sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

UMA LIÇÃO DE VIDA!

Irão: Professor rapa cabeça para travar bullying a aluno
O professor Ali Mohammadian, que leciona numa escola primária, no Iran, percebeu que um dos seus alunos (Mahan Rahimi), estava a sendo vítima de bullying devido a uma séria doença, que o fez perder os cabelos. ALI, raspou a cabeça, atitude que foi seguida por outros estudantes. O mestre publicou esta foto no Facebook, com a frase: "as nossas cabeças são sensíveis ao cabelo".
Atitude de um grande mestre, que além do conteúdo de suas aulas, também é um exemplo ser humano. Muitos professores, em todo o mundo, assumem este tipo de atitude, em defesa de seus alunos.
Parabéns ao Senhor Ali, por nos presentear com essa linda atitude!


professor rapa cabelo

TRÁGICO MÊS DE JANEIRO

      O mês de janeiro se despede, deixando um rastro de violência em todo o país. Assaltos, acidentes, assassinatos, traficantes, protestos seguidos de agressões, estupros, cracolândias, furtos e outros tantos atos “criminosos”, aumentaram em todo Brasil no primeiro mês do ano.
Uma onda de insegurança toma conta da sociedade. Mais grades nas janelas, mais seguranças nas ruas, mais policiais, implantação de UPPS e apesar de tudo isto, os traficantes aumentaram suas áreas de ação e a quantidade de crianças e jovens envolvidas em crimes também cresce diariamente.
As estatísticas existem para comprovar esta triste verdade. Diariamente os jornais publicam manchetes cada vez mais horripilantes. Não dá para esconder sob o tapete verde do país, tamanha quantidade de lixo. Apesar da face alegre dos brasileiros servirem de convite para turistas, existe um grande sofrimento atormentado a população.
Da mesma forma que existe uma onda de calor, com temperaturas chegando aos 40 graus, cresce em todo Brasil a “temperatura” da violência. Centenas de ônibus incendiados e depredados e a taxa de assassinatos aumentando diariamente. Como uma febre, que não cede apesar do uso de medicamentos esta doença alastra-se de forma epidêmica. Provavelmente, existem erros no tratamento, que NÃO optou por aplicar vacinas preventivas. No momento em que os primeiros sintomas apareceram, não houve ações para combater a criminalidade. As armas entraram no país e equiparam as quadrilhas. Crianças sem educação adequada é abraçada pelo crime. Sociedade sem atendimentos médicos, transporte, moradia entre outras necessidades básicas, caminha rumo aos protestos, que são usados por aproveitadores, que estimulam à baderna e a violência.
As “medicações” emergenciais não estão sendo capazes de controlar o grande  problema que se alastra pelo Brasil, a violência.
Infelizmente, somos obrigados e repetir e repetir e repetir como um “realejo”, insistentemente que, grande parte de todos os problemas estão diretamente relacionados aos desmandos políticos, que usam os seus cargos, como uma forma de aumentarem as suas contas bancárias. Grande parte dos senadores, deputados, vereadores e demais componentes deste poluído sistema político, vivem confortavelmente longe de todos os problemas que afligem a população.
Janeiro está chegando ao final e os tamborins que animam o carnaval, já se fazem ouvir. As metrópoles e cidades começam a organizar seus blocos e o povo compra fantasias para os dias de folia. Será um período para esquecer as mágoas e o sofrimento, espantar a tristeza e viver entregue ao reinado de Momo, que, com certeza, poderia candidatar-se nas próximas eleições com grandes possibilidades de ser eleito e, quem sabe, transformar esse país da “folia” em uma nação mais séria!
Edison Borba
 

 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

PEQUENOS TEXTOS / GRANDES INTERPRETAÇÕES

        Normalmente os atores e atrizes, que protagonizam uma novela ou até um espetáculo teatral, recebe todos os olhares dos espectadores e da crítica. Enquanto o grupo de apoio, com pequenas e curtas participações, fica esquecido.
No folhetim “Amor à Vida”, Fúlvio Stefanini, está neste grupo de apoio, que rouba a cena todas as vezes que aparece na telinha como Denizard.
Transitando entre o drama e a comédia, o personagem de Fúlvio, nos diverte, mas também nos emociona. Apaixonado pela esposa e pela família representa o machismo de um paulistano de origens italianas, que ele sabiamente encarna de forma engraçada, simplória e apaixonante.
Dotado de grande carisma, o ator sabe dosar as emoções, deixando, muitas vezes seu rosto e gestual falarem com os espectadores. Irreverente e amoroso com os filhos, Denizard é um grande homem, que luta contra seus princípios quando fala de seu amor para a Ordália, sua mulher.
É muito bom assistir as poucas cenas deste ator, grande ator!
O sucesso dos personagens principais da trama, algumas vezes é “forçado” pelos patrocinadores para vender revistas e outros tabloides. Infelizmente, o monopólio estabelecido no mundo televisivo é desconfortável para o público, que só recebe informações sobre alguns em detrimento de outros.
Na reapresentação da novela “O Cravo e a Rosa”, Pedro Paulo Rangel, o Calixto, teve uma excelente interpretação, uma das melhores na novela.
         Outros exemplos poderiam ser enumerados, formando uma grande lista de nomes de profissionais da arte de interpretar, que fisicamente não correspondem aos padrões modernos, ficando  fora da mídia. Porém, sempre haverá no cantinho de uma sala, alguém atento capaz de identificar uma boa interpretação em qualquer que seja a novela de qualquer emissora.
         Parabéns aos anônimos atores e atrizes, que nos brindam com seus belos trabalhos!
Edison Borba

