sexta-feira, 12 de abril de 2013

INVERSÃO DE VALORES

           Diante dos casos de roubo e estupro envolvendo o transporte alternativo na cidade do Rio de Janeiro, principalmente as que circulam pela zona sul da cidade, as autoridades tomaram a seguinte decisão: retirar as vans (kombis) dessa região.
Não querendo ser o dono da verdade, creio que essa medida merece ser analisada.
Imaginemos uma pessoa com dor no braço. Procura o médico e o doutor aconselha a amputação do membro. Tira  braço e o paciente ficará livre da dor que o incomoda.
Se esse tipo de decisão passar a ser tomada, a doutora que exterminou vários pacientes em Curitiba, no Paraná, deverá ganhar um prêmio. Para liberar os leitos da UTI, ela receitava veneno. Com isso, abria vaga para novos pacientes.
No momento em que se discute a questão da mudança do Código Penal, no item que diz respeito à maioridade do infrator, alguns juristas e advogados, criticam a diminuição da faixa etária do infrator, alegando o grande problema que isso vai causar no Estatuto da Criança e Adolescente.
Quem irá consolar as famílias que tiveram seus entes queridos assassinados por crianças e jovens? Como deve estar a família do homem assassinado na região do litoral paulista, no ano de 2012,  por uma jovem de 15 anos? Quem irá consolar os pais do universitário massacrado por  outro jovem de (apenas???) 17 anos?
Da mesma forma que as vans (kombis) serão retiradas  das ruas, as famílias deverão proibir seus filhos de saírem de casa. Não poderão frequentar escolas, universidades, cinemas e nem passear pelas calçadas.
Vamos amputar a liberdade dos cidadãos de bem, enquanto marginais de qualquer idade poderão circular livremente pelas ruas das nossas cidades.
Novamente estamos diante da inversão de valores!
Assustador!
Edison Borba

 

quinta-feira, 11 de abril de 2013

BRASIL VIOLENTO

            Às vésperas do Brasil receber o “Encontro Mundial da Juventude”,  “Copas de Futebol” e “Jogos Olímpicos”, uma onda de crimes acontecem sem que as polícias consigam dar conta.
No eixo Rio de Janeiro e São Paulo, o número de vítimas aumenta de forma violentamente  assustadora.
Nas últimas semanas, os moradores do Rio de Janeiro, ficaram estarrecidos com vários casos de estupro, sendo que um deles foi contra uma jovem turista americana. Infelizmente, apesar de se sentir segura, ao embarcar num transporte público acompanhada de seu noivo, o crime  aconteceu. Os bandidos já haviam cometido vários outros ataques semelhantes, e mesmo assim, estavam em liberdade.
Na mesma semana, um grupo de turistas alemães foi assaltado quando se dirigia ao Cristo Redentor. O passeio foi interrompido e os assaltantes agiram livremente.
Além desses casos, outros  foram cometidos de forma assustadora. Apesar dos policiais tentarem coibir a ação dos marginais, fica cada vez mais difícil, conter a onda de crimes. Um componente, grave, tem sido um fator que impede o controle dos marginais. Em quase todos os delitos, entre os marginais, encontram-se crianças e jovens, considerados pelas leis brasileiras como menores de idade e, portanto, protegidos por estas leis.
O Código Penal Brasileiro está precisando de uma revisão urgente.  A criminalidade está começando cada vez mais cedo. Os marginais usam crianças e jovens como parceiros para cometer roubos e assassinatos.
É comum vermos jovens liderando grupos de bandidos.
Em São Paulo, aconteceu uma tragédia que deixa claro a necessidade de revisão nas Leis Nacionais. Um jovem universitário foi assassinado na porta do edifício onde morava, por outro jovem, que completou 18 anos no dia seguinte ao crime. Por um dia, ele ficará sujeito a penas leves. Será internado numa casa para menores e em poucos meses estará novamente nas ruas.
Num país, que aos 16 anos os jovens podem votar escolher até o presidente da república, além de outras responsabilidades, pode cometer os piores e mais horríveis crimes, que continuará nas ruas até completar 18 anos, quando se considera a maioridade brasileira.
Até quando a nossa sociedade assistirá passivamente a tantos delitos. Roubos, assassinatos, furtos e estupros. Pessoas morrendo diariamente. Meninos e meninas, sendo os focos das tragédias.
Como ficam outros meninos e meninas, que estão perdendo suas vidas ou então a liberdade. Estamos acompanhando uma inversão de valores.
Até quando?
Edison Borba

