sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O TREM ATRASOU

         Em 1941, os cariocas se divertiram no carnaval cantando uma marchinha, com os seguintes versos:            

 “Patrão, o trem atrasou,

            Por isso estou chegando agora,

            Trago aqui, um memorando da Central,

            O trem atrasou meia hora

            O senhor não tem razão,

            Pra me mandar embora”...

 Estamos em 2013 e os trens da Central continuam não só atrasando, mas quebrando e colocando em risco à vida dos usuários. É inacreditável que após tantos anos os problemas aumentaram.

Enquanto o mundo caminha em ritmo de trem bala, no Brasil, continuamos usando carroças de burro como meio de transporte. É inadmissível que num país das dimensões brasileiras, a rede ferroviária seja o que de pior existe no planeta.

 Anos e anos de sucateamento e roubos, transformaram os trens brasileiros num veículo de alto risco. Semanalmente acidentes com vítimas são registrados, usuários tendo que abandonar as composições e caminharem sobre os trilhos por falta de energia. Vagões em péssimo estado de conservação e higiene.

Passageiros apertados como “sardinhas em lata” espremem-se em vagões em condições sub-humanas. Trilhos envelhecidos e ocupados por usuários de drogas acumulam no seu em sua volta lixo e insegurança.

Apesar de tudo isso, o Brasil irá sediar uma Copa do Mundo de Futebol e uma Olimpíada.

É vergonhoso apresentarmos para o mundo esse nosso sistema de locomoção e transporte humano. Enquanto isso, nossos políticos se locomovem em aviões luxuosos e alugam carros por preços exorbitantes. Todo este conforto é pago pelos passageiros dos trens. São os humilhados trabalhadores, que garantem a boa vida da máfia do voto.

Infelizmente, no Brasil, o cabresto ainda é usado durante as eleições. Apesar das urnas eletrônicas, usadas com tanto alarde pelo país, os métodos que antecedem ao pleito, são os mesmos do tempo da marchinha de carnaval “o trem atrasou”.
           Edison Borba

 

 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

DEPRIMENTE

           Uma das mais deprimentes cenas do cenário político brasileiro, foi a do Senhor Natan Donadon agradecendo de joelhos, aos seus  companheiros (comparsas), que usando do voto secreto, na Câmara dos Deputados, decidiram pela NÃO cassação do seu mandato.
A deprimente cena foi parte da encenação do triste espetáculo circense, que acontece constantemente nos palácios dos políticos brasileiros. O discurso do Senhor Donadon foi estarrecedor, constrangedor, triste, ridículo e debochado.
Nós eleitores, sentimo-nos humilhados diante de tanta sordidez. Impossível não ficar indignado, com a manutenção do voto secreto, dos marginais no poder, das roubalheiras sem limites que assolam o Brasil.
No mesmo dia que o triste espetáculo em Brasília, era encenado em rede nacional, agricultores e criadores de gado no interior do Piauí, choram a morte dos animais e a perda total de suas lavouras. Para tornar o quadro mais chocante, esses trabalhadores rurais são obrigados e renegociar dívidas bancárias, assumidas para manterem suas lavouras.
Assistir as lágrimas do homem do campo e um deputado de joelhos é de matar qualquer cidadão de bem.
Não é possível continuarmos convivendo e vendo cenas como estas acontecerem diante das câmeras de televisão e principalmente diante dos nossos olhos.
Deprimente!
Edison Borba

terça-feira, 27 de agosto de 2013

BATE PONTO ...



No momento em que o Brasil importa médicos para suprir a carência de profissionais. No momento em que se denuncia a calamidade que acontece os hospitais públicos. No momento em que a morte ronda à saúde pública brasileira, vem à tona a “quadrilha do bate o ponto”. Mais uma vez, Isabele Benito, jornalista do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão), coloca o dedo na cara de alguns médicos da cidade de Araruama, que apenas marcam o ponto e não trabalham.  Que vergonha! Uma farra de médicos e médicas que sem nenhum escrúpulo deixam pessoas abandonadas à própria sorte. Como definir o comportamento de profissionais que desrespeitam um dos mais sérios juramentos, o de Hipócrates. O pior disso tudo, é que sabemos, que outras quadrilhas do “bate ponto”, existem em diversas cidades de vários estados brasileiros. Os médicos cubanos que chegaram para trabalhar no Brasil, sob protestos de  outros colegas, de profissão, são cada vez mais bem vindos, diante deste tipo de situação.
A “farra do bate ponto”, abre caminho para que outros médicos, de outros países, encontrem os braços abertos dos brasileiros, que não aguentam mais conviver com tantos desmandos e descasos. É lamentável!
Edison Borba

domingo, 25 de agosto de 2013

PARANOIAS “NOVELÍSTICAS”

