domingo, 18 de novembro de 2012

SANTUÁRIOS

Os homens constroem,  templos dos mais variados tipos e  tamanhos, alguns imensos e luxuosos outros arquitetonicamente  planejados, para neles apregoarem a sua fé. Sabemos da importância que esses prédios possuem para o conforto e o bem-estar dos povos que desejam proclamar  as suas crenças.
Apesar de não ver nenhum problema em relação a esta manifestação de amor a Deus e a todos santos e orixás. Apesar de não ser contrário as apresentações gigantescas em torno da Bíblia e da proclamação de sua palavra, tenho observado que a busca da fé está cada vez mais se afastando do seu real ponto ou origem.
Os seres vivos:  humanos, animais e vegetais são verdadeiramente os grandes templos de onde a fé deverá se propagar. Especialmente no coração dos homens e mulheres é que deverá germinar a semente da fé. É nesse campo fértil que nascerá  a bondade, a caridade, a compreensão, o respeito, a paz e o amor universal.
Os templos e as igrejas devem ser espaços para que os corações de fé possam se reunir e através da união, propagar a grande chama de amor que atingirá todo o planeta.
As crianças, as nossas crianças, de todas as cores e raças; sociedades e comunidades; pobres ou ricas, de corações  puros e representam ótimos terrenos para semearmos boas sementes.
Dar bons exemplos, cuidar de cada uma delas como uma plantinha que se transformará numa grande árvore que produzirá frutos e nos dará sombra e aconchego.
“Deixai vir a mim as criancinhas,  pois delas  será os reino dos céus”- é um linda observação que a sociedade moderna está esquecendo. Estamos tão preocupados com agendas cheias de compromissos, regras, sobrevivência financeira, beleza física, divertimentos efêmeros entre outros atrativos deste século, que esquecemos o coração das nossas crianças e das possibilidades que estamos perdendo, quando não cuidamos bem dessas resevas de amor e fé.
Ainda é tempo de salvarmos a Terra e todos os seres que nela habitam. Basta, cuidarmos bem das  crianças dando a elas tudo de bom que merecem receber. Boa alimentação, cuidados com a saúde, educação de excelência, respeito, carinho, incentivo e amor, muito amor.
O coração das crianças são santuários de onde a fé verdadeira emanará contagiando a todos. Portanto, alimentemos esses terrenos com boas sementes para que possamos colher bons frutos que transformarão o mundo fazendo surgir uma nova sociedade.
Edison Borba

sábado, 17 de novembro de 2012

IMAGENS

Te crio /
Te penso /

Te imagino /
Desconhecido /

Reconhecido /
Quem és ?/

Foto na tela /
Conversa sem falas /

Vontades tecladas/
Escolhas parecidas /

Segredos sussurrados /
Desejos contidos/

Medo do encontro /
Medo do desconhecido /

Diferenças /
Tempos /

Idades /
Sonhos /

Quem somos nós? /
Quem é você? /

Quem sou eu ? /
Quero ser teu /

Não te quero perder /
Me  perco ao te querer /

Tempos distantes /
Caminhos opostos /

Fiquemos na tela /
Teclados calados /

Sonhos adiados /
Amores odiados.
Edison Borba

O QUE TRAGO COMIGO

O doce olhar da minha mãe
Os sorrisos dos amigos

A mão forte de meu pai
O sabor do beijo do primeiro amor

O cheiro de terra molhada pelas chuvas dos verões da minha vida
A segurança que sentia com a presença de meu irmão

As brincadeiras felizes no recreio das escolas onde estudei
As lambidas de Carol, cãozinho vira-lata, que tanto me  alegrou

O cheiro do café na cozinha da casa de minha avó materna
As brincadeiras da infância

Os sonhos da juventude
Os desenganos da idade adulta

A dor da perda de um grande amigo
O abraço carinhoso de minha irmã

O encantamento da voz da minha primeira professora
As lágrimas que derramei quando experimentei  a perda de um amor

 A alegria da volta
A tristeza da partida

A angústia da espera
A felicidade do encontro

A saudade dos que passaram pela minha vida
O arrependimento pelo que não disse

A dúvida de uma paixão não declarada
O desengano por ter perdido a oportunidade de fazer um elogio

A raiva por ter deixado que por um momento a ira falasse por mim
A fé que me ajuda a viver

A crença no meu trabalho
O amor incondicional pela vida

Tudo isso trago comigo
Tudo isso me ajuda a viver

Tudo isso e muito mais me fazem ser humano
E ser mais humano como um ser humano.