AMOR GELADO

           Entrei na cozinha e observei que a porta da minha geladeira estava aberta. O chão molhado, algumas gotas d’água  ameaçando se desprender das prateleiras,  alimentos derretidos e outros suados pareciam chorar pela minha falta de cuidado.
Minha companheira, que tanto me ajuda a viver estava ali, parada no canto da cozinha, encostada nos ladrilhos lamentando pelo meu descuido.
Logo ela que garante a minha saúde e o meu bem-estar.
No verão conserva meu sorvete e garante que a minha água esteja fresquinha e as verduras  saudáveis, que me permitem saborear deliciosas saladas.
Olhando para aquela criatura branquinha, percebi a importância da nossa relação. Sem ela minha saúde corre perigo, os sabores se perdem e neste calor “saárico” eu não sobreviveria.
Lembrei–me das festas e alegrias que ela me propiciou ao garantir para meus convidados o refrigerante gelado e o vinho na temperatura correta, torta fresquinha e os petiscos no ponto para serem servidos.
Quantos elogios eu recebi, graças à sua colaboração.
Faz muito tempo que ela entrou em minha vida. Tinha eu uns dez anos, quando pela primeira vez,  chegou à minha casa. Minha mãe, já havia comprado um pinguim, que foi imediatamente colocado sobre seu teto. Na porta um bordado garantindo a limpeza do “pegador”. Família reunida diante daquele lindo objeto comprado em diversas prestações. Extasiados ficamos admirando a beleza do nosso novo componente familiar, e a primeira a gente nunca esquece. Nascia ali um relacionamento, que perdura até hoje, um amor gelado, porém fiel.
Minha avó, uma mineira conservadora, negou-se a usar aquele “monstro”, para os seus doces. Durante muito tempo vovó não chegava perto da usurpadora do seu espaço em nossa casa e em nossos corações. A querida vozinha, não imaginava que ela jamais poderia ser substituída. Vó é vó, mas sem dúvida, desde a chegada da nossa querida “gel”, nossa vida mudou. Era sorvete feito em casa, sucos maravilhosos,  com frutas tiradas do pé, água sempre geladinha e o prazer de abrir a porta e apenas olhar a beleza das prateleiras, sempre arrumadinhas pela minha mãe.
Quando, um dia, resolvi ter meu apartamento, ela foi a minha primeira companheira. Um pouco diferente da que fez parte da minha infância.  Não havia mais o pinguim e nem o paninho em sua porta e as  suas formas estavam mais arrojadas., mas continuava linda e desejável. Sem ela minha vida seria caótica.
Que me desculpe o fogão, mas a geladeira é paixão antiga. Conservadora e ao mesmo tempo renovadora. Conservando o que compro, me permite recriar sabores quando misturo o que sobrou do jantar de ontem para ressurgir no almoço de hoje.
Companheira fiel, guardiã da minha alimentação, garantindo sempre o gelo para a bebida dos amigos e no verão, até o frescor que emana do seu interior ajuda a minha sobrevivência.
Peço-lhe desculpas pela distração, esquecendo  você naquele canto da cozinha.
A minha geladeira, meu eterno amor e paixão.
Juntos, seremos felizes para sempre. Beijos de seu admirador Edison Borba

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

O FUSQUINHA DO ITAMAR

        “Seu” Itamar Santos tem 55 anos e mora em São Paulo. Serralheiro por profissão, evangélico por religião. Domingo, cedinho ele lavou o seu fusquinha, colocou a melhor roupa e se dirigiu “dirigindo” seu carrinho para mais um culto de louvor a Deus. Cantos, orações, sermões e muita fé, completaram o dia desse trabalhador brasileiro. Na volta para casa, gentilmente ofereceu carona para amigos. Como todo fusquinha, o do Itamar, é  igual coração de mãe: sempre cabe mais um. E lá se foi o possante, com duas amigas, mais um amigo e completando a lotação uma criança. Todo mundo, com o coração feliz, coversavam alegremente na volta para seus lares.
Porém, no caminho do carrinho, havia mais do que uma pedra, havia uma manifestação, que infelizmente perdeu a condição democrática e tornou-se vandalismo. Pedras atiradas contra vidraças, pancadaria, incêndio, sangue, gritos, agressões, saques e tudo de pior que os seres humanos não podem deixar escapar de suas “entranhas”. Cenas impossíveis de serem descritas.
O fusquinha do Itamar tentou valentemente, ultrapassar a onda de violência, mas o fogo o atingiu e o heroico carrinho perdeu-se meio às chamas. Felizmente, seu Itamar e os amigos foram salvos.
Mais um trabalhador que perde o pouco que tem, por uma atitude que não pode ser considerada democrática. Um serralheiro, de 55 anos que trabalhou bastante para comprar um pequeno e usado automóvel, viu seus sonhos arderem em chamas.
O Brasil está andando sobre brasas, aos poucos o controle do país está sendo colocado à prova,  estamos inaugurando grandes arenas para o futebol e gastando bilhões para as Olimpíadas e fechando os olhos para uma realidade pouco feliz.
Fusca? O que é isso?
“Seu” Itamar? Quem é esse homem?
É melhor deixar pra lá!
 
