terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

ABUNDÂNCIA CARNAVALESCA!

Vovó Lilica, apesar de seus noventa e muitos anos, ainda é uma carnavalesca “arretada”. Nos seus tempos de juventude brincou muito nos salões do Copa e outros menos cotados. Vovó ainda guarda à sete chaves algumas de suas comprometedoras fotos.
Todos os anos ela se coloca frente ao televisor e só arreda o pé, na quarta – feira de cinzas. Ela canta os sambas das escolas e sabe de tudo o que acontece nas outras cidades, como Salvador, Recife, São Paulo e muito mais.
Foi durante um desfile de uma das escolas, que vó Tetéia, desabafou: “Quanta abundância carnavalesca!”
Os familiares, ouvindo tamanho espanto, tratou de tentar entender o seu pensamento: é claro vozinha, no carnaval as Escolas de Samba gastam muito com fantasias, adereços, carros alegóricos, instrumentos musicais e precisam de dinheiro, para oferecer para o público esse abundante espetáculo de luzes e cores.
Vovó indignada com a nossa interpretação, tratou de explicar-se: - Não estou falando de dinheiro, o que abunda no carnaval são bundas! Eu estou aqui sentada e não aguento mais ver bunda gorda, magra, siliconada, estriada, caída, empinada, suada e outras que me deixaram assustada. A abundância no carnaval do Brasil é a culpada pela nossa situação política atual!
Todos os familiares exigiram da anciã uma explicação para esta observação: o que é, que uma bunda tem a ver com política?
Vó Tetéia explicou: desde que Cabral chegou em nossas Terras, seu escrivão o tal de Pero Vaz de Caminha percebeu que aqui tudo existia em abundância!!!
Todos se calaram e ficaram a refletir sobre a filosofia da vovó!
Edison Borba

NO CARNAVAL? EU SOU EU!

Ando por ai o ano todo

Visto fantasias pra sobreviver
Sou arlequim apaixonado, sou palhaço, faço rir

Acrobata e malabarista, me equilibro na vida
Sou mágico: invento histórias

Sou artista: represento
A cada dia um papel, eu que apresentar

Danço na corda bamba, cuidando para não cair
No carnaval, eu SOU eu

Cara lavada e corpo levado pelo batuque
No balanço dos blocos, ninguém me perturba

Sou apenas mais um a dançar na avenida
Vou na roda do samba dolente

Não sou de ninguém, sou apenas gente
Minha cara não pintei, mas “pintei” pelas ruas

Minha roupa não troquei, mas ela já é fantasia
Foi o que sempre desejei, ser apenas um rosto

Sem ninguém perguntar. Sem ninguém estranhar
E quando um amigo me encontrar, exibindo a cara

Limpa, deslavada e sem pintura
Sendo apenas uma criatura

Um cidadão bem comum
No carnaval eu sou rei, sou capitão, sou artista

O mundo é meu ...

No carnaval, finalmente: EU sou EU!

Edison Borba

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

ELAS SÃO DEMAIS ...

HOMENAGEM AS AMIGAS ALINE e MARIA LÚCIA / CEJK

São as aulas em março


Em abril, maio e junho

É a festa na quadra, é o apito, o apito

Tem a bola rolando, tem aluno gritando

É o gol é o gol ...

Tem ALINE apitando, não valeu, não valeu

Foi na rede, foi a rede ...

Tem MALU apostando, nas garotas o Júlia

São as mestras da bola, do apito e amor
Uma dupla invencível, são guerreiras mulheres

Sabem ensinar regras e ética, são amigas de fé

São exemplos de gente que aposta na ética
De educar na sala, na quadra em qualquer lugar

É a hora da festa temos que ensaiar
É a dança, é a trança da fantasia bonita

São crianças dançando, professor chorando
É trabalho bem feito, é professor de respeito

Parabéns Aline e Lúcia, pelo trabalho tão lindo
Vocês são mulheres que orgulham o País

Todos nós reunidos, alunos e companheiros
Aplaudimos vocês, batendo palmas e pedindo bis!

Edison Borba

CHORA CAVACO!

Chora o cavaco, lamenta o violão
Suas cordas percebem o quanto fazem felizes,

                     o povo desta Nação!

Chora cavaco, chora por nós, pelo povo brasileiro
Lamenta violão, deixe fluir toda a nossa emoção

Vocês sabem carpir mas também sabem curtir

                   lamentam as perdas e louvam a Nação

                   que sofre e padece com a corrupção

Chora cavaco, chora! Você sabe do sofrimento,

                    você a dor de não ter alimento.