Edison Borba

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

EXTERMÍNIO / EDUCAÇÃO

Em São Paulo a caça aos policiais continua como uma prática diária. Apesar  dos desmentidos das autoridades, os agentes da lei estão sendo dizimados pelas balas de cruéis assassinos.
Sábado, 3 de novembro, uma policial morre assassinada a tiros na frente de sua filha de nove anos. E assim durante esses quinze dias do mês de novembro, a cena se repetiu acrescida de ônibus incendiado, e civis baleados.
Há um clima de insegurança na população. Boatos apontam para conhecidos grupos de criminosos que existem espalhados pelo país há muito tempo.
A História é testemunha da existência de bandos armados que ao longo do tempo apavorou cidades inteiras.
No nordeste ficaram famosos grupos cangaceiros que espalhavam terror entre as comunidades. Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, ficou conhecido como o “Rei do Cangaço”, apavorou cidades com seu grupo. Apesar das maldades praticadas pelos cangaceiros, com a evolução social, os grupos de extermínio que atuam nesse século, são extremamente cruéis.
O que também nos deixa apreensivos são as ações individuais. Todos os dias crimes e mais crimes são praticados por indivíduos isoladamente.
Esquartejamentos, sufocamentos, facadas estão se tornando ações comuns. O uso de armas de fogo já é moda há muito tempo.
Como numa epidemia, ondas de crimes acontecem numa comunidade e logo se repetem em outras. A ação de criminosos que abala São Paulo chegou até Santa Catarina. Como num processo infeccioso a criminalidade contagia e se espalha rapidamente.
Extermínio, essa é a palavra. Diariamente crimes e crimes, mortos e mortos, vítimas e vítimas se espalham indiscriminadamente, lembrando as guerras e revoluções. Essa situação coloca em luto toda a sociedade. Infelizmente, ainda estamos longe de encontrarmos uma solução.
Talvez, o processo educativo seja um dos melhores caminhos. Educação, saúde. Informação e cultura. Respeito e ética. São elementos que se desenvolvem lentamente entre os povos. E é preciso que tudo se inicie na infância. Lamentavelmente, educação ainda, não é prioridade para o Brasil.
Políticos e empresários além de outros grupos que ocupam as melhores classes sociais não conseguem perceber a importância da educação para o povo. Usam vendas nos olhos e fingem que nada acontece.
A  inovação, o empreendedorismo, a criatividade, a capacitação e a alta tecnologia são palavrórios extremamente usados na atual década, porém são observações supérfluas, palavras ao vento, discursos vazios. A educação como prioridade passa ao largo dos grupos mais necessitados. A ignorância e a barriga vazia são ótimos terrenos para a semente do mal germinar.
Continuamos com a cabeça enterrada na areia fingindo que tudo está indo muito bem. Fingimos que acreditamos. Outros fingem que acreditam que acreditamos. E assim tragicamente, dia-a-dia inovamos comportamentos sarcásticos que se aperfeiçoam numa criatividade arrepiante.
 Edison Borba

CONTOS DE FADAS


Alice nas maravilhas de um país
Abraça um coelho apressado
Enquanto uma  bela adormecida
Espera pelo beijo de um príncipe
Menino voador
Baila no ar com  Peter Pan
No céu do país do nunca
Nunca crescer
Nunca ser adulto
Nunca ser responsável
Pela morte da avozinha
Causada pelo descuido
Da menina do chapéu vermelho
Terras encantadas
País  do nunca
Magias e encantamentos
Viajar com os sapatinhos
Da menina que sonhava com a magia de OZ
Três porquinhos
Coelhinhos, gatos de botas.
Patinhos feios
Galinhas pintadinhas
Fadas e gnomos
Anões e gigantes
Seres fantásticos
Habitam o mundo encantado
Onde  também existem
Bruxas e madrastas
Crocodilos e piratas
O bem lutando contra o mal
O bom vencendo o mau
Varinhas mágicas
Que transformam
Tudo que tocam
Sonhos e imaginações
De quem ainda
Acredita em conto de fadas.
 