Edison Borba

 

 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

INCOERÊNCIAS

Todo mundo pede a paz, mas o mundo vive em guerras!O culto ao corpo aumenta, proliferam academias, malhação é quase obrigação, enquanto o número de obesos aumenta constantemente!
Propaga-se sexo seguro, camisinha é proteção, mas os abortos acontecem e a AIDS e as DSTS continuam a se espalhar!
Para as mulheres, agora tem delegacias, lei Maria da Penha com seus vários itens e artigos, porém a todo dia muitas são espancadas, violentadas e mortas!
Para os jovens e crianças, no Brasil, o ECA foi editado, com suas diversas regras, mas de nada adiantou, temos crianças sendo exploradas e morrendo, jovens se drogando, numa onda que cresce a cada dia!
O meio ambiente também teve a sua vez, grupos defensores se espalham pelo mundo, mas o homem desmata, polui, destrói numa progressão maior que a geométrica!
Em cada esquina uma igreja, novos templos e fiéis estão por toda a parte. O nome de Jesus aparece em redes de televisão, mas a ganância, a inveja, o desprezo e corrupção estão cada vez mais evidentes, até mesmo nas religiões!
Estatuto do idoso já está em vigor, regras e ensinamentos para os velhinhos proteger, porém cada vez mais eles são agredidos e espancados!
Para os animais também existem programas e muitas leis para sua proteção, mas nas ruas o número de animais abandonados aumenta, e nas florestas são caçados, muitos já estão em extinção!
Exigir educação e saúde é propaganda de governos. Nunca se falou tanto da importância destas duas questões. Mas as escolas e hospitais sofrem com o descaso e abandono, ambos estão “doentes” e não conseguem exercer as suas tarefas com dignidade!
A arte, dizem que se renova. Novas ondas, novas caras, diferentes os ritmos, mas o que se tem conseguido são grunhidos e barulho, falta de poesia, quase nada é novo para melhor!
Bons modos e cortesia são mostrados em revistas e programas, que tentam ensinar as formas de proceder, mas a cada dia somos menos afáveis, educados e tolerantes!
Nunca tanta gente exibiu “coraçãozinho” com as mãos. Todo mundo diz “te amo”. Casais se formam e declaram seus amores e paixões, mas as separações acontecem mais frequentes, sem tempo de amadurecimento e de conhecimento afetivo. Amor banalizado, existindo apenas nas palavras é o que mais está ocorrendo!
País rico não tem pobreza, a renda deve ser dividida proporcionalmente com seu povo, mas os que fazem a propaganda roubam, desviam, trapaceiam sem nenhuma ética e pudor!
Somos iguais perante a lei, assim consta na Carta Magna do país, porém a discriminação e o preconceito estão cada vez mais evidentes,  o número de pessoas mortas, espancadas e humilhadas por sua cor, opção sexual, religiosa e condição social continua acontecendo.
Incoerências?
Incoerências!
Incoerências ...
 
Edison Borba

domingo, 26 de janeiro de 2014

EU ESTAVA LÁ!

                    "Brasileiros vão às ruas para pedir Diretas Já"          “Comício das Diretas leva um milhão de pessoas à Candelária”
    “Rio fez a maior manifestação pela volta das eleições para presidente”
       


