segunda-feira, 30 de julho de 2012

TÓXICOS (para quem servem?)

Euforia, excitação, fantasias, êxtase, adrenalina.

Tabaco, LSD, álcool, anfetaminas, cocaína, maconha, ópio.

Alucinações, ilusões, torpor, embriaguez, decadência.

Injeções, comprimidos, fumo, aspiração, tabletes.

Morte, doença, loucura, sanatório, hospital, presídio.

Insônia, vômitos, tremores musculares, diarreia, agressividade.

Desinformação, excesso de confiança, fragilidade.

Busca pela felicidade, demonstração de coragem.

Se tornar herói. Ficar alegre. Pertencer ao grupo.

Cheirar, cheirar e cheirar. Aumentar a dose. Autoflagelação.

Fantoches. Zumbis. Mendigos. Solitários.

Tremores. Remorso. Solidão. Medo.

Passos  vacilantes. Mãos trêmulas. Olhar vazio.

Trajetória descendente. Impotência. Degeneração cerebral.

Alcoólatra. Bêbado. Viciado. Toxicômano. Delinquente.

Família. Escola. Amigos. Pais. Filhos. Sofrimento.

Perdas. Perdas. Perdas.

Tratamentos. Desintoxicação. Terapias. Dor. Vergonha.

A primeira tragada.

O primeiro gole.

A primeira picada.

Ilusão de ter controle sobre a droga.

Ela é mais forte que. Ela comanda.

Ela corrói. Ela destrói.

Somente ELA é vencedora.

Não se iluda. Não dê o primeiro passo. Ela te abraça eternamente.

Caminho sem volta. Estrada sem fim. Abismo. Escravidão.

Educação. Saúde. Alegria. Felicidade.

Alerta para famílias.

Sem medo de ser careta.

Ter auto-controle. Buscar ajuda. Saber ouvir.

Quem são meus amigos?

Ler. Aprender. Estudar. Buscar informações.

Construir a vida em bases sólidas.

As baladas duram apenas horas.

As sequelas ficam por toda a vida.

Tóxicos! O que são? Para que servem? Para quem servem?

Eis a questão!

Edison Borba

     

domingo, 29 de julho de 2012

Sean Penn – O ATOR

Existem atores e atrizes que passam a vida inteira “se” iterpretando. Não mudam nunca, mesmo usando artíficios de vestimentas, fantasias e maquiagem eles serão sempre reconhecidos, suas imagens não deixam os personagens viverem.
Porém, no mundo da interpretação, existem alguns seres, mutantes. São reconhecidos apenas pelo nome nos cartazes. São camaleões. Eles se transformam, fazem metamorfose e dão vida ao personagem.
É um verdadeiro encantamento poder assistir no telão do cinema esse monstros da arte da transmutação. Mudam de pele, trocam de personalidade, nergulham tão profundamente no papel em que estão atuando, que morrem como pessoas físicas e deixam nascer o outro, o personagem.
Nesse grupo de privilegiados está o Senhor Sean Penn. Homem de várias faces e multiplas interpretações, nos brinda com a sua incrível participação em “Aqui é o meu lugar” ( This must be the place).
Irreconhecível  com um visual gótico, dando vida ao  um ex-astro de rock , Cheyenne, que vive esquecido em seu mundo de lembranças. Essa “figura” sai de seu ninho, na Irlanda, retorna aos Estados Unidos, para o enterro de seu pai, de quem estava afastado há trinta anos. Essa “criatura” gótica, durante a história viaja em busca do nazista que humilhou seu pai, num campo de concentração.
O restante do filme, fica por conta da imaginação dos cinéfilos.
Vale a pena conferir nas telonas essa incrível história. A platéia se diverte e também reflete sobre questões sérias. Uma viagem que não pode deixar de ser feita, principalmente porque o cicerone é o incrível Sean Penn.
Edison Borba

sábado, 28 de julho de 2012

ENTRE O PRAZER E O SONHO

Às vésperas do início dos jogos olímpicos, uma jogadora brasileira da equipe feminina de basquetebol, foi dispensada e impedida de viajar para Londres.