           As telenovelas têm sido  veículo de demonstração de algumas paranoias humanas. É frequente, assistirmos em diferentes emissoras e nos diversos folhetins, situações interessantes, esdrúxulas e inusitadas, como: “eu quero ter um filho”, “eu quero você”, “eu quero ficar rico”, “eu quero vingança”, “quero deixar de ser virgem” entre outros “mórbidos” desejos, em que o “eu quero, custe o que custar”, transforma galãs em vilões e mocinhas em bandidas.
A enlouquecida vontade de querer ter alguma coisa  ou alguém, transforma-se, em paranoia.
Procriar, produzir um filho, encontrar família biológica ou vingar-se, move as tramas e enriquecem os desejos sublimados de muitos espectadores. Diferentemente do teatro, em que a trama acontece de uma só vez, as telenovelas, alimentam as loucuras através de doses homeopáticas.
Dia após dia os desejos enlouquecidos dos personagens contaminam a população, que toma partido e torce pelos bons, mesmo quando eles demonstram atitudes antiéticas, para satisfazer algum tipo de desejo. Durante a trama surgem questões que prendem o telemaníaco diante do televisor, esperando ansiosamente as soluções para as loucuras do autor, como:
Até quando a donzela permanecerá intacta?
Até quando a herança cairá nas mãos  dos falsos parentes?
Até quando a mulher será enganada pela melhor amiga?
Até quando a mocinha vai estapear a malvada?
Até quando o exame de DNA permanecerá trocado?
Até quando a sofrida mãe vai aguentar as maldades da filha cruel?
Essas dúvidas transformam a vida dos seguidores dos folhetins numa paranoia crescente. Deixa-se de ir ao cinema e ao teatro; compromissos são adiados e atrasos para o encontro são explicados por  desculpas “esfarrapadas”. Tudo isso  para não perder o capítulo, que pode ser revelador. Meses de espera e no dia que mocinho saberá quem é seu verdadeiro pai, aparece um compromisso inadiável. É para enlouquecer um bom noveleiro.
E assim vamos vivendo, novela após novela com o controle nas mãos, para permitir sofrer com duas histórias em emissoras diferentes, mas que são exibidas em horários semelhantes.
Loucas e doces paranoias que se repetem, mas conseguem nos manter diante do televisor sofrendo, chorando e sonhando com o beijo do último capítulo.
Eu sou um noveleiro assumido!
Edison Borba
 

