terça-feira, 11 de dezembro de 2012

VAZIO.

Ruas mortas, escuras e silenciosas.
Estou caminhando sem destino.

Ferido, esgotado, cansado.
Não penso em morrer porque morto estou.

Sem sonhos, desejos e paixões.
Esquecido.

De mim ninguém lembra.
E eu também não tenho lembranças

Apaguei de  mim todas as recordações
Estou absolutamente vazio.

Arrasto um corpo pela noite fria.
Um corpo. Não mais o meu corpo.

Caminho bem devagar.
Quase sem forças.

Não há mais nada a fazer.
Não há sonhos  nem desejos.

Não há ninguém para ter saudade.
Não há vontade de ter saudade.

Somente a rua vazia, as sombras e as sobras.
Restos, despejos e rejeitos.

Rejeitado estou.
Rejeitado eu sou.

Não há mais nada a fazer e nem mais nada a dizer.
Uma sensação agradável me envolve.

Deixo-me levar sem resistir.
Abandono o que nunca tive.

Não há mais nada a querer.
Não estou deixando marcas.

Nenhum vestígio nem pegadas.
Não morro, porque nunca existi.

Edison Borba

 

 

 

 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

TESTAMENTO

Quando eu morrer, não me deixem exposto à visitação pública.
Não quero que meu rosto seja motivo de susto para ninguém.

Portanto, que o caixão esteja lacrado.
Não me vistam com paletó e gravata e,  por favor,  sapatos, não!

Avisem aos amigos, conhecidos e familiares, sobre o falecimento,  através de  uma simples nota em jornal.

Tratem de todo o cerimonial discretamente.
Cuidem apenas do estritamente necessário.

Evitem demonstrações exageradas de dor e sofrimento.
Se possível, não chorem!

Busquem os menores preços para os indispensáveis serviços funerários.
Não enviem flores.

Usem o dinheiro das coroas para doações a orfanatos ou asilos que sejam éticos.
Não lamentem a  minha morte.

Lembrem-se apenas dos bons momentos que eu possa ter proporcionado ao mundo.
Providenciem a cremação.

As cinzas, por favor, coloquem num campo verde ou num jardim.
Nunca no mar!

Que os amigos se reúnam para festejar a minha partida.
Comemorem a  “viagem”, como se eu estivesse partindo para uma temporada de férias na Europa.

Tratem com carinho, os objetos que encontrarem na minha casa.
Livros e discos podem ser divididos entre os amigos mais chegados.

Aparelhos elétricos e mobília,  distribuam entre pessoas que realmente necessitem.
Meus escritos, textos, memórias, deixem com alguém que valorize esse tipo de material.

Caso não haja interesse, por favor, queimem. Não gostaria que o lixo fosse escolhido para receber os meus pensamentos, sonhos e ideias.

E quando ouvirem o ruído do vento através das folhagens das árvores, lembrem-se de mim, como um homem que tentou viver dignamente.

Que lutou por um mundo mais justo e sem preconceitos.

Um simples “cara” que acreditou que o amor é o maior e mais nobre de todos os sentimentos.

Edison Borba

 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

AMOR. AH! O AMOR!

