sábado, 12 de janeiro de 2013

TIM MAIA REVIVE NO TEATRO.

 
Vale tudo para  assistir  a um excelente espetáculo do teatro brasileiro. Emocionante ver, cantar e dançar com Tim Maia, que renasce numa grande produção teatral.
Existem momentos que chega a ser arrepiante estar diante do grande descobridor dos sete mares, nos emocionando com sua potente voz, nos dando motivo até para chorar de emoção.
Tiago Abravanel vai além de uma simples interpretação, ele é a própria encarnação do cantor de Primavera, Baby, A Festa do Santo Reis e outros sucessos.
Durante o espetáculo ninguém tem sossego e ninguém fala ao telefone.  Espectadores do Leme ao Pontal, você e eu, eu e você, todos ligados no balanço do síndico da música popular brasileira.
Uma história bem contada e cantada em prosa e verso, músicos de excelente qualidade,  atores bem entrosados fazem do espetáculo “Vale Tudo” um dos melhores dos últimos anos.
Tiago, neto de Silvio Santos, veio para se impor no cenário teatral. Dono de grande potencial vocal e de um carisma que é revelado no abrir das cortinas, esse jovem artista, sem dúvida é uma grande revelação.
Espetáculo para ver e recomendar aos amigos.
Não tive a oportunidade de assistir a apresentação com Danilo de Moura, cover, que substitui eventualmente Tiago Abravanel. Porém, amigos que tiveram a oportunidade de estar no teatro quando Danilo se apresentou, garantem que o espetáculo não perde   vigor e beleza.
Tiago e Danilo são ótimos  portanto, não me dê motivos para deixar de assistir a essa bela produção do teatro nacional.
 Edison Borba

FORÇAS

Salve o branco de Oxalá
O vermelho de Ogum
O verde de Oxossi
O dourado de Iansã

Azul é da sereia
Azul  é de Iemanjá
Azul é cor do céu
Azul é cor do mar

Salve o roxo de Nanã
Nossa Senhora das Dores
Mãe de Jesus Salvador
Por amor, morreu na cruz

Salve o luto das viúvas
Que choram vestidas de preto

Salve Xangô da pedreira
Com seu machado afiado
Protege os desvalidos
Luta pela justiça entre os homens
Combate guerras
Quer a paz

Salve os Anjos da Guarda
Que nos guardam e protegem
Salve Ibeji – Arerê
Crianças querem brincar
Sob o manto de Nanã
Acalentados por Oxum
Que nos consolam e amparam

Salve a terra
Nossa Mãe
Com suas florestas e rios
Mares oceanos  montanhas 
Salve o fogo salve as águas
Sejam doces ou salgadas
Cascatas e cachoeiras

Salve todos os poderes
Os raios e os trovões
Todas as forças unidas
Que se transformam em amor

Salve o maior poder
O que é universal
A quem pedimos a benção
Para seguirmos vivendo
E quando chegar o momento
Ele nos conduzirá
Pelos portões do universo
Nos levando até o Pai

Saravá,  Nosso  Senhor
Que é também é do Bonfim
Imploramos sua benção

Ajuberu Atotô

Edison Borba

 

 

 