Edison Borba

 

 

 

CHUVA / TRAGÉDIA / VERGONHA

Após um ano de uma tragédia que se abateu sobre o Rio de Janeiro matando quase mil pessoas, o estado volta a se preocupar com as chuvas e as possíveis tragédias.
O que se viu nessa semana foram pessoas correndo, deslizamentos de terras, vítimas, choros, isto é, uma tragédia esperada.
Junto com as chuvas e a tragédia temos que suportar a vergonha. Enquanto o Japão se recuperou rapidamente das tragédias que assolaram o país e os Estados Unidos já voltou à normalidade, alguns dias após ter algumas cidades atingidas por uma tragédia ecológica, o Brasil não consegue limpar as ruas onde ainda existem restos dos desabamentos de 2011.
Quando dos problemas ocorridos ano passado, o povo, ao ser chamado a ajudar, enviou milhares de donativos, entre roupas, calçados, eletro domésticos, móveis, remédios entre outros produtos, que lamentavelmente em grande parte se perdeu ou foi desviado da sua real finalidade.
O governo federal informa que liberou milhões de reais que sumiram em algumas prefeituras. Após denúncias e algum barulho na imprensa, tudo voltou ao “NORMAL”.
É inacreditável imaginar que um povo com tantas qualidades, seja tão passivo e permissivo, quanto, ao que vive no Brasil.
Eu também estou me incluindo no grupo. Vejo-me aqui sentado diante do computador, ou ouvindo pelo rádio, lendo nos jornais e vendo pela televisão as tragédias, as lágrimas, as destruições e apesar de me revoltar não sei como agir.
Apesar de estarmos acompanhando o julgamento dos envolvidos na quadrilha “mensalão”, algo inédito na república das bananas, ainda estamos longe de atingirmos o nível de um comportamento politicamente ético.
As chuvas de verão já estão chegando e às tragédias já estão acontecendo. Tudo é previsível, como a seca da região nordeste, o crescimento das cracolândias, a eleição de corruptos (escondidos pela ficha quase limpa) e o enriquecimento de uma centena de brasileiros que vivem das tragédias anunciadas.
O que fazer com as chuvas, as tragédias e a vergonha?
Edison Borba

 

QUEM SABE?

Meu semblante tristonho
Frente ao espelho
Me  fez  pensar
No quanto deixei de fazer
Deixei prá lá
Quem sabe se eu tivesse tentado
Jamais vou saber
O que deixei de receber
Por uma promessa não cumprida
Minha imaginação
Permite-me  ter saudades daquilo que não fiz
Cúmplice dos meus medos e desenganos
Ela me tortura ao me fazer lembrar
De um equivocado não
Quando eu queria um sim
Demoníaca lembrança das minhas
Inconsequentes ações
Se  fui  ingênuo, não sei
No dia em que rejeitei
Deixei prá lá
E não fiz
Esteja onde estiver sempre estarei lembrando
De tudo que não aconteceu
Apenas  porque eu
Deixei pra  lá ...
Quem  sabe ...
Eu poderia estar em outro lugar bem distante
Vivendo com outra gente
Sonhando sonhos diferentes
Aquilo que não ocorreu
Apenas por que eu
Deixei pra lá
E não fiz
Quem sabe
Eu tivesse ido
Comparecido
Àquele encontro
Levando flores
E me declarando
Não fiz ...
Não quis ...
Não fui ...
Quem sabe ?
Hoje seria diferente
Do que tem sido
Apenas por que
Quem sabe
Não fui
Não fiz!
 
Edison Borba