sexta-feira, 7 de junho de 2013

OS QUE QUEREM SER DEUSES.

            Na mitologia nórdica Thor é o deus que empunha o martelo. Filho de Odin e Jord, ele cresceu e passou a ser associado aos relâmpagos, tempestades e trovões. Essa e outras versões podem ser encontradas sobre a existência desse deus.
Em qualquer ângulo que a história seja contada, haverá de alguma forma relações com violência. Todo esse preâmbulo está sendo feito, para comentarmos a escolha dos nomes que fazemos para os nossos filhos.
Existe um forte indício de que os pais escolhem para seus rebentos nomes que identificam de alguma forma suas características psicológicas e sociais. Os religiosos (dependendo do credo) buscam em santos ou na bíblia sugestões para batizarem suas crianças: Antônio, Maria, Fátima, Joel, Daniel, Francisco, Pedro, Rafael. Os anjos também entram nessas escolhas.
Outros preferem juntar nomes do pai com o da mãe Jorcélia, uma mistura de Jorge com Célia. Há os que preferem aportuguesar nomes estrangeiros, como Uoshinton entre outros.
E assim vamos encontrando pessoas carregando indentidades nem sempre agradáveis. Há também nomes que são escolhidos para demonstração de poder e riqueza. Geralmente são os deuses invocados para apadrinharem o pimpolhos. Mas, carregar um nome pode ser algo sem maiores importâncias, porém a forma pela qual os filhos são educados é que passa a ser uma situação, que pode até gerar perigo para a sociedade.
Fico a imaginar a situação de Jord, mãe de Thor, diante do poder destrutivo de seu filho. Como essa “deusa” transformada em mãe se sentia quando seu garoto atirava raios sobre a o mundo?
É de se esperar que as mães eduquem seus filhos para o bem. Não podemos acreditar que alguém que gerou por nove meses um ser em seu ventre possa se sentir feliz, quando a morte é provocada por essa parte de seu organismo.
Mas, nem sempre as lágrimas de mãe, anula a força da educação proveniente do lado paterno. Odin, pode ter sido o responsável pelo martelo que Thor empunhava nas lutas. Será que foi o seu pai que o ensinou a usar esse objeto para matar?
A história está ai para ser lida, estudada e interpretada e a vida real também.
Em plena era moderna, ainda vemos martelos sendo guiados pelas mãos de homens que querem ser deuses.
Martelos de quatro rodas e motores potentes, usados para matar e violar as leis.
Como os pais do novo Thor estão se sentindo?
Será que a mãe (uma deusa carnavalesca) chora pelo filho e pelo rapaz atingido pelo mortal martelo.
Será que o pai poderoso, quase um deus das finanças sente algo sobre o fato?
Será que o poder dos deuses, seus raios e trovões irão calar a sociedade e o falso deus continuará a atingir inocentes com seus mortíferos brinquedos?
Infelizmente os homens togados já estão em ação e o Thor da era moderna provavelmente continuará atirando seus raios sobre as nossas cabeças.
                              Edison Borba
 

 

 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

S.O.S. AMAZÔNIA.

          As chuvas de verão que ocorrem na Amazônia, nessa época do ano, trás literalmente à tona um grande problema. Toneladas de lixo chegam à superfície dos igarapés denunciando às péssimas condições ecológicas em que se encontram muitos rios daquela bacia.
Um dos maiores mananciais de água do mundo está gradativamente perdendo o seu poder. Quem viu as imagens mostradas pelos noticiários deve  ter ficado horrorizado com as cenas em que grandes quantidades de lixo aparecem boiando no que antes eram as águas limpas e doces dos rios amazônicos.
Inacreditavelmente estamos acompanhando a destruição dos rios que formam à bacia do amazonas. É provável que ainda existam pessoas que acreditem que aquele manancial é inesgotável.
Houve uma época em que isso é uma crença que dominava o imaginário brasileiro. No cancioneiro popular encontramos dezenas de músicas enaltecendo as belezas do Brasil. Música e letra falando de um país onde as sementes germinavam, só de tocar no solo, as águas cristalinas jorravam das nascentes, alimentando grande variedade de rios. Cantava-se a beleza das terras, mares e céu. Tudo aqui reluzia como ouro. Mas o tempo tem nos mostrado que a natureza está morrendo aos poucos. Rios que não nascem mais peixes, florestas que emudecem sem o cantar dos pássaros, árvores que tombam para abastecer madeireiras, garimpo incontrolável devastando enormes áreas, queimadas sem controle, exploração de solos até o total esgotamento da terra, tráfico de animais e plantas através da pirataria internacional, exploração imobiliária e muitas outras ações danosas sobre o meio ambiente.
Infelizmente à cheia dos rios da Amazônia, denuncia às péssimas condições daquela região. Populações ribeirinhas, cujas condições de pobreza,  de saneamento básico e de moradias adequadas, faz com que a poluição aumente a cada dia. Os rios estão gradativamente servindo de lixão e contribuindo cada vez mais para a degradação de todo aquele ambiente.
Ou desligamos à televisão e fechamos os olhos para a poluição dos rios brasileiros, principalmente da Amazônia, ou socorremos o que é possível salvar. Caso contrário, o maior manancial de água do mundo não viverá para matar a sede das futuras gerações.
Edison Borba

quarta-feira, 5 de junho de 2013

SAÚDE! É O QUE INTERESSA?

