sexta-feira, 10 de maio de 2013

JORNALISTA EMOCIONADA

         Diariamente, os apresentadores de telejornais noticiam os mais variados assuntos. Alguns usam a técnica do distanciamento, isto é, seja qual for o assunto, sua expressão facial permanece a mesma. Leem textos sobre assassinatos e a seguir comentam os gols da rodada com o mesmo equilíbrio. Mudam de assunto maquinalmente.
Outros fazem o gênero sensacionalista. Todas as notícias são grandiosas e lidas em voz alta. A chegada de uma frente fria é colocada como se fosse um tornado. São inflamados e estão sempre agitados diante das câmeras. Mas apesar do estilo, são semelhantes aos anteriores, camuflando suas emoções.
Dificilmente, vemos um jornalista demonstrar claramente tristeza, alegria, constrangimento, indignação ou outro qualquer sentimento. Existem regras contratuais, que as emissoras exigem ser cumpridos, quando se trata de informar.
Há telejornais, em que se percebe claramente, que até a roupa usada pelos profissionais, são estabelecidas em contrato. Há um padrão a ser seguido, mantendo, portanto, um estilo, que se torna reconhecido pelos telespectadores.
Esses dias, uma jornalista, trouxe emoção ao telejornalismo, ao apresentar uma notícia sobre usuários de drogas.
O assunto envolvia uma filha que procura pela mãe, viciada em crack. O encontro das duas mulheres foi realizado diante das câmeras. Realmente uma cena emocionante. Mãe e filha se reencontrando em condições opostas. A filha é que estava resgatando a mãe. A jovem assumindo um papel que na maioria das situações é exatamente oposta.
Apesar de se tratar de um assunto triste, a cena apesar de chocar também foi linda, pela forma com que foi tratada pela emissora.
A jornalista e apresentadora, sem conter as lágrimas, deixou que  sua emoção contagiasse a todos que assistiam o telejornal.
Parabéns para SANDRA ANNENBERG, pela sinceridade e profissionalismo com que sempre pauta as suas apresentações e principalmente por humanizar esse tão complicado mundo, o das notícias.
Edison Borba

BATE CORAÇÃO

            Coração,  órgão de movimentos e atitudes próprias.
 Ninguém  tem controle sobre ele. Trabalha independentemente. 
Habitando o nosso corpo, tem suas próprias vontades. Age livremente e não assume as suas atitudes, mas é um grande amigo, aquele que consideramos amigo do peito!
Usando de independência, acelera por   quem não deve, deixando , muitas vezes, o seu dono em maus lençóis.
Orgulhoso e vaidoso deixa-se levar por uma carinha bonita ou palavras sedutoras, ficando todo derretido como manteiga fora da geladeira.
Por ser imprudente, muitas vezes se envolve em situações constrangedoras. Nessas horas, o safado, deixa o sangue subir ao  rosto de seu dono, denunciando a sua travessura, através do rubor.
É um artista, constantemente aparece nas propagandas de todos os meios de comunicação. Na literatura, vive dando pinta nos poemas e romances, e na música já foi e continua exaltado em todos os idiomas.
Pode ser encontrado, gravado em troncos de árvores, nos cadernos de adolescentes e em todos os lugares onde houver alguém apaixonado. Nesse quesito, paixão, ele é mestre, é liberal e não tem preconceitos. É livre, completamente livre para pulsar para quem ele escolhe independentemente das convenções sociais.
Diverte-se com os apelidos que recebe: coração bobo, coração bola, coração de manteiga, coração de pedra  numa lista inumerável.
Sua importância é tão grande que tem seu próprio médico. Na hierarquia da medicina, os cardiologistas são colocados no  ápice da pirâmide.
Com os transplantes, tornaram-se deuses! Pode-se trocar de coração. Seria muito bom se todos os corações malvados pudessem ser trocados por outros, os bondosos.
O mundo seria  só felicidade!
Infelizmente, existe gente sem coração. São perigosos. Possuem um vazio no peito, e por isso são  desprovidos de amor, bondade e compaixão.
Tenho pena desses seres. Nunca saberão o quanto é bom um coração pulando de alegria por alguém ou por algo.
Há também os ladrões de corações.  Geralmente possuem cara de anjo, mas são piratas cardíacos, roubam  corações e os mantém acorrentados muitas vezes por longos períodos. Já ouvi histórias de pessoas que perderam seus corações e nunca mais os tiveram de volta. Que pena! Como deve ser ruim ter o coração prisioneiro!
Tenho uma amiga que está com seu coração partido. Ele quebrou e até hoje ela não conseguiu colar os pedacinhos. Dizem que,  mesmo depois de colado, esse coração terá para sempre cicatrizes. Ela, a minha amiga, terá um coração cicatrizado, marcado por uma desilusão.
As pesquisas estão apontando para novas descobertas. Os corações nunca envelhecem, eles até podem adoecer, essas coisas de colesterol bom e mau, provocando batimentos fora do ritmo, nesse caso é preciso consertar. Porém, quando se trata de amor, e nesse ramo os corações são especialistas, ele (o coração) não envelhece. São capazes de bater mais forte quando se apaixonam. Há lindos casos de corações de sessenta batendo acelerado por outros bem mais novos. Isso é lindo!
Nesses casos, ele (o coração, é claro!) bate em ritmo de festa, aprimora a circulação do sangue, irriga o cérebro permitindo ao seu dono escrever poesias, cantar e dançar e viver como adolescente.
Uma das mais lindas homenagens aos corações apaixonados está nos versos escritos pelo apaixonado Pixinguinha,  Carinhoso:

