em lágrimas.
Não te partas e não se aparte de mim
Não me parta com a sua partida
Fique e conjuguemos esse louco verbo!
Juntos, sem pretéritos, gerúndios, imperativos ou indicativos.
Apenas o presente, conjuguemos esse transitivo,
Reflexo, louco,  intrasitivo e intransigente
Verbo da língua portuguesa!

Edison Borba

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

"SEM NOVIDADE NO FRONT"

Hospitais Públicos no Brasil
Este é o nome de um grande filme sobre a  tragédia que foi a primeira guerra mundial. A história de jovens estudantes alemães, estimulados a servir à sua pátria, descobrem que na verdade a guerra é um inferno muito pior do que eles imaginavam.
Infelizmente, a humanidade continua lutando por diversos motivos e outros conflitos aconteceram e ainda continuam a acontecer.
A sobrevivência é sempre usada como motivo para o início de uma luta, porém que se esconde atrás da cortina “vital”, o motivo verdadeiro, é  um segredo para quem se expõem ao perigo. Os reais interesses para que haja o conflito, pertencem aos “generais”.
No Brasil, existe uma guerra muito longa, na qual milhares de pessoas lutam para sobreviver. Muitos não suportam a batalha e sucumbem. A saúde no maior país da América Latina e que se considera a oitava economia do mundo, é uma guerra. Soldados fardados de branco, não conseguem proteger e defender o seu povo. Os hospitais públicos, que deveriam ser os quartéis generais, onde o povo poderia sentir-se a salvo, estão bombardeados. Os prédios em sua maioria sofreram grandes avarias e funcionam precariamente. Há escassez  de suprimentos alimentares e material de primeiro socorro. Feridos em combate são abandonados em macas e até no chão, por falta de espaço. Diariamente trabalhadores morrem sem auxílio. Crianças em espaços sem higiene sofrem por doença e correm o risco de ser contaminadas por bactérias hospitalares. E assim, sem nenhuma novidade no front, o Brasil segue construindo estádios faraônicos, que terão vida efêmera.
Impossível não abordar este assunto, que está diariamente nas páginas dos jornais, revistas e nos telejornais. O problema é tão antigo, que não emociona mais a população. Quem tem plano de saúde particular, se defende como pode, gastando grande parte do seu salário para alimentar a indústria da doença. Os menos favorecidos irão sofrer nas mãos de nossos “cirurgiões” políticos, que procuram tratamento para eles e seus familiares em outros países. Há tempos um deles afirmou que o melhor hospital do Brasil é o aeroporto mais próximo. Ou seja, salve-se que puder e tiver dinheiro para pagar o preço da cura.
Há poucos meses, nossa “comandante” recrutou soldados de outras nações. A chegada foi gloriosa e a população acreditou que estaria a salvo. O povo nas ruas acolheu os novos combatentes com alegria. Porém, soldados sem munições serão de pouco valor. Gaze, algodão, remédios, postos de atendimento, higiene, vacinas, pessoal de apoio, equipes de resgate, macas, leitos hospitalares,  lençóis, soro, hospitais higienicamente preparados e muitos outros quesitos, não foram providenciados. Porém, a nação brasileira continua avançando rumo ao progresso, como consta na bandeira. Enquanto a ordem e a ética, estão se apagando gradativamente do nosso pavilhão.   
Sem novidades no front, abordou os acontecimentos de uma guerra que acabou como tantas outras, porém a que está acontecendo no Brasil, especificamente no campo de batalha da saúde pública, está muito longe de terminar. Ainda perderemos muitos homens, mulheres e crianças, nessa interminável luta pela sobrevivência.
“Isto é uma vergonha!”
 Edison Borba