sexta-feira, 18 de novembro de 2011

BEIJOS

Beijo – ato de tocar com os lábios em alguém ou alguma coisa, fazendo leve sucção.
Beijoca – beijo em que os lábios se abrem, fazendo um estalido.
Beijinho – beijo leve terno.
Beijo técnico – aquele que é dado por atores e atrizes.
Beija-pé – ato ou cerimônia de beijar o pé.
Beijoqueiro – que, ou aquele que é dado a beijar ou a beijocar.
Beijo-de-moça – bala de ovos que se envolve, geralmente em papel de seda.
Beijo de paz ou amizade - ósculo (do latim osculu – boquinha).
Beijo-de-língua – aquele em que há sabor, trocado pelo toque lingual.
Beijo-de-freira – planta da família das cariofiláceas.
Beija-mão – atitude cerimoniosa para com as damas.
Beijocar – beijar amiúde e com ruído, distribuir beijocas estaladas.
Beijo-de-frade – erva da família das balsamiáceas.
Beijo-de-Judas – beijo de traidor.
Beijo-de-mãe – o mais puro e doce entre todos.
Bicota – também conhecido como selinho – beijinho rápido.
Beijação – distribuição de beijos aleatóriamente.
Beijódromo – local específico para se beijar.
Beijo-da-morte – aquele que ninguém quer provar.
Beijo-de-altar – o que os noivos trocam após a cerimônia de casamento.
Beijo-babado – aquele em que há troca de saliva.
Beijo-de-amor – o mais sonhado e idealizado.



Beijos-de- ????????!!!!!?????

Edison Borba

TATUAGEM

        Vou  tatuar você na minha vida,
         Marcar com ferro em brasa minha pele,
        Seu nome e o seu retrato,
        Estampados,
        Declarados,
       Anunciados,
       Para o mundo todo saber
       Quem é você!
       Para todos conhecerem,
      Seu rosto, sua face, seu sorriso.
      Vou tatuar você no meu coração,
      Deixar sangrar...
      Deixar sofrer ...
      Deixar viver ...
      Para  sempre ...
      Para sempre ...
      Vou tatuar você na minha alma!
      Marcar além da vida ...
      Para toda vida ...
     Que foi vivida ...
     Aqui em vida!


Edison Borba
                                                                            

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

UM ESTRANHO NO NINHO

Um dia a gente acorda e percebe que depois de tantos anos morando no mesmo apartamento ou casa, ainda existem alguns “cantinhos” e “objetos” que não tivemos tempo de parar para admirar. Com a vida corrida e a agenda sempre cheia de compromissos, compramos “coisas” como quadros, espelhos, poltronas, almofadas e tantos outros badulaques, mas que só os admiramos nas vitrines das lojas. Uma vez levados para nossos lares, e colocados em seus devidos lugares, nunca mais paramos para admirá-los.
Hoje estou propondo fazermos uma excursão pelo local em que moramos. Para começar, o melhor é sairmos até a rua e após alguns minutos, nos determos olhando para o prédio. Qual é a cor da nossa casa ou apartamento? De que lado da rua está construído? Existem árvores próximas? Como é a nossa rua?
Após essa observação e reflexão é hora de entrar. O elevador, o corredor e a nossa porta. Nada de andar apressadamente, observe a entrada da sua morada. Pense como uma visita, que veio pela primeira vez àquele local. Que tipo de emoção está  acontecendo?
Chave na fechadura, porta aberta e surge na nossa frente um lar, o nosso lar. Deixe a porta aberta e observe. Deixe que seus olhos procurem se familiarizar com o ambiente. Entre devagar. Feche a porta e caminhe observando os quadros, os móveis, os tapetes, as cortinas e tudo o que existe ali e, faz parte da sua vida. Caminhe pelos cômodos. Passeie pelo seu lar como se estivesse numa excursão. Devagar, com calma, descubra detalhes que você não costuma observar. Abra um móvel e retire algo. Aquele copo que nunca é usado. Aquela bandeja ou quem sabe uma toalha que está há anos na gaveta esperando uma ocasião para ser colocada na mesa. Quantos objetos. Quanta coisa. Quantas lembranças. Descubra um presente, um “mimo” recebido de uma pessoa amada e tente se lembrar do momento em você o recebeu. Nossas músicas! Ah! As músicas! Escolha um CD e ouça atentamente. Pegue aquela almofada e vá para o sofá. Ouça e veja o quanto de você existe naquele espaço. Tente lembrar, das muitas pessoas que já estiveram ali. Ouça os risos e as vozes. Se houve lamentos e lágrimas, tente não relembrar. Essa é uma situação de paz.
Continue seu passeio. O quarto é sempre um local de segredos. A cama, o armário, um espelho e recordações. Quantas noites de sono pesado, corpo cansado pelo trabalho diário. Pesadelos e  insônias também aconteceram. Noites mal dormidas e as olheiras. Mas também, noites de amor. Intermináveis como nossos sonhos. Quartos guardam silenciosamente muitas lembranças. Nosso quarto, grande ou pequeno, luxuoso ou simples é ele que nos acolhe e nos dá aconchego. Observe cada objeto que você colocou nesse ambiente. O que levou você a escolher aquela cortina, a colcha ou o abajur? O retrato sobre a cômoda! É muito especial ter a foto de alguém nesse local tão íntimo.
Nossa casa, nosso lar, nossa morada. Entramos e saímos diariamente sem termos noção do que possuímos. Acumulamos objetos até que se tornem obsoletos, perdem as cores e os trocamos por outros que terão o mesmo destino.
E assim vamos vivendo, passando o tempo, buscando nas ruas e nas viagens, muito do que já existe em nossos lares. O local em que habito, tem encantos e tem recantos que permanecem intocáveis, até um dia que sentimos a sensação de que podemos perdê-los. Nesse momento bate uma sensação de que somos um estranho naquele ninho e um vazio enorme entra em nosso peito. Uma grande vontade de nos agarrarmos a tudo que ali existe, como se dessa forma pudéssemos viver para sempre.
Edison Borba

