quarta-feira, 5 de março de 2014

LIXO? O QUE É O LIXO? DE QUEM É O LIXO?

           A cidade do Rio de Janeiro vive momentos de  complexidade, um grande número de garis, homens e mulheres que cuidam da nossa limpeza, pararam de trabalhar, para denunciar o lixo que é o salário que recebem e as suas condições de trabalho. Quando esse tipo de protesto acontece, fica nítida a importância desta classe trabalhadora.
Muitas vezes, esses brasileiros, são vítimas do lixo do preconceito, por outros brasileiros, que se julgam melhores. Interessante observar, que são os garis que limpam o que a sociedade suja. Esta quarta-feira de cinzas amanhece com a cidade mostrando para o mundo um cartão de visitas nada agradável. A greve está sendo uma forma de apresentar ou denunciar o quanto sujamos o lugar em que moramos. Mesmo durante uma festa como o carnaval, fica nítido que ainda temos um comportamento nada limpo, ou melhor, nosso comportamento continua sendo um lixo.
A prefeitura anuncia o lixo que foi a proposta salarial e para aumentar o lixo, ameaça com demissão de trezentos profissionais. Mais uma vez, o lixo do medo e da repressão, aparece para nos avisar, que a democracia por aqui está ficando  mais suja e caminhado para mergulhar no lixo.
Lixo? O que é lixo? Deixar a negociação para ameaçar com demissão? Os trezentos são apenas uma base, que poderá se transformar em seiscentos, novecentos e até mais de mil. Os demitidos possuem famílias que farão parte do grande número de  desempregados. Esta atitude é um lixo!
A cidade está suja e tememos pela nossa saúde   dos nossos amigos e familiares, tememos a aparecimento de insetos e ratos e caso aconteça uma chuva, estaremos mergulhados num mar de lixo.
Nossos garis surgem para apresentar a sociedade a sua importância como trabalhadores, eles merecem nosso apoio e respeito. Quem é observador,  já deve ter visto esses homens e mulheres trabalhando em condições insalubres, muitos não usam proteção alguma e se recebem material para ser usado, não estão sendo supervisionados.
Quando um caminhão da limpeza urbana estaciona frente as nossas residências, fechamos rapidamente as janelas para não sentirmos o cheiro do nosso lixo e não vermos a utilidade dos nossos amigos garis.
Enquanto aguardamos o fechamento desta situação, fica a sugestão para que cada um de nós, ao sair de casa hoje, levar uma sacola de papel e colocar  o lixo que for produzido durante todo o dia, neste recipiente. Ao final de 24 horas, vamos abrir as sacolas e poderemos perceber o quanto somos responsáveis pela produção do lixo no mundo.
A greve está incomodando? O lixo está incomodando? O salário e as condições de trabalho dos garis, a quem está incomodando?
Edison Borba

terça-feira, 4 de março de 2014

SÓ FUI FELIZ EM MARICÁ!