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

REFLEXÕES DE UM EDUCADOR

         Durante anos atuando como educador, algumas reflexões foram feitas em salas de aula, em reuniões acadêmicas ou encontros de pais e responsáveis. Outras aconteceram em momentos de solidão, quando  imerso em meus pensamentos, analisava  o meu ofício de ensinar. Muitas reflexões  se perderam com no tempo. No ano de 2010, em uma entrevista, alguns dos meus pensamentos foram registrados. São eles, que estou dividindo com  meus amigos, os leitores.
 Edison Borba
>”O ambiente escolar deve ser propício para que professores e alunos tenham a liberdade de pensar, criar e avaliar as atividades diárias. Não são as leis e as ordens que farão acontecer as interrelações disciplinares, mas o clima democrático que se estabelecer nas Unidades de Ensino”.
>“Cada vez mais a família e o mercado precisam de pessoas com senso de observação, criatividade, curiosidade e com disposição para mudanças”.
 >”É triste sabermos que um país das dimensões do Brasil e tão rico ecológica e geograficamente, não consiga perceber, que para ser respeitado pelo mundo como Nação, precisa cuidar melhor dos profissionais da educação, das suas crianças e jovens”.
> “Não se constrói espírito empreendedor, na idade adulta. Essa ação é inata nos indivíduos. Porém cabe ao processo educativo fazê-la aflorar ou não. Cada sala de aula deve oferecer desafios capazes de fazer com que essa atitude inata possa se desenvolver”.
>”Não podemos continuar com um ensino alienado das questões socioambientais”.
>”Nossos alunos precisam entender que todos os conteúdos escolares estão interrelacionados, e que eles são importantes para a abertura de oportunidades no mundo moderno”
>”Distribuir computadores e outros aparelhos não resolve o problema educacional brasileiro. É preciso capacitar os professores, criando espaço para que eles possam se atualizar constantemente, desenvolvendo novas metodologias educacionais. Para que isso aconteça, as relações entre docentes, gestores e secretários de educação tem que ser harmoniosa e que haja diálogo entre todos os interessados no processo educacional”.
>”O que acontece dentro das escolas não pode ser alienado ao nosso cotidiano. Necessitamos transformar nossos jovens em cidadão capazes de serem empreendedores das suas próprias vidas”.
>”Estamos vivendo uma crise na educação informal (familiar e social) que está se refletindo nas salas de aula”.
>”Atualmente temos grandes dificuldades para fazermos com que as sociedades reduzam a quantidade de lixo produzido diariamente. Temos dificuldades também no que se refere as leis e a sua aplicabilidade. Como educar crianças e jovens, diante dos maus exemplos recebidos constantemente?”
>”As escolas refletem a sociedade nas quais elas estão inseridas. Portanto, trabalhar com educação no Brasil,  é muito difícil”.
>”As questões educacionais não são resolvidas apenas com a criação de leis e regras. Não basta criar disciplinas, estabelecer conteúdos e ordenar aos professores que as sigam. É necessário que mudemos a essência comportamental humana. Isso leva muito tempo!”
>”Infelizmente, no Brasil, o processo educacional não é levado a sério pelas autoridades que dirigem o País. Os professores, estão quase sempre sofrendo pressões e tratados como inimigos do poder”.
>”Pobre da nação que não investe no processo educacional do seu povo”.
Edison Borba – Professor / Educador / Coordenador Pedagógico do PINCE.
 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

O POVO UNIDO ...

          Na década de sessenta, em plena ditadura militar, as vozes se uniram nas ruas usando como palavra de ordem: “o povo unido jamais será vencido!”
O tempo passou, a ditadura acabou e  o grito de ordem se calou. Com o retorno do processo democrático, a reconquista do processo eleitoral, imaginava-se que essa frase ficasse apenas nos livros de história como uma referência a um tempo que marcou de forma triste, a vida dos brasileiros. Porém, o sonho não foi tão lindo como o imaginado. Presidentes eleitos, empossados, aplaudidos e exonerados, foram desfilando diante dos olhos do povo. O reatamento com a tão sonhada democracia fez com que o poder nas mãos de alguns homens se transformasse numa terrível arma.
Lamentavelmente, passados os momentos de euforia, o tão sonhado governo do povo, para o povo e pelo povo, foi se tornando uma nova ditadura. Apenas as formas e os locais de tortura mudaram o padecimento dos brasileiros já não acontece nos quartéis, mas nos hospitais, escolas, ruas, comunidades e até diante das câmeras de televisão.
Os torturadores usam ternos elegantes e não se preocupam em esconder seus rostos. Desafiam a população com discursos hipócritas e sorrisos irônicos. É  uma das piores torturas que se conhece no mundo, pois não acontece nos porões escuros dos quartéis.
Nesse momento, milhares de brasileiros, sofrem em busca de conseguirem algum tipo de atendimento nos hospitais públicos. As cenas são tipicamente de guerra: pacientes nos corredores, em macas sem higiene, alguns atendidos no chão. Partos acontecendo até em banheiros. A calamidade está por todos os estados do Brasil. O sofrimento da população que não tem  dinheiro para sustentar um plano de saúde, é extremamente grande.
Médicos e doentes são torturados aos olhos da população. Anos de corrupção e de verbas desviadas, transformaram os locais de saúde em campos de concentração. Os mortos catalogados em números estatísticos, que são manipulados, como nos tempos da ditadura militar. Infelizmente, a tão sonhada democracia, não aconteceu como se esperava. Em alguns pontos ela até existe (em outros tempos eu não estaria escrevendo esse texto), porém o descaso, e a falta de honestidade, dos atuais governantes é assustadoramente cruel, eles jogam sujo, enganam, subornam, desviam, riem, rapinam, debocham sem pudor e nem piedade. Assustador é saber que seus descendentes (filhos, netos, sobrinhos) estão sendo preparados para dar continuidade às corrupções de seus pais, avôs e tios. Alguns já estão colocando em prática o que aprenderam, e ocupam estados, municípios e cidades e usando de novas e modernas táticas de tortura contra a população.
“O povo unido jamais será vencido!” voltou.
Há uma força jovem, que também herdou de seus ancestrais o desejo de ir à luta, sair às ruas e buscar justiça. Nossos hospitais públicos são os maiores símbolos do sofrimento do povo. As imagens mostradas diariamente pelos veículos de comunicação estão sendo um dos muitos motivos de união e de voltarmos a afirmar, que: “O povo unido jamais será vencido!”
Edison Borba