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

QUE "FLAGRA"!

Quando uma fotografia é feita de um objeto inanimado, como uma pedra, uma cadeira ou uma casa o que se obtém é apenas a imagem. Através dela podemos fazer avaliações de tamanho, cor, posição espacial e até da qualidade do que foi fotografado. Porém, quando fotografamos pessoas, as imagens vão muito além. Podemos observar, através de uma foto, os sentimentos daqueles que cederam sua imagem. Dor, alegria, saudade, felicidade, sofrimento, amargura e desespero são algumas  emoções que uma câmera pode “capturar” e “reter” por uma eternidade.
As antigas máquinas de fotografia, batizadas como “Kodak”, deram lugar a uma infinidade de pequenos aparelhos que se multiplicam por todos os lugares do mundo.
As  estudadas “poses” foram substituídas por “flagras”. Nada mais passa impunemente diante das lentes destes “monstrinhos” eletrônicos.

São milhares de fotos, revelando intimidades, nem sempre fáceis de ser explicadas. Adultérios, nudez, posições comprometedoras, companhias inadequadas, situações bizarras que valem mais do que mil legendas. No carnaval, revelaram e mostraram claramente os "mijões" sujando a cidade. Como explicar o que está estampado e revelado por uma foto?
No processo de reflexão democrática, pelo qual o Brasil e o mundo estão enfrentando, as fotografias tem sido fiéis aliadas. As câmeras de fotografam e filmam, valem mais do que palavras. Foram elas que revelaram que o dinheiro do povo, não estava nos cofres de um Banco Federal, mas sim em cuecas, meias e bolsas de alguns políticos. Revelaram também, amizades comprometedoras, desmascarando homens públicos, que há anos enganam a população.
Benditas fotografias. Abençoadas câmeras. Nunca tantos segredos foram revelados em tão pouco tempo.
Ministros que juram não conhecer “uma tal” pessoa, é flagrado ao lado da mesma. Cidadãos que diante de um plenário, declararam não ter pisado “num tal avião”, é mostrado descendo as escadas da aeronave.
Como explicar, aquela festa, onde inimigos políticos aparecem bebendo, sorrindo e confraternizando. As imagens nas fotos revelam alegria, parceria, cumplicidade e a falta de vergonha desses senhores e senhoras, tão austeros quando falam para o povo. Em suas oratórias inflamadas podem nos enganar, mas não conseguem explicar aquele “flagra”!
Edison Borba