           “Ouça”, eu só fui feliz em Maricá!
Maysa, a cantora de olhos verdes, a musa da “dor de cotovelo”, encontrou a paz nesta pequena cidade do litoral do Rio de Janeiro.
Após ser aplaudida em todo o mundo e receber vários prêmios pelo seu talento, declara seu amor ao mar de Maricá. Numa casinha branca,  construída nas areias da praia, Maysa viveu seus últimos dias.
Mulher culta, pertencente a uma árvore genealógica de barões, voz de timbre inconfundível e, olhar misterioso, Maysa, encantou a todos com suas interpretações.
Educada em rígidos colégios, casou-se aos dezoito anos, unindo o nome de sua família ao de outro clã, também importante no cenário da sociedade brasileira.
Entre canções, prêmios, gravações e muito sucesso Maysa, encontra preconceitos de uma sociedade maldosa, principalmente em relação às mulheres desquitadas. Dona de suas vontades, essa linda mulher amou demais, cantou demais e sofreu demais.
Consagrada nos palcos, de várias cidades do mundo,  amada no Japão, essa sensível artista cantava as suas dores e amores. Músicas como “Meu Mundo Caiu”, “Tarde Triste”, “Bronzes e Cristais” entre dezenas de outras melodias, que desnudavam sua sofrida alma, que deixou de ser Matarazzo e Monjardim, para ser simplesmente Maysa.
Sua carreira também encontrou nos palcos teatrais mais uma forma de expressão do seu talento. Atuou em novelas com o mesmo talento de cantora.
Maysa como outras mulheres, foi uma guerreira. Desafiou o mundo para viver a sua individualidade. Amargou a imprensa “marrom” que a perseguia, numa tentativa de manchar sua imagem. Sua trajetória de vida, provavelmente tenha servido para que outras mulheres tivessem coragem de ir à luta, após um casamento desfeito.
Sempre elegante Maysa não negava a sua origem, mesmo quando os seus sofridos amores se transformavam em tragédia ela se apresentava para seu público como uma grande musa.
Morreu de forma dramática, como o enredo de muitas de suas interpretações. Saiu da vida, voando como um pássaro, sobre o mar.
Era novembro de 1976, a jovem mulher de apenas 40 anos, deixou a sua casinha branca nas areias da praia de Maricá, eternamente vazia.
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 Maysa renasceu na avenida reinando absoluta no carnaval do Rio de Janeiro
iluminando o universo da Escola de Samba Grande Rio.
 Edison Borba

segunda-feira, 3 de março de 2014

“DÁ UMA DANÇADINHA AÍ!”

     Meus respeitos e admiração aos profissionais da imprensa, principalmente os que trabalham para a televisão, que durante o carnaval são submetidos às mais variadas “saias justas”.
Tendo que entrevistar o “intrevistável” e preencher um tempo interminável, esses bravos se tornam alvos fáceis das mais pitorescas perguntas, observações e respostas.
Sendo tudo ao vivo e a cores, o inusitado é sempre uma grande possibilidade.
Horas e horas no ar, tentando preencher um espaço com entrevistas vazias, com o vazio da maioria das cabeças dos entrevistados, é preciso ter muita paciência para segurar esse pepino.
Num curto período de tempo são obrigados a entrar em contato com temas de escolas de samba, complicadíssimos cujos autores conseguem descobrir fatos históricos que nem os mais renomados historiadores haviam conseguido desvendar. Como tão bem descreveu Sérgio Porto no “Samba do Crioulo Doido” (atualizado para: Samba de um Afro Descendente com Distúrbios Comportamentais).
São “Cleópatras” que estiveram no Brasil. Corte francesa que dançou frevo. O grito do Ipiranga às margens do lago Paranoá. O encontro de Tiradentes com a Rainha Louca.  E outros acontecimentos históricos que obrigam a esses trabalhadores  tentar entender e divulgar para o público, o inenarrável.
Foliões que não passariam no teste do bafômetro; deslumbradas que tentam descrever   um mínimo tapa sexo com estrelinhas nos mamilos,  penacho,  colares e pulseiras  como uma belíssima e caríssima fantasia com o pomposo nome de Esplendores dos Mares de Espanha.
Passistas suados; rainhas de bateria cuja letra do samba de SUA ESCOLA DO CORAÇÃO,  mal sabem o refrão; artistas “apaixonados” (??!!) pelas cores da bandeira (???) da Escola preferida; sambistas atletas  (seres mais que humanos que desfilam em quase todas as agremiações) e os famosos. Sim! Os famosos! Um perigo para os mais experientes jornalistas. Pessoas sensíveis, de parcerias mutáveis, que poderá causar complicações na hora de saber quem é de quem. São entrevistas que devem ser feitas com cuidado para não ferir os egos.
Tem o povão; os que estão nas ruas buscando  seus quinze minutos de fama. Os desconhecidos, que aproveitam para mandar beijos para toda a família e comunidade. Pais e mães com seus “filhotes” fantasiados; os que carnavalizam animais e os trazem como “filhos” para uma possível aparição nas telinhas.
Tudo isso, regado a tradicionais e conhecidas perguntas: - Como você consegue manter esse corpinho lindo? – Quanto custou a sua fantasia? – E o coração? - Muita emoção? – Há quantos anos você desfila? – Qual a sua Escola preferida?
Para nós, os telespectadores, nos resta assistir a tudo isso ou é então buscar  outra opção nas rádios, nos cinemas, retiros, passeios, alugar filmes ou simplesmente meditar.
Quando a curiosidade for grande e incontrolável, e você sentir vontade de ver o que está acontecendo no reinado de Momo, ligue seu aparelho de televisão e veja nossos irmãos jornalistas, fazendo esse conhecido pedido:
                     “dá uma dançadinha aí!”
Edison Borba