         O ano 1984, o mês abril, o dia era 10, cinco dias antes do meu aniversário. Nesta época o Brasil ainda vivia sob o peso da ditadura militar. Um ano antes, os movimentos por um país democrático, já haviam começado, incluindo o encontro da Praça da Sé em São Paulo. Mas, esse era um dia muito especial, aproximadamente um milhão de pessoas se reuniu no centro do Rio de Janeiro, espalhados pela Avenida Presidente Vargas e outras adjacentes, formavam um mar humano, nunca visto antes no país.  Era o maior encontro humano no Brasil.
A massa, ordeiramente aguardou, cantou, aplaudiu, agitou bandeiras e manifestou seu desejo através de gritos de ordem. Ouviram os discursos de vários líderes políticos brasileiros, aplaudindo, gritando e também silenciando, sempre focado num só sonho: “eleições para presidente do país”, isto é, “diretas já!”
Artistas do teatro, música e arte estavam no palanque apoiando o grande movimento, entre eles, a Musa das Diretas, Fafá de Belém, que ousou cantar e gravar o Hino Nacional Brasileiro.
No meio da multidão, havia um professor sonhador, com o rosto coberto por uma barba escura e no peito um coração ávido por mudanças em seu país. Havia esperanças de que o Brasil seria totalmente diferente dos outros “Brasis”. Já havíamos passado por outras formas de governo, antes da ditadura militar e acreditávamos que a mudança seria a realização de um grande sonho. Porém, após a morte de Tancredo Neves, o povo percebeu com o passar dos anos que muitos dos cidadãos que estiveram no palanque naquele dia 10 de abril de 1984, traíram a confiança do povo trabalhador. Quando assumiram o poder, erraram, traíram, roubaram, esqueceram as promessas e a  ética foi chutada para bem longe do país.

Eu estava lá! Eu cantei o hino nacional! Eu sonhei!

Eu me decepcionei!

Edison Borba

 

sábado, 25 de janeiro de 2014

RIO 40 GRAUS

                  “Rio 40 graus / Cidade maravilha / Purgatório da beleza / E do caos”
                                                    Fernanda Abreu
O Rio de Janeiro está vivendo dias com uma temperatura em torno de 40 graus centígrados. Apesar das praias lotadas, a maioria da população sofre com a baixa umidade do ar e do sol implacável. Em alguns locais a sensação térmica passa dos 40. Água, sorvetes, refrigerantes, óculos escuros, bonés, “sombrinhas” (outro nome do guarda-chuva) e tudo o que for possível para amenizar tanto calor. Protetor solar, cremes e mais o que estiver à disposição (inclusive financeira) está sendo procurado para melhorar às condições de sobrevivência. O calor é tanto, que “é possível fritar um ovo no asfalto”.
Diante de uma situação calamitosa como essa, é que percebemos que a nossa cidade perdeu o seu verde. Nossas amigas árvores, envelhecidas, tombaram sob a força dos temporais, ou então atacadas por cupins, tiveram que ser sacrificadas. O plantio de novas espécies, não é proporcional às perdas. Atualmente, ruas e avenidas inteiras não possuem uma árvore. O maravilhoso Parque do Flamengo sofre anualmente com a derrubada das amigas verdes. E dessa forma, a Cidade maravilhosa, se transforma no purgatório da beleza, do calor e do caos.
Que o verão de 2014, possa servir de alerta, para que todos os que amam o Rio, voltem seus olhos para o verde. A propaganda “enganosa” que os meios de comunicação fazem, enaltecendo o calor e estimulando o povo a procurar as praias, poderia se voltar para o perigo dos raios solares e para a devastação da nossa flora.
Em poucos anos, a cidade maravilhosa, em continuando nesse regime acelerado de derrubada das árvores, se transformará num grande forno. Mesmo com a presença do mar, as maravilhas do Rio estarão fadadas a esturricarem sob os raios do implacável sol. Impossível, não perceber que a falta do verde é um dos fatores do aumento do desconforto. É possível encontrarmos pessoas tentando proteção sob a fina sombra dos postes. Seria “engraçado” se não fosse sério.
O acelerado crescimento de prédios e da população, a ganância desmedida de empresários, que desmatam sob a bandeira do progresso, a excessiva produção de lixo que não recebe tratamento adequado, são fatores, que colaboram para o aumento do desconforto nos dias de calor. O tão alardeado verão carioca, poderá se transformar num caldeirão, no qual nossos descendentes irão cozinhar seus sonhos.
Nossa flora pede socorro! Plantemos árvores! Queremos uma cidade verde! O tempo não para, é urgente que algo seja feito!
Amamos a cidade do Rio de Janeiro e queremos que ela continue Maravilhosa!
Edison Borba
 

AMOR VERÃO

         Folhas secas
         Vento forte
         Ar seco

Calor
             Suor

       Fazer amor no calor
       Fazer amor com calor

Pele molhada
         Bocas secas
         Sedentas

É o calor
     Beber nos lábios

Aumentar a sede
         Insaciável sede

De amor

Vento forte
         Cortina ondulante

Amantes
         Voam
         Flutuam
         Pairam no ar

Na onda de calor
    Que aumenta o amor
    Amor que aumenta o calor

Corpos derretem
              Escorregam
              Deslizam

Dedos entrelaçados
     Bocas coladas
     Matam a sede

Sorvendo a saliva
     Lambendo o suor
     Saciando as vontades

Que aquecem os corpos
     Numa combustão
     Nesse amor verão

 Edison Borba

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

NOVO PEDIDO DE DESCULPAS

“Sem luz em hospital na Zona Oeste, parto é dentro do elevador”- Manchete de um jornal do Rio de Janeiro.