Desde os mais remotos tempos, homens e mulheres se apaixonam, formando casais que imortalizaram o amor.
Amores complicados, impossíveis, previsíveis, complexos e inusitados são apenas algumas formas de manifestação dessa reação humana.
Declarações e juras amorosas são famosas, entre famosos ou não famosos. Pensando bem, muitos famosos ficaram famosos, em função das juras de manterem a relação, pela eternidade. E mais famosos ficaram pela pouca durabilidade dessa tal eternidade.
Atualmente muitos buscam a fama, através de seus romances, banalizando as juras de amor, tão sérias e significativas como as que aconteceram entre Armando Duval e Margarida Gauthier, em a Dama das Camélias.
A beira da morte, a linda Margarida, ainda consegue forças para dizer: “Eu estou morrendo, mas estou feliz também e minha felicidade esconde minha morte”.
Esse tipo de amor  está cada vez mais  fora de moda. Vivemos no século dos amores efêmeros, rápidos e fáceis de deletar. Porém, no inconsciente humano ainda existe resquícios dessa vontade do amor eterno, pelo menos eterno enquanto dure.
Os amores e desamores, sejam eles entre cabeças coroadas ou simplesmente entre pobres mortais, ainda vendem jornais e revistas  sendo motivo para muitas obras literárias se tornarem campeãs de venda no mundo das editoras.
Romeu e Julieta são exemplos de amor ingênuo, quase infantil.  Proibidos pelas famílias, transformaram em tragédia o que poderia ter sido um final feliz.
Bonnie e Clyde  bons representantes de amor explosivo. Juntos assaltaram  bancos, transformando a relação numa bomba altamente perigosa.
Red Butlher e Scarlet O’Hara brincaram de amar numa gangorra afetiva, num vai e vem às vezes cômico, principalmente quando a Scarlet adiava para mais tarde suas decisões amorosas. Pobre do Senhor Butlher, que aturou com paciência o fantasma de Ashley Wilkes, durante toda a história que o vento não levou.
Sansão e Dalila representam a traição e o arrependimento. Um bom exemplo de que o amor é cego, em todos os sentidos.
E assim, entre tapas e beijos, traições e ciúmes, flores e chocolates amores se revelam, se constroem e se destroem.
Otelos,  Cleópatras e Helenas e outros personagens povoam diariamente nossas mentes sempre ávidas por um romance, proibido ou não.
Entre tantos casais apaixonados não podemos esquecer o amor que envolve Dona Florinda e o Professor Girafales. Ela sempre lhe oferecendo café e ele retribuindo com flores. Um casal encantador, que atravessou o tempo sobrevivendo até os dias de hoje nas historinhas do  Chaves. Os rolinhos no cabelo da heroína, a fazem encantadora aos olhos de seu amado, que de chapéu, charuto e elegantemente vestido num terno cinza, faz a corte a sua amada.
Um singelo caso de amor que se estica por décadas no pátio da vila onde também acontece um quase romance entre o Senhor Madruga e a sua eterna admiradora Dona Clotilde, a bruxa, do setenta e dois.
O amor é sempre lindo, e todas as suas formas valem a pena, como admite o poeta. Se a humanidade realmente soubesse conjugar esse  verbo, a vida seria mais fácil e mais bonita.
Vida longa aos amantes e aos amores!
 
Edison Borba

 

DOCES LEMBRANÇAS


Saudade da calmaria e do piscar dos vagalumes,
Do balançar na rede e colher fruta no pé.

Saudade do sussurrar do vento entre as  mangueiras,
Do ruído confuso dos pássaros  noturnos.

Saudade dos verdes campos e das flores no jardim,
Do amanhecer preguiçoso e do cheiro de café.

Saudade das folhas secas, caídas das amendoeiras,
Do ranger da velha porteira, desgastada pelo tempo.

Saudade da água fresquinha, tirada do fundo do poço,
Da passagem da boiada, levantando poeira na estrada.

Saudade do perfume emanado do  jasmim,
Do coachar dos sapos numa serenata sem fim.

Saudade dos pingos da chuva pendurados nas ramagens
Do cheiro de terra molhada logo após a chuvarada.

Saudade das amoreiras, cajueiros e bananeiras,
Das goiabas o sabor, de encher a boca d’água

Da  siriguela a cor bem amarela o roxo do jamelão,
Manchando a nossa boca, denunciando o ladrão.

Dos limões o azedinho e o visgo da  jaqueira.
É tanto para lembrar

Ter saudade recordar
Das conversas esticadas, do varandão e do luar.

Dos amigos, das risadas, dos segredos revelados.
Do frescor das madrugadas

Do alvorecer trás dos montes
E das tardes ensolaradas.

Da estrada sinuosa de barro avermelhado
Do fusquinha, um guerreiro, vencendo a buraqueira

Aguentando a bagunça dos alegres passageiros.
E assim passou o tempo

Agora saudade e lembranças
No peito de cada um que curtiu aquela casa

Aquele tempo e os momentos
Eternizados em fotos e nas histórias fantásticas que cada um vai contar,
na esperança que um dia tudo poderá voltar!