“Meu coração, não sei porque, bate feliz, quando te vê”.

Bater feliz, pulsar tranquilo, executar a sístole e a diástole na batida do surdo de uma Escola de Samba, assim deveria ser a vida dos nossos corações.

            Vamos aproveitar o momento, para cantar com Elba Ramalho:

Bate, bate, bate coração
Dentro desse velho peito
Você já está acostumado
A ser maltratado, a não ter direitos

Bate, bate, bate coração
Não ligue, deixe quem quiser falar
Porque o que se leva dessa vida, coração
É o amor que a gente tem pra dar.
Edison Borba

 

 

 

quinta-feira, 9 de maio de 2013

"ENAMORANDO"

Estou namorando
Ou melhor, estou “enamorando”
Fico na espreita
Fico na escuta
Fico de campana
Espio, acompanho cada passo.
O “enamoramento” é  meu.
Aumenta a cada dia
Se fortalece a cada hora
Me tortura a cada minuto
Mas, saboreio cada segundo.
Tenho prazer na espera
Satisfação  de olhar
Gosto de admirar
Ainda vou ter coragem
E um dia, o olho eu vou piscar
Às vezes sigo de perto
Consigo sentir o perfume.
Já ficamos lado a lado
Num cafezinho de bar
Cheguei pertinho
Quase esbarrei no seu braço
Meu coração me traui
Fez barulho ao pulsar
Envergonhado sai
Corri pelas ruas e becos
Até quase sufocar
Amanhã volto a tentar
Vou esperar
Tocaiar
Acompanhar.
Estou  enamorado
Estou apaixonado
Eu. Somente eu.
Enamorando
Esperando ...
Deixando o vento me levar.

