quarta-feira, 6 de agosto de 2014

A MORTE NÃO MANDA RECADO – MANDA BALA

        Era mais um dia comum para a Senhora Maria de Lurdes. Apesar de seus setenta anos, ela ainda trabalhava. Mantinha uma barraca para venda de verduras. Moradora do bairro de Costa Barros, na comunidade do Morro da Lagartixa, Dona Lurdes acordou cedo, fez o café e preparou-se para mais uma jornada de trabalho. Antes de sair, arrumou sua pequena casa colocando cada objeto em seu devido lugar. Apesar de ser uma moradia simples, o lar da Senhora Lurdes, era um recanto de amor e tranquilidade.
E foi neste clima de harmonia, que ela atravessou a sua porta para alcançar a rua. Infelizmente, do lado de fora de sua casa havia um intenso combate entre policiais e bandidos. Como sempre, as balas de armas pesadas, usadas nas guerras de outros países, também existem aqui no Brasil e foi de uma delas que saiu uma  “bala perdida” que atingiu Dona Maria de Lurdes mortalmente.
Mais uma mulher brasileira, mais uma trabalhadora morta sem saber por que e nem por quem. Dia 6 de agosto de 2014, e mais uma vez a comunidade do Costa Barros pede justiça e tenta saber a quem pertence à bala que atingiu a senhora Lurdes.
Lamentavelmente, será mais um número na estatística dos mortos por “balas perdidas”. Amanhã acontecerá novamente e dona Lurdes será esquecida como tantos outros que nunca receberam um recado da morte, ela chegou através de um projétil, saído de alguma arma cujo dono continuará no anonimato.
Edison Borba

terça-feira, 5 de agosto de 2014

REFLEXÕES EDUCACIONAIS ( Educação Consciente)

Apesar de todo o avanço tecnológico e do incentivo aos estudantes para mergulharem no mundo da internet e seus derivados, ainda estamos vivendo um sonho em que “no Brasil em se plantando tudo dá”. Aqui ainda é a terra da promissão e nada faltará. Um expressivo número de crianças e jovens não tem conhecimento dos graves problemas ecológicos que assolam o País de norte a sul.

A seca nos estados do nordeste é uma das maiores calamidades dos últimos anos. Diversas cidades estão sendo abandonadas e a imigração interna voltou a acontecer. Na Amazônia, a derrubada de árvores é descontrolada. As indústrias madeireiras impiedosamente destroem a mata nativa, sem que as autoridades competentes consigam detê-las. Em São Paulo a seca dos reservatórios naturais coloca a maior cidade da América do Sul à beira do racionamento de água. A população brasileira parece ter esquecido, que  o bem natural essencial à vida está se esgotando. Nas escolas pouco se discute que 2,4% é o que nosso planeta possui de reserva de água e que apenas 0,02% deste total está em local de fácil acesso. E que esse pequeno percentual está afetado pela crescente poluição pelo  grande desperdício. A escassez de água é uma verdade e uma grande parcela da população mundial já está sofrendo com o racionamento de água potável (tratada). Os países considerados pouco desenvolvidos sofrem com doenças mortais o que acarreta ainda mais a pobreza extrema em que vivem seus povos. A ONU estima  que, caso não haja uma mudança na forma de se consumir e cuidar dos mananciais de água, até 2050, em torno de 45% da população mundial sofrerá com a falta de água. O Brasil, país em que se localiza uma das maiores reservas de água do mundo, infelizmente não está preparando as suas crianças e jovens para esta situação. A população ainda vive num estágio de que no Brasil nada faltará. O consumo consciente, a produção sem devastação, a economia aliada ao meio ambiente são situações emergenciais, que deveriam estar sendo colocadas como desafios para que nossos estudantes pudessem aliar seus conhecimentos tecnológicos à preservação e a conservação dos bens ambientais e em especial os mananciais de água.
Edison Borba

REFLEXÕES SOBRE OS ZOOLÓGICOS

          É comum em todo o mundo as famílias visitarem os Zoológicos, como uma forma de lazer. Famílias passeiam e se divertem, apreciando os animais presos em jaulas ou em espaços que tentam imitar o seu habitat natural.