 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

UMA HISTÓRIA DE AMOR

Era uma vez uma frondosa árvore. Seu grosso tronco era impossível de ser abraçado. Seus muitos galhos e a grande quantidade de folhas propiciavam uma aconchegante sombra no verão. Na primavera se enfeitava de flores, que anunciavam os frutos que chegariam pelo outono. Mesmo no inverno, a majestosa árvore desnuda de suas folhas, não perdia o seu porte, a sua postura de rainha.
Sempre  vaidosa e orgulhosa da sua beleza, ela reinava sobre as suas irmãs. Era a preferida pelos pássaros para a construção dos seus ninhos e pelos namorados para se amarem à sua sombra.
Em todo o bosque, não havia floração mais bonita e a produção de frutos mais saborosos. Era uma rainha,  uma deusa, sem dúvidas,  ela era muito especial.
E assim os anos se passavam sem que nenhuma outra jovem árvore conseguisse atingir o seu pedestal.
Certa vez, um jovem casal buscou a sua sombra para trocarem juras de amor. Ela orgulhosa por ter sido mais uma vez, testemunha de uma paixão, deixou cair sobre os enamorados algumas pétalas das suas flores. Era tempo de primavera e o seu perfume tornou aquele encontro especial, envolvendo os apaixonados num clima de amor eterno.
Para marcar para sempre a união,  o rapaz deixou gravado no tronco da vaidosa árvore, um coração com as iniciais do seu nome e o da sua amada. Atitude comum entre enamorados. Outros corações já haviam sido marcados em diversos troncos de árvores, incluindo no da vaidosa rainha daquele bosque. Porém, esse coração tinha algo de especial. Ela, a árvore vaidosa, não sabia explicar o que sentiu quando o rapaz deixou em seu tronco a  marca do seu amor.  O jovem enamorado mexeu com o coração da frondosa árvore.  Desde aquele dia uma sensação que ela nunca havia experimentado subiu por suas raízes e se espalhou por todos os seus galhos e folhas.
Terminou a primavera e o verão chegou esquentando todo o bosque  trazendo famílias para as sombras. Depois o outono com suas frutas e pássaros abriu espaço para o inverno, período em que o bosque recebia poucas visitas.
Finalmente as flores começaram a se abrir, anunciando mais uma primavera. Todo o bosque vibrou de felicidade e ela a majestade mais ainda. Este ano suas flores estavam mais coloridas do que em outros períodos. Como era bom estar novamente recebendo elogios!
Uma tarde, daquelas tardes agradáveis com uma suave brisa balançando as folhas e derramando pétalas por todo o chão, um solitário rapaz aproximou-se da vaidosa árvore. Ela o reconheceu. Era aquele que havia marcado o seu tronco e o seu coração. Porém, ele estava sozinho. Chegou lentamente, procurou a sua marca, deixando  lágrimas brotaram de seus olhos. Por alguns minutos, ele acariciou a tatuagem feita no tronco e murmurou baixinho, palavras de amor.
Após alguns minutos, o jovem se afastou lentamente, deixando a bela árvore triste e preocupada. O que haveria acontecido?
Um pássaro amigo sabendo da sua preocupação, contou-lhe que a bela jovem havia se enamorado de outro rapaz deixando o seu antigo amor de coração partido.
A nobre árvore, ao saber da notícia, sentiu vontade de arrancar suas raízes do solo e correr em busca do lindo e sofredor amante. Mas, ela sabia que jamais poderia conseguir tal façanha. Passou então a esperar que um dia ele voltasse, mesmo que fosse com outra namorada.
E assim o tempo foi passando e a vaidosa árvore esperando, esperando, esperando. Seus frutos perderam o sabor, suas flores o perfume. Aos poucos seus galhos começaram a murchar e suas folhas a secar.
Hoje, quem passa pelo bosque, pode avistar de longe, uma grande  e seca árvore. Apenas um tronco, galhos retorcidos e um coração talhado em sua casca que o tempo não conseguiu apagar.
Edison Borba

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

ARTESCADA

            Degraus
            Escadas
            Escadarias

 Subir nos degraus
                    Subir a escada
                    Subir a escadaria
Descer
Os degraus
Da escada
Da escadaria

Subir e descer
                    Subir ou descer
                    Dúvidas
                    Decisões

Parar  nos degraus
                    Parar na escada
                    Parar na escadaria
Descansar
Na subida
Descansar
Na descida
Descansar
Nos degraus
Da escada
Da escadaria

    Cair nos degraus
                    Cair da escada
                 Cair da escadaria

Rolar nos degraus
   Rolar da escada
       Rolar da escadaria

Sentar nos degraus
                    Sentar na escada
                    Sentar na escadaria

Chorar nos degraus
                    Chorar na escada
                    Chorar na escadaria

Morrer nos degraus
            Morrer na escada
                        Morrer na escadaria

 
Para Jorge Selarón – chileno – artista (pintor e ceramista)
Obrigado por sua arte nos degraus, da escada, da escadaria da Lapa / RJ.