Para ela, a realização do sonho olímpico, foi desfeita. Dias e horas de preparação física, treinamento pesado, controle alimentar entre tantas outras regras rígidas superadas, foram perdidas por apenas algumas horas de prazer.

A atleta foi flagrada com o namorado no hotel em que a seleção estava hospedada. A equipe em concentração fazia preparação para enfrentar a maratona das competições londrinas.

Fica a questão: - Por uma hora de prazer, um sonho foi perdido!

Como entender essa situação? – Será que vale a pena arriscar todo um investimento apenas por alguns momentos com a pessoa amada?

Houve rigidez na penalidade?

Quando se faz parte de uma equipe, é necessário respeitar as regras?

Como ficaria a moral das outras jogadoras, se a companheira tivesse sido perdoada?

Mas, a maior de todas as questões ficará no coração da atleta. De quem foi a sugestão do encontro? Partiu dela a necessidade de expressar a paixão? Será que foi dele, o amado, que não segurou a vontade de abraçar sua namorada?

Como ficará esse amor, após a grande mudança na trajetória da vida desta jovem?

O sonho olímpico é provavelmente, um dos maiores objetivos da maioria dos atletas. Competir com o mundo. As medalhas. As bandeiras. Os hinos. A pátria. O orgulho. A vontade de vencer. A pátria.

Tudo isso só o tempo irá responder. Por alguns instantes de prazer um grande sonho deixou de ser realizado.

Para nós, fica a reflexão: - O que vale mais? – Quem vale mais, quando está em jogo o prazer e o sonho?

Edison Borba










LONDRES, CAPITAL DA PAZ!

Dia 27 de julho de dois mil e doze, Londres, tornou-se a capital da paz, ao sediar os Jogos Olímpicos. Foi emocionante ver mais de duzentos países reunidos em um só lugar. Homens e mulheres de todas as idades e cores, que apesar da falarem os mais diversos idiomas, naquele momento conseguiam entender-se através do mesmo objetivo, competir sem destruir.
Uma linda Babel de cores, roupas, música, linguagens e danças. A alegria e a felicidade estavam presentes no coração de toda àquela gente.
Na presença da maior autoridade inglesa, representantes de diversos países, demonstravam orgulho quando desfilava os representantes da sua Terra Natal.
Maravilhosa união entre os povos. Naquele momento não havia negociações, nem países fortes ou fracos, ricos ou pobres, todos iguais perante as regras dos jogos.
Nações que passam por grandes crises financeiras, outras que sofreram com problemas atmosféricos, se fizeram representar. Não importando a quantidade de componentes de sua delegação, mas a coragem e o orgulho de representar seu país.
Estar presente nos jogos Olímpicos é demonstrar que a força de um povo não se abate, apesar dos problemas.
Como seria bom se as nações se respeitassem da mesma forma que o fazem durante os Jogos Olímpicos. Atletas, juízes e preparadores atuando segundo as regras do juramento prestado diante de milhares de pessoas.
Jurar que cumprirão a sua parte, que trabalharão com justiça, que respeitarão a ética, que irão agir com imparcialidade, que não haverá protecionismo e nem discriminação. Regras simples de serem cumpridas, bastando apenas que os homens respeitem um dos maiores princípios mundiais: somos todos iguais perante a lei!
Parabéns ao povo londrino, que realizou uma linda festa de abertura das Olimpíadas 2012, e que durante vários dias será a capital da paz mundial!

Edison Borba

QUE BICHO DEU?