           Escrever, falar, denunciar e protestar sobre o funcionamento dos hospitais públicos brasileiros é “chover no molhado”. Faz décadas que estamos “dando murros em ponta de facas” e apesar das nossas mãos já estar  furadas, a situação permanece inalterável. Excesso de pacientes em hospitais sem as mínimas condições de funcionamento. Faltam médicos e os que ainda continuam atuando “tiram leite de pedra”.
Doentes deitados no chão e em macas enfileiradas  pelos corredores completam o panorama. De note ao sul, de leste a oeste, a situação se repete. Acredito que de tão crônica, a situação já se tornou, habitual e  incurável. As imagens mostradas pelos telejornais, não causam tanto impacto. É possível até, que nós os telespectadores nos sintamos invadidos por tragédias que só atrapalham os capítulos das novelas, a resenha dos jogos, as entrevistas com famosos entre outros momentos de grande importância da nossa televisão.
Saber que as consultas são marcadas em junho para o atendimento acontecer em dezembro, que centenas de pessoas passam muitas horas nas filas para conseguir (quando conseguem) atendimentos na emergência, mostrar insetos e lixo nos corredores, até nos incomoda quando são mostradas nos horários das refeições.
Às poucas boas notícias, surgem como pequenos grãos de areia num deserto. Uma nova ala num hospital infantil é inaugurada como se fosse uma grande doação que o governo faz ao povo. Uma sala de cirurgia, que ganha novos equipamentos é alardeada como se um novo hospital, de primeiro mundo, estivesse sendo inaugurado.
Quem pode paga caro pelos planos de saúde, que já andam congestionados pelo excesso de novos sócios.
Quando reclamamos que tudo isso acontece no país do futebol, onde imensos e dispendiosos estádios estão capitalizando bilhões de reais, corremos o risco de sermos chamados de incapazes de perceber o progresso. Somos vistos como urubus ou ervas daninhas  querendo destruir o governo. Que só queremos criticar e nada estamos acrescentando. Um país de tanto sol e futebol, não pode ser criticado apenas porque alguns cidadãos resolvem adoecer, prejudicando o desenvolvimento da pátria. Se todos cuidassem das suas saúdes, não haveria problemas hospitalares.
Esses homens e mulheres que ficam doentes, o fazem propositalmente para prejudicar o progresso dessa grande nação. É possível até que haja um plano para desmoralizar o governo. Pessoas adoecendo apenas para criar tumulto.
Temos um belo futuro, gente feliz e alegre, lotando os estádios de futebol com bandeiras e camisetas coloridas, cantando hinos e dançando alegremente, mostrando que esse país vive em completa felicidade.
Essa história de desigualdade social não passa de uma grande farsa, montada por invejosos que planejam o retrocesso político.
Fora os doentes!
Prisão para todos os que fizerem filas nos hospitais!
Quem quiser leito que vá para casa dormir!
A hora é de felicidade e preparar o país para todos os grandes espetáculos que irão nos alegrar fazendo-nos esquecer da fome e das dores.
Nosso país não é bronze nem é prata – o Brasil é ouro!
Edison Borba