 

domingo, 11 de agosto de 2013

REENCONTRO

            Após muitos anos de sua partida, eu ainda sinto a sua falta. Creio que hoje, a saudade é bem maior do que era ontem, Sinto uma vontade de reencontrar, abraçar, conversar ou até ficar em silêncio, ao seu lado, sentindo o calor de seu corpo.
Tenho receio, que com o passar dos dias eu perca contato com os pequenos detalhes de nossa amizade.
De sua voz, pouco ficou, era um homem calado, digo até silencioso, a sua presença era tão forte, que seus gestos transmitiam as mensagens que eu precisava ouvir. Era alto, para mim, um gigante. Mãos calejadas transmitiam o quanto de trabalho ele executava. Seu avental era um símbolo do seu ofício. Não consigo visualizá-lo sem o seu uniforme manchado, indicando para mim o quanto esse homem produzia para manter a família. Havia em um dos seus dedos, na mão esquerda um anel de ouro com a imagem de São Jorge, santo de quem ele era amigo. Talvez, grande parte da sua força viesse da sua devoção ao santo guerreiro.
Cresci imaginando histórias sobre aquele homem, que saía de casa antes do meu acordar e que muitas vezes eu não  via chegar, pois o sono era mais forte do que meu desejo de vê-lo. Quantas vezes,  rezei para “Papai do Céu”, implorando para que a fada do sono, não viesse fechar meus olhos, antes do seu retorno. Algumas vezes fui atendido e lembro-me  da alegria de vê-lo abrir a porta, rosto cansado, mas sempre tranquilo. Numa sacola o pão, que nunca faltou em nossa mesa, à marmita e as suas ferramentas.
 Eu gostava de ver esta cena e o imaginava um gigante, um herói, e criava em minha cabeça cenas cinematográficas em que ele sempre vencia as batalhas.
Hoje, após tantos anos sem a sua presença, percebo que as minhas fantasias de criança, eram verdadeiras, ele foi um herói, todos os dias enfrentava como um gigante as árduas tarefas que seu trabalho exigia, para manter sua família, sua casa, seu lar.
Cresci  tornei-me homem e sai pelo mundo, levando comigo  os exemplos desse anônimo cidadão brasileiro. Nos momentos difíceis, sua imagem me animava e me ajudava a continuar. Pensava no anel, e pedia a São Jorge, que me ajudasse a vencer os dragões da maldade.
Certo dia, meu herói deixou o campo de batalha e seguiu  outra estrada. Levado por anjos ele caminhou por um caminho de luz.
Chorei como menino que caiu da bicicleta; zanguei reclamei e até desafiei a natureza por tê-lo tirado de minha vida.
Hoje, sonho com um reencontro. Sei que ele nunca deixou de cuidar de mim e de toda a família. Guardo em meu coração a sua imagem,  sigo seus exemplos e tento ser para os meus descendentes um cidadão de bem, um gigante, um herói, como o meu pai.
De Edison Borba para “seu” Oswaldo e para todos os pais do universo!