Edison Borba

MARACANÃ

           Maracanã é nome de rio, bairro e também  do grande estádio de futebol do Rio de Janeiro. Inaugurado em 16 de junho de 1950 e batizado com um  nome originado da palavra maraka  de origem Tupi, que significa aves da família dos psitacídeos.
Mário Rodrigues Filho é o nome oficial do majestoso estádio de futebol, dado em homenagem ao  jornalista pernambucano, irmão de Nelson Rodrigues, que se destacou no apoio à construção do prédio.
Foi nele que Pelé comemorou o seu milésimo gol, e  foi nessa grande arena que Frank Sinatra fez o show tão esperado pelos brasileiros. Contrariando os incrédulos, o Sinatra veio ao Brasil.
Maracanã de grandes plateias e jogos inesquecíveis, de torcidas animadas e também de grandes decepções, como a perda da Copa do Mundo de Futebol nos anos 50 para o Uruguai.
Estádio das maiores aglomerações humanas, de grandes musicais e encontros religiosos.
Maracanã de flamengo x fluminense, de vasco x botafogo e de outras incríveis combinações, que levam ao delírio milhares e milhares de torcedores.
Maraca para os íntimos foi palco de grandes exibições de Ademir, Pelé, Zico, Amarildo, Bebeto e entre outros grandes ídolos do futebol.
Maracanã que balançava quando a galera comemorava os incríveis bailados do grande Mané Garrincha. O homem das pernas tortas driblava no gramado como um menino brincando de jogador. Estádio onde reinou o futebol arte das grandes seleções brasileiras.
Estádio do Maracanã, planejado, construído, reformado, reformulado, reerguido, reinaugurado, “(re) reformado”, superfaturado onde alguns políticos e empresários jogam com o dinheiro do povão. Planejam e excutam amistosos de interesses próprios, arrecadam grandes boladas financeiras, depositando o que entra em suas bilheterias particulares  nas redes bancárias de majestosas contas em paraísos fiscais.
“Estadio” de vergonha, pelo qual a população brasileira é obrigada a aprender a jogar.
O velho e querido Maraca, novamente reabre seus portões com pompa e tapete verde ou será vermelho de vergonha por ter sido usado para enriquecer quadrilhas de engravatados, que nas trevas da lei, já compraram várias cativas.
Edison Borba
 


 
 
 

 

 

 

 

 

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quarta-feira, 8 de maio de 2013

FIGURINHA REPETIDA

            Nada há de pior para um colecionar, do que a figurinha repetida. A coleção não fica completa, porque falta apenas uma, a considerada difícil, enquanto, algumas se repetem “repetidas” vezes. Isso passa a ser   o tormento do colecionador. A cada envelope comprado e aberto, lá está à figurinha repetindo-se, atormentando a paciência do colecionador que irá esperar mais um pouco, por uma figurinha diferente, a que vai lhe trazer alegria, completando definitivamente o seu álbum.

Uma das situações mais desagradáveis na vida é a repetição.

Chico Buarque, numa inspirada letra, cantou a rotina conjugal:

 todo dia ela faz, tudo sempre igual/ me acorda às seis horas da manhã /  me sorri um sorri pontual e me beija com a boca de paixão”.

À noite a mulher repete o ritual esperando o companheiro quando volta do trabalho às seis horas da tarde. Essa rotina pode vir a ser a destruição do casamento.

A falta de inspiração no mundo dos comerciais, reclames e anúncios,  está dando sinais evidentes que precisa de ajuda. Algumas “figurinhas” do mundo teatral, futebolístico e musical, além das que possuem algum atrativo, como um bumbum siliconado,  repete-se exaustivamente diante dos olhos dos telespectadores.

É um tormento ver a mesma cara, ouvir a mesma voz em diferentes anúncios em diversas emissoras de televisão, às vezes no mesmo horário. Na tentativa de forçar os cidadãos a comprar cerveja, sapatos, celulares, viagens além de outras tranqueiras.

Não dá mais para aguentar a mesma pessoa tentando  convencer a comprar um telefone e ao mesmo tempo uma viagem de turismo. Adquirir um absorvente íntimo, perfumes ou uma caixinha de leite para bebê.

Num país, extremamente diversificado, com pessoas dos mais variados tipos, temos que suportar as mesmas figurinhas?

Sabe-se que, são cidadãos da mídia, pessoas que em função de seus talentos vocais ou atléticos, hipoteticamente são amados pelo povão, mas também é uma demonstração da falta de talento e criatividade das agências de propaganda.

 Forçar a população à comprar algo pelo conselho de uma figura repetidamente apelativa é falta de talento e  criatividade.

Não adianta mudar de canal, eles estão em todos, é como praga. É a maldição da propaganda pouco inspirada e que funciona como a “empurroterapia”, muito comum nas farmácias.

Para aumentar a nossa angústia, estamos sendo ameaçados pela maldição partidária. Aos poucos, os vampiros da política estão voltando a ameaçar às nossas vidas. Exibindo belos sorrisos e travestidos com mantos de bondade, eles já estão atacando.

Precisamos ficar atentos para não comprar gato por lebre, seja num comercial de artigos para o lar ou então para não votar num lobo, que depois de sentar na cadeira política, irá devorar a avozinha e o chapeuzinho vermelho.

Esses últimos são perigosos, porque após “comprados” a durabilidade deles é longa, não há como devolver ao fabricante e o nosso dinheiro, eles irão pegar e jamais haverá devolução.