 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

ADEUS “LA VIOLETERA”

            Maria Antonia Alejandra Vicenta Elpidia Isidora Abad Fernández ou Sara Montiel ou então Sarita (para seus fãs), simplesmente “La Violetera”.
Final dos anos cinquenta  nas telas dos cinemas do Rio de Janeiro (e de todo o mundo), o condor  voava e as cortinas se abriam para as emoções de um filme simples, repleto de canções, contando a história da jovem vendedora de violetas.
Assim conheci Sara Montiel. Foi paixão a primeira vista. A bela morena de cabelos negros, dona de um lindo rosto espanhol encantava a todos com a sua simplicidade e bela voz.
Um enredo que unia a pobre jovem vendedora, que se enamora por um homem rico e poderoso. Entre canções, traições, beijos e emoções a plateia viajou pelo mundo através da voz daquela bela mulher.
Na tela uma jovem pobre, sofre ao ser abandonada pelo grande amor.
Entre cabarés e até viajando no célebre Titanic, a “Violetera”, Sarita, fez muitos chorarem pelo amor perdido.
Felizmente, após muito sofrimento, o final faz a bela vendedora de violetas, reencontrar o seu amante. E assim viveram para sempre felizes e apaixonados.
Após “La Violetera”, Sarita Montiel entrou em minha vida e passei a seguir seus passos e me emocionar com “Carmem de Ronda”, “Meu Último Tango”, “Pecado de Amor” entre outros sucessos.
Para aumentar a minha paixão por essa bela espanhola, nossos destinos se cruzaram. Foi durante um show, numa casa noturna, aqui no Rio de Janeiro, ao final do espetáculo, cantando “La Violetera”, seu maior sucesso, tive a emoção de receber uma das flores que a bela Sara jogava para a plateia.
Até hoje, guardo essa mágica noite em meu coração.
Entre as páginas amarelas de um livro, ainda existem as pétalas de um momento inesquecível da minha vida.
Do encantamento da minha  juventude, nas telas dos cinemas, à realidade de uma noite, fez-se um sonho de amor que se tornou eterno.
Edison Borba

 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

THE VOICE

             Sua voz era considerada estupenda. Um timbre inexplicável. Não era possível classificá-la como sendo de um   tenor ou barítono e muitas vezes, quando a melodia exigia, se tornava um baixo. Os graves conseguidos arrepiavam os que tinham o prazer de ouvi-lo.
Era um cantor da noite, desses que cantam por prazer entre drinks, sorrisos, conversas sussurradas e algumas vezes até uma gargalhada estridente. Diante do microfone, nada o incomodava. Era possível vê-lo absolutamente imerso em seu mundo. Alguns frequentadores assíduos daquele bar, afirmavam que ele cantava para os anjos, ou para o além. Nada o tirava do compasso musical.
O tempo passando e ele independentemente do conjunto musical ou orquestra que o acompanhava, cantava e cantava cada vez melhor.
Uma noite, antes de começar a sua apresentação, teve a curiosidade de olhar os frequentadores da casa noturna. Através da cortina, viu sentada numa mesa bem em frente ao palco, uma mulher de pele alva e cabelos ruivos. Sozinha, tendo como companhia uma piteira dourada, com a qual deixava bailando no ar nuvens de fumaça, uma taça e uma garrafa de champanhe. Aquela visão o deixou intrigado. Quem seria? Ele que nunca se preocupara com a platéia,  sentiu que aquela noite seria diferente.
E foi sob essa sensação que   iniciou a sua apresentação.
A primeira música, uma balada romântica, cantada em voz sussurrada, para criar um clima apaixonado entre os clientes do bar. Aos poucos o repertório desvendava músicas mais pungentes, até chegar àquelas que exigiam mais de sua voz.
Durante o espetáculo, havia um momento para que os músicos se apresentassem. Cada um deles, ao ouvir seu nome, aproveitava alguns momentos de sucesso. Logo a seguir, o retorno triunfal do cantor para as últimas canções e finalmente os aplausos.
Foi quando os músicos se apresentavam,  que a bela mulher desapareceu, deixando a mesa vazia. Apenas a garrafa e a taça com champanhe, continuavam ocupando a solitária mesa.
Ao voltar e não encontrando a estranha dama, sua voz não foi emitida como sempre acontecera. Falhou nos agudos e nos momentos em que se exigia emoção, ele não conseguiu transmitir a sua paixão em cantar. O público, apesar de ser pouco exigente, afinal muitos estavam ali para beber  e conversar, percebeu a diferença em sua apresentação.
Cortinas cerradas, ele se dirigiu para o seu camarim, entre murmúrios  dos componentes do grupo musical e até entre os garçons. Cabeça baixa e sem entender o que havia acontecido, entrou em seu refúgio. Sem coragem para acender as luzes e olhar sua imagem no espelho, sentou-se no sofá e deixou as lágrimas brotarem de seus olhos.
 E foi imerso nesse mundo de solidão e tristeza, que ele ouviu seu nome ser murmurado. Era uma suave voz feminina vinda do lado oposto do sofá em que ele estava sentado. Assustado, limpou o rosto e imaginando ser uma alucinação, tomou coragem, levantou-se e acendeu as luzes do camarim.
A claridade fez surgir diante dele à imagem da mulher de cabelos vermelhos. Assustado diante daquela aparição, não conseguia falar. Aproveitando-se da sua incerteza ela delicadamente, lhe ofereceu o seu cigarro.
Ainda confuso com aquela aparição, aceitou a oferta, e se permitiu tragar aquele cigarro, como se fosse o último de sua vida.
E assim, sem dizer palavras, ficou  alguns momentos olhando para aquele rosto de pele branca emoldurado pela cor dos cabelos.
Entre os dois apenas a fumaça do cigarro, que dava ao encontro um ar ainda mais misterioso.
Com movimentos lentos, como de uma gata, ela se aproximou e lentamente aproximou seus lábios dos dele e suavemente iniciou um beijo. O cantor se deixou levar por aquele encantamento e entregou-se sem nenhum repúdio. Aos poucos se sentiu  inebriado pelo perfume e pelos lábios, que o deixaram absolutamente sem forças.
Não foi possível calcular o tempo que essa cena durou. Ele foi encontrado desmaiado em seu camarim, sem forças e sem voz.
O bar contratou uma atração, que o substituiu. Uma bela cantora, de voz magnífica. Uma mulher de pele alva como a neve e cabelos vermelhos, amada pelo público. Ela todas as noites, ao se apresentar, se faz acompanhar de uma taça e uma garrafa de champanhe.
 Edison Borba