Nascido no interior do estado de Alagoas, Alceu migrou para o Rio de Janeiro, em busca de melhores condições de vida. Sempre ouviu dizer que o Rio era a terra da promissão. Além de oferecer um bom mercado de trabalho, tinha muitas praias, o que o tornava melhor que São Paulo.
Arrumou os poucos pertences que possuía, colocou a mochila nas costas e embarcou para a cidade maravilhosa.  Hospedou-se num pequeno hotel no centro da cidade próxima ao largo da Lapa. Não era o melhor lugar do mundo, mas estava bem localizado, o que iria permitir a ele economizar no transporte  e até na alimentação, pois havia nas imediações vários bares que ofereciam um bom prato por um pequeno preço.
Após um mês morando junto com os cariocas, Alceu ainda não havia conseguido arrumar um bom emprego. Fez alguns bicos, ganhando o necessário apenas para matar a fome, sendo que algumas vezes o que lhe pagavam dava apenas para uma média de café com leite e pão sem manteiga.
Em suas idas e vindas, na busca por emprego, percebeu que havia em vários lugares da cidade cidadãos trabalhando traquilamente, numa pequena mesa, com uns blocos de papel, onde faziam anotações numéricas. Em sua inocência, Alceu não tinha conhecimento que se tratava de contravenção “legal” (aceita pela sociedade e respeitada pela polícia), o Jogo do Bicho.
Numa tarde de verão, após dois meses morando no Rio de Janeiro, Alceu parou diante de uma “banca” do bicho e arriscou a sorte. Após receber informações do anotador, optou pelos números que estavam sempre em sua cabeça. Como não tinha muita grana, arriscou apenas alguns centavos de real.
Dia seguinte, ao passar pela banca, foi surpreendido quando soube que seus números, haviam sido sorteados. Uma pequena quantia garantiu o aluguel do mês. A partir dessa data, o alagoano, sempre que podia arriscava a sorte. Esse hábito, fez com que seus amigos passassem a lhe perguntar:  - Alceu, que bicho deu?
Essa combinação rimada entre o seu nome  e o verbo, transformou a vida do Alceu completamente.
Hoje, ele trabalha como apontador do Jogo do Bicho, nua movimentada esquina da zonal sul do Rio de Janeiro, mora em apartamento próprio e possui carro do ano.
Alceu, que bicho deu? É a pergunta que ele mais gosta de responder.
Enquanto a legalização desse tipo de jogo não acontece, a população continua a fazer a sua “fezinha” na banca do Alceu.
Vou dar uma passadinha na banca do Alceu. Sonhei com burro, vou arriscar no cavalo!
Edison Borba

sexta-feira, 27 de julho de 2012

FELICIDADE TEMPORÁRIA

Acordei feliz. Abri as janelas do meu quarto e senti a brisa suave da manhã a me tocar o rosto. Respirei  profundamente para aproveitar aquele ar puro de inverno. Sorri para o dia e assobiando fui escovar os dentes. Olhando meu rosto no espelho do banheiro me senti mais jovem. Um pouco de creme de barbear, uma lâmina e lá estava eu lindo refletindo alegria de viver. Quase que perguntei ao espelho se havia alguém mais feliz do que eu.
Com essa disposição e felicidade, pude saborear meu delicioso café.
Pronto para o banho segui cantarolando para o chuveiro. Delícia aquela água morna deslizando pelo meu corpo. Cheirinho de sabonete e uma toalha macia para me acariciar.
Felicidade completa!
Com havia tempo suficiente, sentei-me no sofá, ainda saboreando uma torrada com geleia de morango. Sentindo o agradável odor da minha loção pós-barba, aconcheguei-me entre  almofadas  liguei o televisor e sintonizei no jornal da manhã.  E foi assim que minha felicidade acabou.
Marido matou mulher a facadas na frente do berço do filho de apenas um ano de idade.
Dois motoqueiros atropelados por motorista que dirigia embriagado.
Em Brasília, o caso “cachoeira” continua sem solução. Tudo faz crer que, uma pizza, tamanho família já está assando no forno do planalto.
Bandidos voltam a atacar no Complexo do Alemão. Novos confrontos entre policiais e traficantes assustam a comunidade local.
Goleiro da seleção brasileira que disputaria os jogos olímpicos em Londres sofre distensão muscular e volta ao Brasil.
Incêndio numa favela de São Paulo, deixa centenas de desabrigados.
Jovem brasileira morre no Peru, após cair num precipício.
Polícia não consegue conter as cracolândias. Mulheres grávidas e crianças fazem parte do imenso grupo de viciados espalhados por diversos bairros da cidade.
Os desabrigados pelas enchentes do ano de 2011, ainda continuam desabrigados. O dinheiro liberado para construção de casas populares sumiu.
Professores universitários continuam em greve e na Bahia, o número de dias sem aulas já ultrapassa a cem.
Centenas de pessoas sofrem sem atendimento nas filas dos hospitais  públicos
Mudei de canal. Verifiquei em quatro emissoras diferentes e as notícias eram as mesmas. A diferença ficou apenas na entonação da voz dos jornalistas.
Aos poucos minha alegria foi dando lugar à tristeza. Faz anos que as notícias não se alteram. Mortes, roubos,  greves, assassinatos, acidentes e tragédias. Sei reconhecer que muitas coisas boas também estão acontecendo e que as calamidades ecológicas fogem ao nosso controle. Porém, a maioria dos eventos ruins; foram provocados, por seres humanos. Nós os racionais estamos à frente quando se trata de matar, prejudicar e desrespeitar.
Já causamos diversas guerras, já tomamos atitudes terroristas, já humilhamos e fomos preconceituosos. Fazemos leis para desrespeitá-las. Criamos mecanismos de proteção aos bandidos e fingimos que nada de mal está acontecendo.
Continuei sentado no sofá, desliguei a televisão e deixei que as lágrimas molhassem meu rosto, como a única forma de enfrentar mais um dia.
Edison Borba