Você e o violão sabem do trabalhador,

                     de calos nas mãos e suor no rosto

Chora viola, chora cavaco e o bandolim também
Cordas e cordas vibrando no som da lamentação
Do homem do campo, da mulher lavadeira
E de tantas famílias que sofrem no jugo

                  cruel indecente que maltrata a gente

Chora cavaco, chama o violão traz a guitarra
Até a sofisticada harpa, que sabe o que é dor
Vocês são parceiros, na luta sem trégua
Contra os malditos que ocuparam o país,
Criando um raiz, espalhando galhos
Está difícil de cortar e exterminar
Chora cavaco! Lamenta violão!
Grita guitarra! Chama o bandolim e apela pra harpa
Quem sabe vocês, de vozes plangentes
Representam a gente e a nossa emoção!

Edison Borba

domingo, 7 de fevereiro de 2016

MIL TONS DO CARNAVAL

Verde e  rosa – Vermelho e branco

Branco e verde – Branco e azul

A bola é preta e a banda é de Ipanema

A Leila era Diniz, mulher de muitas cores
Joãozinho era trinta tons verde, amarelo

Azul e branco – um artista brasileiro
As cores da Tijuca, misturadas com Caxias
O céu de Nilópolis, com as flores da Mangueira

É tudo cor, é tudo brilho em Padre Miguel
É Rocinha, é a turma de Pilares

São acadêmicos, são doutores
Gente que enche de cores o carnaval carioca

São mulatas e passistas e as baianas rodando
Girando por toda a pista na comunidade do asfalto

É povo “arquibancando” colorindo e cantando
É minha escola querida, é meu coração disparando

Nada de cinza ou cinzento, de tristeza ou lamento
É só alegria e cor
É carnaval alegria e também ...

MUITO AMOR!

Edison Borba 

sábado, 6 de fevereiro de 2016

A QUÍMICA DO CEJK

Homenagem aos meus amigos Fátima e Paulo

Tem oxigênio e hidrogênio

E molibdênio também

Tem elétron, próton e nêutron

Passeando pelas salas

Tem aluno apavorado,

Sem saber o que fazer

E na prova responder

No caderno tem matéria
Na cabeça uma história
Na aula fica pensando
Na nova química do amor
CO2, H2O o que é que vou fazer?
Destilação?  Essa não!
Como está o coração
Da garotada estudante
Da Química do Paulinho
E da Fátima também
Dois professores queridos
Meu Deus, por favor
Faça com que a ebulição
Não caia na prova não
Sou capaz de explodir
De tão forte emoção!

Edison Borba

AMOR E CARTAS

Cartas de amor possuem características que não podem ser imitadas, e jamais serão igualados. São únicas! A letra, a tinta, a caneta, o papel e o texto se completam. São peças raras que traduzem emoções.

Letra forte para dizer adeus.

Letra tremida e fragilizada pedindo perdão.

Letra redonda, harmonicamente desenhada para traduzir um amor puro.

Letra manchada pelas lágrimas da saudade.

Cartas cujos perfumes traduzem o texto.

Cartas esperadas com paixão, fazem dos dias uma eternidade.
Cartas fechadas, lacradas com texto guardado em segredo pelo medo da revelação.
Cartas lançadas ao mar, levadas pela correnteza.
Amassadas e rasgadas antes mesmo de serem lidas.
Cartas extraviadas cujo remetente sofre a espera da resposta que nunca virá.
Cartas beijadas, manchadas de batom, trazendo os lábios de alguém.
Cartas mentirosas, com promessas dúbias que jamais serão cumpridas.

Cartas de amor são mensageiras de emoção, elas carregam sentimentos; são portadoras de paixões. Documentos de relações felizes ou torturadas, guardadas em baús ou gavetas, escondem marcas de relações longas ou efêmeras. Amareladas com tempo envelhecem juntamente com seus autores.

Capazes de reacender emoções adormecidas, esses maravilhosos e pequenos pedacinhos de papel são inesquecíveis.

Felizes aqueles que puderam algum dia escrever ou receber uma carta de amor, é uma sensação impossível de descrever. Se você nunca escreveu uma carta de amor, experimente, mesmo que seja apenas para guardar e não enviar. Deixe passar algum tempo e depois leia. Você vai experimentar uma interessante emoção!

Edison Borba