 

sábado, 6 de abril de 2013

PERPLEXIDADE

Acredito que a sociedade brasileira, nunca ficou tão perplexa quanto ao fato de ter um “DEFENSOR” dos direitos humanos, quanto a um senhor que não consigo citar seu nome. Quando pensava que em se tratando de política no Brasil, eu já tinha visto tudo, vejo que errei. Dinheiro do povo em cuecas, bolsos e bolsas, laranjas, compra de votos, roubos milionários, seca na região nordeste ainda dando lucro, enchentes e  desabamentos servindo para arrecadar votos, mentiras, escândalos, crimes, hospitais sucateados ao lado de estádios grandiosos, superfaturamento em obras, educação tratada com descaso, idosos abandonados à própria sorte, criminosos eleitos e assumindo os cargos, farra salarial nas câmaras (todas), de vereadores a senadores.
Isso tudo e muito mais, infelizmente faz parte da grande (grande mesmo) maioria dos que fazem parte direta ou indiretamente do quadro político brasileiro.
Para mim, era impossível ficar perplexo. Acreditei que isso era castigo demais para meu país. Ledo engano meu!
Estamos diante de um momento de indignação!
Parabenizo   todos  que puseram suas “caras a tapa” num grande repúdio a esse monstro que está chefiando a Comissão dos Direitos Humanos.
Também quero deixar aqui o meu luto, meu repúdio, minha indignação.
Estamos de luto. O Brasil deveria vestir-se de preto, usar luto até que esse monstro fosse retirado não só desse cargo, mas de todo o panorama político nacional.
Um país que se orgulha de ter sido escolhido para sediar grandes eventos e que irá receber cidadãos dos mais variados países e, portanto das mais variadas culturas, crenças, credos e opções sexuais deveria se envergonhar de manter uma pessoa com tal distorção de caráter no comando de uma comissão, seja ela qual for.
É hora de sairmos às ruas. Vestir luto e gritar mais uma vez: Fora! Chega! Basta!
Edison Borba
 

 