domingo, 2 de março de 2014

“BENÇÃO” MÃE ÁFRICA

          Nesse período de carnaval, o Brasil explode em ritmos. De norte a sul do país pode-se ouvir os mais variados sons: samba, maracatu, frevo, afoxés, batuques e muitos outros, que nos faz sentir a importância da miscigenação, que originou a população brasileira atual.
Os nascidos na Terra, indígenas; os brancos europeus; os negros africanos e os asiáticos, todos contribuíram para a formação de uma das mais ricas populações mundiais.
Em se tratando de musicalidade, dança e “balanço”, nossa herança é das mais interessantes. O “molejo” corporal brasileiro é indiscutivelmente uma realidade, o simples ato de caminhar diferencia o Brasil dos demais países. Há um “certo” volteio ou ginga que nos caracteriza e individualiza.
Apesar de constatarmos a riqueza genética que recombinada originou os brasileiros, não podemos deixar de reconhecer que a grande mãe África, teve uma fascinante contribuição. Há uma força estranha que predomina sobre as demais. É o tal balanço da mulata, que encanta o mundo. É um rebolado, uma movimentação física, impossível de ser imitada. Durante todo o ano, esse “glamour”, não passa despercebido e nem se perde na multidão. Homens e mulheres num vai-e-vem frenético pelas ruas, fazem de seu caminhar um belo desfile. Não há como negar: o brasileiro anda, caminha e desfila de um jeito muito especial e essa, é sem dúvida herança da grande mãe Africana.
Porém, é durante o carnaval que essa característica se torna mais evidente. Seja, nos difíceis passos do frevo, na cadência dos afoxés, maracatus e batuques ou no gingado de um samba  podemos admirar a legitimidade dessa herança africana.
A negritude brasileira é uma realidade incontestável, os que chegaram como escravos se impuseram como reis e rainhas, transformando em beleza rítmica a vida neste recanto sulamericano.
Nos temperos a pimenta; na religiosidade a natureza; no amor a paixão; na arte o forte colorido e uma intensa força musical.
Não há como negar, essa incrível mistura brasileira!
A benção Mãe África! Bato cabeça aos seus pés e peço “maleme” pelos desvarios cometidos em épocas passadas.
Afague e perdoe meus ancestrais brancos, que em dias de “antanho” agindo de forma malévola, indiretamente, contribuíram para o enriquecimento da espécie humana.
Salve todas as poderosas e iluminadas mães negras que através de seus Orixás ajudam a iluminar o povo brasileiro!
Axé!

Edison Borba

sábado, 1 de março de 2014

LOROTEIRO: CUIDADO COM ELE!


Loroteiro,
Faroleiro.
Diz que é pagodeiro,
Que viajou pra Europa,
Que seu pai é um banqueiro.
Potoqueiro sedutor,
Joga charme pras meninas,
Tentando ser encantador.
Mentiroso diplomado,
Ataca no carnaval,
Lobo finge ser cordeiro,
Pronto pra abater
Uma ovelhinha indefesa
Faz-se de diplomata
Enrolando sua presa
Com ”lero lero” incansável
Se a mina for inocente
Cairá na sua lábia
Será levada no papo
Desse cara sem vergonha
Que só quer o que é fácil.
Cuidado com esse sujeito!
Ataca no carnaval.
Tá nos blocos e salões,
E nos desfiles também.
Esse famoso pilantra
Pega quem cai na rede,
Adolescente ou adulta,
E até a terceira idade,
Ninguém escapa do assédio.
O que quer o loroteiro,
Além de muito dinheiro,
É sair-se,  bem no final.
Antes, durante e depois,
Das festas de carnaval.