quinta-feira, 26 de julho de 2012

AMOR É MORTE?

Amor e morte duas palavras quando entrelaçadas podem assustar. ”Amoremorte” ou “amorte”: nesse jogo de letras que formam as duas palavras, percebe-se que as duas se entrelaçam, originando um contexto desagradável.
Nos últimos meses, nosso noticiário tem estado repleto de casos de amor e morte. Crimes cuja justificativa é o excesso de amor. O ciúme, grande companheiro das paixões é apontado como o culpado das tragédias.
Desde o início de 2012, eu perdi a conta do número de casos publicados pela imprensa envolvendo casais, parceiros e amantes.
Maridos traídos, exmaridos inconformados, namorados abandonados, casos mal resolvidos, paixões descontroladas, sexo não correspondido são tênues desculpas usadas na tentativa de justificar o crime.
Assustadoramente, a maioria dos casos, o homem aparece como o algoz. Herdeiro do antigo, mas atual machismo, os homens modernos ainda trazem em seu conjunto genético, genes deletérios que lembram os antigos trogloditas.
Apesar da educação e socialização da humanidade, os resquícios pré-históricos prevalecem em alguns momentos. Eles se sobrepõem às mais modernas técnicas pedagógicas e pregações religiosas.
O homem moderno, nascido nos atuais séculos, comporta-se como os habitantes das cavernas quando o assunto se relaciona à sua posse sexual. Atitudes bárbaras, o uso de métodos canibalescos, deixam claro que ainda há um longo caminho, até que o nosso genoma fique totalmente livre dos nossos ancestrais.
Quanto às mulheres, algumas poucas vezes, elas parecem nos noticiários policiais, e quando envolvidas com o crime do parceiro, na maioria das vezes, existe uma justificativa relativamente aceitável. Os casos mais drásticos, a ré geralmente é portadora de algum desequilíbrio em sua estrutura mental.
Portanto, mais uma vez, eu retorno ao assunto da necessidade de termos uma educação mais clara e objetiva sobre amor, relacionamentos, convivência, controle emocional, relações sexuais afetivas e tudo o que possa melhorar os relacionamentos humanos independentemente do tipo de parcerias.
Enquanto a sociedade não se mobilizar e agir, continuaremos a ler nos noticiários histórias de crimes passionais.
Relembrando um antigo ditado: - quem ama não mata!
Edison Borba