 

sexta-feira, 5 de abril de 2013

A GUERRA CONTINUA

Apesar da implantação das UPPS (Unidades de Polícias Pacificadoras) confrontos entre policiais e moradores das comunidades, onde estas unidades foram instaladas, estão acontecendo. Hoje o dia começou com os jornais anunciando mais um morto na região do Jacarezinho, bairro da cidade do Rio de Janeiro.
De um lado os policiais. Do outro, moradores gritando por justiça. No meio da rua, coberto por um plástico preto, o morto.
De um lado, declarações dos policiais. Do outro, acusações de truculência. No asfalto, um homem, a vítima.
De um lado, a polícia. Do outro, a população. No chão, mais um cidadão.
A população acompanha esses confrontos, que já fazem parte da rotina carioca. Antes das UPPS, elas eram  mais violentas e aconteciam em maior quantidade. Atualmente, esses fatos continuam ocorrendo, mesmo que em menor número.
A palavra justiça, gritada pelos moradores e exibida em folhas de papelão, exibidas pelo povão, sempre acusando os policiais, nos deixam com uma sensação de dúvida: em que lado está à verdade?
Será mesmo que todas as vítimas foram produzidas pelas armas dos policiais?
Será que foram as armas dos traficantes que causaram as mortes?
Será que ainda existe um comando paralelo, que induz à população a fazer as manifestações?
Com quem está a verdade?
Enquanto isso, a vida segue sua rotina, estranha rotina: policia, samba, povo, mortos, tiros,  propaganda, políticos  muita conversa e pouca ação.
Muito pouco está sendo feito para melhorar as condições de vida  da população. Hospitais sem condição de atendimento. Lixo acumulado em muitas ruas. Quando chegam as chuvas, as enchentes acontecem em quase toda a cidade. Ainda existem muitas comunidades sem saneamento básico. Os transportes cobram preços exorbitantes para um atendimento de má qualidade. No estado do Rio de Janeiro, vários municípios acumulam problemas, que infelizmente, ajudam a deixar o Brasil como um país de terceira classe. Imaginando que esses problemas se repetem em todos os outros estados da federação, estamos diante de uma tragédia nacional.
Apesar da tão divulgada alegria do povo brasileiro, da sua ginga e samba no pé. Apesar de sermos um povo criativo, e a nossa cultura popular ser uma das mais ricas do mundo. Isso não basta! Estamos nos contentando com muito pouco.
Circo é bom e faz bem para a alma, mas é preciso saúde, segurança e educação. Não se constrói uma grande nação apenas usando o potencial do povo, sem dar condições para que esses potenciais sejam capazes de se transformar em felicidade.
É hora de pensar! É hora de agir!
Apenas para lembrar: o dinheiro do povo não é água para se jogar no ralo. Até quando vamos assistir obras gigantescas, construídas apenas para satisfazer o ego de alguns maus brasileiros.
Até quando?
A guerra continua ...

Edison Borba

quinta-feira, 4 de abril de 2013

EM NOVELA ...

Em novela tudo pode acontecer, e isso é muito bom para nós telespectadores, caso isso não fosse possível às emoções estariam ameaçadas.
História (em novela de sucesso atualmente no ar):
Uma  bela senhora morena foi abandonada no altar, humilhada diante dos convidados e tendo que jogar o bolo de casamento no lixo, chorou e chorou.
Uma  bela e jovem mocinha, loura e rica já estava de olho no namorado da amiga (muito amiga), que ficou sozinha no altar.
Incentivada por outra bela jovem e também amiga da amiga da amiga, a bela e jovem mocinha loura, se jogou nos braços do galã. O príncipe pobre e belo, que também já estava de olho na bela jovem, rica e de cabelos dourados, não pensou duas vezes em deixar à senhora morena pela sua linda princesa.
Importante lembrar que todos são belos e educados. Todos são amigos (mui amigos). A senhora morena (viúva) tem duas amigas louras (que amigas), que levaram o belo galã para nadar em outras praias.
Mas o melhor é a cena que aconteceu depois do galã trocar a viúva morena pela jovem loura linda e rica.
A jovem linda e ingênua loura, após subtrair da senhora morena o seu quase marido, vai visitá-la,  pede desculpas, que são aceitas e convida a senhora viúva, que perdeu o noivo no altar para comparecer à sua festa de noivado.
Pasmem! Ela aceitou sem mágoas.
Na vida real:
A  bela jovem loura  rica e quase ingênua  estaria nesse momento em algum hospital da cidade.
A educada viúva morena, que foi abandonada no altar estaria numa Delegacia de Polícia, respondendo por agressão.
Nos jornais, as manchetes em letras grandes anunciariam: “Piranha loura leva surra de viúva enganada”.
Em novela tudo pode! Que bom ... (rsrsrsrs...)

Edison Borba