 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

FÁBULA DE UM PAI

B.O. - Boletim de Ocorrência

Local: cidade do Rio de Janeiro

Caso: tentativa de assalto

Envolvidos: três cidadãos do sexo masculino

Meliantes: dois homens

Vítima: policial militar (à paisana)
Ocorrência: dois bandidos tentaram roubar a moto de um cidadão. Ao perceberem de que se tratava de um policial, tentaram matá-lo. A vítima reagiu matando um dos meliantes. O segundo fugiu do local da ocorrência. A vítima com ferimentos no pé foi levada ao hospital.
Comentário:  Seria  mais uma ocorrência entre  muitas que acontecem diariamente em diversos lugares, não fosse o aparecimento no local do fato de um homem usando uma camisa vermelha.
Cabeça grisalha, olhar triste, andar firme, o homem de camisa vermelha, dirigiu-se aos policiais que estavam no local, cumprimentando cada um deles, com  aperto de mão e um leve toque no ombro. Após esse ritual, colocou-se à distância.  Parado, olhava para o local onde o corpo do bandido estava coberto por um plástico preto.
Esse cidadão, de aparência austera e demonstrando por suas atitudes ser trabalhador sério e ético, era o pai do assaltante morto.
Comovente a imagem do homem de camisa vermelha. A tristeza em seu rosto demonstrava o seu constrangimento diante da cena. O ato de cumprimentar os policiais foi uma atitude de desculpas pela ação de seu filho.
O que estaria passando pela cabeça grisalha do homem de camisa vermelha? Quais questionamentos ele estaria se fazendo? Que lembranças vieram à sua mente? O nascimento daquele filho, sua infância e adolescência. As brincadeiras e o relacionamento. Em que momento houve falhas?
Em silêncio, o homem de camisa vermelha acompanhou todo o ritual de retirada do corpo do filho do local, seguindo solitário e triste seu caminho, deixando uma lição para quem assistiu a cena pelo telejornal dessa manhã do dia 9 de janeiro de um quente verão carioca.
Lição? Cada um que tire as suas próprias conclusões, refletindo sobre a atitude do homem de camisa vermelha.
Edison Borba

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

FAZENDO A FICHA

Idade: 14 anos.
Sexo: feminino.

Local de residência: periferia da cidade de São Paulo.
Estado civil: solteira.

Condição na sociedade: menor de idade.
Atividades:  furtos, tráfico de drogas, dirigir sem habilitação e  assassinato.

Futuro: progredir em sua carreira, com grandes possibilidades de se transformar em chefe de quadrilha.
No momento, goza de proteção das leis. Sua condição de ser “quase” uma criança,  permite-lhe entrar e sair das delegacias. Ficar em repouso em casa de amparo à infância e a adolescência.  Aprender mais truques de malandragem. Fazer bons contatos que irão garantir-lhe ascender no mundo do crime.

Caso: no litoral de São Paulo, uma adolescente de 14 anos, mata um homem, diante de sua família, numa tentativa de roubo.

Destacando: a mãe da menor está colaborando com a polícia no sentido de facilitar a apreensão da mesma.

Comentários: até quando a sociedade terá que conviver com esse tipo de situação. Menores cometendo crimes sem que haja nas nossas leis efetivamente condições de recuperação. O que fazer com uma menina que desde os doze anos  pratica  delitos?  Como recuperá-la? Quem vai ser responsável por sua educação e inserção na sociedade?

Enquanto não se consegue responder essas questões, seguimos acompanhando o crescimento de uma nova sociedade composta por meninos e meninas, vítimas que fazem vítimas. Vidas que se perdem ou pela bala de um revolver ou pelo abandono e descaso de uma estrutura politicamente incorreta.

Amanhã esse caso se transformará em estatística. A menina continuará morrendo vagarosamente a cada dia e a cada delito cometido.

Nós continuaremos perplexos!

Edison Borba

 

 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

QUEM SOMOS NÓS?


Que somos solidários em campanhas beneficentes.
Mas, dirigimos nossos carros alcoolizados.

Que lideramos passeatas lutando pela preservação das florestas.
Mas, jogamos lixo nas ruas.

Que discutimos e apoiamos a luta pelos direitos humanos.
Mas, somos preconceituosos quanto às opções sexuais.

Que rezamos e pedimos melhores dias para às nossas famílias.
Mas, não aceitamos a diversidade religiosa.

Que vestimos branco e rezamos  quando nasce um novo ano.
Mas,  continuamos a repetir atitudes indelicadas e antiéticas em nossos dias.

Que exigimos que as leis sejam cumpridas.
Mas, nos negamos a soprar o bafômetro quando o nosso carro é parado numa blitz.

Que criticamos os maus hábitos dos filhos dos  nossos vizinhos.
Mas, permitimos que em nossas casas haja desrespeito entre pais, avós e irmãos.

Que protestamos contra os maus políticos, os que não cumprem  com o  dever.
Mas, cometemos deslizes que prejudicam outros cidadãos.

Que choramos assistindo cenas comoventes nas novelas.
Mas, somos indiferentes com a situação de nossos semelhantes.

Quem somos nós?
Seres humanos, descendentes do Homo sapiens.

Somos orgulhosos das nossas invenções.
Somos empresários, operários, ricos e pobres.
Somos gente!

Talvez, esteja  nos faltando, a tomada de uma decisão.
A definitiva.
Que tipo de gente, queremos ser?

====== Atenção:  o ano mudou mas em São Paulo as chacinas continuam. No Rio de Janeiro,  balas perdidas ainda cortam o céu azul de anil.

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Edison Borba