              Ontem, quinta-feira, dia 23 de janeiro de 2014, nasceu mais um bebê em circunstâncias nada normais. Desta vez não foi  bala perdida, foi por falta de energia elétrica. A grávida e uma enfermeira ficaram presas em um elevador do Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, Zona Oeste da Cidade Maravilhosa.
                Era madrugada, faltou energia e o elevador onde elas estavam parou. Antes que o os geradores de emergência pudessem funcionar, nasceu mais um brasileirinho, num espaço exíguo e sob um forte calor. Agradecemos a enfermeira, heroína e guerreira, que soube agir corretamente para ajudar outra brasileira também guerreira. As duas em circunstâncias precárias souberam lutar pela vida. Atitude linda,  a situação feia e vergonhosa para um país que gasta bilhões e se apresenta como uma próspera economia.  
A nova mamãe e o neném estão hospitalizados e a vida continua. Outros bebês continuarão a nascer por esse “brasilzão”.  Outros nascimentos acontecerão, nos mais inusitados ambientes, e infelizmente, a gente se acostuma, mas não devia.
A gente se habitua, mas não devia.
             A gente emudece, mas não devia.
             A gente esquece, mas não devia.
             A gente se acomoda, mas não devia.
São tantos os desmandos que a gente se defende. Temos a nossa vida, a nossa família, os nossos compromissos e precisamos sobreviver. Lamentamos mas não agimos, apenas pedimos mais uma vez: desculpas!
             Querido brasileirinho desculpe seus irmãos brasileiros por negarem a você o direito de nascer dignamente. Desculpe-nos, por favor. Temos pressa, os compromissos nos chamam, talvez amanhã tenhamos que nos desculpar novamente.
              Bom dia!
Edison Borba
 

QUANDO NASCE UMA CIDADE

         O nascimento de uma cidade é sempre motivo de esperança. Os seus fundadores imaginam que irão fazer diferente, haverá escolas, urbanização, hospitais e os seus habitantes irão desfrutar de benefícios que outras não conseguiram realizar. Quando o cinema aborda o tema, os colonizadores surgem como os guerreiros que levam o povo ao encontro de uma nova Canaã. Haverá mel jorrando das fontes e a felicidade habitará todos os lares.
Essa ideia sonhadora talvez seja apenas uma forma romanceada para fugirmos das realidades, nem sempre tão bonitas e pacíficas. Mas, uma nova cidade é sempre motivo para acreditarmos que haverá mais oportunidades. Deve ter sido assim, quando surgiu Uberlândia (MG), Ceilândia (DF), Sanclerlândia (GO), Brazlândia (DF), Epitaciolândia (AC), Verdelândia (MG), Avelinópolis (GO), Açailândia (MA), Agrolândia (SC) e tantos outros municípios. Alguns nomes traduzem a riqueza do local como Açailândia, terra do açaí.
Muitas cidades trazem em seus nomes indicadores de suas riquezas, ou então é a marca de seus fundadores. O nome de um município é sempre motivo de orgulho para seus habitantes.
Porém, surgiu em vários estados brasileiros um novo povoado com as mesmas características. Seja no norte ou no sul, no clima quente ou no frio seus habitantes comportam-se da mesma forma. Esta nova e infeliz cidade tem o seu nome ligado ao um produto, que infelizmente, produz miséria, loucura e infelicidade. Os seus  revendedores, são pragas que roubam a alma dos moradores, também conhecidos como usuários. É uma cidade (?!?) cujos habitantes tem comportamento migratório. Eles trocam de espaço, levando seus trastes e trapos. Comungam da mesma adoração a um deus pagão, que os envolve através do brilho e da fumaça. Esse aglomerado humano “errante” já possui filial em grande parte do território brasileiro. Nunca se observou um crescimento tão rápido de uma população.
 
 
 
 
Infelizmente, esse fenômeno de expansão chama-se “Cracolândia”.
Como detê-lo?

Edison Borba

 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

DENÚNCIAS CANTADAS

           Na década de 50, as composições para o carnaval traziam em suas letras, malícias e protestos. É dessa década uma marchinha que tinha  a seguinte letra: “ ... Rio de Janeiro, cidade que me seduz, de dia falta água e de noite falta luz” ...
Após mais de sessenta anos da população da cidade e do estado do Rio de Janeiro, ter cantado essa marchinha carnavalesca, os problemas continuam.
O verão deste ano está com temperaturas que ultrapassam os 39 graus, com sensação térmica bem acima dos 45 graus. Mergulhados nessa forte massa de calor, os problemas cantados nos anos cinquenta, voltaram a ocorrer: falta  água e luz em diversos bairros e municípios. O Rio de Janeiro está fervendo!
Denúncias, protestos e passeatas estão acontecendo diariamente. A população reclama das dificuldades para sobreviver nesse calvário de calor sem as condições básicas para viver – água e luz. Os péssimos serviços prestados aos usuários não foram alteradas em todo esse tempo, nem as mazelas sociais, apenas as aparências mudaram, mas a essência é a mesma. O sofrimento é o mesmo. Os desmandos são os mesmos.
Neste momento, a situação atinge as zonas norte, sul e oeste, ou seja, houve uma democratização dos problemas que atinge a todas as classes sociais.
Acredito que as marchinhas dos carnavais dos anos cinquenta, faria grande sucesso neste ano, infelizmente a famosa Emilinha Borba, já não poderá cantar “Tomara que Chova”.
Tomara que chova,
Três dias sem parar

A minha grande mágoa
É lá em casa não ter água
E eu preciso me lavar

De promessa eu ando cheia
Quando conto a minha vida ninguém quer acreditar
Trabalho não me cansa
O que me cansa é pensar
Que lá em casa não tem água nem pra cozinhar

É difícil acreditarmos que esta letra foi escrita há tantos anos e continua atual.