Edison Borba

CICLOS

Nascer crescer morrer CICLO
Voltar ir voltar ir voltar CICLO
Namorar noivar casar separar CICLO
Verão outono inverno primavera verão CICLO
Amar apaixonar trair chorar ficar sonhar CICLO
Estiagem seca chuvas estiagem seca chuvas CICLO
Amanhecer entardecer anoitecer amanhecer CICLO
Segunda terça quarta quinta sexta feira sábado domingo CICLO
Semear  esperar  brotar crescer colher debulhar cozinhar comer CICLO
Uma  duas  três horas quatro cinco seis   sete oito nove dez onze horas CICLO
Semear  esperar brotar crescer colher debulhar cozinhar comer CICLO
Segunda terça quarta quinta sexta feira sábado domingo CICLO
Amanhecer entardecer anoitecer amanhecer CICLO
Estiagem seca chuvas estiagem seca chuvas CICLO
Amar apaixonar trair chorar ficar sonhar CICLO
Verão outono inverno primavera verão CICLO
Namorar noivar casar separar CICLO
Ir voltar ir voltar ir voltar CICLO
Voltar ir voltar ir voltar CICLO
Nascer crescer morrer CICLO

Edison Borba
 

RIO DE JANEIRO, MINHA QUERIDA CIDADE!

        O samba nasceu no Estácio, espalhou-se pelo país e hoje é reverenciado em todo o mundo. Hoje, dia primeiro de março, o carnaval explode em todo o Brasil, e especialmente no Rio de Janeiro, que completa  mais um aniversário.
Esta cidade e o samba, nasceram um para o outro, foi também um Estácio, o de Sá, que em 1 de março de 1565, fundou essa maravilhosa metrópole. Com mais de quatrocentos anos, é uma jovem garota. Linda como tantas que caminham por suas ruas, frequentam suas praias, e dançam na avenida.
O Rio se mantém firme, mesmo diante de situações, provocadas por alguns “cidadãos”, que não sabem o que significa amar.
          Arpoador   Falar do Rio de Janeiro é repetir o que muitos poetas, filósofos, artistas, cidadãos comuns e turistas falam:  “é bonita, é bonita e é bonita!” (Com saudações a Gonzaguinha).
Pão de Açúcar é um doce criado por Deus, para deliciar o mundo e o Cristo Redentor é a criação do homem, para agradecer a Deus, pela sensibilidade ao nos presentear com tantas  riquezas naturais.
Morro Dois IrmãosEsta cidade tem belezas inesgotáveis, mesmo vivendo aqui, não a conhecemos totalmente. A cada dia ela mostra uma face renovada, suas árvores não seguem necessariamente à ordem das estações do ano. Há uma independência que permite termos flores e frutos o ano todo. Há sempre um colorido e perfume no céu.
Uma característica do Rio, é a mistura organizada. Aqui temos de tudo o ano todo. Não há necessidade de esperarmos o verão para ir até uma das suas praias. O carioca sabe que basta perguntar: “será que vai dar praia?”
Temos também o nosso inverno, e o povo daqui, tem casacos e quando uma brisa mais fria aparece, todos usam agasalhos e sentem-se na Europa. Buscam as cafeterias, e misturam café com sorvete e um chopinho para acompanhar.
Frutas, de todas as qualidades, flores de todas as cores, alegria e muitos amores estão presentes na população.
Hoje, no dia do seu aniversário, não quero falar de “coisas” ruins que acontecem com nossa maravilhosa cidade, quero apenas dizer que tenho o orgulho de ser carioca.
Pão de Açúcar, Urca
Amo o Rio de Janeiro, como tantos outros cidadãos e para demonstrar esse afeto, cuidamos para que nossa cidade continue maravilhosa!
Edison Borba