Edison Borba

 

 

 

 

 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O ABC DO OSCAR

Arte inovadora
Beleza  moldada em cimento
Curvas arrojadas

Desenhos ousados
Engenheiro trabalhador
Firme em seus propósitos

Grandioso ser humano
Homem ético e sensível
Inteligente e impaciente

Jamais abandonou seus sonhos
Kafka, sem dúvida, também o respeitaria.
Lápis foi sua arma para rascunhos fazer

Maravilhoso em seus traços, às vezes incompreendido.
Niemeyer  nasceu pra fazer da arte seu mundo
Oscar foi operário e trabalhador incansável

Político de esquerda
Querido pelos amigos
Recriou a arquitetura

Sonhou com templos espaçosos
Telhados arrojados e castelos envidraçados
Um brasileiro incomparável

Verdadeiro e combativo
Wagneriano em sua obra
Xodó dos brasileiros

Yagi o respeitaria
Zeloso por sua pátria, um brasileiro imortal!

Edison Borba

 

 

CORAÇÃO VASCORINTIANO.

Sou vascaíno de nascimento. Cresci num lar, onde a bandeira do Clube de Regatas Vasco da Gama  tremulava ao lado do lábaro estrelado brasileiro.
Quando comecei a falar, após aprender papá e mamã, a terceira palavra foi Vasco, o da Gama só após o meu primeiro aniversário.
Sou torcedor, mas não assisto aos jogos do Gigante da Colina. Meu coração não aguenta os noventa minutos de emoção. Espero terminar a contenda, para ver os melhores momentos e ouvir os comentaristas explicando os lances e jogadas.
Fico de mau humor, quando meu time querido, não consegue desempenhar adequadamente o seu papel no gramado. Não sou um bom perdedor. Perco a calma se o vascão  perde.
Não aguento comentários sobre meu time do coração.
Minha origem portuguesa se revela no prazer de saborear uma bacalhoada, sofrer ouvindo um fado e torcer apaixonadamente pelo Vasco da Gama.
Meus avós e meus pais me deixaram essa maravilhosa herança!
Porém, neste momento, apesar do meu coração vascaíno, estou abrindo um espaço para o timão da terra da garoa, o Corinthians. Não se trata de traição, apenas um gesto de brasilidade. Agora, em dezembro, lá do outro lado do mundo, um pedaço do Brasil está sendo representado por um grande Gavião. Os fiéis seguidores corintianos estão no país do sol nascente, pintando as arquibancadas, de preto, branco, verde e amarelo.
Força para a nação corintiana. Estamos torcendo para que o Brasil seja bem representado por vocês.
Porém, no sangue de um vascaíno continua a navegar a nau portuguesa, ostentando em suas velas a bela cruz de malta.
Edison Borba

BRASIL EM CORES

Salve Zumbi

Rei dos Palmares

Salve Mercedes Batista

Grande Otelo e Ruth de Souza

Pérolas negras

Belezas negras

A benção Aninha e Meninha

Senhoras do candomblé

Mães abençoadas por todos os orixás

Reverências a Machado, o de Assis,

Ao  Antônio Francisco, que também era Lisboa,

Cuja arte emociona e envaidece  todos os brasileiros

Saudações à Carolina de Jesus, Chica Xavier, Zezé Mota,

Alcione, Léa Garcia e tantas outras  mulheres.

Saravá  Clementina de Jesus, a rainha Quelé, e

Elizeth Cardoso, a Divina

Ataulfo Alves, Milton Nascimento e tantas outras  vozes

De homens e mulheres brasileiramente negros.

Obrigado a Leci Brandão, sambista das  melhores

Brasileira convicta

Salve o povo brasileiro, maravilhosamente  misturado

Geneticamente recombinado pelas mãos Divinas do Criador

Salve homens e mulheres independentes da cor, credo ou  profissão

Salve a brasilidade colorida!

Edison Borba