            Edison Borba

 

 

ESTRELA DA LUA

O sol chegou mais cedo
Para namorar a lua.
Envergonhada escondeu-se.
Pela sua palidez,
Branca, todinha branca, não deve,
O sol namorar.
Tem a pele muito frágil
Não pode o astro tocar.
Para não ficar sozinha
A moderna, branca lua,
Escolheu uma estrelinha
Para com ela ficar!

Edison Borba

PEDIDO DE DESCULPAS

           Querida brasileirinha, carioca, nascida neste mês de janeiro de 2014, na cidade do Rio de Janeiro.
Venho, em nome de muitos cidadãos, pedir desculpas a você, pela forma cruel com que a recebemos. Durante nove meses você ficou bem protegida no útero de sua mãe. A sua família ansiosamente aguardava a sua chegada. Prepararam enxoval, arrumaram um “berçinho” e cuidaram de sua saúde. Tudo era felicidade. Porém, quando sua mamãe ao viajar em um ônibus da nossa cidade, foi atingida por uma “bala perdida”. Os doutores, muito cuidadosos, optaram pelo seu nascimento. Essa tal “bala perdida” vem assustando muitos moradores do seu país, até hoje não conseguimos detê-la. Desculpe-nos!
Querida menina, neste mesmo dia outros “brasileirinhos” nasceram em todo o país. Alguns em hospitais de luxo, outros em pequenas maternidades e muitos em suas casas amparados por senhoras que chamamos de parteiras. Mas você foi especial, seu nascimento foi mais uma ocorrência policial registrada numa delegacia. Por este motivo estamos lhe pedindo, desculpas e mais desculpas.
Apesar de toda essa confusão, quero informar que você nasceu numa cidade linda. Aqui existem muitas praias, lagoas, montanhas além de outros recantos que a natureza construiu. Quando você crescer, poderá visitar alguns lugares famosos, e sem dúvida irá se encantar com as belezas desta terra. Neste momento, não quero ser pessimista, você acabou de chegar e não merece ouvir notícias desagradáveis.
Desejamos que você cresça saudável, transforme-se numa mulher cidadã, independente e que saiba lutar pelos seus direitos e também ser capaz de entender os seus deveres. Que seja guerreira,  uma brasileira consciente.
Seja bem vinda!
Desculpe-nos por falhar com você, mas acredite que existem muitos cidadãos que estão repudiando o acidente que machucou a sua mamãe. Essa gente é trabalhadora e luta para fazer deste país um lugar melhor para que você e outros brasileirinhos possam crescer saudáveis e felizes.
Grande abraço do povo brasileiro!
Edison Borba

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

TRISTE

Choro, um choro monótono
A tristeza é minha companheira
Derramo lágrimas por ela e por mim
Passei a vida inteira, sem saber pra onde ir
Com quem ficar, a quem amar
Nem castelo na areia, construi
Nada fiz,  nada para me envaidecer
Nada para me orgulhar
Na penumbra da sala,
Pelo véu das cortinas fechadas
Consigo vislumbrar a rua
Mas, quando chega à noite
Mergulho numa triste solidão
Abro baús repletos de cartas
Nunca respondidas
Pois nunca foram lidas
Ainda lacradas empoeiradas
Permanecem caladas, seladas emudecidas
Nunca me houve coragem para abri-las
Fechei as portas janelas e entristeci
Penso numa vida que não foi vivida
Passei pela vida obscuramente
Sendo apenas um bom homem
Obscuramente bom
Silencioso, escorreguei deslizei fingi sofri
Nem bêbado fui, nada roubei, ninguém matei
Só a mim mesmo, sufoquei dia após dia
Na solidão de uma vazia vida
Que nem foi sofrida porque não foi vivida.
 