terça-feira, 15 de novembro de 2011

MUITOS PRESIDENTES E UMA PRESIDENTA

Em mais de cem anos, o Brasil esteve em mãos masculinas.
Deodoro da Fonseca - 1889
            Floriano Peixoto
             Prudente de Morais
             Campos Sales
             Rodrigues Alves
             Afonso Pena
             Nilo Peçanha
             Hermes da Fonseca
             Venceslau Brás
             Rodrigues Alves (faleceu antes de assumir)
             Delfim Moreira (interino)
             Epitácio Pessoa
             Artur Bernardes
             Washington Luiz
             Julio Prestes (não assumiu)
             Augusto Fragoso + Isaias Noronha + Mena Barreto
             Getúlio Vargas
             José Linhares (interino)
             Eurico Gaspar Dutra
             Getúlio Vargas
             Café Filho
             Carlos Luz (interino)
             Nereu Ramos (interino)
             Juscelino Kubitschek
             Jânio Quadros
             Ranieri Mazzilli (interino)
             João Goulart
             Ranieri Mazzilli (interino)
             Castelo Branco
             Costa e Silva
             Junta Governativa
             Garrastazu Medici
             Ernesto Geisel
             João Figueiredo
             Tancredo Neves ( faleceu  antes de assumir)
             José Sarney
             Fernando Collor
             Itamar Franco
             Fernando Henrique Cardoso
             Luiz Inácio Lula da Silva

Dilma Rousseff - 2011


BRASIL REPÚBLICA

Desde o dia 15 de novembro do ano de 1889, quando foi proclamada a República no Brasil, muitos homens tiveram o poder dessa grande terra em suas mãos. Civis e militares de revezaram, numa incrível dança das cadeiras. Alguns eleitos, outros interinos e também ditadores passaram pela presidência. Não há como esquecer os que morreram antes de assumir o poder. Quis a sorte que esses homens não conseguissem exercer o tão almejado poder. Anos de fartura contrastando com anos de ditadura. Líderes envolventes, com discursos inflamados faziam o povo entrar em delírio. – “Trabalhadores do Brasil!” – frase marcante que é lembrada até hoje nos mais distantes recantos dessa Terra. “Cinco anos em cinco” foi outro jargão que mobilizou toda a população. Anos de festas e fantasias. O Brasil exalava progresso e a construção de Brasília, era um sonho de uma nova época. Infelizmente, haviam nuvens escuras se preparando para cobrir esse lindo país. Houve o que renunciou, deixando toda a população, até hoje sem saber que “forças ocultas” fizeram o homem da vassoura abandonar o poder. Esse ato, deu início à tempestade que durou muitos anos. O esposo  da mais bonita Primeira Dama, não resistiu à pressão e foi obrigado a fugir de sua pátria, indo buscar asilo em território amigo. Trono vazio trono ocupado. A República Brasileira que já havia experimentado alguns “tremores”, dessa vez caiu de joelhos e foi dominada completamente por mãos de ferro – chegava a Ditadura Militar. Anos difíceis, prisões, tortura e silêncio. Mas, como não existe mal que sempre dure, a liberdade novamente voltou a brilhar. Infelizmente, a morte foi implacável e nos tirou àquele que seria o primeiro brasileiro civil a voltar ao poder após tantos anos de militarismo. Um bigode tomou posse. Apesar de correr no pasto, atrás de bois e vacas, não foi o substituto ideal. O povo ainda com sede de democracia, e na ânsia de encontrar uma rápida saída, dexou-se encantar pela beleza e oratória do paladino das Alagoas. Sonho durou pouco. Novamente o povo ocupa as ruas e pede um novo presidente. Conseguimos um “topete” que substituiu o paladino, enquanto uma nova eleição era organizada. Chega ao poder um intelectual. Estudioso de sociologia e acompanhado de uma grande mulher, esse senhor, esqueceu seus aprendizados democráticos e as agruras dos anos de ditadura. Lamentavelmente, ficamos a navegar em mar revolto, ou melhor, ficamos sem rumo. Elegantemente vimos um Brasil segregar seus filhos mais pobres. Finalmente o poder foi ocupado por um homem do povo. Um operário, um trabalhador. Renascem as esperanças de um país mais justo. Eram tantos os sonhos que o mandato desse desbravador foi renovado. É o povo no poder. Os pobres ficarão ricos e o sertão vai virar mar. As profecias irão se concretizar. Mais uma vez, nós brasileiros nos decepcionamos. Apesar de mudanças terem sido implantadas e muitas boas ações acontecerem, o presidente – operário, não conseguiu conter seus seguidores, que na ganância de poder, transformaram a nação num grande circo. A lei do quem rouba mais foi implantada. Desvairados com o poder, mergulharam o país numa “onda” onde ninguém é de ninguém. Manda quem fala mais alto. Oh! Terra amada, até quando suportarás tantos desmandos. Essa prece, proferida por milhões de brasileiros, fizeram com quem chegasse ao poder uma mulher. A primeira mulher presidente do Brasil. Agora estamos sendo embalados num colo feminino. E como toda mulher e boa dona de casa, ela já chegou querendo arrumar o palácio. Lavou, espanou, encerou e demitiu os colaboradores que não estavam cumprindo com seus deveres. Desde 1889 até 2011, estamos aguardando que haja uma boa limpeza em nossa Terra. Precisamos acreditar que agora, nas mãos femininas vamos organizar nossa nação. Se por trás de um grande homem, existe sempre uma mulher notável, imaginemos uma mulher notável, sem ter nenhum homem na sua frente para atrapalhar. Boa sorte Presidente ou será Presidenta?
Edison Borba