terça-feira, 4 de junho de 2013

VALORIZAÇÃO DO NADA

            Eis aqui, uma situação interessante. Nada, vazio, oco, sem substância ou sem importância.
Todos os dias somos envolvidos por situações pequenas, fatos corriqueiros e cuja importância dependerá na maioria das vezes  de nós.
Existem pequenas atitudes, “pequenas” no sentido de sutis ou delicadas. O abraço inesperado de um amigo, o sorriso de uma criança, um elogio espontâneo, um muito obrigado, por favor, ou aperto de mão, que nos fazem tão bem que são capazes de mudar nosso dia. Digamos que são pequenos gestos de amor, disfarçados e inesperados. Às vezes nem temos tempo de retribuir e até mesmo identificar. Esses atos possuem em seu conteúdo, o amor, a gentileza, o carinho e o afeto.
Porém, da mesma forma que muitas vezes não conseguimos identificá-los e os deixamos escorrer por nossas mãos, outros valorizamos além da conta.
São incontáveis às vezes que estragamos nosso dia, valorizando o nada. Uma palavra pouco educada, dita por alguém que não faz parte do nosso grupo de amigos, um esbarrão durante a viagem para o trabalho, uma cena de rua, que resolvemos para  olhar e depois sentir o quanto aquilo nos aborreceu, um café derramado na toalha, a demora da pessoa amada para o encontro, a falta de açúcar na mesa do café,  uma observação indelicada e tantos outros episódios que nos fazem perder a paciência e jogar o nosso dia no lixo.
Por que motivo, valorizamos tanto esses momentos? Se pesarmos na balança do que é importante em nossas vidas eles são NADA.
O que é mais importante, o abraço de um amigo ou um pequeno esbarrão dentro da condução? O sorriso de uma criança ou um pouco de café derramado na toalha? Ver a pessoa amada chegar de braços abertos ou reclamar do tempo que ficou esperando?
Eu sei que todos nós já estamos viciados em colocar a culpa no estresse, na vida agitada, na falta de dinheiro e outras coisinhas mais. Porém, se aprendermos a separar o joio do trigo, a nossa vida provavelmente irá melhorar bastante.
Para aqueles que já estão pensando e me chamar de POLIANA, é bom lembrar que valorizar as pequenas coisas boas não é se tornar bobo ou imbecil, é ter consciência que a vida é curta e que devemos aproveitar o máximo tudo de bom que ela nos oferece.
Nem sempre o melhor da vida está na Casa Lotérica, palácios e mansões. Ela pode estar bem pertinho de nós e não conseguimos percebê-la.
É preciso saber viver!
Edison Borba

EM BOCA FECHADA ...

          “O silêncio é de ouro” e, “em boca fechada não entra mosquito”, são ditos populares que não podemos esquecer.
Quando nossa boca deixar escapar uma opinião, sugestão, informação ou qualquer outro tipo de fala, não há mais retorno. As palavras o vento leva e nunca mais deixam de existir. Ficarão repercutindo através das ondas sonoras estudadas pela Física por toda a eternidade.
Estamos vivendo um momento em que as opiniões são emitidas sem que as consequências daquilo que foi falado sejam medidas. O uso dos novos meios de comunicação está facilitando a emissão de opiniões nem sempre pensadas, em suas  consequências.
Outro dito popular creio que também deve ser lembrado: “cada qual no seu quadrado”, isto é, cuidado com opiniões que fujam ao seu conhecimento.
Nestes últimos dias, uma famosa cantora e dançarina, bastante conhecida por seus sucessos com músicas de ritmos regionais, falou sem pensar, emitindo opiniões sobre um assunto que não lhe pertence. Casada e sempre acompanhada do marido cantor, mãe de vários filhos e aparentemente com uma família bem constituída, emitiu observações infelizes, que atingiram seus colegas de profissão, pessoas inocentes que nunca lhe fizeram mal e alguns são até seus fãs.
Creio que ela não pensou sobre o que falou. Talvez influenciada por crenças religiosas radicais, ela ofendeu milhares de homens e mulheres, cidadãos brasileiros, que aplaudem o seu trabalho e muitos até compram seus CDs e DVDs.
No momento que ela está cogitando construir um filme sobre a sua carreira e os seus sucessos,  sem pensar falou o que não devia. Será que esse episódio irá constar nas filmagens? Será que a sua observação preconceituosa irá constar da história de sua vida? Que outros tipos de preconceitos ela guarda em seu coração?
Que pena! Que desastre! Que decepção!
Mesmo não sendo  seu admirador, sempre respeitei o seu trabalho. Creio que assim como eu, muitos estão decepcionados e tristes por observações tão cruéis e desprovidas de conteúdo científico.
Para piorar as suas desculpas, a cantora e dançarina, afirmou com ingenuidade (??!!??) que possui um grande amigo, que ela piedosamente acolhe em sua casa mesmo sendo ele um indivíduo “diferente”. Teria sido melhor ter ficado em silêncio.
Em boca fechada não entra mosquito!
É sempre bom lembrar, desse ditado popular.
Edison Borba