Edison Borba

 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

SEBASTIÃO, O SANTO

São Sebastião
Salve São Sebastião
Salve Oxossi, salve as matas
Salve o Rio de Janeiro, com seus rios e cascatas
Salve o povo ordeiro, alegre e trabalhador
Salve a nossa natureza, salve a paz e o amor!
Meu santinho adorado
A vós pedimos ajuda: salve-nos, por favor!
Das enchentes e barrancos,
Dos crimes e assaltantes e daqueles que são do mal
Ajude-nos a viver, proteja-nos dos perigos,
Dos raios e tempestades
Das maldades dos políticos
E de suas “irmandades”
Livre-nos dos sequiosos
De poder e de dinheiro
Que maltratam a nossa gente
Sem dó nem piedade
Afaste-os de nosso convívio
Nos de alívio e a paz
Meu querido Sebastião
Meu santinho favorito
Obrigado por  um Rio tão bonito
Tem o Cristo Redentor, praias lindas, um amor
Tem Pão de Açúcar, delicia  boa de saborear
Nosso Botânico Jardim lugar bom de passear
Zona oeste, norte e sul. Montanhas, rios e lagoas
Nossa cidade é alegre e tem gente muito boa
Querido Sebastião, nosso santinho guerreiro
Nos te amamos sempre, de janeiro a janeiro.
Edison Borba

 

 

 

domingo, 19 de janeiro de 2014

“MARVADA” CACHAÇA

          O mundo musical está repleto de músicas que falam e cantam bebidas, porém a cachaça é uma das mais presentes no nosso cancioneiro. A “marvada” vem sendo motivo para afogar tristezas, curar mal de amor, consolar homem traído, festejar conquistas. O que não falta é motivo para entornar uns goles, porém sempre tendo o cuidado de pingar no chão a “do santo”. Bom bebedor sabe que primeiro é preciso servir “àquele” que não vemos.
O dia 13 de setembro foi escolhido para ser o “dia nacional da cachaça”, provavelmente  para relembrar “O Ébrio”, uma história triste sobre um homem que perde tudo ao se tornar um bêbado. Vicente Celestino, e sua grande voz imortalizou a tragédia, provocada pela bebida.
A “Divina” Elizeth Cardoso brincou com o tema cantando, “Eu bebo sim”, um clássico que se junta a outro interpretado por Inezita Barroso, “Marvada Pinga”. Adoniram Barbosa com sua irreverência nos presenteou “Mulher, patrão e cachaça”.
As águas rolaram num carnaval do Rio de Janeiro, quando o povo saiu para as ruas, cantando:
 “As águas vão  rolar,
Garrafa cheia eu não quero ver sobrar,
Eu passo a mão no saca, saca, saca-rolha,
E bebo até me afogar, deixe as águas rolar ...”
Batizada com dezenas de nomes, como abrideira, birita, marafo, pura, calibrina, pinga, branquinha, canjebrina, quebra-goela, cambraia, teimosa, urina-de-santo, saideira e outros tantos, variando de região e de cidades, porém o efeito é sempre o mesmo.
Na Bíblia o episódio “a embriaguez de Noé”, narra que após o dilúvio Noé plantou vinha e fez o vinho. Bebeu e se embriagou, tirou a roupa e desmaiou. Seu filho Cam o encontrou “tendo à mostra as suas vergonhas”. Talvez tenha sido este o primeiro caso de embriaguez e suas maléficas consequências.
Apesar de todas as brincadeiras e risos que as bebidas alcoólicas inspiram, sabemos dos malefícios causados pelo alcoolismo. Lares destruídos, assassinatos, suicídios, brigas, violência e tantos outros problemas, que pioram a medida que a sociedade desenvolve mais artifícios, que usados por indivíduos alcoolizados tornam-se perigosas armas. Os meios de transporte são bombas que explodem nas ruas e estradas causando vítimas fatais. Por mais que campanhas educativas sejam realizadas, o vício e o desrespeito ainda estão ditando as regras.
As bebidas foram criadas para alegrar e festejar, não e o álcool que causa problemas  sim aqueles que não sabem como usá-lo. Voltando novamente à Bíblia, o lindo episódio das bodas de Caná, narrado no Evangelho de João, Jesus a pedido de sua mãe transforma água em vinho.
Portanto, a maior e mais deliciosa bebida está na nossa fé! Através dela, não precisamos de nenhuma bebida para ser feliz!
Edison Borba

sábado, 18 de janeiro de 2014

ALEGRIA! ALEGRIA!

Hoje é dia de alegria, vamos sair pra folia
Sem lenço e sem documento, de roupa bem informal
Ouvir muitas melodias, ensaiar  o carnaval
Deixar a tristeza em casa, no pé da cama amarrada
Trancar a porta do quarto e a chave, jogar no lixo
Hoje é dia de dançar, rebolar, deixar cair, soltar a franga
E  os bichos, desatar os nós do medo e da desesperança
Tem samba na linha, tem gente dançando e pulando
No bloco vamos entrar incorporar vários tipos
Ser pirata, tirolês, princesa, vedete e até a piriguete
Soltar o corpo e deixar o  som levar,
Pra onde ele quiser, pra onde o vento soprar
Quem não dança,  pega na criança
Quem dança, dança  até com criança ou dança como criança
É hora de ser feliz, nem que seja por um “triz”
Por um pequeno momento, alguns segundos, minutos
Mas que sejam inesquecíveis, sem arrependimentos
Que possam ficar no peito, dentro do coração
Alegre dia guardar, como  recordação!