No início deste mês de Agosto, aqui no Brasil, na cidade paranaense de Cascavel, um trágico acidente chamou a atenção de todos: um tigre, após ser  importunado por uma criança, que sem saber do perigo que corria, inocentemente teve o braço arrancado quando tentava alimentar o animal.

circo protesto1 O circo acabou mas os animais vão voltar, enjaulados em nome do espetáculoApós discussões sobre a reação do animal e a busca por culpados, o menino na sua sabedoria infantil, pediu para que o tigre não fosse sacrificado.

Sábia decisão de uma criança que em sua inocência entendeu que o animal estando fora de suas condições normais de sobrevivência apresenta comportamento estressado, por melhor que sejam as suas condições de vida em cativeiro.

Este acidente nos leva a uma reflexão: para que servem os zoológicos? Por que manter animais enjaulados e submetidos à visitação pública, em que eles são atração e divertimento para  os seres humanos?

Talvez eu esteja sendo radical em questionar este tipo de parque onde a diversão é ver seres vivos, enjaulados e muitas vezes ridicularizados e incitados pelos visitantes humanos.

 Com o desenvolvimento tecnológico, torna-se desnecessário a manutenção destes espaços zoológicos, onde animais retirados se seus habitats naturais são expostos ao público, como objetos. Os programas audiovisuais poderão oferecer aos interessados programas, sobre a vida da diversidade zoológica mundial.   A possível alternativa para a existência dos zoológicos, seria mantê-los  apenas  para os animais que estejam em perigo de extinção ou então aqueles que necessitem de tratamento de saúde.

Os antigos zoológicos já não devem mais fazer parte dos programas para a nossa diversão. Ver animais aprisionados em pequenas celas ou em espaços que não são os seus verdadeiros lares, não tem nada de divertido.

Edison Borba

SEGURANÇA: UM CASO DE POLÍCIA?

         O índice de criminalidade no Brasil aumenta em progressão geométrica. Diariamente assassinatos além de outros delitos são cometidos sem que a polícia consiga deter esse avanço. O envolvimento de menores é cada vez maior e a idade dos infratores é cada vez menor. Crianças de doze anos empunhando armas tornam-se um grave perigo para a sociedade.

Em cada um dos estados brasileiros as prisões acumulam presidiários, que se tornam  mais violentos pelo nível de carceragem a que são submetidos. As casas que abrigam menores não conseguem educar e orientar os jovens que são apreendidos. Nesta onda de criminalidade que envolve o país, aos poucos grupos de pessoas, geralmente moradores dos mesmos bairros ou comunidades iniciaram um movimento de autoproteção. São câmeras, cercas eletrificadas, celulares e vigilantes usados por aqueles que se sentem abandonados pelo estado e buscam sua própria proteção. Cidadãos agindo particularmente, fazendo as obrigações que deveria ser do estado democrático brasileiro.

Especificamente no Rio de Janeiro os índices de violência assusta a própria polícia. As comunidades ditas pacificadas continuam a lutar para manter seu comércio de drogas. Diariamente ocorrem conflitos nas regiões onde as UPPS estão instaladas. Comércio fechado, aulas suspensas e moradores ainda obedecendo às ordens dos traficantes.

As vésperas das eleições,  não se ouviu dos candidatos nenhum programa referente à segurança do país. Presídios lotados, inadequadas medidas sócio educativas, resocialização inexistente, promessas e estatísticas apresentadas pelos pesquisadores e sociólogos, porém ações concretas não são executadas.

A segurança, não é apenas um caso de polícia: educação, saúde, transporte, habitação também fazem parte do contexto. Um país em que a desigualdade social ainda é grave, a tendência é aumentar a criminalidade. Estamos presenciando o nascimento dos antigos filmes de faroeste americano, com justiceiros, bandidos, armas e lutas nas ruas, porém com a diferença: aqui  os xerifes não estão conseguindo prender os bandidos e ainda não surgiu um “mocinho” capaz de salvar a “donzela” e libertar a cidade das mãos dos bandidos.

Nosso filme está longe de ter um final feliz!