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

MEU NOME? QUE NOME?

Rose Araújo, professora, escritora, designer e quadrinhista, em seu livro “Iscola ... o crime”, nos apresenta uma série de nomes de alunos que passaram por suas aulas e também pelas salas de outros professores, que contribuíram para essa coleção um pouco diferente das que estamos acostumados a ver. Alguns foram criados pela junção dos nomes dos pais. Outros são homenagens a artistas ou pessoas famosas. Mas, todos, são bastante peculiares, fugindo à regra de se chamar Maria, João, Celina ou Valdemar.
Nas fichas de chamada, de diversas escolas, encontramos: Absórbe, Briiann, Cheyenne, Shayla, Fransbeckquembaldo, Neyfson, Merdoléia e Natanaelcenir. Esses e muitos outros  fizeram parte do mundo encantado das nossas classes escolares.
A história que vamos contar está relacionada com essa questão. O nosso herói foi batizado com o incrível nome de Pelego. Durante a sua infância e adolescência, o número de apelidos que ele recebeu, são incontáveis. Mesmo assim, conseguiu chegar à idade adulta e trabalhar honestamente.
Funcionário público de excelência, Pelego sofria com esse nome. Desde que iniciou suas atividades naquela repartição, ouvia todos os dias as gracinhas sobre o fato do Pelego, ser ou não ser um pelego. Seus colegas chegavam a usar o dicionário para tornarem suas brincadeiras mais cruéis: “Capacho, subserviente, Pelego você não passa de um pelego”. Assim era a vida do nosso amigo. Sua namorada o chamava Pepê. Um apelido carinhoso que  usava com alegria. Quando chegou o dia de ser apresentado à família de sua amada, ele teve que dizer seu nome completo: Pelego Pinto.
Seu futuro sogro imaginou se tratar de uma brincadeira de mau gosto. Foi preciso que Pepê mostrasse a sua identidade, para que o velho não o expulsasse de sua casa. Terminado o incidente, ficou combinado que naquela família ele seria tratado apenas como Pepê.
Em todos os lugares que compareciam era Pepê, ou Pepezinho. Mas Pelego nunca mais. Até seus amigos de trabalho esqueceram seu verdadeiro nome.
Desde o seu noivado que nunca mais ninguém brincou ou fez piadas com ele. Sua vida mudou. Passou a ser um homem alegre. A felicidade havia chegado para ele através da sua querida e amada noiva.
Como, quem fica noivo acaba casando,  quem casa faz festa, quem faz festa convida e quem convida faz convite, nesse momento,  a vida de Pelego voltou a ser um inferno. De que forma colocar no convite que a linda Rosana (este era o nome de sua noiva), se casaria com Pelego Pinto.
Isso  causaria um constrangimento em todos os familiares, que já imaginavam as gozações. Chamar-se Pelego e ainda ter como sobrenome Pinto, não poderia haver nada mais constrangedor. O coração de Pelego Pinto não agüentou as gozações e brincadeiras quando o convite para o seu casamento foi distribuído.
Quem visitar o cemitério do Caju encontrará uma lápide, onde se pode ler: Pepê – amor da minha vida – saudades da sua eterna noiva Rosana.
              Do livro DOIS EM CRISE – de Edison Borba – Editora All Print / 2010