Edison Borba

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

PRECONCEITO – UM MONSTRO SOCIAL

            Mais uma vez o monstro preconceito, mostrou as suas garras, num prédio de nome pomposo e situado em área nobre do Rio de Janeiro, ele atacou violentamente a dignidade de trabalhadores brasileiros.
Entendendo a ocorrência:
Local: Le Monde Office – local de luxo (??!!) na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Edifício onde se concentra várias lojas e consultórios, incluindo um que trabalha com exames de admissão de trabalhadores em diversas empresas.
Situação:  homens trabalhadores foram indicados a fazer exames médicos para serem admitidos numa determinada empresa para iniciarem suas tarefas profissionais. O doutor que faria os exames tem seu consultório no Le Monde Office.
Problema: os operários ao chegaram ao condomínio de luxo (??!!) foram barrados.
Motivo: suas imagens, suas roupas, suas condições sociais foram consideradas poluidoras ambientais. Os argumentos para tal atitude incluiu até o “cheiro” daquelas pessoas, que foram obrigadas a se dirigirem para a garagem do prédio e só obterem o atendimento médico após a chegada da polícia.
É assustador que casos como este aconteçam diariamente em diversas partes do mundo. O preconceito é um dos piores sentimentos do ser humano e que dificilmente será destruído. As leis existem para que haja mais controle o os monstros continuem acorrentados, porém alguns rompem os grilhões e atacam impiedosamente.
 Infelizmente os seres humanos, a cada dia perdem mais a humanidade.
É complicado comentar um ato como este, os autores apresentam justificativas e os prejudicados ficam apenas com um número de registro policial. O prédio, que ostenta um nome pomposo, continuará a excluir a humilhar e a cometer atitudes preconceituosas.
Agora foram trabalhadores e amanhã poderá ser você, eu ou outra pessoa que segundo a gerência do “Le Monde Office” não corresponda aos seus padrões.
O mundo continua dividido, o preconceito continua existindo e com ele as guerras, o terrorismo, as crises sociais entre outras mazelas.
Enquanto os bons se mantiverem calados, os maus continuarão a exibir as suas garras!
Edison Borba

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

DISNEYLÂNDIA & CRACOLÂNDIA

         Em todo o mundo, crianças, jovens e até adultos, sonham em poder visitar o mundo encantado, a terra da fantasia, onde as casas são de chocolate e as fadas aparecem com suas varinhas mágicas para atender aos pedidos de todos. Duendes fazem travessuras nos jardins e a alegria é sempre constante. Peter Pan, Branca de Neve, Cinderela, Príncipes e Princesas, passeiam pelas ruas coloridas junto com Rapunzel e Alice, sem dúvida é o  mundo das maravilhas.
O tempo passou e outra cidade surgiu conhecida como Cracolândia, ela também é uma terra da fantasia. Habitada por monstros, bruxas, ratos e insetos que se misturam com os seus habitantes cambaleantes, desnutridos, maltrapilhos e desnorteados, mergulhados num mundo de loucuras, caminham perdidos pelas ruas onde o lixo se acumula. Entorpecidos pela fumaça mágica de cachimbos, essas criaturas estão perdidas. Não possuem nome, dignidade, vontade própria, tudo o que fazem é comandado pelo feitiço do brilho e do cheiro das ervas usadas para alimentar seus delírios.
Em êxtase, têm pequenos lapsos e visões, onde são reis, rainhas, fortes e poderosos, porém numa fração de segundos o encantamento desaparece e o habitante da terra maldita mergulha num estado de apatia.
Visitar a Disneylândia ou viver na Cracolândia, são  situações paradoxalmente semelhantes. As duas cidades são mágicas, elas oferecem um mergulho na felicidade. Encontrar o ratinho Michey ou conviver com ratazanas, encontrar príncipes e princesas e sentir-se como tal são os atrativos que aguçam o desejo daqueles que sonham em sair da rotina e ser feliz, nem que seja por um pequeno tempo. A diferença está no tempo de validade do passaporte, numa das cidades o tempo de visita é limitado, apenas alguns dias de felicidade e brincadeiras e logo tudo termina e voltamos para o mundo real. Na outra o passaporte é só de ida. Não há como sair e voltar para casa. O sonho inicial transforma-se em pesadelo e o turista recebe um carimbo de viciado, sua ficha irá para o arquivo dos drogados. Sua sina será vagar pelos becos e ruas e pagar um alto preço para manter seus “sonhos”.
Duas cidades povoadas por seres humanos que buscam a felicidade.
Vivemos na busca desse tal sentimento, que “dizem” ser um estado inexplicável. Onde encontrá-lo? Talvez ele exista em nós mesmos e quando saímos para procurá-lo, ele se afasta, se distancia como uma forma de fazer com que possamos perceber que a felicidade está agora neste momento, dentro do coração de cada ser humano, é só dar oportunidade para que ele se manifeste.
Edison Borba