Quando chegar a hora de comprar, isto é, de VOTAR temos que cuidar de evitarmos as figurinhas repetidas. Elas, irão repetir todas as atitudes anteriores e não haverá como reclamar ou devolver o produto.

Atenção! Não vamos comprar produtos sem sabermos a procedência. Esse alerta também vale para a eleição. Candidatos com defeito não devem ser colocados nas urnas. Diga não aos produtos estragados e principalmente os piratas, isto é, ladrões.

Na hora de votar examine o produto. Veja se é de boa qualidade, se tem um componente ético em sua formação.

Vamos descartar  figurinhas repetidas. Algumas, estão, há muitos anos grudadas em nossos “álbuns” e nunca fizeram nada para completar a coleção!

 Edison Borba

 

 

terça-feira, 7 de maio de 2013

BALADAS / BEBIDAS / BÊBADOS

            Foi constrangedor assistir uma matéria jornalística de um importante canal de televisão abordando como tema a Lei Seca. 
Homens e mulheres, quando entrevistados, não omitiram o crime de beber e dirigir. A maioria, jovens, e pertencentes à classe média, provavelmente com curso superior.
Reunidos em bares deram boas risadas quando o entrevistador perguntou se eles tinham receio de ser detidos por policiais que atuam na repressão através da Lei Seca.
Confesso que fiquei envergonhado. Tive a sensação de que era eu, que estava ali diante das câmeras, debochando da sociedade. O desrespeito era visível no rosto de cada um dos alegres e irresponsáveis bêbados. Um dos entrevistados avisou que vai continuar bebendo e dirigindo. Isso é uma vergonha!
Num outro canal, o jornalista, bastante nervoso, denunciava um grupo de médicos, que burlavam o ponto, faltando aos plantões em hospitais públicos. Com muita propriedade o comunicador chamou os médicos faltosos de assassinos. Convidou-os a se retirar da rede pública de saúde e buscar emprego em clínicas e hospitais particulares.
Acredito que estamos perdendo gradativamente os freios da carruagem. Não há nenhuma força capaz de deter o desrespeito, a falta de ética, o desamor, a desumanidade e tantos outros atos que estão transformando os seres humanos em monstros.
Um fato que também está se tornando comum nos telejornais, são as brigas entre estudantes de escolas da rede pública. Tudo registrado pelos celulares e distribuídos nas redes de internet.
Beber e dirigir. Debochar das leis. Deixar doentes sem atendimento. Colocar a própria vida e a dos outros em perigo. Tudo acontecendo rotineiramente, sem que  haja  indignação. Os erros passaram a ser parte comum no dia-a-dia da nossa sociedade.
Acredito que escrever constantemente sobre esse tipo de assunto, já está aborrecendo os leitores, porém continuarei a mostrar indignação diante dessas  questões.
Falar sobre os desmandos dos governos é “chover no molhado”. Parece que tudo acontece para que nada aconteça.
Ficamos perdidos sem saber se o certo é errado ou se é o errado que está certo. Está tudo muito misturado. São tantos novos conceitos sobre justiça, liberdade e amor que para os cidadãos de bem fica difícil entender os novos padrões sociais.
Importante é não perdermos a noção de ética e continuarmos reclamando e demonstrando indignação diante de tantas distorções sociais.
Edison Borba

 

 

segunda-feira, 6 de maio de 2013

NOSTALGIA

                   Casa vazia

Paredes descascadas

Cortina rasgadas

Fotografias amareladas

Abandono

Grama queimada

Jardim abandonado

Árvores morrendo

Vida esvaziada

         Tristeza...

Pássaros emudecidos

Louça na pia

Copo quebrado

Cama desfeita

Poeira acumulada

Livros abandonados

Roupas espalhadas

Sombras do passado

Toalha sobre a mesa

Restos de bebida

Por uma janela quebrada

Uma brisa entra naquela casa

Saudade...

No banheiro os perfumes

No espelho embaçado

Surgem figuras estranhas

Lembranças...

Ainda, se  pode  ouvir risos e música

Tilintar de taças

E gente feliz rindo por nada

Era só felicidade

Nostalgia...

Edison Borba