Edison Borba

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

VIDA DE NOVELEIRO

       As novelas invadem as nossas casas e atualmente é difícil encontrarmos alguém que não esteja de alguma forma acompanhando alguma delas. Após o almoço, diversas emissoras servem um vasto cardápio vespertino novelístico. Das 14 até às 22 horas, este self service oferece emoções novas e algumas retiradas do baú da saudade garantindo que os amantes dos romances televisados tenham seus apetites satisfeitos.
Cardápio mexicano, chileno e brasileiro são, os mais servidos. Alguns requentados e oferecidos por mais de uma vez.
No considerado horário nobre, os pratos são mais sofisticados. Atualmente duas emissoras estão servindo Império e Vitória. Duas histórias contendo todos os ingredientes para um lauto jantar: brigas, traições, romances, amores, crimes, intrigas, inveja, galãs e mocinhas sofredoras fazem as tramas manterem o tão esperado caminho dos novelões.
No momento, o folhetim Vitória, tem exibido mais emoções diferenciadas do que a sua rival Império. Romance passado em haras tem cenas envolvendo belos animais. Cavalos puro sangue e suas lindas cavalgadas trazem para a novela uma nova visão. A questão do racismo, também tem sido um bom gancho, principalmente quando trata da questão da existência de neonazistas e suas ações. Uma pitada de mistério com o assassino flecheiro também tem sido um bom ingrediente do romance.
Assistir aos dois novelões, usando o controle da televisão, tem sido uma boa diversão e permitido comparar capítulo a capítulo o desenrolar das duas tramas.
Em tempo: excelente o desempenho da grande atriz Drica Moraes na novela Império, merece destaque!
Edison Borba

domingo, 3 de agosto de 2014

CÍRCULO

Partida
Ida
Volta
Revolta
Ficar
Estar
Malestar
Molestar
Partir
Ir
Sorrir
Reviver
Renascer
Conquistar
Voltar
Ficar
Repetir
Malestar
Molestar
Partir
Ir
Tentar
Refazer
Será?
Edison Borba

 

 

DIARIAMENTE

Diariamente somos torpedeados por receitas milagrosas para emagrecer, manter a juventude e a memória, ajudar na sexualidade,  evitar os males cerebrais e tantas outras questões. O que é bom num dia torna-se vilão na semana seguinte. Receitas da vovó são reavaliadas enquanto outras são repudiadas. Nas academias o suor escorre pelo corpo daqueles que buscam a silhueta perfeita. A luta pela manutenção da juventude é mania de um grande número de pessoas. As dietas entram e saem de moda, numa roda viva guiada pelos atores e atrizes que juram ter perdido muitos quilos apenas comendo folhas verdes, como costumam fazer os coelhos. Do outro lado da vida encontramos àqueles que comem e bebem sem nenhuma restrição. Feijoada, rabada, churrasco, buchada e muita cerveja fazendo a festa, na qual não podem faltar as linguiças e batatas fritas, sempre com muita gordura. Homens e mulheres que não se importam com a estética e exibem felizes seus gordos corpos. Pessoas cujas preocupações com colesterol e glicose passam longe de suas vidas. Constantemente ameaçados pelos cardiologistas eles seguem vivendo felizes e engordurados. Porém do outro lado da fita existe um enorme grupo de gente que não tem o que comer. Com eles não existe preocupação com estética, colesterol bom ou mau e a glicose. A maior preocupação deste grupo é ter o que comer a cada dia. Remexendo em latas de lixo, buscando restos que sobram dos engordurados ou dos que fazem dieta, eles tentam diariamente manter suas energias com o que sobra dos pratos alheios. Essa população não frequenta academias e nem faz churrasco na laje. Não tem tempo para as dietas dos famosos e nem descolam uma cervejinha gelada. Os seus estômagos é que regem as suas vontades e dosam as suas necessidades. Mantêm a forma caminhando diariamente à procura do que sobrou dos bares e restaurantes. Disputam nos lixões com os urubus, o almoço e o jantar. Três exemplos de seres e suas relações alimentares. Três situações diferentes. Três contrastes. Ter e não comer. Comer e comer sem regras. Não ter e querer comer. Diariamente eles se cruzam nas ruas. Diariamente eles sobrevivem através de uma estranha relação alimentar. Diariamente ...
Edison Borba