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A DIFÍCIL ARTE DE PACIFICAR

           Temos acompanhado o empenho de algumas autoridades, em tentar a pacificação nas comunidades do Rio de Janeiro. Sabemos que é uma tarefa difícil, que exige paciência e perseverança. Não se trata apenas de montar Unidades Militares em lugares dominados por traficantes e bandidos, é um processo de conquista e libertação. É preciso livrar os moradores do referencial histórico de obediência aos malfeitores.
A violência é tal qual uma doença endêmica, que uma vez instalada, é preciso eliminar o vetor. No caso da dengue, os mosquitos precisam ser destruídos, e para isso tem-se que acabar com seus locais de reprodução. O sistema é o mesmo quando estamos tratando com os traficantes. São tão maléficos como o câncer, que através de metástases contaminam diversas áreas.
Outra questão, que também dificulta a ação das UPPs, é a falta de condições básicas de sobrevivência nas localidades mais pobres do estado. Tivemos um longo período de descaso com o saneamento básico, educação, saúde e moradia. Esse tempo perdido, precisa ser recuperado, mas novamente analisando  biologicamente a questão, o que não foi realizado corretamente no tempo certo, deixou marcas e cicatrizes difíceis de serem apagadas.
Estamos inaugurando mais uma UPP, dessa vez na localidade de Cerro-Corá, atendendo moradores do bairro do Cosme Velho e adjacências.
Importante lembrar, que inaugurar instalações de uma Unidade Pacificadora é iniciar um longo e árduo processo, que implica na adaptação dos moradores e dos policiais indicados para a tarefa. Será necessário um longo tempo até que novas atitudes e hábitos sejam implantados no local. Também será necessário que as necessidades básicas, como coleta sistemática do lixo, criação de posto de saúde e creches, apoio à associação de moradores além de uma série de necessidades que juntamente com a presença dos policiais, irão compor o processo de pacificação.
Temos que ter cuidado, para não errarmos novamente, como aconteceu com o turista alemão, que iludido com a propaganda enganosa, foi baleado, numa comunidade dita e alardeada pelos meios de comunicação como pacificada.
Todos, queremos que a paz seja uma realidade, em nossa cidade, estado e país, mas precisamos ter coragem de admitir que, estamos,  no caminho certo, mas  ainda falta muito para conseguirmos chegar à tão sonhada pacificação.
Chegaremos lá sem dúvida! Disso eu tenho certeza!
Edison Borba

 

 

sábado, 1 de junho de 2013

O TURISTA ALEMÃO

             Daniel Baijaim, nascido e morador da Alemanha, organizou sua bagagem, dirigiu-se ao aeroporto e sonhando com as belezas tropicais, desembarcou no Rio de Janeiro.
Sua pele branca e os olhos azuis contrastavam com a pele amorenada da maioria dos cariocas.
De sandálias e camisa colorida, Daniel saiu a passear pelas calçadas da cidade maravilhosa.
Provavelmente bebeu  água de coco no calçadão de Copacabana, paquerou algumas garotas e mergulhou nas águas quentinhas da nossa  princesinha do mar.
Visitou o Corcovado e sob a imagem do Cristo, apreciou as belezas naturais da  cidade,  famosa em todo o mundo por ser hospitaleira e exalar felicidade em cada rua, beco, avenida e praça. De povo acolhedor e de sorriso franco.
A lá se foi o  querido turista alemão, com seu amigo a curtir a noite da Lapa. Muito samba, cerveja e mulheres devem ter provocado no homem  de olhos azuis uma visão do paraíso.
Apesar de estarmos no inverno, ele nascido nas terras frias da Europa, se sentia num verão inigualável. Sorvete, refrigerantes, saladas coloridas devem ter feito a alegria desse jovem visitante.
Provavelmente, inebriado pelas propagandas e histórias “novelísticas”, inocentemente embarcou numa “canoa furada” indo visitar uma comunidade dita “pacificada”.
Infelizmente, esqueceram, de informar ao turista alemão, que “nem tudo que reluz é ouro”, um ditado popular brasileiro que também pode ser recitado de outra forma: “não compre gato por lebre”. O que nos conduz para uma terrível situação que é a propaganda enganosa.  Estão vendendo turismo sem os devidos cuidados com a   informação franca, direta e verdadeira.
            Comunidades pacificadas, visitas liberadas, bares  povoados de garotas lindas prontas para alegrar os visitantes, é isca para atrair àqueles que não receberam informações sérias e reais.
Para nós, brasileiros, principalmente cariocas, sabemos que “por fora bela viola, mas por dentro pão bolorento” um ditado que nos ajuda a sobreviver.
            Ainda estamos longe de termos nossas comunidades pacificadas, com ruas e vielas totalmente livres dos homens maus. Apenas nas telenovelas, a felicidade está em cada casa e não existem mais problemas sociais.
Sabemos que ainda temos muitos problemas a ser resolvidos. Os primeiros passos já foram dados e melhoramos bastante. Porém, creio que estamos nos precipitando com a venda de pacotes turísticos para comunidades onde o perigo ainda está escondido nos becos e vielas.
            A, Daniel Baijaim, e todo o povo da Alemanha, pedimos desculpas pela propaganda enganosa. 
A cidade do Rio de Janeiro é linda, seu povo é alegre e hospitaleiro, mas os perigos continuam existindo, principalmente para aqueles que desconhecem os perigos que ainda se escondem na calada dos dias e das noites.
            Por favor, desculpem-nos!
Edison Borba